Cidade de Ho Chi Minh planeja programa de combate a enchentes de 142 trilhões de dongs enquanto chuvas e marés sobrecarregam a drenagem

14 min de leitura
Ho Chi Minh City Plans VND142 Trillion Flood Programme as Rain and Tides Strain Drainage

87 projetos enfrentam um desafio que vai além das obras

A cidade de Ho Chi Minh planeja investir mais de 142 trilhões de dongs vietnamitas em 87 projetos de combate a enchentes entre 2026 e 2030, com o objetivo de atender 50 pontos de alagamento em uma cidade ampliada que tem 159 áreas críticas registradas. O programa reúne melhorias na drenagem, intervenções em canais, barreiras contra a maré e reservatórios de água. Seu sucesso dependerá da integração entre essas medidas.

Conteúdo
  1. 87 projetos enfrentam um desafio que vai além das obras
  2. Onde estão os 159 pontos de alagamento
  3. Chuvas e marés superam os parâmetros de projeto antigos
  4. Por que a cidade está analisando 23 bacias de drenagem
  5. O que está previsto para 2026 e os anos seguintes
  6. Comportas contra a maré precisam de um destino para a água da chuva
  7. Abrir espaço para a água em uma cidade em crescimento
  8. Moradores também precisam de alívio durante as obras
  9. Como avaliar se os investimentos funcionam
  10. Principais pontos

O valor detalhado do investimento é de 142,34 trilhões de dongs. Apenas entre 2028 e 2030, a cidade planeja executar 33 projetos, com custo de 73 trilhões de dongs, para enfrentar 17 pontos de alagamento grave. Isso representa cerca de 51% do gasto total proposto para o programa, concentrando uma parcela significativa do investimento nos três anos finais.

Os moradores precisam que esses gastos resultem em alagamentos mais curtos, deslocamentos mais seguros e menos prejuízos. Em 30 de setembro de 2026, um trecho de 800 metros da rua Phan Huy Ich ficou submerso, com a água chegando perto de um metro de profundidade, segundo o Centro de Gestão de Infraestrutura de Transportes e Técnica. Choveram 79 milímetros na rua em apenas 45 minutos.

Phuong Thanh, moradora de 33 anos do edifício residencial Phuc Yen 1, na mesma rua, descreveu as condições que a levaram a deixar a moto em uma loja e voltar para casa a pé:

A água chegou à cintura de um adulto,

A rua ilustra o desafio que o programa de investimentos enfrenta. A água vem de várias bacias de drenagem menores, passa por tubulações antigas até o canal Hy Vong e segue em direção ao canal Tham Luong-Ben Cat. Bueiros estreitos e um canal deteriorado e ocupado irregularmente restringem esse percurso. Melhorar um trecho alagado exige atenção ao caminho da água além dele.

Onde estão os 159 pontos de alagamento

O Departamento de Construção registra 76 pontos de alagamento na antiga área da cidade de Ho Chi Minh, 52 na antiga província de Binh Duong e 31 na antiga província de Ba Ria-Vung Tau. As duas áreas recém-incorporadas somam 83 pontos, pouco mais da metade do total da cidade.

Publicidade

Na antiga cidade, 57 pontos ficam na área urbana central mais antiga e 19, na antiga Thu Duc. Do total da área urbana central, 48 locais são afetados pela chuva e nove, pelas marés. Os alagamentos provocados pelas marés se concentram principalmente em bairros do sul e ao longo dos rios.

A classificação de gravidade do departamento aponta 39 locais com alagamentos frequentes, 33 com alagamentos moderados e 22 com alagamentos leves. Outros 65 ainda não foram classificados, incluindo os 52 da antiga Binh Duong. Nessa classificação, alagamento frequente significa que a água ultrapassa 30 centímetros de profundidade e permanece por mais de 120 minutos.

Um relato posterior sobre o programa do departamento identifica 50 pontos críticos de alagamento, em comparação com os 39 locais sujeitos a alagamentos frequentes na classificação anterior. Outra descrição adota um limite menor: água com pelo menos 30 centímetros de profundidade por mais de 30 minutos. Por isso, as datas e os critérios de classificação são importantes para comparar os números. O programa também define sua meta como 50 locais, cada um dos quais pode incluir vários pontos de alagamento individuais.

Quinze locais com alagamentos frequentes causados pela chuva se concentram nos bairros de Dong Hung Thuan, Thong Tay Hoi, An Hoi Dong, Thanh My Tay e Binh Tri Dong. Essas concentrações tornam indispensáveis estudos locais detalhados para decidir quais projetos devem ser priorizados.

Chuvas e marés superam os parâmetros de projeto antigos

Em uma reunião informativa em 8 de outubro, o Departamento de Construção afirmou que a drenagem existente foi projetada para chuvas de 85,3 milímetros em três horas e um nível de maré de 1,32 metro. Tempestades recentes superaram esses parâmetros, enquanto as marés na estação de Phu An chegaram a 1,75 metro em várias ocasiões.

A chuva de 30 de setembro na rua Phan Huy Ich quase igualou, em apenas 45 minutos, o volume previsto para três horas nos parâmetros de projeto antigos. Quando a água chega tão rapidamente, o fluxo pelas bocas de lobo, tubulações e canais aumenta de forma muito mais abrupta.

Nguyen Phu Quynh, vice-diretor do Instituto Sulista de Pesquisa de Recursos Hídricos, afirma que as enchentes são resultado da combinação de chuvas extremas, marés, vazões dos rios, subsidência do solo e urbanização. A infraestrutura projetada para as condições de 20 a 30 anos atrás pode agora enfrentar níveis dos rios e altitudes do terreno diferentes.

Subsidência significa que o solo está afundando. Um dreno que antes tinha declividade suficiente para conduzir a água até uma saída pode perder parte dessa inclinação quando o terreno cede de forma desigual. Níveis altos dos rios criam outra dificuldade, pois reduzem a capacidade de a água dentro da cidade escoar naturalmente.

Publicidade

Khuong Van Muoi, ex-presidente da Associação de Arquitetos da cidade de Ho Chi Minh, afirma que os drenos podem continuar conduzindo água sem ter capacidade para escoá-la com rapidez suficiente. Ele recomenda verificar a capacidade, os bloqueios e os fluxos de entrada de cada área antes de escolher uma solução.

Por que a cidade está analisando 23 bacias de drenagem

A cidade de Ho Chi Minh tem 23 bacias principais de drenagem, segundo Le Ngoc Linh, vice-diretor do Departamento de Construção. Uma bacia é uma área onde a água da chuva percorre caminhos conectados até uma saída comum. Seus limites acompanham o relevo e os cursos d'água, não as fronteiras de bairros ou distritos.

O arquiteto Nguyen Dinh Hoa, do Instituto de Economia e Gestão da cidade de Ho Chi Minh, propõe um mapa integrado que mostre altitudes do terreno, direções de escoamento, áreas de armazenamento de água, capacidade do sistema e gargalos. Dados atualizados e verificados ajudariam na seleção e no projeto das obras, além de permitir avaliar seus resultados.

Pham Viet Thuan, diretor do Instituto de Economia de Recursos Naturais e Meio Ambiente da cidade, propôs mapear todos os 159 pontos críticos em um seminário sobre infraestrutura realizado em 16 de outubro. A proposta inclui medir altitudes e direções de escoamento, digitalizar os dados e considerar lagos ecológicos onde os principais pontos de alagamento não tenham drenagem adequada.

Linh afirma que os trabalhos de 2026 a 2030 precisam identificar trechos estreitos das rotas de drenagem, seções que perderam declividade devido à subsidência, acúmulo de sedimentos e saídas afetadas pelas marés altas. São problemas diferentes, que exigem respostas distintas, mesmo quando provocam cenas parecidas de ruas cobertas de água.

A rede é extensa: cerca de 7.200 quilômetros de tubulações de drenagem, 1.700 saídas, mais de 500 válvulas de controle de maré e quase 1.000 quilômetros de canais e cursos d'água. Boa parte dessa infraestrutura está concentrada na antiga cidade e foi construída no âmbito dos Planos 752 e 1547, que trataram da drenagem e da melhoria dos canais, além de diques e barreiras contra a maré.

O que está previsto para 2026 e os anos seguintes

O Plano de Drenagem e Controle de Enchentes de 2026 do Comitê Popular prevê a conclusão de nove projetos, com custo superior a 7,15 trilhões de dongs. Trinh Quoc Dung, vice-chefe da Divisão de Infraestrutura Técnica do Departamento de Construção, afirma que a cidade acompanha o andamento das obras para que sejam concluídas ainda em 2026.

Três projetos na área urbana central, com valor próximo de 1,343 trilhão de dongs, incluem obras para resolver os alagamentos nas ruas Phan Van Hon e Binh Quoi e a proteção contra a erosão das margens na península de Thanh Da.

Publicidade

Quatro projetos na antiga Binh Duong, com custo superior a 5,437 trilhões de dongs, incluem obras de drenagem relacionadas às estradas DT.748 e DT.744, drenagem para Di An e o Parque Industrial Tan Dong Hiep, além do reforço das margens do rio Saigon. Também está prevista a conclusão de uma linha principal de drenagem ao longo da rodovia 51, na antiga Ba Ria-Vung Tau, com custo aproximado de 366 bilhões de dongs.

Os principais marcos e diferentes horizontes de planejamento são:

  • 2016: Começaram as obras do projeto de controle de marés de 10 trilhões de dongs, que continua inacabado segundo o relato mais recente.
  • 2026: A meta é concluir nove projetos. Os três pontos de alagamento que devem ser atendidos são Phan Van Hon, Binh Quoi e a área entre a rodovia 51 e a rua Huynh Thuc Khang.
  • 2026-2030: O programa mais amplo prevê 87 projetos destinados a atender 50 pontos de alagamento.
  • 2028-2030: Está previsto um conjunto de 33 projetos, no valor de 73 trilhões de dongs, para enfrentar 17 pontos críticos de alagamento grave.
  • 2050: O diretor do departamento, Tran Quang Lam, também mencionou a meta de resolver 50 pontos principais de alagamento no seminário de 16 de outubro. A relação desse prazo mais longo com o programa até 2030 não foi explicada.

As obras nos canais Tham Luong-Ben Cat, Xuyen Tam e Van Thanh fazem parte do esforço mais amplo. Os planos também incluem recuperar áreas de armazenamento de água e reassentar moradores que vivem ao longo dos canais por meio de cerca de 43 projetos, além de melhorias nos cursos d'água e nos espaços públicos.

Comportas contra a maré precisam de um destino para a água da chuva

O projeto de controle de marés de 10 trilhões de dongs inclui seis grandes comportas e diques ao longo do rio Saigon. Quando o sistema estiver concluído, a expectativa é que proteja cerca de 6,5 milhões de pessoas e enfrente oito pontos de alagamento causados pelas marés.

Quynh afirma que diques, revestimentos de margens e comportas interligados são essenciais para alcançar os benefícios previstos. Ele descreveu o que ainda falta:

Sem infraestrutura de conexão que forme um cinturão contínuo de controle de marés na região, será difícil que o projeto alcance todo o seu potencial.

Fechar uma comporta pode impedir que o nível alto do rio invada um bairro, mas a chuva continua caindo dentro dele. Bombas, canais e reservatórios precisam então dar conta dessa água até que as condições permitam o escoamento. Linh afirma que a infraestrutura contra as marés precisa funcionar como parte do sistema completo de gestão hídrica de cada bacia.

O professor Nguyen Van Phuoc, ligado à União das Associações de Ciência e Tecnologia da cidade, propõe coordenar a operação das comportas com as previsões de chuva, os níveis da água, a salinidade, a capacidade de armazenamento disponível e as necessidades de abastecimento. Ele também recomenda coordenar as operações com os reservatórios de Dau Tieng e Tri An, no sistema dos rios Dong Nai e Saigon, para apoiar o abastecimento de água doce e controlar a intrusão de água salgada.

Publicidade

Abrir espaço para a água em uma cidade em crescimento

Phuoc propõe uma abordagem de cidade-esponja: manter drenos, barreiras e bombas convencionais, mas acrescentar locais onde a água possa infiltrar no solo ou ficar armazenada temporariamente. Parques, jardins de chuva, telhados vegetados, lagoas e corredores fluviais protegidos ajudariam a reduzir o volume que chega às tubulações durante as tempestades.

As propostas variam de acordo com o local. Bairros centrais densamente ocupados poderiam usar reservatórios subterrâneos sob parques e praças. Novas áreas urbanas poderiam reservar terrenos para lagoas e superfícies permeáveis desde a etapa de planejamento. Áreas agrícolas poderiam proteger campos baixos e canais de irrigação, enquanto zonas costeiras poderiam preservar manguezais e planícies de maré.

Nguyen Dinh Hoa recomenda identificar áreas importantes para armazenamento, terrenos baixos e corredores de drenagem nos mapas de planejamento e protegê-los por meio de controles de uso do solo. Elevar ruas, aterrar terrenos e estreitar canais pode desviar a água para comunidades vizinhas. Por isso, Hoa defende avaliar o efeito conjunto dos empreendimentos em cada bacia.

Phuoc também propõe exigir que os empreendimentos mantenham o escoamento superficial após as obras em nível igual ou inferior ao anterior, ou criem capacidade adicional de armazenamento suficiente para compensá-lo. Escoamento superficial é a água da chuva que corre pela superfície em vez de infiltrar no solo. Assim, a gestão da água faria parte da aprovação dos empreendimentos, em vez de se tornar uma tarefa de reparo depois que os alagamentos começassem.

O arquiteto Ngo Viet Nam Son, presidente da NgoViet Architects & Planners, defende a criação de reservas para além da chuva de projeto escolhida. Se os planejadores usarem como referência chuvas de 100 milímetros, ele afirma, também devem se preparar para eventos mais intensos. A adoção de medidas de armazenamento e infiltração exige atenção à disponibilidade de terrenos, aos níveis do lençol freático e à densidade das construções.

Moradores também precisam de alívio durante as obras

Pham Quoc Huy, vice-chefe da Divisão de Infraestrutura Técnica do Departamento de Construção, afirma que as obras podem obstruir temporariamente a drenagem. Os trabalhos no canal Tham Luong-Ben Cat e as intervenções de drenagem nas ruas Le Van Tho e Nguyen Van Khoi às vezes exigiram o bloqueio do fluxo de água. Ele também aponta a operação inconsistente dos sistemas de drenagem em algumas localidades.

Entre as medidas de curto prazo propostas por especialistas estão limpar tubulações e canais, remover gargalos causados por obras, verificar as conexões e instalar bombas auxiliares em locais onde ocorram alagamentos inesperados. O plano de 2026 também prioriza reparos, dragagem, comportas antirretorno para maré e operação eficiente das estações de bombeamento.

As consequências vão além dos deslocamentos por ruas alagadas. No mercado de Thu Duc, a comerciante Ngo Thi Van afirma que uma chuva forte de cerca de meia hora pode elevar a água acima dos joelhos e afastar os clientes. No CityLand Park Hills, o locatário de um escritório Nguyen Dang Thong relatou que o alagamento ameaçou equipamentos eletrônicos em uma área que, segundo ele, antes não enfrentava situações semelhantes.

Publicidade

Le Thi Phuong, comerciante no bairro de Tan Thuan, afirma que as inundações causadas pelas marés quase paralisam os negócios. Em bairros sujeitos a alagamentos mais profundos e perigosos, Hoa recomenda considerar melhorias na infraestrutura, mudanças na densidade das construções, corredores de drenagem ou reassentamentos, quando necessário, levando em conta os meios de subsistência, os direitos dos moradores e o acesso a serviços essenciais.

Como avaliar se os investimentos funcionam

Phuoc recomenda medir a área e a população protegidas, os impactos no trânsito, os prejuízos econômicos evitados, a qualidade da água e os custos operacionais durante toda a vida útil de cada projeto. Esses indicadores mostrariam se os investimentos estão melhorando o cotidiano em toda a bacia, além de permitir acompanhar as mudanças na profundidade e na duração dos alagamentos.

Ele propõe oferecer proteção reforçada a hospitais, aeroportos, portos, centros de controle e vias essenciais de transporte. Alguns parques, praças e campos esportivos poderiam, por sua vez, ser projetados para reter temporariamente a água durante chuvas fortes, direcionando o armazenamento a espaços preparados para isso.

Um gêmeo digital proposto reuniria dados de chuva, marés, salinidade, câmeras de monitoramento de enchentes, drenagem, bombas, subsidência e trânsito em um modelo computacional do sistema hídrico da cidade. Os operadores poderiam usá-lo para antecipar problemas e coordenar comportas, bombas e reservatórios antes de uma tempestade. Phuoc também propõe uma avaliação independente dos programas contra enchentes pela União das Associações de Ciência e Tecnologia da cidade de Ho Chi Minh.

Segundo as recomendações que acompanham o programa, as decisões de investimento também precisam definir responsáveis pela operação, verbas para manutenção e atribuições após a conclusão das obras. Para famílias e empresas, o resultado prático será medido depois da chuva e das marés altas: qual será a profundidade da água, por quanto tempo ela permanecerá e com que rapidez a vida normal será retomada.

Principais pontos

  • A cidade de Ho Chi Minh propõe 87 projetos de combate a enchentes, com custo de 142,34 trilhões de dongs, entre 2026 e 2030.
  • A cidade ampliada tem 159 pontos de alagamento registrados nas áreas da antiga cidade de Ho Chi Minh e das antigas províncias de Binh Duong e Ba Ria-Vung Tau.
  • Nove projetos, no valor de mais de 7,15 trilhões de dongs, têm conclusão prevista para 2026.
  • A cidade tem 23 bacias principais de drenagem, o que torna essenciais as conexões entre drenos, canais, comportas, bombas e reservatórios.
  • Especialistas propõem proteger áreas para a água, tornar mais rigorosas as exigências para novos empreendimentos e medir a redução da profundidade e da duração dos alagamentos e dos prejuízos.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar