Partículas finas levam a capital à zona vermelha
Tashkent registrou índice de qualidade do ar prejudicial à saúde, de 154, às 09h de 19 de outubro, com poluição por partículas finas chegando a 60 microgramas por metro cúbico, segundo a IQAir. Essa concentração era 12 vezes maior que a diretriz da Organização Mundial da Saúde para a exposição média anual ao PM2.5, as minúsculas partículas suspensas no ar identificadas como o principal poluente.
Conteúdo
- Partículas finas levam a capital à zona vermelha
- O que os números significam para os moradores
- A poluição varia pela cidade e pelo país
- O clima calmo de outono pode favorecer o acúmulo de partículas
- Aquecimento, trânsito, indústria e poeira têm participações diferentes
- O impacto na saúde tem um custo econômico nacional
- Estações nos aeroportos vão monitorar partículas, gases e clima
- Principais datas da expansão do monitoramento
- O que os moradores podem fazer em dias de ar prejudicial à saúde
- Principais pontos
A capital ocupava a 13ª posição entre as principais cidades no ranking global de poluição no momento do alerta matinal. Samarqand também registrou ar de má qualidade, com índice de 105, nível considerado prejudicial à saúde para grupos sensíveis. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios enfrentam riscos específicos quando as concentrações de partículas aumentam.
As medições foram divulgadas enquanto a Uzbekistan Airports ampliava o monitoramento automático nos arredores de aeroportos, com equipamentos instalados em Samarqand em 9 de outubro e perto do aeroporto de Fergana em 15 de outubro. As estações medirão partículas, vários gases e condições meteorológicas 24 horas por dia, enviando os resultados a um banco de dados ambiental compartilhado.
Tashkent também enfrenta um problema de poluição persistente. Uma avaliação do Banco Mundial publicada em 9 de outubro de 2024 constatou que a concentração média anual de PM2.5 na cidade superava em mais de seis vezes a diretriz da OMS. O estudo relaciona os alertas diários ao aquecimento, ao transporte, à indústria e à poeira, fatores que exigem medidas diferentes.
O que os números significam para os moradores
A página da IQAir sobre a qualidade do ar em Tashkent classificou a medição de 19 de outubro como prejudicial à saúde. No índice de qualidade do ar dos Estados Unidos, valores de 151 a 200 se enquadram nessa categoria. Qualquer pessoa pode começar a sentir efeitos na saúde, enquanto pessoas mais sensíveis à poluição podem ter efeitos mais graves.
O IQA é uma escala que transforma medições de poluentes em um alerta de saúde. A concentração de PM2.5 é uma medida diferente: indica a quantidade de material particulado fino presente em um metro cúbico de ar. As partículas PM2.5 têm 2,5 micrômetros ou menos de diâmetro e são pequenas o bastante para chegar às regiões profundas dos pulmões.
A diretriz anual da OMS é de 5 microgramas por metro cúbico. Dividir a concentração de 60 registrada em 19 de outubro por essa diretriz resulta na comparação de 12 vezes. A medição da manhã descreve as condições naquele momento; a diretriz anual se refere à exposição média ao longo de um ano. A média anual de Tashkent, avaliada separadamente pelo Banco Mundial, ficou acima de 30 microgramas por metro cúbico.
A página de monitoramento de Tashkent do projeto World Air Quality Index também exibiu uma leitura prejudicial à saúde, de 155, em uma atualização identificada como segunda-feira, às 09h. A página cita, entre suas fontes de dados, o Uzhydromet e observações de superfície da Organização Meteorológica Mundial, e informa que as medições passam por verificações de qualidade e podem ser revisadas.
A poluição varia pela cidade e pelo país
Estações individuais em Tashkent apresentaram uma variação considerável. A IQAir registrou 165 na estação chamada 110 school, 163 na AROMA CLASSIC, 156 na Aldo Coppola e 150 na Almazar. A Afrosiab street marcou 132, a Air-Sadaf, 122, e a Afgan Street, 110.
As medições abrangeram duas categorias de saúde: prejudicial à saúde e prejudicial à saúde para grupos sensíveis. Um índice para toda a cidade dá aos moradores um alerta geral, enquanto medições mais próximas de um bairro específico descrevem condições mais locais.
Fora da capital, a IQAir registrou 123 em Salor e 105 em Samarqand, ambos na categoria para grupos sensíveis. Bukhara marcou 81, G'azalkent, 73, Urganch, 62, e Amirsoy, 60, todos na categoria moderada. Tashkent teve a leitura mais alta entre as cidades uzbeques dessa lista.
A página do World Air Quality Index também mostrou que as partículas finas eram responsáveis pelo alerta em Tashkent. O índice de PM2.5 era 155, em comparação com 89 para PM10, que inclui partículas maiores. Os índices de dióxido de enxofre, ozônio e monóxido de carbono eram, respectivamente, 11, zero e um.
O clima calmo de outono pode favorecer o acúmulo de partículas
A avaliação do climatologista Erkin Abdulahatov para o período de 19 a 25 de outubro apontou um anticiclone frio e ventos fracos como condições que poderiam permitir o acúmulo de PM2.5 em Tashkent e nas regiões dos vales. Um anticiclone é uma área de alta pressão atmosférica que pode trazer tempo estável e pouca circulação de ar.
Ventos fracos reduzem as oportunidades de dispersão da poluição. Uma inversão atmosférica também pode limitar a mistura do ar: o ar mais quente acima do ar frio próximo ao solo funciona como uma tampa, permitindo que partículas se acumulem no ar respirado pelas pessoas.
A previsão do Uzhydromet descreveu uma semana muito seca, sem expectativa de ventos fortes ou precipitação que provocassem uma mudança significativa. Abdulahatov apontou o risco de piora temporária da qualidade do ar urbano nessas condições estáveis, mas observou que não havia fatores meteorológicos propícios a um forte aumento da poeira suspensa no ar.
Assim, a previsão chamou atenção para o acúmulo de poluentes perto do solo entre 19 e 25 de outubro. A concentração efetiva dependeria tanto do clima quanto da quantidade de poluição lançada no ar.
Aquecimento, trânsito, indústria e poeira têm participações diferentes
A avaliação da qualidade do ar do Banco Mundial foi elaborada em conjunto com o Ministério da Ecologia, da Proteção Ambiental e das Mudanças Climáticas do Uzbequistão, com apoio do Ministério da Economia e das Finanças. O estudo examinou a poluição na capital e apresentou um programa para melhorar a gestão da qualidade do ar.
A avaliação atribuiu 28% da poluição por PM2.5 em Tashkent ao aquecimento, 16% ao transporte e 13% à indústria. A poeira carregada pelo vento, incluindo material que chega de fora da cidade, respondeu por 36%. Aquecimento, transporte e indústria somaram 57%, mais do que a parcela da poeira.
As variações sazonais são importantes. O aquecimento comercial e residencial foi a principal fonte no inverno, quando as concentrações de PM2.5 atingiram o pico. No verão, predominou a poeira carregada pelo vento. Portanto, a resposta prática precisa abordar tanto a poluição produzida pelo uso de combustíveis quanto as partículas transportadas para a cidade.
Para os moradores, a divisão por fontes explica por que uma única medida, como alterar as condições do trânsito, resolveria apenas parte do problema. Aquecimento mais limpo, controle das emissões industriais e redução da poeira visam contribuições diferentes para o ar que as pessoas respiram.
O impacto na saúde tem um custo econômico nacional
O Banco Mundial associou a poluição por PM2.5 em Tashkent a custos de saúde equivalentes a 0,7% do produto interno bruto do Uzbequistão. O PIB mede o valor dos bens e serviços produzidos no país, permitindo comparar o impacto da poluição na saúde da capital com o tamanho da economia nacional.
A avaliação identificou o PM2.5 como o poluente associado à maioria das doenças e mortes prematuras relacionadas à poluição do ar no Uzbequistão e no mundo. A exposição repetida importa tanto quanto o desconforto imediato ou os problemas respiratórios que os moradores podem sentir em um dia poluído.
O Ministério da Saúde do Uzbequistão adotou um padrão de PM2.5 para a qualidade do ar residencial em 21 de maio de 2024. O Banco Mundial o descreveu como uma meta provisória inicial, alinhada às recomendações da OMS. Uma meta provisória é uma etapa rumo a um ar mais limpo, que oferece às autoridades um parâmetro para orientar ações e acompanhar o progresso.
A avaliação recomendou melhorar a qualidade dos combustíveis, usar aparelhos de aquecimento mais eficientes, construir edifícios que consumam menos energia e adotar alternativas de aquecimento mais limpas. Também defendeu assistência financeira para que famílias vulneráveis possam arcar com o custo inicial dessas mudanças. Para as famílias, o acesso a um aquecimento mais limpo depende em parte de os novos equipamentos e as melhorias na casa serem financeiramente viáveis.
Estações nos aeroportos vão monitorar partículas, gases e clima
A Uzbekistan Airports está implementando seu projeto de monitoramento com a Malkam Environmental Technologies. As primeiras instalações ficam nas zonas de proteção sanitária dos aeroportos, áreas designadas ao redor das instalações onde as condições ambientais são monitoradas.
As estações medem PM2.5 e PM10, além de dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, ozônio, amônia e sulfeto de hidrogênio. Medir vários poluentes oferece aos operadores dos aeroportos e às autoridades ambientais um panorama mais amplo do que uma leitura de partículas isolada.
Os equipamentos também registram temperatura, umidade, pressão atmosférica, velocidade e direção do vento. Essas observações ajudam as autoridades a analisar como as concentrações de poluentes variam com o clima local, inclusive em períodos em que ventos fracos mantêm os poluentes no ar.
Os resultados são transmitidos automaticamente para um banco de dados unificado de monitoramento ambiental, que armazena informações por localização. A Uzbekistan Airports afirma que os dados ajudarão a acompanhar as mudanças nos arredores dos aeroportos, avaliar as condições ambientais e decidir medidas. Há planos para instalar estações perto de outros aeroportos internacionais, mas não foi anunciada uma data para a expansão completa.
Principais datas da expansão do monitoramento
As instalações nos aeroportos antecederam o alerta sobre a qualidade do ar de 19 de outubro. As datas abaixo distinguem essa sequência operacional das medidas e da avaliação publicadas em 2024.
- 21 de maio de 2024: o Ministério da Saúde do Uzbequistão adotou um padrão de PM2.5 para a qualidade do ar residencial.
- 9 de outubro de 2024: o Banco Mundial publicou sua avaliação da qualidade do ar de Tashkent e recomendações nacionais de gestão.
- 9 de outubro: foram concluídas a instalação e a regulagem dos equipamentos de monitoramento no aeroporto de Samarqand.
- 15 de outubro: uma estação de monitoramento foi instalada perto do aeroporto de Fergana.
- 19 de outubro, às 09h: a IQAir registrou 154 em Tashkent e 105 em Samarqand.
- De 19 a 25 de outubro: a avaliação meteorológica identificou condições favoráveis ao acúmulo de partículas em Tashkent e nas áreas dos vales.
A expansão nos aeroportos acrescenta observações contínuas em locais específicos. O programa do Banco Mundial trata da tarefa mais ampla de reduzir emissões por meio de padrões, coordenação e investimentos em aquecimento, transporte e indústria.
O que os moradores podem fazer em dias de ar prejudicial à saúde
As recomendações da IQAir para Tashkent eram evitar exercícios ao ar livre, fechar as janelas para limitar a entrada de ar poluído nas casas, usar máscara ao sair e utilizar um purificador de ar em ambientes internos. Fazer atividades físicas intensas dentro de casa reduz a quantidade de ar externo poluído inalada durante o exercício.
As orientações sobre qualidade do ar da página do World Air Quality Index recomendam que crianças, adultos fisicamente ativos e pessoas com problemas respiratórios, como asma, evitem esforço prolongado ao ar livre quando a qualidade do ar estiver na categoria prejudicial à saúde. As demais pessoas devem limitar o esforço prolongado, com atenção especial às crianças.
A leitura de 105 em Samarqand trazia um alerta mais direcionado a grupos sensíveis. Pessoas com problemas respiratórios, crianças e idosos têm motivo para acompanhar atentamente as mudanças nas medições ao planejar atividades ao ar livre.
As precauções domésticas ajudam a reduzir a exposição imediata. Melhorias duradouras dependem das reduções de emissões identificadas na avaliação do Banco Mundial, apoiadas por medições que mostrem onde a poluição está aumentando e se as medidas estão reduzindo as concentrações.
Principais pontos
- Tashkent registrou um índice de 154 na IQAir, considerado prejudicial à saúde, às 09h de 19 de outubro.
- O PM2.5 chegou a 60 microgramas por metro cúbico, 12 vezes a diretriz anual da OMS.
- Samarqand registrou 105, nível prejudicial à saúde para grupos sensíveis.
- O Banco Mundial constatou que a média anual de PM2.5 em Tashkent superava em mais de seis vezes a diretriz da OMS.
- Aquecimento, transporte e indústria responderam juntos por 57% da poluição por PM2.5 na avaliação; a poeira carregada pelo vento respondeu por 36%.
- Estações nos aeroportos de Samarqand e Fergana vão medir continuamente partículas, gases e condições meteorológicas.
- O clima calmo e seco entre 19 e 25 de outubro poderia favorecer o acúmulo de partículas finas perto do solo.






