Publicação no campus encerra visita de intercâmbio
Taiwan deportou um estudante chinês de intercâmbio em 16 de outubro de 2026 e o proibiu de solicitar autorização para voltar por cinco anos, depois que ele publicou um vídeo que dava a impressão de que estava pinçando o presidente Lai Ching-te entre os dedos. A Agência Nacional de Imigração afirmou que a publicação incluía uma mensagem que defendia a eliminação da soberania de Taiwan.
Conteúdo
- Publicação no campus encerra visita de intercâmbio
- O que Wang publicou sobre Lai
- Um pedido de desculpas antes da deportação
- Como foram os quatro dias
- A regra por trás da restrição de cinco anos
- O que muda para Wang e sua universidade
- Luo pede que Taiwan mantenha os intercâmbios
- Um debate mais amplo sobre expressão e imigração
- Principais pontos
O estudante, identificado pelo sobrenome Wang, frequentava a Universidade Nacional de Taiwan por meio de um acordo de intercâmbio com uma universidade estrangeira. Autoridades de imigração disseram que ele foi deportado às 15h, quatro dias depois de Lai participar da cerimônia de encerramento do Programa Taiwan Bridge, realizada no campus da universidade.
A agência afirmou que investigou o caso e consultou o Ministério da Educação, o Conselho para Assuntos do Continente e outras autoridades antes de revogar a autorização de entrada do estudante. A decisão teve como base regras que permitem revogar autorizações concedidas a pessoas da China continental por condutas que violem os princípios da igualdade e da dignidade.
Em seu comunicado, a Agência Nacional de Imigração descreveu as consequências:
A conduta de Wang resultou na revogação de sua autorização de entrada e em sua deportação. Ele também ficará proibido de entrar em Taiwan por cinco anos.
Wang apagou a publicação e pediu desculpas à medida que as críticas se espalhavam pela internet. Ele disse que não tinha a intenção de ferir ninguém fisicamente. Ainda assim, a decisão encerrou uma visita de intercâmbio que estava prevista para continuar até dezembro.
A Universidade Nacional de Taiwan disse que acompanhou Wang durante o interrogatório, prestou assistência e notificou a universidade de origem do estudante. Enquanto isso, o secretário-geral da Fundação de Intercâmbio entre os Dois Lados do Estreito, Luo Wen-jia, pediu às autoridades e ao público que preservassem os intercâmbios estudantis, que descreveu como um dos poucos canais de contato ainda existentes através do Estreito de Taiwan.
O que Wang publicou sobre Lai
Lai participou da cerimônia de encerramento do Programa Taiwan Bridge em 12 de outubro. Wang o filmou da plateia e usou a distância entre sua mão e o presidente para criar uma imagem em que seus dedos pareciam pinçar a cabeça de Lai.
Wang publicou o vídeo no Douyin, plataforma chinesa de vídeos. A publicação trazia a legenda: "Lai Ching-te está bem na sua frente. Esta pode ser a única chance da sua vida?" Ele também escreveu: "Peguei o pequeno Lai Ching-te."
O texto que acompanhava o vídeo se opunha à independência de Taiwan e apoiava a unificação. As hashtags incluíam referências à unificação através do Estreito de Taiwan, a Taiwan como parte da China e à defesa do princípio de Uma Só China. A agência de imigração descreveu o texto como uma defesa da eliminação da soberania de Taiwan.
Imagens da publicação circularam para além do Douyin, inclusive no Threads. Pessoas que interpretaram o gesto e o texto como ameaçadores enviaram capturas de tela a órgãos do governo e pediram que Wang fosse expulso. Comentários no vídeo também incluíam incitações a ataques contra Lai.
O vice-ministro do Conselho para Assuntos do Continente, Liang Wen-jie, confirmou em 15 de outubro que o órgão havia recebido denúncias. Ele disse que as agências competentes discutiam como tratar o caso de acordo com as regras de entrada aplicáveis a pessoas da China continental.
Um pedido de desculpas antes da deportação
Wang apagou a publicação e pediu desculpas depois que as críticas aumentaram. Ele disse que ler os comentários e refletir sobre eles o fez perceber que a publicação era inadequada. Manifestou disposição para aceitar críticas e sugestões e pediu desculpas às pessoas afetadas.
Wang também disse que não tinha planos de causar danos físicos. Durante o processo de recebimento da decisão de imigração, ele teria dito às autoridades que achava Lai fofo e acreditava que Taiwan permitia certo grau de liberdade de expressão. Essas declarações foram relatadas por pessoas que acompanharam sua interação com funcionários da imigração.
A agência de imigração fundamentou a decisão anunciada na conduta de Wang, no texto que acompanhava o vídeo e na comoção pública resultante. A base legal informada foi a regra relativa à igualdade e à dignidade.
Como foram os quatro dias
O caso passou de uma aparição presidencial a uma deportação concluída em quatro dias. A decisão foi tomada em 15 de outubro, e a Universidade Nacional de Taiwan confirmou a saída de Wang no dia seguinte.
- Setembro de 2026: Wang chegou a Taiwan para uma visita de intercâmbio prevista para durar até dezembro.
- 12 de outubro: Lai discursou na cerimônia de encerramento do Programa Taiwan Bridge, na Universidade Nacional de Taiwan. Wang gravou o vídeo usado na publicação contestada.
- Antes de 16 de outubro: Wang apagou a publicação e pediu desculpas depois que ela recebeu denúncias.
- 15 de outubro: Liang Wen-jie confirmou que o Conselho para Assuntos do Continente havia recebido denúncias. As autoridades decidiram revogar a autorização de entrada de Wang, que foi à unidade de operações especiais da agência de imigração em Taipei para receber a decisão.
- 16 de outubro: Funcionários da imigração acompanharam Wang durante os procedimentos de saída. A agência informou que ele foi deportado às 15h; a universidade confirmou que ele havia deixado Taiwan.
- 17 de outubro: O debate público continuou em torno da punição, da liberdade de expressão e do tratamento dado a visitantes chineses.
Wang voou para Xangai. Sua partida encerrou o intercâmbio universitário antes do previsto, cerca de dois meses antes da data planejada.
A regra por trás da restrição de cinco anos
A Agência Nacional de Imigração citou o artigo 12 do Regulamento sobre a Autorização de Entrada em Taiwan de Pessoas da Região Continental. O dispositivo relevante, artigo 12, parágrafo 1, inciso 15, permite medidas contra condutas impróprias que violem os princípios da igualdade e da dignidade.
O artigo 14 prevê um período de um a cinco anos durante o qual um pedido pode ser negado nessa categoria de conduta. Wang recebeu o prazo máximo previsto nesse dispositivo.
Uma autorização de entrada é a permissão do governo para que uma pessoa entre e permaneça no território sob condições específicas. Revogá-la retira essa autorização. No caso de Wang, as autoridades combinaram a revogação com a deportação e a restrição a novos pedidos por cinco anos.
A agência também afirmou que eventuais pedidos futuros seriam submetidos a uma análise rigorosa. Não foi anunciada uma data para recurso ou nova audiência.
Autoridades de imigração disseram que Taiwan respeita opiniões divergentes e intercâmbios comuns, como uma sociedade democrática, livre, aberta e diversa. Também afirmaram que visitantes da China continental devem cumprir as leis e os regulamentos de Taiwan, apresentando a aplicação das regras como parte da proteção à segurança nacional, à estabilidade social e à realização ordenada de intercâmbios.
O que muda para Wang e sua universidade
Wang foi descrito como tendo 19 anos e cursando uma graduação relacionada às ciências da vida na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. A Universidade Nacional de Taiwan o identificou de forma mais ampla como um estudante de intercâmbio de uma instituição parceira internacional.
O vínculo de Wang com Taiwan é importante para entender as consequências imediatas. Ele estudava temporariamente na Universidade Nacional de Taiwan e continuava matriculado em sua instituição de origem. Sua deportação encerrou antecipadamente o intercâmbio em Taiwan, enquanto a previsão era de que ele continuasse o curso de graduação.
A Universidade Nacional de Taiwan disse que funcionários o acompanharam quando as autoridades o interrogaram e prestaram a assistência necessária. A instituição também informou à universidade parceira sobre o caso e a partida do estudante.
A universidade disse respeitar a aplicação das regras pelo governo e reafirmou seu compromisso com a liberdade de expressão e com um campus aberto e diverso. Afirmou que opiniões divergentes e críticas a políticas públicas e ao desempenho do governo devem ser respeitadas, e que o debate racional é um dos pilares de uma sociedade democrática.
A resposta da universidade conciliou a preocupação com o bem-estar do estudante com o cumprimento da decisão de imigração. Também afirmou que o exercício da liberdade de expressão deve levar em conta o respeito às outras pessoas.
Luo pede que Taiwan mantenha os intercâmbios
Luo Wen-jia, secretário-geral da Fundação de Intercâmbio entre os Dois Lados do Estreito, disse ter entrado em contato com a Universidade Nacional de Taiwan após o caso e manifestado preocupação com Wang. A fundação trata de questões práticas relacionadas às relações através do Estreito de Taiwan.
Antes do anúncio da deportação, Luo disse que a decisão de um estudante de concluir um intercâmbio deveria ser respeitada. Questionado sobre a possibilidade de Wang permanecer em Taiwan para completar a visita prevista, ele afirmou:
Acho que devemos respeitar a escolha dele.
Luo disse que a fundação não era responsável pelo caso nem participava das discussões entre as agências encarregadas de decidir a questão. Após o anúncio da deportação, afirmou respeitar as autoridades competentes e esperar que um caso não afete a vinda de estudantes chineses a Taiwan.
Segundo Luo, os intercâmbios de estudantes chineses eram uma das poucas formas de interação ainda existentes através do estreito. Ele apoiou oportunidades para que jovens da China conheçam as instituições democráticas e o cotidiano de Taiwan e disse que o apoio da fundação aos intercâmbios não havia mudado.
Um debate mais amplo sobre expressão e imigração
A punição foi criticada por algumas figuras da oposição, que argumentaram que um presidente democrático deve aceitar críticas e zombarias. A objeção se concentrou na questão de o governo ter imposto uma penalidade excessiva por expressão política.
O jornalista Akio Yaita respondeu acusando um parlamentar do Kuomintang de adotar critérios inconsistentes. Ele disse que a equipe do parlamentar e a filial do partido em Keelung haviam tentado obter sua deportação após ele discursar em um evento de campanha por um processo de destituição em maio de 2025, apesar de já ter obtido a cidadania da República da China.
Yaita também mencionou uma agressão contra ele em Taichung, em 6 de julho de 2026. Segundo ele, o mesmo parlamentar havia pedido que as pessoas não tirassem conclusões precipitadas sobre o agressor. Mais tarde, o suspeito foi indiciado, e os promotores descreveram o caso como um ataque organizado, planejado e pago, segundo o relato do caso.
A intervenção de Yaita acrescentou uma discussão sobre coerência política ao debate em torno da punição de Wang. A questão prática central continuou sendo o uso dos poderes de imigração pelo governo em resposta à conduta política de um visitante na internet.
Taiwan já aplicou restrições de cinco anos em outros casos. Wang Zhian, ex-jornalista da televisão estatal chinesa, recebeu uma restrição desse tipo em janeiro de 2024, depois que as autoridades concluíram que sua participação em um programa on-line não correspondia às atividades de turismo autorizadas. O Tribunal Administrativo Superior de Taipei rejeitou sua ação administrativa em 2025.
As autoridades também revogaram as autorizações de residência familiar de duas mulheres chinesas conhecidas como Yaya e Xiaowei, em março de 2025, por declarações favoráveis à unificação forçada ou à eliminação da soberania de Taiwan. Ambas receberam restrições por cinco anos. Em julho de 2026, a autorização de entrada de um estudante universitário de Guangdong foi revogada antes de sua chegada, depois que ele publicou um documento de entrada adulterado, no qual a bandeira de Taiwan havia sido substituída pela da China.
Para universidades e estudantes de intercâmbio, o caso de Wang traz as consequências dessas regras diretamente para o campus: uma publicação nas redes sociais pode levar a uma investigação de imigração, interromper um semestre de estudos e impedir o retorno por anos. A resposta de Luo aponta para outra prioridade institucional: manter abertas as poucas oportunidades restantes para que estudantes se encontrem e estudem juntos.
Principais pontos
- Taiwan deportou Wang, estudante chinês de intercâmbio na Universidade Nacional de Taiwan, em 16 de outubro de 2026.
- Na publicação no Douyin, ele usou a perspectiva para dar a impressão de que estava pinçando o presidente Lai Ching-te e incluiu mensagens favoráveis à unificação e contrárias à independência de Taiwan.
- Wang apagou a publicação, pediu desculpas e disse que não tinha a intenção de ferir ninguém fisicamente.
- A Agência Nacional de Imigração revogou sua autorização com base no artigo 12 e impôs uma restrição de cinco anos a novos pedidos.
- A Universidade Nacional de Taiwan prestou assistência a Wang durante o interrogatório e notificou sua instituição de origem.
- O secretário-geral da Fundação de Intercâmbio entre os Dois Lados do Estreito, Luo Wen-jia, pediu que o caso não prejudicasse os intercâmbios estudantis em geral.






