Modelo com 816 bilhões de parâmetros entra na disputa por IA aberta
A Meta lançou o Muse Spark Open em 15 de outubro de 2026, disponibilizando aos desenvolvedores um modelo de inteligência artificial que eles podem baixar, modificar e operar por conta própria. O modelo contém 816 bilhões de parâmetros, oferece uma janela de contexto de 1 milhão de tokens e, segundo a Meta, pode funcionar em dois computadores Apple M5 Ultra Mac Studio configurados com memória suficiente.
Conteúdo
- Modelo com 816 bilhões de parâmetros entra na disputa por IA aberta
- O que os desenvolvedores podem baixar e modificar
- Em que a Meta se destaca e em que rivais chineses se destacam
- Por que modelos disponíveis para download ganharam espaço
- Dois computadores de mesa e exigências consideráveis de memória
- Apple e Meta encontram um ponto em comum
- O que o uso gratuito permite e quais são seus limites
- O trabalho de segurança vai além do download
- Lançamento que também sustenta o negócio fechado da Meta
- Principais pontos
O lançamento traz mais um concorrente americano a um mercado em que desenvolvedores chineses avançaram bastante. Uma análise da Hugging Face publicada em março de 2026 constatou que os modelos chineses responderam por 41% dos downloads no ano anterior, superando os americanos. Qwen, da Alibaba, Kimi, da Moonshot AI, e GLM, da Z.ai, estão entre os modelos que disputam os desenvolvedores que querem ter controle sobre seus próprios sistemas de IA.
A Meta chama o Muse Spark Open de seu modelo americano de pesos abertos mais capaz. Os próprios testes da empresa mostram um quadro mais detalhado: o modelo supera vários concorrentes listados em determinados testes de uso de ferramentas e conclusão de tarefas, enquanto rivais chineses têm resultados melhores em várias avaliações de programação e trabalho profissional.
A Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, também mantém fechado seu modelo mais avançado, o Muse Wonder. Assim, o lançamento atende a dois objetivos: disseminar uma tecnologia que os desenvolvedores podem adaptar e preservar um produto mais poderoso para serviços comerciais.
Para as empresas, a decisão prática envolve mais do que resultados em benchmarks. O Muse Spark Open oferece controle sobre a implantação e os dados, mas exige muita memória, e sua licença prevê a exigência de um acordo separado para algumas empresas que vendem acesso ao modelo.
O que os desenvolvedores podem baixar e modificar
A Meta Superintelligence Labs é identificada como autora no cartão oficial do modelo Muse Spark Open. O documento descreve um sistema desenvolvido para programação, raciocínio em várias etapas e execução de tarefas com ferramentas de software.
Os pesos do modelo são os parâmetros numéricos aprendidos durante o treinamento. Disponibilizá-los para download permite que outros desenvolvedores executem o modelo, adaptem seu comportamento e o integrem a um produto sem enviar cada solicitação à Meta. Em geral, os modelos fechados são acessados por meio de serviços controlados por seus desenvolvedores.
Pesos abertos e código aberto descrevem níveis diferentes de acesso. Um lançamento totalmente de código aberto também disponibilizaria, sob termos adequados, o código e os dados relevantes de treinamento. O Muse Spark Open é distribuído sob uma licença própria da Meta, que estabelece condições de uso e redistribuição.
O modelo aceita texto, imagens, vídeo e áudio e produz texto. Um desenvolvedor poderia usá-lo para inspecionar uma captura de tela, interpretar um gráfico ou analisar uma reunião gravada junto com instruções por escrito. Sua janela de contexto de 1 milhão de tokens determina quanto material ele consegue considerar de uma vez. Tokens são pequenas unidades de texto ou de outras informações codificadas processadas pelo sistema.
A visão geral do modelo da Meta destaca programação, interpretação de imagens e documentos e fluxos de trabalho com vários agentes de IA. Um agente é um sistema capaz de dar passos para realizar uma tarefa, como chamar uma ferramenta, examinar o resultado e decidir o que fazer em seguida.
Em que a Meta se destaca e em que rivais chineses se destacam
A tabela de benchmarks da Meta atribui ao Muse Spark Open 61,8 pontos no JobBench, ante 61,4 do GLM 5.3 e 54,3 do Kimi K3. No MCP-Atlas, um teste de uso de ferramentas, a Meta informa 89,2 pontos para seu modelo, acima dos 84,5 do Qwen3.8, dos 84,2 do GLM 5.3 e dos 82,3 do Kimi K3.
Em várias métricas, os resultados de programação favorecem os concorrentes chineses. No Terminal-Bench 2.1, a Meta informa 76,4 pontos para o Muse Spark Open, ante 83,9 do GLM 5.3 e 85,0 do Kimi K3. A vantagem do Kimi é de 8,6 pontos. No DeepSWE 1.1, o Muse Spark Open marca 60 pontos, contra 67 do GLM e 68 do Kimi.
As comparações do DeepSWE usam o software de agente de cada modelo considerado preferencial ou melhor disponível. Esse software ajuda a organizar o trabalho, então o resultado informado reflete o desempenho do modelo em uma configuração específica. A Meta também usa diferentes configurações de raciocínio identificadas por nome para os modelos concorrentes.
A Meta informa 39 pontos para o Muse Spark Open no Artificial Analysis Intelligence Index, acima dos 26 atribuídos ao Inkling, da Thinking Machines, e dos 23 do Nemotron 3 Ultra, da Nvidia. Na tabela da empresa, o GLM 5.3 marca 45, o Kimi K3, 44, e o Qwen3.8, 40. Esses números foram publicados pela Meta no cartão do modelo.
A decisão de compra depende, portanto, do tipo de trabalho. Uma empresa que desenvolve um assistente para coordenar ferramentas pode dar mais valor a resultados diferentes dos de uma equipe que pede à IA para resolver problemas complexos de manutenção de software. O lançamento da Meta tem pontos fortes em tarefas específicas, mas enfrenta concorrência acirrada no conjunto mais amplo de testes.
Por que modelos disponíveis para download ganharam espaço
O dado de 41% dos downloads da Hugging Face ajuda a explicar a pressão comercial sobre os desenvolvedores americanos. Modelos disponíveis para download permitem que as organizações partam de um sistema existente, em vez de pagar para treinar um modelo grande desde o início. Também podem adaptá-lo à própria terminologia, aos procedimentos e às aplicações.
A OpenRouter informou que modelos de pesos abertos responderam por 60% do volume de tokens de solicitações originadas nos Estados Unidos em sua plataforma em setembro. Desenvolvedores chineses forneceram a maior parte do tráfego envolvendo modelos abertos. Essa métrica descreve a atividade na OpenRouter, enquanto o dado da Hugging Face mede downloads em outra plataforma e em outro período.
Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, apresentou a competição em termos nacionais e argumentou que empresas americanas precisam lançar modelos que os desenvolvedores possam adotar amplamente.
A maior parte da IA do mundo funcionará com modelos abertos. Eles devem ser americanos.
As empresas podem escolher onde hospedar modelos disponíveis para download, inclusive os desenvolvidos no exterior. Executar um sistema na própria infraestrutura da organização pode manter prompts e documentos nesse ambiente, desde que as ferramentas e os serviços conectados estejam configurados para isso. O local de processamento depende da implantação escolhida pelo cliente.
Dois computadores de mesa e exigências consideráveis de memória
O anúncio de 15 de outubro da Meta descreve uma configuração da Apple com dois Mac Studios M5 Ultra, cada um com até 512 GB de memória unificada. O framework MLX da Apple permite que os computadores trabalhem em conjunto e mantenham o modelo distribuído por cerca de 1 terabyte de memória.
O Muse Spark Open usa uma arquitetura de mistura de especialistas. Ele contém muitos grupos especializados de parâmetros e ativa apenas alguns deles para cada token processado. Dos 816 bilhões de parâmetros totais, 42 bilhões ficam ativos de cada vez, cerca de 5,1% do total. Isso reduz a computação necessária em cada etapa, mas armazenar o modelo completo ainda exige muita memória.
O cartão do modelo indica a necessidade de pelo menos 700 GB de memória de aceleradores para a versão NVFP4 e 2 TB para a BF16. São formatos numéricos diferentes para armazenar pesos. O NVFP4 usa menos bits e memória; o BF16 usa mais memória, embora a Meta observe que a inferência comprimida pode gerar pequenas diferenças de qualidade em alguns casos.
A configuração do Mac Studio da Apple com 512 GB estava prevista para chegar no fim de outubro, e seu preço ainda não havia sido anunciado no lançamento. Um computador com o chip M5 Ultra e 256 GB de memória custava a partir de US$ 10.799. Quatro unidades pelo preço anunciado custariam US$ 43.196 antes de impostos e acessórios e ofereceriam a mesma capacidade total de memória que o par proposto.
A Meta demonstrou fluxos de trabalho locais que envolviam alterações no Ice Cubes, um aplicativo para Mastodon, e o uso do DaVinci Resolve para inspecionar filmagens e preparar cortes verticais. A empresa não informou o preço total nem uma taxa medida de geração de texto para o par de computadores proposto.
Apple e Meta encontram um ponto em comum
Apple e Meta trabalharam juntas por meses na implantação. A parceria une empresas cuja relação havia sido tensionada por divergências sobre privacidade e publicidade. A Meta estimou que as mudanças de privacidade introduzidas pela Apple em 2021 reduziriam sua receita em US$ 10 bilhões em 2022.
A Meta já havia comprado centenas de computadores Mac para que sua equipe de Superintelligence pudesse experimentar IA local e agentes. Wang apontou o pesquisador de IA e ex-diretor da Apple Daniel Gross como um dos responsáveis por viabilizar a colaboração.
A Apple ganha uma demonstração de seu hardware executando um modelo de IA muito grande fora de um data center. A Meta ganha outra opção de implantação para desenvolvedores que querem trabalhar localmente. Nenhuma das empresas se comprometeu publicamente com uma parceria mais ampla.
A Meta também oferece suporte a hardware da AMD, Intel e Nvidia por meio de vários mecanismos de inferência, os softwares que executam um modelo treinado. O anúncio lista SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Hugging Face Transformers, MLX, llama.cpp e Unsloth.
Os ganhos de desempenho variam conforme o componente e o sistema. A Meta informa aumentos de velocidade de 1,03 a 3,95 vezes para kernels individuais da GPU Helion, que são pequenas rotinas de computação. Para o fluxo de trabalho completo em hardware AMD MI350, a empresa informa um aumento de velocidade de 3%.
O que o uso gratuito permite e quais são seus limites
A licença Muse Model permite que muitos desenvolvedores executem, modifiquem e adaptem o modelo sem pagar à Meta. Uma cláusula comercial específica se aplica a empresas que atendem aos requisitos e oferecem modelos como serviço, ou seja, vendem aos clientes acesso a um modelo hospedado.
Quando a receita bruta agregada de um licenciado e suas afiliadas ultrapassa US$ 20 milhões em qualquer período consecutivo de 12 meses, determinadas atividades de oferta do modelo exigem notificação à Meta e um acordo escrito separado. O cálculo da receita abrange a empresa e suas afiliadas, e não apenas as vendas geradas pelo Muse Spark Open.
O uso interno e outras atividades especificadas estão isentos dessa cláusula. A licença também exige que produtos que usem o modelo ou derivados abrangidos exibam a atribuição "Built with Muse Spark Open". Portanto, empresas que planejam uma implantação precisam analisar tanto a atividade pretendida quanto as condições aplicáveis.
Os desenvolvedores podem baixar os pesos pelo Amazon SageMaker AI, Google Cloud Model Garden, Hugging Face e Microsoft Foundry Models. O acesso hospedado está disponível pela Baseten, Fireworks AI, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter e Together AI.
A Together AI informa preços de US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 por milhão de tokens de saída para uso sem servidor. Com essas tarifas, processar 1 milhão de tokens de entrada e gerar 1 milhão de tokens de saída custaria US$ 5,50. A economia da operação local depende, por sua vez, dos gastos com hardware, da utilização, da eletricidade e do suporte técnico.
O trabalho de segurança vai além do download
A Meta afirma que o Muse Spark Open deriva do Muse Spark, lançado em agosto, e recebeu treinamento adicional de segurança para prepará-lo para uso fora dos próprios sistemas de proteção da empresa. O cartão do modelo avalia conteúdo nocivo, ações executadas por meio de ferramentas, privacidade e riscos relacionados a cibersegurança, química, biologia e perda de controle.
A Meta informa que o modelo lançado recusou 99,2% das tentativas no benchmark interno de jailbreak cibernético. Jailbreak é uma tentativa de fazer com que um modelo burle suas restrições. Nos outros três conjuntos de testes de cibersegurança, somados, a Meta informa uma taxa de recusa de 94,8%.
Os desenvolvedores continuam tendo responsabilidades ao conectar o modelo a sistemas reais. A Meta recomenda medidas de proteção adequadas a cada aplicação, como exigir confirmação humana antes de ações irreversíveis. Um assistente capaz de editar código, mover arquivos ou acionar ferramentas externas precisa de controles sobre as ações que pode executar.
O cartão do modelo informa que o sistema pode produzir respostas imprecisas, enviesadas ou questionáveis e cometer erros em raciocínios complexos. Ele foi treinado com dados em mais de 100 idiomas, mas a Meta não avaliou todos os idiomas incluídos no treinamento. Desenvolvedores que adaptarem o modelo precisam testar suas próprias aplicações e idiomas, especialmente depois de alterar seus pesos ou comportamento.
Lançamento que também sustenta o negócio fechado da Meta
A Meta mantém como proprietário o Muse Wonder, seu modelo mais avançado. Wang afirmou que questões de segurança e capacidade influenciam quais modelos a empresa disponibiliza para download.
Por motivos de segurança e de capacidade, em geral não abriremos o código-fonte dos nossos modelos mais poderosos.
A Meta também vê o acesso gratuito como uma forma de atrair desenvolvedores que, mais tarde, poderão pagar por ferramentas e capacidade de computação adicionais por meio de seu negócio de nuvem planejado. Os desenvolvedores podem começar a experimentar por conta própria e, à medida que suas necessidades aumentarem, contratar serviços hospedados.
A disputa competitiva vai além da Meta. A francesa Mistral anunciou o Mistral Large 4 no início de outubro, descrevendo-o como seu maior e mais capaz modelo, com 1 trilhão de parâmetros totais e 49 bilhões de parâmetros ativos. A publicação de seus pesos estava prevista para 27 de outubro. A Reflection AI também planejava lançar seu modelo Beam durante outubro.
Os principais marcos são:
- Agosto de 2026: a Meta lançou o Muse Spark e o modelo menor de pesos abertos Muse Glimmer.
- Início de outubro: a Mistral anunciou o Mistral Large 4.
- 15 de outubro: a Meta lançou o Muse Spark Open.
- Fim de outubro: a configuração do Mac Studio da Apple com 512 GB de memória deveria chegar ao mercado.
- 27 de outubro: a Mistral programou a publicação dos pesos do Large 4.
O lançamento da Meta oferece às organizações mais um modelo robusto que podem operar e adaptar por conta própria. Seu apelo combina desempenho em determinadas tarefas, opções de implantação local e termos de licença, enquanto a estratégia comercial da empresa mantém sua tecnologia mais poderosa atrás de um serviço pago.
Principais pontos
- A Meta lançou o Muse Spark Open em 15 de outubro de 2026, com 816 bilhões de parâmetros totais e 42 bilhões ativos de cada vez.
- O modelo aceita texto, imagens, vídeo e áudio, produz texto e oferece uma janela de contexto de 1 milhão de tokens.
- Os testes da Meta mostram pontos fortes no uso de ferramentas, enquanto Kimi K3 e GLM 5.3 lideram em várias métricas de programação.
- A operação local exige muita memória. A configuração de mesa proposta pela Meta usa dois Mac Studios M5 Ultra com 512 GB cada.
- Empresas que oferecem o modelo como serviço e atendem aos requisitos, com receita acima do limite de US$ 20 milhões, precisam de um acordo separado com a Meta.
- O Muse Wonder continua fechado, enquanto a Meta usa modelos disponíveis para download para atrair desenvolvedores e potenciais clientes de serviços de nuvem.






