Exportações da Coreia do Sul batem recorde de US$ 121,1 bilhões com disparada nas vendas de chips

12 min de leitura
South Korea Exports Hit Record $121.1 Billion as Chip Sales Surge

Superávit comercial de setembro chega a um recorde de US$ 50 bilhões

A Coreia do Sul exportou US$ 121,1 bilhões em mercadorias em setembro de 2026, uma alta de 83,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto os embarques de semicondutores ultrapassaram US$ 60 bilhões pela primeira vez. Os números finais do Serviço de Alfândega da Coreia, divulgados em 15 de outubro, apontaram um superávit comercial mensal recorde de US$ 50 bilhões.

Conteúdo
  1. Superávit comercial de setembro chega a um recorde de US$ 50 bilhões
  2. Chips respondem pela metade das exportações
  3. Computadores acompanham a disparada da tecnologia
  4. Preços do petróleo elevam vendas enquanto volumes embarcados caem
  5. Navios avançam enquanto automóveis de passeio perdem terreno
  6. China e Estados Unidos sustentam a demanda
  7. Um recorde construído ao longo de vários meses
  8. O que seria necessário para chegar a US$ 1 trilhão?
  9. Crescimento se estende para além dos maiores exportadores
  10. Principais pontos

As importações subiram 26,0%, para US$ 71,1 bilhões. As exportações cresceram pelo 16º mês consecutivo, enquanto o país registrou o 20º superávit mensal consecutivo. Há superávit comercial quando o valor das mercadorias vendidas ao exterior supera o das compradas de outros países.

As exportações de janeiro a setembro chegaram a US$ 814,7 bilhões, alta de 56,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas dos nove meses já haviam superado em US$ 105,4 bilhões, ou cerca de 14,9%, o total de US$ 709,3 bilhões do ano inteiro anterior.

O comunicado de comércio de setembro do Ministério do Comércio, Indústria e Recursos registrou exportações de US$ 120,94 bilhões, alta de 83,5%, e superávit de US$ 49,85 bilhões. Os números posteriores da alfândega elevaram ligeiramente os dois totais, sem alterar o quadro central: uma expansão excepcional liderada pelos chips.

A força das exportações sul-coreanas também se estendeu a computadores, derivados de petróleo e navios. Automóveis de passeio e peças automotivas seguiram na direção oposta, mostrando que o mês recorde trouxe resultados desiguais entre os setores.

Chips respondem pela metade das exportações

As exportações de semicondutores chegaram a US$ 60,503 bilhões nos números finais da alfândega, alta de 260,3% em relação a setembro de 2025 e o 19º aumento mensal consecutivo. O ministério registrou US$ 60,3 bilhões e crescimento de 262,8% em seu comunicado.

Os chips responderam por quase exatamente metade dos US$ 121,1 bilhões exportados em setembro. Um aumento de 260,3% significa que as vendas ficaram em cerca de 3,6 vezes o nível de um ano antes, e não simplesmente que dobraram.

Publicidade

O ministério atribuiu a disparada à continuidade da demanda por chips de memória, ao aumento dos volumes embarcados e à alta dos preços contratuais. Os chips de memória armazenam informações usadas por computadores, celulares e equipamentos que dão suporte à inteligência artificial.

A série de preços do ministério mostrou que um produto de memória DDR5 de 16 Gb passou de US$ 37,50 em maio para US$ 48 em setembro, uma alta de 28%. Um produto NAND de 128 Gb subiu de US$ 26,50 para US$ 30,60 no mesmo período, ou cerca de 15,5%. A memória NAND armazena informações mesmo quando um dispositivo está desligado.

Esses números ajudam a explicar o tamanho do salto nas exportações: os fabricantes embarcaram mais chips e receberam preços mais altos. A receita de exportação pode crescer por qualquer um desses fatores, e ambos atuaram em setembro.

O ministério também informou que as exportações excluindo semicondutores cresceram 23%. Outros setores, portanto, contribuíram para a expansão, embora sua taxa de crescimento combinada tenha ficado muito abaixo da dos chips.

Computadores acompanham a disparada da tecnologia

As exportações de computadores subiram 380,5%, para US$ 7,201 bilhões, segundo os números finais da alfândega. O ministério registrou US$ 7 bilhões e crescimento de 435,3%, associando a demanda à expansão da infraestrutura de inteligência artificial e à disseminação da IA agêntica, sistemas concebidos para executar sequências de tarefas.

As exportações de computadores e semicondutores somaram cerca de US$ 67,7 bilhões, ou 55,9% de todas as exportações de setembro, com base nos totais finais da alfândega. Essa concentração torna a demanda por tecnologia especialmente relevante para a receita de exportação da Coreia do Sul.

Empresas que constroem infraestrutura de inteligência artificial precisam de equipamentos de computação e memória para processar e armazenar grandes volumes de informações. O ministério relaciona os aumentos de chips e computadores a esses investimentos, em vez de tratá-los como altas de vendas sem relação entre si.

Os equipamentos de telecomunicações apresentaram um quadro menos uniforme. O ministério registrou exportações de equipamentos sem fio de US$ 2,14 bilhões, alta de 23,4%, citando celulares premium e componentes fornecidos para iPhones. A composição final da alfândega registrou queda de 1,5% nas exportações de equipamentos sem fio, enquanto os equipamentos de telecomunicações com fio aumentaram 24,2%.

Outras categorias de eletrônicos enfraqueceram nos números da alfândega: os eletrodomésticos caíram 7,6%, e os dispositivos de cristal líquido recuaram 15,3%. O boom tecnológico de setembro se concentrou sobretudo em chips e computadores.

Publicidade

Preços do petróleo elevam vendas enquanto volumes embarcados caem

As exportações de derivados de petróleo aumentaram 73,3%, para US$ 7,35 bilhões, segundo os números finais da alfândega. A análise detalhada do ministério mostrou quanto do crescimento do setor veio dos preços mais altos durante as interrupções em rotas marítimas importantes do Oriente Médio.

O ministério registrou alta de 72,0% na receita de exportação de derivados de petróleo, mesmo com queda de 6,9% nos volumes embarcados. A receita de exportação de petroquímicos aumentou 5,1%, enquanto os volumes recuaram 19,1%. Petroquímicos são materiais produzidos a partir de petróleo e gás, usados em produtos como plásticos e produtos químicos industriais.

O petróleo bruto de Dubai teve preço médio de US$ 113,70 por barril, alta de 62,4% em relação ao ano anterior, segundo o ministério. Os preços de exportação subiram 84,7% para derivados de petróleo e 30,0% para petroquímicos.

O ministério relacionou a alta dos preços internacionais do petróleo à redução no número de navios que atravessaram o Estreito de Ormuz e ao aumento dos riscos de transporte no Mar Vermelho. Para os exportadores de combustíveis refinados, esses preços elevaram o valor em dólares das vendas, apesar da redução nas quantidades embarcadas.

A Coreia do Sul também teve uma conta maior com a importação de energia. As importações de energia em setembro subiram 38,0%, para US$ 12,96 bilhões. As importações de petróleo bruto chegaram a US$ 8 bilhões, alta de 38,4%, com aumento de 2,0% nos volumes importados e de 35,7% nos preços. Assim, os preços mais altos do petróleo afetaram os dois lados da balança comercial.

As exportações de navios aumentaram 31,4%, para US$ 3,64 bilhões, segundo os números finais da alfândega. O ministério atribuiu o forte desempenho do setor ao aumento nas entregas de embarcações, incluindo navios de transporte de gás natural liquefeito e grandes transportadores de gás.

As exportações de automóveis de passeio caíram 5,6%, para US$ 5,71 bilhões, a segunda queda mensal consecutiva. As exportações de peças automotivas recuaram 8,1%, para US$ 1,68 bilhão.

A categoria mais ampla de automóveis do ministério caiu 5,5%, para US$ 6,05 bilhões. O órgão apontou o enfraquecimento das exportações de carros usados e um efeito de calendário: em 2026, o feriado de Chuseok caiu em setembro, enquanto em 2025 foi em outubro. O menor número de dias úteis reduziu o tempo disponível para a produção e os embarques, enquanto a média diária das exportações de automóveis aumentou 5,5%.

As vendas de automóveis de passeio também variaram bastante conforme o destino. As exportações para os Estados Unidos subiram 7,8%, com aumentos de 14,4% para o Canadá, 19,2% para a Austrália e 67,9% para a Alemanha. Os embarques para o Reino Unido caíram 34,8%, enquanto os destinados ao Quirguistão recuaram 76,6%.

Publicidade

Os produtos de aço subiram 6,7%, para US$ 4,28 bilhões, nos números da alfândega. O ministério citou a demanda ligada a centros de dados de inteligência artificial como fator de sustentação das vendas de aço, embora os exportadores enfrentassem tarifas dos Estados Unidos e restrições às importações da União Europeia. As exportações de máquinas em geral, segundo os números do ministério, caíram 3,2%, para US$ 4,07 bilhões, pressionadas pelo menor número de dias úteis e pelos custos logísticos mais altos.

China e Estados Unidos sustentam a demanda

As exportações para a China aumentaram 123,1%, para US$ 26,06 bilhões, prolongando a sequência de crescimento para 11 meses. As vendas para os Estados Unidos subiram 136,9%, para US$ 24,33 bilhões, a 10ª alta mensal consecutiva.

Juntos, esses dois mercados compraram US$ 50,39 bilhões em mercadorias sul-coreanas, cerca de 41,6% do total das exportações de setembro. O ministério apontou chips, computadores e equipamentos sem fio como principais motores das vendas para a China, enquanto semicondutores, derivados de petróleo e máquinas impulsionaram as exportações para os Estados Unidos.

O Sudeste Asiático também alcançou um marco. O ministério informou que as exportações para a Associação das Nações do Sudeste Asiático, ou Asean, chegaram a US$ 21,29 bilhões, alta de 92,6% e acima de US$ 20 bilhões pela primeira vez. Chips, derivados de petróleo e navios contribuíram para o aumento.

Os números finais da alfândega mostraram aumento de 102,1% nas exportações para a Austrália, 96,6% para Taiwan, 43,9% para o Vietnã, 25,2% para o Japão e 21,2% para a União Europeia. O ministério informou que as exportações para a UE cresceram pelo 10º mês consecutivo.

O Oriente Médio seguiu na direção oposta. As exportações caíram 14,1%, para US$ 1,6 bilhão, a segunda queda mensal consecutiva. O ministério relacionou o enfraquecimento das vendas de veículos, peças automotivas e máquinas às dificuldades para atravessar o Estreito de Ormuz.

Um recorde construído ao longo de vários meses

O resultado de setembro superou uma série de números expressivos registrados no início de 2026. Os dados mensais do ministério mostram que as exportações totais e as vendas de semicondutores avançaram além dos picos anteriores:

  • Junho de 2026: as exportações totais chegaram a US$ 102 bilhões, enquanto as exportações de semicondutores ficaram em US$ 44,8 bilhões.
  • Julho de 2026: as exportações totais chegaram a US$ 99,2 bilhões.
  • Agosto de 2026: as exportações de semicondutores subiram para US$ 46,7 bilhões, e as exportações para a Asean chegaram a US$ 19,1 bilhões.
  • Setembro de 2026: as exportações totais ultrapassaram US$ 120 bilhões, os chips passaram de US$ 60 bilhões e as vendas para a Asean superaram US$ 20 bilhões.
  • 15 de outubro de 2026: o Serviço de Alfândega da Coreia divulgou os números finais de setembro, com exportações de US$ 121,1 bilhões e superávit de US$ 50 bilhões.

O ministério informou que as exportações médias diárias de setembro chegaram ao recorde de US$ 5,63 bilhões, alta de 105% em relação ao ano anterior. Essa medida divide as vendas de exportação pelos dias úteis, o que ajuda a comparar meses com calendários de feriados diferentes. O valor superou em cerca de 24,3% o recorde diário anterior, de US$ 4,53 bilhões, registrado em junho.

Publicidade

O que seria necessário para chegar a US$ 1 trilhão?

A Coreia do Sul precisava exportar mais US$ 185,3 bilhões entre outubro e dezembro para chegar a US$ 1 trilhão em 2026, com base no total final de US$ 814,7 bilhões acumulado até setembro. Isso equivale a uma média de cerca de US$ 61,8 bilhões por mês no último trimestre.

As exportações de janeiro a setembro tiveram média de cerca de US$ 90,5 bilhões por mês. O valor de US$ 121,1 bilhões em setembro foi ainda substancialmente maior, o que explica a confiança do ministro da Indústria, Kim Jung-kwan, de que a marca anual será alcançada. As vendas futuras dependerão da demanda, dos preços e das condições comerciais nos meses restantes.

Kim, ministro do Comércio, Indústria e Recursos, descreveu a conquista e os riscos no comunicado do ministério. Em tradução, afirmou:

Exportações anuais de US$ 1 trilhão estão ao alcance, mas o fortalecimento do protecionismo global e as tensões no Oriente Médio continuam sendo fatores de risco importantes para nossas exportações.

Kim afirmou que o governo manteria contatos de alto nível com autoridades comerciais dos principais mercados, monitoraria as restrições às exportações e responderia a acontecimentos externos que pudessem prejudicar as exportações durante o quarto trimestre.

O ministério calculou as importações de janeiro a setembro em US$ 562,1 bilhões e o superávit comercial acumulado em US$ 252,5 bilhões. As importações não relacionadas à energia também cresceram em setembro: as de equipamentos para semicondutores subiram 50,8%, para US$ 3,44 bilhões, enquanto as de equipamentos sem fio aumentaram 27,3%, para US$ 2,01 bilhões.

Crescimento se estende para além dos maiores exportadores

As exportações de cosméticos chegaram ao recorde de US$ 1,51 bilhão em setembro, alta de 31,4%, segundo o ministério. As vendas cresceram na China, nos Estados Unidos, na Asean e na União Europeia, ampliando o crescimento do setor em vários mercados importantes.

As exportações de baterias recarregáveis aumentaram 14,0%, para US$ 720 milhões, a quinta alta mensal consecutiva. O ministério atribuiu a melhora ao aumento das quantidades, incluindo a demanda de sistemas de armazenamento de energia, e aos preços mais altos associados aos custos dos minerais.

As exportações de produtos agrícolas, pesqueiros e alimentos caíram 4,7%, para US$ 1,11 bilhão. Macarrões e molhos continuaram vendendo bem, mas o menor número de dias úteis pesou no total da categoria. Entre as 20 principais categorias de exportação do ministério, 11 registraram aumento.

Para as empresas sul-coreanas, os números de setembro retratam várias condições ao mesmo tempo: rápida expansão das vendas de tecnologia, preços mais altos dos combustíveis, forte demanda por navios e cosméticos e resultados mensais mais fracos para automóveis e máquinas. O superávit recorde foi resultado combinado desses movimentos desiguais.

Principais pontos

  • As exportações de setembro chegaram ao recorde de US$ 121,1 bilhões, alta de 83,7%, segundo os números finais da alfândega divulgados em 15 de outubro.
  • As importações aumentaram 26,0%, para US$ 71,1 bilhões, resultando em um superávit comercial recorde de US$ 50 bilhões.
  • As exportações de semicondutores subiram 260,3%, para US$ 60,503 bilhões, e responderam por cerca de metade das exportações totais.
  • As exportações de janeiro a setembro chegaram a US$ 814,7 bilhões, já acima dos US$ 709,3 bilhões do ano inteiro anterior.
  • China e Estados Unidos compraram juntos cerca de 41,6% das exportações de setembro.
  • As exportações de automóveis de passeio e peças automotivas caíram, enquanto os preços mais altos do petróleo elevaram as vendas apesar da redução nos volumes embarcados.
  • Para chegar a US$ 1 trilhão em exportações anuais, são necessários mais US$ 185,3 bilhões no último trimestre.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar