Institutos públicos de pesquisa da Coreia do Sul perdem talentos essenciais com a ida de jovens cientistas para universidades

12 min de leitura
South Korea's Public Research Institutes Lose Core Talent as Young Scientists Move to Universities

Pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos predominam entre os que deixam os institutos

Os institutos de pesquisa científica financiados pelo governo da Coreia do Sul perderam 155 pesquisadores por pedidos de demissão em 2025, incluindo 91 na faixa dos 30 anos e 46 na dos 40. Juntos, esses dois grupos etários responderam por 88,4% das saídas, a maior proporção registrada nos dados enviados pelo Conselho Nacional de Pesquisa em Ciência e Tecnologia (NST) a um parlamentar.

Conteúdo
  1. Pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos predominam entre os que deixam os institutos
  2. O que os números de desligamentos medem
  3. Um alerta anterior sobre cientistas mais jovens
  4. Universidades atraem pesquisadores com experiência em laboratórios públicos
  5. Salários iniciais e aumentos lentos influenciam a concorrência
  6. Novas regras de contratação beneficiam primeiro pesquisadores de destaque
  7. Moradia e deslocamento entram no debate sobre retenção
  8. Mudanças no financiamento de pesquisa também afetam a remuneração
  9. A disputa por talentos vai além da Coreia do Sul
  10. Principais pontos

Os dados abrangem 23 institutos vinculados ao NST e foram divulgados em 16 de outubro de 2026 pelo deputado Kim Nam-kuk, do Partido Democrático, integrante da Comissão de Ciência, TIC, Radiodifusão e Comunicações da Assembleia Nacional. Pesquisadores na faixa dos 30 anos representaram 58,7% dos que saíram, enquanto os que estavam na faixa dos 40 corresponderam a 29,7%.

Universidades e outras instituições acadêmicas foram o principal destino. No período mais longo analisado, 62,7% dos pesquisadores que deixaram os institutos na faixa dos 30 anos e 64,6% dos que estavam na faixa dos 40 foram para a academia. Assim, os institutos públicos estão perdendo profissionais experientes justamente quando poderiam estar formando equipes de pesquisa e assumindo a responsabilidade por projetos maiores.

Kim disse que as saídas são motivo de preocupação para a capacidade científica do país. Ao comentar o tema como parlamentar responsável por fiscalizar os institutos, afirmou:

Pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos são profissionais fundamentais, que terão pela frente o futuro da pesquisa e desenvolvimento nacional. O fato de não conseguirem se estabelecer em institutos públicos de pesquisa e acabarem saindo precisa ser levado muito a sério do ponto de vista da competitividade nacional em ciência e tecnologia,

A pressão vai além do recrutamento. Remuneração, perspectivas de carreira, moradia e deslocamento estão entre os temas do debate sobre como manter pesquisadores nos laboratórios públicos pelo tempo necessário para concluir trabalhos ambiciosos.

Publicidade

O que os números de desligamentos medem

O levantamento de longo prazo do NST registrou 1.487 saídas voluntárias a partir de 2017, sendo 84,6% de pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos. A proporção de 88,4% em 2025 ficou 3,8 pontos percentuais acima do índice do período mais longo.

Há uma divergência não esclarecida sobre a data final do levantamento acumulado: o relato inicial situa o encerramento em junho de 2025, enquanto os relatos datados de 16 de outubro de 2026 indicam junho daquele ano. O detalhamento anual de 155 saídas diz respeito a 2025.

Demissões voluntárias significam que os pesquisadores optaram por sair, em vez de terem atingido a idade obrigatória de aposentadoria. As porcentagens descrevem as pessoas que deixaram os institutos. Para calcular a probabilidade de saída de um pesquisador de determinado grupo etário, também seria necessário saber o total de profissionais empregados nessa faixa, informação que não foi fornecida.

Outros dados do NST apontam cerca de 800 saídas voluntárias em cinco anos, incluindo 484 transferências para universidades, enquanto outro levantamento contabiliza 1.288 desligamentos em 23 institutos. Como as datas exatas e os critérios de contagem desses dois períodos não foram especificados, cada total corresponde ao seu próprio levantamento.

Um alerta anterior sobre cientistas mais jovens

A deputada Hwang Jung-a, do Partido Democrático, já havia divulgado dados obtidos junto ao NST, ao Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia e ao Instituto de Astronomia e Ciências Espaciais da Coreia. Os dados contabilizavam 1.253 saídas voluntárias entre 2020 e junho de 2024, excluindo categorias como aposentadoria obrigatória e honorária.

Pesquisadores na faixa dos 30 anos ou mais jovens somaram 788 dessas saídas, ou 62,9%. A proporção passou de 61,9% em 2020 para 64,2% em 2021, 64,4% em 2022 e 67,9% em 2023. Isso representa um aumento de seis pontos percentuais entre 2020 e 2023.

Os principais acontecimentos se estendem por vários anos:

  • 2020: Pesquisadores na faixa dos 30 anos ou mais jovens responderam por 61,9% das saídas voluntárias no levantamento institucional anterior.
  • 2023: A proporção chegou a 67,9%, e 27 pesquisadores dessa faixa etária saíram antes de completar um ano de serviço.
  • Junho de 2024: O total acumulado desde 2020 chegou a 1.253 saídas voluntárias, incluindo 788 pessoas na faixa dos 30 anos ou mais jovens.
  • 4 de março de 2025: Entraram em vigor novas normas operacionais, ampliando a margem para os institutos contratarem pesquisadores externos de destaque.
  • 2025: Pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos responderam por 137 das 155 saídas voluntárias em 23 institutos do NST.
  • 16 de outubro de 2026: Kim divulgou o detalhamento anual mais recente.
Publicidade

Universidades atraem pesquisadores com experiência em laboratórios públicos

A atração exercida pela academia aparece repetidamente nos dados. Na série mais longa de Kim, quase dois terços dos pesquisadores que deixaram os institutos em cada um dos dois principais grupos etários foram para universidades ou outras instituições acadêmicas. No levantamento anterior de Hwang, a academia respondeu por 39,4% de todas as saídas voluntárias, a maior categoria de destino.

As duas porcentagens abrangem grupos diferentes: os dados de Kim separam pesquisadores na faixa dos 30 e 40 anos, enquanto o dado de destino de Hwang inclui pesquisadores de todas as idades. Em conjunto, eles mostram que as universidades são grandes concorrentes na disputa por profissionais já formados e experientes em laboratórios públicos.

Os pesquisadores na faixa dos 30 anos que pediram demissão haviam trabalhado, em média, 4,3 anos. Entre os que estavam na faixa dos 40, o tempo médio de serviço era de 9,9 anos. Os institutos, portanto, precisam substituir profissionais que acumularam vários anos de conhecimento sobre equipamentos, métodos e trabalhos em andamento.

As universidades que recebem esses cientistas ganham essa experiência. Para os laboratórios que os perdem, a preocupação prática é manter a continuidade: colegas podem ter de assumir experimentos, reconstruir competências especializadas ou contratar substitutos enquanto os projetos ainda estão em andamento. O debate envolve tanto o local onde se concentra a capacidade de pesquisa na Coreia do Sul quanto o número de cientistas formados pelo país.

Salários iniciais e aumentos lentos influenciam a concorrência

Os salários iniciais nos institutos públicos costumam ser descritos como valores entre 40 milhões e 50 milhões de won por ano, com variações entre instituições e níveis de qualificação. Outra avaliação situa a remuneração inicial de pesquisadores com doutorado em cerca de 60% a 70% do oferecido por grandes empresas.

A remuneração média nos institutos como um todo é bem maior, variando de cerca de 80 milhões de won a mais de 100 milhões. Essas médias incluem profissionais experientes e pagamentos como adicionais, bônus e benefícios. Um cientista que considera seu primeiro cargo leva em conta o salário inicial e o ritmo esperado de reajustes, não a média da instituição.

Os reajustes salariais anuais são descritos como geralmente próximos de 1% a 2%, limitados pelos tetos de gastos do governo com pessoal. Com um salário de 50 milhões de won, um aumento de 2% acrescenta 1 milhão de won por ano, ou cerca de 83.333 won por mês antes dos descontos.

As empresas também estão atraindo um número crescente de profissionais que deixam os institutos. Um levantamento do NST registrou 11 transferências voluntárias para o setor privado em 2020 e 28 em 2024, um aumento de 17 e mais que o dobro do número anterior. As universidades continuam sendo o principal destino, mas os laboratórios concorrem cada vez mais com empresas em busca de especialistas em áreas como inteligência artificial e tecnologia quântica.

Publicidade

Novas regras de contratação beneficiam primeiro pesquisadores de destaque

As normas operacionais que entraram em vigor em 4 de março de 2025 deram aos institutos mais liberdade para preparar condições de remuneração para a contratação de profissionais externos de destaque. Vários laboratórios começaram a revisar tabelas salariais e regras de recrutamento para aproveitar essa flexibilidade.

O Instituto de Máquinas e Materiais da Coreia planejava contratar 29 pessoas em 2025 para funções de pesquisa, técnicas e administrativas. Dessas vagas, 21 eram para pesquisa em robótica humanoide e inteligência artificial, indicando um esforço concentrado para ampliar a capacidade nessas áreas.

O Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia já havia revisado as condições salariais ao contratar Lee Kwan-young, professor da Universidade da Coreia, para seu instituto de pesquisa em hidrogênio limpo. O Instituto de Tecnologia Industrial da Coreia também estava revisando as diretrizes para contratações externas e preparando um processo seletivo para abril de 2025.

Os institutos que consideravam contratar pesquisadores de destaque no exterior também precisavam resolver questões práticas relacionadas a vistos e moradia. Ao mesmo tempo, os cientistas já empregados nos laboratórios continuavam sujeitos a restrições salariais mais amplas. Condições especiais para um pequeno número de profissionais de destaque e melhores condições para os pesquisadores já contratados atendem a diferentes aspectos do problema de pessoal.

Em novembro, o ministério da Ciência também anunciou um plano para contratar cerca de 600 pesquisadores no início da carreira por ano. Para mantê-los, é preciso prestar atenção às condições que encontram depois de ingressar nos institutos.

Moradia e deslocamento entram no debate sobre retenção

Apenas cinco dos 25 institutos vinculados ao NST e à Administração Aeroespacial da Coreia oferecem moradia a pesquisadores em geral. Isso equivale a um quinto das instituições do grupo e deixa as decisões sobre moradia principalmente a cargo dos funcionários nos demais institutos.

As condições de deslocamento se tornaram outra fonte de preocupação. Após comentários feitos pelo presidente Lee Jae-myung em janeiro sobre o aumento da proporção de funcionários de instituições públicas que moram na região onde trabalham, órgãos públicos e institutos científicos começaram a suspender gradualmente as linhas de ônibus metropolitanos para deslocamento. O cronograma anunciado previa a suspensão total em junho.

Funcionários dos institutos mencionaram a escassez de alternativas de transporte, incluindo ônibus expressos que passam apenas uma vez por hora. Profissionais com filhos também precisavam considerar escolas, cuidados infantis e acesso a serviços médicos caso se mudassem para mais perto do trabalho.

O objetivo do governo de promover o desenvolvimento regional traz uma escolha concreta para os pesquisadores: mudar a família de cidade pode ser difícil, enquanto a perda do transporte para o trabalho pode tornar mais difícil permanecer no mesmo emprego. Decisões salariais, disponibilidade de moradia e políticas de transporte acabam afetando o mesmo orçamento familiar e a rotina diária.

Publicidade

Mudanças no financiamento de pesquisa também afetam a remuneração

A extinção do Sistema Baseado em Projetos (PBS) acrescenta outra dimensão ao debate. O PBS é um modelo que vincula parte do financiamento dos institutos e dos custos com pessoal a projetos de pesquisa específicos. Sua mudança também exige decisões sobre pagamentos associados a esses projetos.

Espera-se que adicionais de pesquisa e outros pagamentos por desempenho sejam reorganizados à medida que o sistema mudar. Entre as preocupações nos institutos estão como os adicionais serão divididos entre profissionais mais experientes e mais jovens, e se as novas regras poderão fazer com que alguns funcionários com mais tempo de serviço recebam menos do que colegas menos experientes.

Ao comparar empregos, os pesquisadores precisam considerar a remuneração total, incluindo pagamentos variáveis, além do salário-base. Uma reforma no financiamento destinada a mudar o funcionamento dos laboratórios pode, portanto, também alterar os motivos de um funcionário para permanecer no cargo.

O tempo de carreira também pesa nessa decisão. Relatos sobre as condições de emprego nos institutos mencionam a redução da idade de aposentadoria de 65 para 61 anos e a adoção de um sistema de pico salarial a partir de 2015. Nesse modelo, a remuneração cai à medida que o funcionário se aproxima da aposentadoria. Essas condições chamam a atenção tanto para os ganhos no início da carreira quanto para os anos finais da trajetória científica.

A disputa por talentos vai além da Coreia do Sul

As iniciativas de recrutamento da China acrescentam uma dimensão internacional ao tema. Foram registradas mensagens de e-mail para atrair pesquisadores: 226 no Instituto de Ciências Básicas da Coreia, 188 no Instituto de Ciência de Materiais da Coreia, 127 no Instituto de Ciência e Tecnologia da Informação da Coreia e 114 no Instituto Nacional de Ciências Toxicológicas.

As abordagens foram descritas como voltadas não apenas a cientistas experientes próximos da aposentadoria, mas também a pesquisadores mais jovens, com salários elevados e financiamento para pesquisa oferecidos como incentivos. Os números dos quatro institutos somam 655 e-mails; não foi informado quantos pesquisadores aceitaram as propostas.

A resposta proposta por Kim se concentra em melhorar a remuneração e garantir um ambiente estável de pesquisa. Hwang defendeu apoio que abranja educação, pesquisa, emprego e moradia. As propostas relacionam os aspectos profissionais da retenção às condições práticas da vida cotidiana.

Para os laboratórios públicos, contratar substitutos é apenas parte do desafio. Manter equipes ao longo de vários anos de pesquisa também exige perspectivas de carreira competitivas, remuneração previsível e condições de vida viáveis. Os números de desligamentos colocam essas condições no centro do esforço da Coreia do Sul para sustentar seus programas nacionais de pesquisa.

Principais pontos

  • Dos 155 pesquisadores que deixaram voluntariamente 23 institutos do NST em 2025, 137 estavam na faixa dos 30 ou 40 anos, uma proporção recorde de 88,4%.
  • Na série mais longa, a academia atraiu 62,7% dos pesquisadores que saíram na faixa dos 30 anos e 64,6% dos que estavam na faixa dos 40.
  • O tempo médio de serviço antes da saída foi de 4,3 anos para pesquisadores na faixa dos 30 anos e de 9,9 anos para os que estavam na faixa dos 40.
  • Um levantamento anterior contabilizou 788 pesquisadores na faixa dos 30 anos ou mais jovens entre 1.253 saídas voluntárias ocorridas de 2020 a junho de 2024.
  • Limites salariais, reforma da remuneração, escassez de moradia e suspensão de linhas de ônibus para deslocamento estão entre as preocupações relacionadas à retenção de profissionais.
  • Os institutos estão ampliando as contratações, enquanto parlamentares defendem melhores condições para os pesquisadores já empregados.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar