Malásia deve crescer mais lentamente após um forte 2026
A economia da Malásia deve crescer 5,2% em 2026, antes de desacelerar para 4,7% em 2027, segundo o Fundo Monetário Internacional. A queda projetada de 0,5 ponto percentual ocorre enquanto as exportações de tecnologia e os investimentos em centros de dados sustentam a atividade, ao passo que os custos mais altos de energia e as mudanças no comércio global pressionam a região.
Conteúdo
- Malásia deve crescer mais lentamente após um forte 2026
- Exportações de tecnologia sustentam a atividade
- Construção de centros de dados atravessa fronteiras
- Inteligência artificial muda o cenário do emprego
- Subsídios de energia amortecem preços, mas consomem recursos públicos
- Gastos das famílias superam o crescimento da renda
- Serviços oferecem outro caminho para o crescimento
- Menos barreiras aos serviços podem impulsionar a produção regional
- As datas por trás do relatório
- Principais pontos
O Panorama Econômico Regional de outubro de 2026 do FMI, publicado em 15 de outubro, descreve uma economia da Ásia e do Pacífico moldada por três forças: o choque energético decorrente do conflito no Oriente Médio, o boom tecnológico impulsionado pela inteligência artificial e as mudanças no comércio após choques de política comercial.
A Malásia está na interseção dessas forças. Suas empresas de montagem e encapsulamento de produtos tecnológicos ampliaram as exportações, enquanto o setor de centros de dados do país já conta com mais de 1.000 megawatts de capacidade operacional e mais de 1.500 megawatts em construção. Os gastos das famílias também cresceram mais rápido que a renda, em parte com o aumento dos empréstimos bancários.
O produto interno bruto, ou PIB, mede o valor dos bens e serviços produzidos em uma economia. As projeções do FMI apontam para a continuidade da expansão da Malásia nos dois anos, mas em ritmo mais lento em 2027. Para trabalhadores e empresas, a questão central é até que ponto o crescimento se estende para além dos setores mais beneficiados pelo boom tecnológico.
Exportações de tecnologia sustentam a atividade
Malásia e Singapura se beneficiam de seus papéis na montagem e no encapsulamento de produtos tecnológicos. Essas atividades as conectam a redes internacionais de produção, nas quais componentes e serviços circulam entre países antes de o produto acabado chegar ao comprador.
O FMI, instituição financeira internacional que publicou o relatório, descreveu o padrão regional:
Malásia e Singapura ampliaram as exportações como montadoras e encapsuladoras de produtos tecnológicos, enquanto os fortes investimentos em centros de dados na China, Índia, Japão, Indonésia e Malásia também contribuíram para o crescimento.
O relatório afirma que a demanda por tecnologia ajudou a Ásia e o Pacífico a ter um desempenho melhor do que o esperado anteriormente. Também conclui que os benefícios são desiguais, com empresas de tecnologia avançando mais do que outros setores de algumas economias. Assim, a projeção de crescimento da Malásia vem acompanhada de um alerta regional: uma atividade intensa em poucos setores pode coexistir com pressões em outras áreas.
Construção de centros de dados atravessa fronteiras
Os números da Malásia mostram que os centros de dados já operam em paralelo a um amplo volume de projetos em construção. A capacidade operacional superou 1.000 megawatts, enquanto mais de 1.500 megawatts estavam em construção. Megawatts medem a capacidade de energia e permitem descrever a escala de instalações que operam grandes quantidades de computadores.
Centros de dados abrigam equipamentos de computação usados para armazenar e processar informações, incluindo as cargas de trabalho por trás da inteligência artificial. Sua construção gera demanda antes mesmo do início das operações dos serviços de computação, por meio da compra de equipamentos, materiais e outros insumos.
O FMI afirma que os investimentos nessas instalações geraram demanda por bens intermediários de fornecedores regionais, como Tailândia e Vietnã. Bens intermediários são itens usados para fabricar outro produto ou concluir um projeto. Assim, um investimento em centro de dados em um país pode sustentar a produção e os pedidos em outro.
Os números da construção também distinguem o setor que já opera da capacidade ainda em implantação. O relatório não informa um cronograma para a conclusão dos projetos na Malásia. A contribuição futura dependerá de quando eles entrarem em operação e começarem a oferecer capacidade de computação.
Inteligência artificial muda o cenário do emprego
O estudo do FMI sobre 40 milhões de anúncios de emprego online em 19 economias asiáticas acrescenta um alerta trabalhista à história dos investimentos em tecnologia. A demanda dos empregadores caiu quase 10% nas ocupações mais expostas à inteligência artificial, em comparação com as menos expostas.
Exposição significa que a IA pode afetar as tarefas de um emprego. A conclusão diz respeito à demanda dos empregadores captada em anúncios online, cuja comparação mostra uma demanda menor por ocupações mais expostas. O FMI afirma que o efeito parece ter se estabilizado, embora as capacidades da IA tenham avançado rapidamente, o que sugere que a tecnologia está reformulando o trabalho mais do que eliminando empregos.
A expansão da infraestrutura tecnológica da Malásia faz parte desse cenário regional mais amplo. Os investimentos podem gerar demanda por instalações e equipamentos, enquanto os empregadores mudam os tipos de habilidades que procuram. O FMI aponta reformas no mercado de trabalho e apoio aos trabalhadores em processo de adaptação como prioridades para sustentar o crescimento.
A idade também importa na região. Segundo o relatório, a IA pode dificultar a criação de empregos em economias mais jovens e ajudar economias envelhecidas a lidar com a escassez de mão de obra. Assim, um único boom tecnológico regional pode gerar diferentes pressões sobre o emprego em cada país.
Subsídios de energia amortecem preços, mas consomem recursos públicos
Os preços mais altos da energia são outra força importante que atravessa o relatório. O FMI afirma que o repasse dos custos de energia à inflação geral e à inflação subjacente permaneceu relativamente contido na maioria das economias avançadas e emergentes, com a ajuda de estoques e de medidas que suavizam as variações de preços.
A inflação geral mede as variações de preços de toda a cesta de consumo. Em geral, a inflação subjacente exclui itens voláteis, como alimentos e energia, para facilitar a identificação das tendências de preços. A energia pode afetar ambas, pois combustíveis e eletricidade também são custos para as empresas que produzem outros bens e serviços.
Mais de 80% das economias adotaram medidas para limitar o impacto nos preços internos, usando, em média, de duas a quatro ferramentas de política econômica. A Malásia recorreu ao congelamento de preços de combustíveis ou tarifas de serviços públicos e a subsídios. Camboja e Laos reduziram impostos e tarifas sobre combustíveis, enquanto Japão e Tailândia adotaram limites para os preços dos combustíveis com apoio de subsídios.
Malásia, Índia e Singapura também adotaram apoio direcionado por meio de garantias de crédito ou linhas de liquidez. Uma garantia de crédito ajuda o tomador a obter um empréstimo ao prometer cobrir parte da possível perda do credor. Linhas de liquidez dão acesso a dinheiro quando necessário.
Entre as medidas destinadas a reduzir a demanda estavam o trabalho remoto, a redução da jornada no setor público e restrições de viagem na Malásia e em várias outras economias da região. O FMI afirma que os governos precisam equilibrar o apoio imediato com a recuperação de margem fiscal para responder a choques futuros. Subsídios e outras formas de auxílio podem proteger as famílias, mas também pressionam as finanças públicas.
Gastos das famílias superam o crescimento da renda
O consumo por pessoa na Malásia cresceu mais rápido do que a renda por pessoa, e a diferença é maior do que a média das economias emergentes e em desenvolvimento. O FMI relaciona esse padrão, em parte, a um aumento expressivo dos empréstimos bancários às famílias.
O crédito permite que as famílias gastem antes de terem recebido o dinheiro necessário para pagar uma compra. Isso pode sustentar a demanda atual por bens e serviços, mas as parcelas também comprometem parte da renda futura. Por isso, emprego, salários e custos das dívidas são importantes para a continuidade dos gastos dos consumidores.
Para Malásia e Tailândia, onde o crescimento do consumo tem sido relativamente robusto, o FMI recomenda fortalecer a capacidade das famílias de manter os gastos em períodos difíceis. O relatório dá atenção especial às famílias vulneráveis e às que têm dívidas elevadas.
A análise mais ampla do relatório sobre as famílias recomenda redes de proteção social mais fortes, incluindo pensões mais adequadas e apoio direcionado à renda. Essas medidas podem reduzir a necessidade de poupar para enfrentar doenças, desemprego e aposentadoria. O FMI afirma que essas políticas devem fazer parte de planos orçamentários governamentais confiáveis e vir acompanhadas de reformas que ampliem a capacidade produtiva da economia.
Serviços oferecem outro caminho para o crescimento
Os serviços modernos representaram cerca de 30% do total das exportações de serviços da Malásia em 2023, enquanto aproximadamente 70% corresponderam a serviços tradicionais. Entre os serviços modernos estão atividades como computação, finanças e serviços profissionais; entre os tradicionais, turismo e transporte.
Os serviços também chegam a clientes estrangeiros por canais menos visíveis do que uma venda direta ao exterior. O FMI informa que, na ASEAN, os serviços incorporados às exportações de bens representaram 17%, enquanto os serviços prestados por meio de presença comercial responderam por 30%.
Um serviço incorporado a uma exportação de bens é um trabalho que ajuda a produzir ou entregar um item físico, como design ou logística. A prestação por meio de presença comercial significa atender clientes a partir de uma operação estabelecida no exterior. Esses canais ajudam a explicar por que o comércio de serviços vai além do trabalho enviado diretamente através de uma fronteira.
As conexões regionais ainda são limitadas para os serviços modernos. Em média, apenas 14% das exportações desses serviços foram destinadas a clientes da Ásia e do Pacífico. Isso deixa cerca de 86% voltados a mercados fora da região, mostrando o quanto essas atividades dependem de mercados mais distantes.
Menos barreiras aos serviços podem impulsionar a produção regional
O FMI estima que a redução das restrições ao comércio de serviços poderia elevar o PIB da região em quase 1% no longo prazo. Trata-se de uma estimativa regional de um possível aumento da produção, distinta das projeções anuais de crescimento da Malásia, de 5,2% e 4,7%.
O relatório conclui que as barreiras regulatórias impõem custos substanciais ao comércio de serviços, sobretudo aos serviços modernos. Esses custos são consideravelmente maiores do que os associados às barreiras ao comércio de bens. Entre as medidas recomendadas estão reformas regulatórias internas e maior cooperação regional.
A composição das exportações de serviços da Malásia torna essa conclusão relevante na prática. Como os serviços modernos responderam por cerca de três décimos das exportações de serviços do país em 2023, o acesso facilitado a mercados próximos abriria outro caminho para essas empresas encontrarem clientes.
O FMI também defende políticas que ajudem os trabalhadores a se adaptar às mudanças na atividade entre os setores. A abertura de mercados pode criar oportunidades, mas empresas e trabalhadores talvez precisem de tempo, treinamento e recursos para responder. O relatório inclui essas medidas de adaptação entre suas recomendações de reforma regulatória.
As datas por trás do relatório
Os números abrangem períodos diferentes, da composição das exportações de serviços da Malásia em 2023 às projeções de crescimento econômico para 2027. Reunir essas datas ajuda a explicar como o FMI relaciona um padrão comercial já estabelecido aos investimentos atuais e às expectativas para a economia.
- 2023: Os serviços modernos representaram cerca de 30% das exportações de serviços da Malásia.
- 15 de outubro de 2026: O FMI publicou seu Panorama Econômico Regional de outubro para a Ásia e o Pacífico, que analisa a interrupção no fornecimento de energia, a demanda por tecnologia e as mudanças no comércio.
- 2026: A previsão é que o PIB da Malásia cresça 5,2%.
- 2027: A previsão é que o PIB da Malásia cresça 4,7%, uma desaceleração de 0,5 ponto percentual.
O FMI considera que os riscos regionais estão inclinados para resultados mais fracos. Sua avaliação reúne as pressões energéticas, os ganhos desiguais com a tecnologia e os limites dos recursos que os governos podem continuar usando para amortecer choques. Para a Malásia, sustentar o crescimento significa apoiar as exportações e os investimentos e, ao mesmo tempo, proteger as famílias cujos gastos já dependem em parte do crédito.
Principais pontos
- O FMI prevê crescimento do PIB da Malásia de 5,2% em 2026 e 4,7% em 2027.
- A montagem e o encapsulamento de produtos tecnológicos, além dos investimentos em centros de dados, sustentam o crescimento.
- A Malásia tem mais de 1.000 megawatts de capacidade operacional em centros de dados e mais de 1.500 megawatts em construção.
- Dados regionais de anúncios de emprego mostram menor demanda dos empregadores por ocupações mais expostas à IA.
- O auxílio para energia ajudou a conter os aumentos de preços, enquanto o crédito às famílias sustentou o consumo na Malásia.
- A redução das restrições ao comércio de serviços poderia elevar o PIB regional em quase 1% no longo prazo.






