Três órgãos intervêm após fraturas em três veículos
O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China anunciou em 15 de outubro de 2026 que três órgãos nacionais formaram uma equipe conjunta de investigação para apurar relatos de fraturas no suporte do pedal de freio do Maextro V800, veículo de luxo desenvolvido pela Huawei e pela JAC Motors.
Conteúdo
- Três órgãos intervêm após fraturas em três veículos
- O que aconteceu durante os testes de frenagem?
- Uma semana de testes, declarações e intervenção
- O que a Maextro prometeu aos proprietários
- O que os resultados de laboratório realmente mediram
- Por que a velocidade e a direção de uma força importam
- Entenda os diferentes valores de força
- Materiais e fornecedores sob maior escrutínio
- Uma disputa custosa para a aposta de luxo da JAC
- Principais pontos
O ministério, a Administração do Ciberespaço da China e a Administração Estatal de Regulação do Mercado realizarão verificações com base nos trabalhos preliminares de investigação, segundo o anúncio publicado na conta Gongxin Weibao do ministério. As autoridades disseram que tratarão do caso de acordo com as leis e regulamentações e divulgarão novas informações prontamente.
A intervenção ocorre após testes divulgados pela plataforma automotiva Dongchedi em 8 de outubro. A equipe de testes afirmou que os suportes se fraturaram nos três veículos V800 submetidos a frenagens repetidas de 100 quilômetros por hora até a imobilização. As falhas ocorreram, respectivamente, na terceira, quarta e segunda tentativas.
A Maextro, conhecida na China como Zunjie, disse em 15 de outubro que cooperará plenamente com a investigação conjunta. A empresa já havia prometido redesenhar o componente e oferecer uma atualização gratuita aos atuais proprietários, afirmando não ter recebido relatos de fraturas na base do suporte durante o uso por clientes desde o início das entregas.
A disputa reúne agora dois conjuntos de resultados que precisam de uma explicação técnica: falhas repetidas durante testes de condução e resultados de laboratório divulgados pela Maextro, segundo os quais os conjuntos de pedais examinados resistiram a cargas de até 3.000 newtons. A forma de aplicação da força, as peças testadas e o modo como os conjuntos foram apoiados tornaram-se questões centrais.
O que aconteceu durante os testes de frenagem?
A Dongchedi realizou as frenagens em uma pista fechada. Depois que os suportes falharam nos dois primeiros veículos, a equipe comprou um terceiro V800 para repetir o teste. Segundo relatos, o veículo tinha apenas 3 quilômetros no hodômetro quando foi entregue.
O terceiro veículo parou em 38,44 metros na primeira tentativa, com força máxima registrada no pedal de 1.596 newtons. Na tentativa seguinte, o suporte se fraturou com uma força informada de 1.612 newtons. O newton é uma unidade de força que mede a intensidade com que algo é empurrado ou puxado.
Os testadores disseram que, após as fraturas, não foi mais possível usar normalmente o freio de pé. Eles recorreram à função de frenagem de emergência acionada pelo comando Park para parar os veículos. No teste do terceiro veículo, a equipe relatou uma distância de frenagem de cerca de 140 metros após a falha.
Isso correspondeu a aproximadamente 3,6 vezes os 38,44 metros registrados na primeira frenagem do mesmo veículo. A comparação mostra a consequência prática descrita pela equipe de testes: o método alternativo de parada exigiu uma distância na pista substancialmente maior depois que o motorista perdeu o funcionamento normal do pedal.
A Dongchedi disse que as fraturas ocorreram em pontos semelhantes nos três veículos, ao redor do reforço plástico que envolve o pivô do pedal. O suporte sustenta o ponto em torno do qual o pedal gira; danos nessa área podem impedir que o movimento do pé do motorista acione o freio normalmente.
Uma semana de testes, declarações e intervenção
A controvérsia se desenrolou ao longo de sete dias, passando de um vídeo de teste a declarações da empresa, análises de laboratório e uma investigação conjunta do governo.
- 5 de agosto: O V800 foi lançado, com preços anunciados entre 766.000 e 1.016.000 yuans.
- 8 de outubro: A Dongchedi divulgou o vídeo do teste de frenagem. A Maextro prometeu melhorias no projeto e atualizações gratuitas para os proprietários.
- 11 de outubro: Um laboratório independente testou amostras dos pedais, segundo declaração divulgada posteriormente pela Maextro.
- 13 de outubro: A Maextro publicou sua declaração sobre os testes do pedal de freio, citando conformidade com a norma QC/T 788-2018 e verificações adicionais com cargas mais elevadas.
- 15 de outubro: O ministério da indústria anunciou a investigação conjunta com a administração do ciberespaço e o órgão regulador do mercado. A Maextro prometeu cooperar plenamente.
O anúncio de 15 de outubro afirmou que já havia sido realizado um trabalho preliminar de investigação. Não informou prazo para a divulgação dos resultados nem anunciou um recall, uma penalidade ou uma conclusão técnica sobre as fraturas.
O que a Maextro prometeu aos proprietários
A resposta inicial da Maextro, em 8 de outubro, combinou a defesa de seus padrões de desenvolvimento com o compromisso de alterar o componente. A empresa disse que seu sistema de frenagem passou por desenvolvimento e validação segundo requisitos superiores aos padrões nacionais e setoriais.
Em sua declaração, a Maextro explicou o motivo da melhoria proposta:
Mesmo em condições extremas de teste fora do padrão, ainda queremos oferecer aos usuários uma margem de segurança maior.
A empresa disse que aprimorará o projeto da base do suporte e oferecerá uma opção de atualização gratuita aos clientes que já receberam seus veículos. Também prometeu revisar a validação do projeto, os parâmetros de teste e a gestão da qualidade da produção.
Segundo relatos, a linha de atendimento ao cliente da Maextro indicou que o plano de atualização deveria ser divulgado até o fim de outubro, com implementação a partir de novembro. Esse cronograma foi informado pelo atendimento ao cliente, enquanto a declaração corporativa de 15 de outubro se concentrou na cooperação com os investigadores.
Assim, os proprietários têm a promessa de uma melhoria no componente, além da investigação governamental. A afirmação da Maextro de que não tinha conhecimento de fraturas durante o uso por clientes descreve a experiência relatada pela empresa desde o início das entregas; a investigação trata das falhas observadas durante o programa de testes.
O que os resultados de laboratório realmente mediram
Na declaração de 13 de outubro, a Maextro disse que um laboratório credenciado nacionalmente testou o pedal de freio do V800 em 11 de outubro. O trabalho foi realizado pelo centro de testes do Instituto de Pesquisa de Engenharia Automotiva da China, conhecido pela sigla CAERI.
O relatório citado, de número 26-WT-DGJ-N10440, foi emitido para a JAC Motors. A Maextro afirmou que os requisitos de resistência testados estavam em conformidade com a QC/T 788-2018, norma setorial que abrange o desempenho de pedais automotivos e testes de bancada. Um teste de bancada examina um componente em uma instalação controlada de laboratório, e não durante o deslocamento de um veículo completo na estrada.
Quatro amostras submetidas a uma força longitudinal de 1.500 newtons registraram deformação permanente de 2,04, 4,07, 2,05 e 2,28 milímetros. A média foi de 2,61 milímetros, abaixo do limite informado de 5 milímetros. Deformação permanente é a alteração de forma que permanece depois da retirada da força.
A Maextro também divulgou verificações de 14 conjuntos de pedais com forças entre 2.000 e 3.000 newtons. Duas amostras foram submetidas à carga máxima de 3.000 newtons. Inspeções visuais não encontraram rachaduras nem danos nos conjuntos testados.
Funcionários do centro de testes confirmaram a existência do relatório. Um membro da equipe de arquivo explicou a responsabilidade do laboratório em comentários traduzidos do chinês:
Nosso relatório é válido apenas para as amostras ou os veículos de amostra enviados pela empresa. Não damos nenhuma garantia sobre os produtos que a empresa vier a fabricar em escala posteriormente.
A declaração do laboratório enquadra os resultados no escopo habitual dos testes de amostras: as conclusões dizem respeito aos itens enviados para análise. A investigação conjunta acrescenta agora uma apuração governamental sobre o problema nos veículos, além dos testes divulgados pela empresa.
Por que a velocidade e a direção de uma força importam
Dongmen Jiannan, responsável pelo conteúdo de segurança automotiva da Dongchedi e um dos participantes do teste, questionou se os testes de laboratório divulgados reproduziram a força repentina de uma frenagem de emergência. Ele também apontou a ausência de fotos das amostras, vídeos e comparações que mostrassem as peças antes e depois dos testes.
Sua principal preocupação foi a diferença entre aplicar força gradualmente e fazê-lo de forma repentina. Uma máquina de laboratório pode aumentar a pressão de maneira contínua, enquanto um motorista reagindo a um perigo pode pressionar o pedal com força em uma fração de segundo. A peça precisa suportar força nas duas situações, mas o processo de aplicação é diferente.
Meng Wei, engenheiro-chefe adjunto responsável por produtos veiculares em uma montadora, explicou que atingir lentamente 2.000 newtons ao longo de um ou dois segundos é diferente de aplicar essa força quase instantaneamente em uma emergência. An Xin, engenheiro de projeto estrutural, também disse que o movimento do veículo e a velocidade de aplicação da força afetam as cargas a que um pedal é submetido.
A direção também importa. Uma força aplicada diretamente ao longo do sentido previsto de operação exige algo diferente do suporte do que um empurrão que inclua movimento lateral. Yuan Yongbin, presidente da Bethel, questionou se o motorista de teste havia aplicado força lateral, classificando isso como uma condição de uso indevido. A Dongchedi defendeu o procedimento como uma frenagem intensa normal.
A Dongchedi explicou sua posição em uma declaração sobre o teste:
Frear de 100 km/h está entre os testes mais básicos de desempenho de um veículo e reflete situações que os motoristas podem enfrentar em rodovias.
A questão de engenharia conecta os dois relatos divergentes: os investigadores precisam determinar a força, a direção, o tempo de aplicação e as condições de apoio nos testes de condução e de laboratório e, em seguida, examinar o comportamento do componente em cada situação.
Entenda os diferentes valores de força
A controvérsia trouxe à tona vários valores de força: 500, 1.500, 1.612, 2.000, 3.000 e 4.589 newtons. Eles se referem a diferentes testes, alegações ou medições.
O valor de 500 newtons diz respeito ao esforço no pedal durante testes específicos de desempenho de frenagem, ou seja, à força usada para obter a resposta de frenagem exigida. O procedimento de resistência da QC/T 788-2018 descrito durante a controvérsia aplica aproximadamente 1.500 newtons, mantidos por cinco segundos e repetidos cinco vezes, com limites para deformação permanente e rachaduras.
Alguns participantes dos testes citaram um requisito de 2.000 newtons por cinco segundos. Os resultados de conformidade divulgados pela Maextro citaram especificamente a QC/T 788-2018 e um teste com 1.500 newtons, seguido por testes adicionais com cargas de até 3.000 newtons. A Maextro também mencionou as normas nacionais GB 21670-2025 e GB 7258-2026 entre aquelas cujos requisitos foram superados por seu programa de desenvolvimento.
Sobre o teste de condução, a Dongchedi disse que a força máxima efetiva no vídeo em disputa foi de 1.612 newtons. Descrições anteriores incluíram uma leitura exibida de 4.589 newtons; a plataforma afirmou que a imagem resultou de uma incompatibilidade entre a taxa de gravação da câmera e a frequência de atualização da tela de medição.
O desafio prático é relacionar cada medição ao procedimento correspondente: desempenho de frenagem, resistência do componente, carga adicional em laboratório ou força registrada durante uma frenagem de emergência com o veículo em movimento. A investigação conjunta examinará as fraturas relatadas à luz dos requisitos técnicos e legais aplicáveis.
Materiais e fornecedores sob maior escrutínio
Segundo relatos, o Centro de Tecnologia e Pesquisa Automotiva da China, conhecido como CATARC, enviou às montadoras um questionário sobre os materiais usados em conjuntos de pedais de freio, com atenção especial aos materiais não metálicos. Essa organização é distinta da CAERI, cujo centro de testes examinou as amostras citadas pela Maextro.
O questionário chamou a atenção para possíveis mudanças nos requisitos de teste. As autoridades não anunciaram uma norma revisada nem um cronograma para sua adoção.
Plásticos industriais podem reduzir o peso dos componentes e permitir formatos complexos, inclusive com nervuras de reforço. O desempenho depende das propriedades do material, da geometria e da forma como as cargas percorrem o conjunto montado. A desmontagem feita pela Dongchedi se concentrou no suporte ao redor do pivô, incluindo o reforço e as áreas de concentração de força.
Também circularam especulações sobre os fornecedores. A Bethel disse que a Maextro não era sua cliente e que não fabricava pedais de freio. A Shanghai Carthane não confirmou detalhes sobre modelos específicos, citando um acordo de confidencialidade com a JAC. A identidade do fornecedor responsável pelo componente em disputa não havia sido confirmada publicamente nos relatos sobre a controvérsia.
Uma disputa custosa para a aposta de luxo da JAC
As ações da JAC fecharam a 24,72 yuans em 8 de outubro, queda de 10,01%, atingindo o limite diário de baixa. Às 10h de 9 de outubro, eram negociadas a 22,25 yuans, com nova queda de 9,99%. O recuo ocorreu em meio à intensa atenção pública ao vídeo de frenagem.
O V800 ocupa o segmento premium da Aliança de Mobilidade Inteligente Harmony, da Huawei. Com preços de lançamento entre 766.000 e 1.016.000 yuans, o modelo disputa clientes de transporte executivo em um mercado atendido por veículos como o Toyota Alphard e o Lexus LM.
A investigação coloca um controle básico do motorista no centro de um veículo promovido por sua tecnologia avançada e luxo. Para os clientes, os próximos acontecimentos concretos a acompanhar são os resultados da investigação governamental e os detalhes da atualização prometida pela Maextro. Para a marca conjunta da JAC e da Huawei, os compromissos imediatos são cooperar, redesenhar o componente e reforçar as verificações de desenvolvimento e produção.
Principais pontos
- Três órgãos chineses anunciaram em 15 de outubro uma investigação conjunta sobre relatos de fraturas no suporte do pedal de freio do Maextro V800.
- A Dongchedi disse que os três veículos testados sofreram fraturas durante frenagens repetidas de 100 quilômetros por hora.
- Os testadores disseram que usaram a função de frenagem de emergência do comando Park depois que o funcionamento normal do pedal ficou indisponível.
- A Maextro informou ter sido aprovada em testes de resistência de laboratório, incluindo cargas adicionais de até 3.000 newtons em duas amostras.
- A controvérsia se concentra em como as cargas aplicadas em laboratório se comparam às forças repentinas durante testes de condução.
- A Maextro prometeu melhorias no projeto e atualizações gratuitas; o atendimento ao cliente indicou que o plano seria divulgado até o fim de outubro e implementado a partir de novembro.
- As autoridades não anunciaram prazo para a divulgação dos resultados.






