ByteDance se aproxima de acordo com a MediaTek para chips de IA enquanto prevê gastos de US$ 70 bilhões

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ByteDance Nears MediaTek AI Chip Deal as Spending Plans Reach $70 Billion

Um possível segundo grande cliente depois do Google

A ByteDance, dona do TikTok, está em negociações avançadas para comprar chips personalizados para data centers da taiwanesa MediaTek, o que poderia acrescentar mais um fornecedor à expansão de inteligência artificial que pode envolver até US$ 70 bilhões em investimentos de capital em 2026.

Conteúdo
  1. Um possível segundo grande cliente depois do Google
  2. Por que a ByteDance busca mais fornecedores
  3. O que um chip de IA personalizado faz
  4. A MediaTek leva sua experiência com celulares aos data centers
  5. A ambição de US$ 12 bilhões por trás das negociações
  6. Por que memória e encapsulamento são tão importantes quanto os processadores
  7. Conectar chips para formar um sistema de IA funcional
  8. Os gastos da ByteDance podem voltar a crescer em 2027
  9. A viabilidade do negócio depende da demanda por serviços de IA
  10. Principais pontos

As conversas, descritas por pessoas familiarizadas com as negociações e divulgadas em 15 de outubro, envolvem circuitos integrados de aplicação específica, ou ASICs. São chips projetados para atender às necessidades computacionais de um cliente específico. Se o acordo for fechado, a ByteDance poderá se tornar a segunda grande cliente da MediaTek para esses chips de IA, depois do Google, da Alphabet.

A MediaTek espera obter cerca de US$ 2 bilhões em receita com chips de IA neste ano e tem como meta 15% de um mercado estimado em US$ 80 bilhões no ano que vem. Esses números colocam o possível contrato com a ByteDance no centro de uma ambição muito maior: transformar a experiência desenvolvida com celulares em um negócio expressivo de data centers.

As empresas não anunciaram um acordo fechado. A quantidade a ser comprada, o valor do contrato, as especificações dos chips e o cronograma de entrega não foram divulgados. A ByteDance não comentou de imediato, enquanto representantes da MediaTek se recusaram a comentar.

Por que a ByteDance busca mais fornecedores

A ByteDance está ampliando suas compras de hardware enquanto desenvolve serviços de IA em torno de modelos como o Seedance e busca crescer para além de seus negócios consolidados de redes sociais. Quanto mais usuários geram vídeos ou interagem com chatbots, maior é a carga de trabalho computacional em seus data centers.

As restrições dos Estados Unidos à exportação limitam o acesso de empresas chinesas, incluindo ByteDance, Alibaba e Tencent, aos chips de IA mais avançados de fornecedores como a Nvidia. Fabricantes chinesas, incluindo a Huawei, não conseguem atender a toda a demanda, levando grandes compradores a buscar fontes adicionais.

Segundo relatos, a ByteDance também fechou um acordo semelhante com a Qualcomm neste ano para adquirir milhões de chips de IA. Um acordo com a MediaTek abriria outra via para obter processadores projetados para sua própria infraestrutura, em vez de depender de um único fornecedor.

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Parcerias para desenvolver chips personalizados podem ser permitidas pelas restrições de exportação dos Estados Unidos quando os recursos computacionais envolvidos permanecem dentro dos limites aplicáveis. Para a ByteDance, o desafio prático é garantir capacidade computacional utilizável em volume suficiente e, ao mesmo tempo, cumprir essas exigências.

O que um chip de IA personalizado faz

Um ASIC é desenvolvido para um conjunto definido de tarefas, em vez de funcionar como um processador de uso geral e amplamente adaptável. Para uma empresa de IA, o projeto pode ser ajustado aos cálculos realizados por seus modelos, à memória de que precisam e à energia disponível em seus data centers.

A plataforma de data center da MediaTek descreve duas formas de trabalhar com os clientes: projetar um processador de acordo com suas necessidades ou integrar a tecnologia de aceleradores e outros projetos do próprio cliente em um chip finalizado. A empresa usa XPU como um termo abrangente para seus processadores aceleradores de IA.

A infraestrutura de IA realiza duas tarefas principais. O treinamento ensina um modelo por meio do processamento de grandes volumes de dados. A inferência executa o modelo treinado quando alguém faz uma pergunta a um chatbot ou solicita a geração de um vídeo. As duas atividades exigem capacidade computacional, mas o equilíbrio entre velocidade, memória e consumo de energia pode variar.

Um projeto personalizado permite que o comprador faça escolhas adequadas a essas cargas de trabalho. A MediaTek apresenta essa abordagem como uma forma de aumentar a quantidade de resultados úteis de IA por watt de eletricidade e por dólar gasto. O apelo comercial é direto: uma empresa que atende a um número enorme de solicitações pode se beneficiar até mesmo de pequenas economias em cada uma delas.

A MediaTek leva sua experiência com celulares aos data centers

Sediada em Hsinchu, a MediaTek tem valor de mercado em torno de US$ 210 bilhões, o que faz dela a maior empresa de Taiwan depois da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. Sua entrada no setor de data centers a coloca em concorrência mais direta com Qualcomm e Broadcom, ao mesmo tempo que reduz sua dependência dos celulares.

A empresa afirma que sua experiência na produção de processadores para celulares em grandes volumes ajuda a melhorar o rendimento da fabricação e a aperfeiçoar projetos para processos avançados. Rendimento é a proporção de chips fabricados que funcionam corretamente, um fator importante nos custos de produção.

A MediaTek afirma ter concluído mais de 10 tape-outs na tecnologia N3 e mais de dois na N2, e prevê realizar o tape-out de seu primeiro chip de teste A14 ainda neste ano. Tape-out é a etapa em que um projeto de chip concluído é enviado para fabricação. N3, N2 e A14 identificam gerações de tecnologia de processos semicondutores.

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A MediaTek também destaca sua experiência no funcionamento de chips para celulares com baixa tensão. Em um data center, reduzir o consumo de eletricidade de um processador pode ajudar a controlar os custos operacionais e permitir mais trabalho computacional útil dentro da capacidade de energia da instalação. Fazer isso sem perder velocidade exige trabalho coordenado em circuitos, projeto de chips e fabricação.

A ambição de US$ 12 bilhões por trás das negociações

A meta da MediaTek de conquistar 15% de um mercado de US$ 80 bilhões equivale a cerca de US$ 12 bilhões em vendas anuais. Isso é seis vezes os aproximadamente US$ 2 bilhões em receita com chips de IA que espera obter em 2026 e ilustra a escala da expansão que busca para 2027.

Um grande cliente como a ByteDance poderia sustentar esse crescimento com pedidos substanciais e a diluição dos custos de desenvolvimento dos chips em um número maior de unidades. O Google já é um grande cliente da MediaTek em chips personalizados de IA; a ByteDance ampliaria essa base se as negociações resultassem em um contrato.

Segundo relatos, a Nvidia anunciou em setembro um acordo de investimento de US$ 3,5 bilhões com a MediaTek, oferecendo apoio financeiro à expansão da empresa taiwanesa. A descrição oficial da tecnologia da MediaTek também aponta uma conexão distinta com a Nvidia: a participação no ecossistema NVLink Fusion, que permite conectar processadores personalizados em sistemas computacionais maiores.

O cenário competitivo, portanto, inclui tanto rivalidade quanto cooperação. A MediaTek quer conquistar negócios de chips personalizados de outros projetistas e, ao mesmo tempo, desenvolver sistemas que possam se conectar por meio de tecnologias fornecidas por uma das principais empresas de computação para IA.

Por que memória e encapsulamento são tão importantes quanto os processadores

Os planos técnicos da MediaTek vão além da parte do chip que realiza cálculos. Sua plataforma combina componentes computacionais, interfaces de memória e conexões rápidas, com o encapsulamento avançado reunindo esses elementos.

A memória de alta largura de banda, ou HBM, posiciona módulos de memória empilhados perto de um acelerador para que grandes volumes de dados possam ser transferidos rapidamente. Um processador de IA precisa de um fluxo constante de dados para continuar trabalhando, assim como uma cozinha movimentada precisa receber ingredientes com rapidez suficiente para manter os cozinheiros ocupados.

A MediaTek descreve o encapsulamento 2.5D, que posiciona componentes de computação e memória lado a lado sobre uma base de conexão, e a integração 3.5D, que acrescenta configurações mais complexas, inclusive o empilhamento vertical. Conexões mais curtas entre componentes podem reduzir a energia e o tempo necessários para transferir dados.

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Esses recursos mostram a amplitude dos sistemas que a MediaTek pretende vender. A descrição oficial de sua plataforma apresenta tecnologias configuráveis para diversas necessidades de clientes, enquanto o possível acordo com a ByteDance envolve chips personalizados para os data centers da empresa chinesa.

Conectar chips para formar um sistema de IA funcional

A MediaTek considera o rack de servidores, e não um chip isolado, uma unidade essencial da computação de IA. Um rack reúne processadores, memória, redes, energia e refrigeração. Seu desempenho efetivo depende de quão bem todas essas partes funcionam em conjunto.

Por meio do NVLink Fusion, afirma a MediaTek, seus processadores personalizados podem se conectar ao ecossistema da Nvidia usando o NVLink C2C, com sistemas que se estendem por bandejas de computação e equipamentos de comutação. A empresa também descreve conexões via InfiniBand e Ethernet, tecnologias usadas para transferir dados em instalações computacionais maiores.

A MediaTek e a Microsoft desenvolveram uma prova de conceito para um cabo óptico ativo que usa fontes de luz MicroLED e a arquitetura MOSAIC. As empresas estudam formas de transferir dados usando luz, reduzindo o consumo de energia e aumentando a distância das conexões. Segundo a MediaTek, o trabalho inclui avançar na miniaturização e preparar a tecnologia para produção em massa.

As redes são importantes porque os sistemas de IA costumam distribuir o trabalho entre muitos processadores. Se eles passam tempo demais esperando informações uns dos outros, acrescentar mais chips gera menos benefícios. A estratégia da MediaTek aborda esse problema além do próprio projeto dos processadores.

Os gastos da ByteDance podem voltar a crescer em 2027

A ByteDance avalia investir até US$ 70 bilhões em 2026, mais que o dobro dos gastos de 2025, para ampliar data centers e outras infraestruturas de IA. Os investimentos de capital cobrem ativos, como servidores e instalações, que a empresa espera usar ao longo do tempo.

A empresa poderá elevar esse valor para US$ 100 bilhões em 2027, caso as condições econômicas e de negócios sejam favoráveis. Passar de US$ 70 bilhões para US$ 100 bilhões representaria um aumento adicional de cerca de 43%, embora ambos os valores sejam níveis possíveis de gasto.

Segundo relatos, a ByteDance obteve um empréstimo de US$ 30 bilhões em setembro para apoiar seu programa de investimentos. O financiamento, as negociações com fornecedores e os planos de gastos compõem uma sequência de passos rumo a uma operação de IA maior:

  • Início de 2026: segundo relatos, a ByteDance fechou um acordo para adquirir milhões de chips de IA da Qualcomm.
  • Setembro de 2026: a ByteDance obteve um empréstimo de US$ 30 bilhões, segundo relatos, enquanto a Nvidia anunciou um acordo de investimento de US$ 3,5 bilhões com a MediaTek, também segundo relatos.
  • 15 de outubro de 2026: vieram a público as negociações avançadas sobre chips personalizados da MediaTek.
  • 2027: a ByteDance poderá elevar os investimentos anuais de capital para US$ 100 bilhões, dependendo das condições econômicas e de negócios.
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A viabilidade do negócio depende da demanda por serviços de IA

O impulso de investimentos da ByteDance busca fortalecer sua posição em chatbots e geração de vídeos, além de ampliar sua presença no exterior. O Seedance enfrenta a concorrência do Happy Horse, da Alibaba, do Kling AI, da Kuaishou, e dos produtos de IA do Google.

Para os usuários, os gastos com infraestrutura afetam o volume de demanda que um serviço consegue atender e a rapidez das respostas. Para a ByteDance, o desafio é transformar essa capacidade computacional em serviços usados com frequência suficiente para justificar o custo. Chips personalizados oferecem uma forma de moldar o custo de operação desses serviços em grande escala.

A MediaTek enfrenta um desafio comercial relacionado: transformar seus projetos de chips e sua tecnologia de sistemas em produtos entregues e receita. Confirmações das empresas, marcos de fabricação como o tape-out, reservas de capacidade em fundições e termos de contrato divulgados ofereceriam medidas concretas do progresso do possível acordo.

Principais pontos

  • A ByteDance está em negociações avançadas para comprar chips personalizados da MediaTek para seus data centers.
  • Se o acordo for fechado, a ByteDance poderá se tornar a segunda grande cliente da MediaTek em chips personalizados de IA, depois do Google.
  • A MediaTek espera vender cerca de US$ 2 bilhões em chips de IA em 2026 e tem como meta uma fatia de mercado equivalente a cerca de US$ 12 bilhões em 2027.
  • A ByteDance avalia investir até US$ 70 bilhões em 2026 e, potencialmente, US$ 100 bilhões em 2027.
  • Os planos tecnológicos da MediaTek combinam processadores personalizados, memória avançada, encapsulamento e conexões entre racks de servidores.
  • Nenhuma das empresas confirmou publicamente o possível acordo de chips.
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