Ar insalubre se espalha enquanto aumentam os casos de doenças respiratórias
Trinta e quatro áreas da Malásia registraram qualidade do ar insalubre às 9h de 15 de outubro de 2026. Johan Setia, em Selangor, atingiu 192 no Índice de Poluentes Atmosféricos, apenas nove pontos abaixo da categoria muito insalubre. Além da névoa visível, especialistas em saúde alertam para outro perigo: o ozônio ao nível do solo, um gás que pode irritar os pulmões e agravar os efeitos da inalação de ar poluído.
Conteúdo
- Ar insalubre se espalha enquanto aumentam os casos de doenças respiratórias
- Onde a qualidade do ar foi pior na Malásia
- Por que partículas e ozônio representam ameaças diferentes
- O que mostram os dados de saúde
- Quem corre mais riscos
- Incêndios na Indonésia estão afetando o cotidiano
- Por que incêndios em turfeiras podem continuar produzindo fumaça
- A cronologia e a resposta
- Como reduzir a exposição aos dois poluentes
- Principais pontos
O Sistema de Gestão do Índice de Poluentes Atmosféricos do Departamento de Meio Ambiente, conhecido como APIMS, registrou outras 34 áreas com qualidade do ar moderada. O Ministério da Saúde da Malásia também registrou aumentos nos casos de infecções respiratórias e inflamação ocular em 78 unidades de saúde selecionadas em todo o país.
Os casos de infecção do trato respiratório superior subiram de 3.509 na Semana Epidemiológica 39 para 3.875 na Semana 40, um aumento de 366 casos, ou 10,43%. Os casos de conjuntivite aumentaram 26,47%. A conjuntivite é a inflamação do tecido fino que cobre a parte branca do olho e o interior das pálpebras, muitas vezes causando vermelhidão e desconforto.
O professor doutor Mohd Hasni Jaafar, especialista em saúde ambiental e toxicologia da Universiti Kebangsaan Malaysia, afirmou que a exposição simultânea a partículas finas e ozônio pode sobrecarregar agudamente a respiração e o sistema cardiovascular, inclusive em adultos saudáveis.
Para famílias que precisam decidir se as crianças devem brincar ao ar livre e para trabalhadores que passam horas expostos, a questão prática é que a proteção contra partículas de fumaça e contra o ozônio exige medidas diferentes. Um respirador N95 bem ajustado pode reduzir a exposição a partículas finas. Ele não filtra o gás ozônio. Evitar o ar poluído ao ar livre continua sendo essencial para reduzir a exposição a ambos.
Onde a qualidade do ar foi pior na Malásia
Johan Setia registrou o índice mais alto às 9h, seguido de perto por Klang, com 191. Shah Alam marcou 179, Banting 170, Petaling Jaya 168 e Kuala Selangor 161. Putrajaya chegou a 175, enquanto Cheras e Batu Muda, em Kuala Lumpur, registraram 172 e 162, respectivamente.
Johor teve oito áreas com índices insalubres: Larkin, com 187; Batu Pahat, com 182; Pasir Gudang, com 181; Tangkak, com 177; Pengerang, com 170; Kluang, com 165; Kota Tinggi, com 162; e Segamat, com 161. Em Negeri Sembilan, Nilai registrou 187, Seremban 182 e Port Dickson 176.
Bukit Rambai, em Melaka, registrou 184, seguida pela cidade de Melaka, com 178, e Alor Gajah, com 176. Índices insalubres também foram registrados em Perak, Penang, Pahang e Sarawak. Seberang Perai marcou 142, Temerloh 156, Samarahan 152 e Serian 120.
A Malásia classifica índices API de zero a 50 como bons, de 51 a 100 como moderados, de 101 a 200 como insalubres, de 201 a 300 como muito insalubres e acima de 300 como perigosos. O número do API expressa a qualidade do ar em uma escala de índice; a concentração de partículas mede a quantidade de poluição em um volume de ar.
Por que partículas e ozônio representam ameaças diferentes
PM2.5 significa material particulado com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros, conforme a definição da Organização Mundial da Saúde. Essas partículas são pequenas o suficiente para penetrar profundamente nos pulmões. A fumaça é uma das fontes, e suas partículas podem carregar uma mistura de substâncias químicas.
O ozônio ao nível do solo se forma quando óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis reagem sob a luz do sol. Temperaturas elevadas podem acelerar essas reações. Algumas plantas também liberam compostos que contribuem para a formação de ozônio, e as emissões podem aumentar em condições mais quentes.
Mohd Hasni explicou que ambos os poluentes podem causar estresse oxidativo e inflamação. O estresse oxidativo ocorre quando substâncias químicas reativas sobrecarregam as defesas do organismo e danificam as células. A inflamação é a resposta do corpo a uma lesão ou irritação; quando atinge as vias respiratórias, pode dificultar a respiração.
O PM2.5 pode desencadear inflamação nas regiões profundas dos pulmões e contribuir para alterações que afetam o coração e os vasos sanguíneos. O ozônio irrita diretamente o trato respiratório, causando tosse, irritação na garganta, aperto no peito, dor ao respirar fundo e redução da função pulmonar. O esforço físico em locais com alta concentração de ozônio pode sobrecarregar ainda mais os pulmões.
O que mostram os dados de saúde
O aumento de 3.509 para 3.875 casos de infecção do trato respiratório superior na Malásia representa cerca de um caso registrado adicional para cada dez contabilizados na semana anterior. Os dados do Ministério da Saúde abrangem 78 unidades selecionadas e mostram o quadro de adoecimento entre os pacientes atendidos nesses locais.
A alta de 26,47% nos casos de conjuntivite foi maior, em termos percentuais, do que o aumento das infecções respiratórias. Os dados do ministério mencionados aqui não incluem o total de casos de conjuntivite que serviu de base para o cálculo.
Datuk doutor Zainal Ariffin Omar, especialista em medicina de saúde pública, afirmou que a exposição simultânea ao PM2.5 e ao ozônio ao nível do solo preocupa porque ambos podem desencadear inflamação respiratória e estresse oxidativo. Ele citou estudos que constataram reduções mais acentuadas da função pulmonar e aumento do risco de internação por doenças respiratórias após a exposição aos dois poluentes.
O Serviço de Monitoramento da Atmosfera do programa europeu Copernicus também descreveu um problema mais amplo relacionado ao ozônio. Segundo sua avaliação, ondas de calor, incêndios florestais e emissões causadas pela atividade humana se combinaram e expuseram 40% da população mundial a níveis extremamente altos de poluição por ozônio durante o ano, com a Ásia como região mais afetada.
Quem corre mais riscos
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis à poluição do ar. Trabalhadores ao ar livre enfrentam a dificuldade adicional de passar longos períodos em condições que outras pessoas talvez consigam evitar.
Crianças e pessoas com asma são particularmente suscetíveis à irritação causada pelo ozônio e à redução da função pulmonar. Quem já tem as vias respiratórias estreitas ou inflamadas pode sentir mais dificuldade quando a poluição provoca irritação adicional.
Pessoas com doença renal crônica também merecem atenção. Mohd Hasni explicou que uma pequena parcela das partículas inaladas, ou de seus componentes solúveis, pode chegar à corrente sanguínea. A exposição também pode desencadear inflamação e alterações no funcionamento dos vasos sanguíneos, com possíveis efeitos sobre os rins.
Os rins recebem aproximadamente 20% a 25% do sangue bombeado pelo coração em repouso. O grande fluxo sanguíneo ajuda esses órgãos a filtrar resíduos e regular os líquidos do corpo, mas também os expõe às substâncias que circulam no sangue. Pessoas cuja função renal já está comprometida podem ser particularmente vulneráveis a uma sobrecarga adicional.
Incêndios na Indonésia estão afetando o cotidiano
Palangkaraya, na província de Kalimantan Central, registrou índice de qualidade do ar de 2.052, segundo a Agência Regional de Gestão de Desastres da cidade, enquanto incêndios florestais e em áreas de vegetação se espalhavam. Até 14 de outubro, a área queimada havia chegado a 1.444 hectares. A agência contabilizou 887 incêndios entre junho e 13 de outubro.
As autoridades também registraram 548 focos de calor em Palangkaraya e 11.166 em Kalimantan Central. Um foco de calor é um sinal térmico detectado por monitoramento, muitas vezes por satélite. Um incêndio que continua ativo pode gerar várias detecções à medida que as observações se repetem.
Nono, morador de Palangkaraya, descreveu dificuldades respiratórias que afetaram sua família, incluindo crianças pequenas e seus pais idosos. A fumaça se espalhou para além da Indonésia e chegou a países vizinhos, como a Malásia. O Timor-Leste anunciou o fechamento de escolas em todo o país por três dias a partir de quinta-feira.
O departamento de saúde da província de Jambi registrou 26.957 pacientes com infecções respiratórias agudas durante setembro de 2026. A cidade de Jambi contabilizou 9.281 casos entre agosto e 24 de setembro. Os dados abrangem períodos diferentes, portanto, os totais da cidade e da província descrevem intervalos distintos de adoecimento.
Em 9 de outubro, o monitoramento do Ministério do Meio Ambiente registrou concentração de PM2.5 de 484 microgramas por metro cúbico na cidade de Jambi e de 740 em Tebo. A concentração de PM10 em Tebo chegou a 1.922 microgramas por metro cúbico. O PM10 inclui partículas de até 10 micrômetros, uma faixa de tamanho mais ampla que a do PM2.5.
Zakaria, chefe de prevenção e controle de doenças do departamento de saúde da província de Jambi, alertou que a exposição à fumaça pode aumentar os riscos de crises de asma, doenças pulmonares e ataques cardíacos. Maulana, prefeito de Jambi, havia emitido mais de oito circulares desde 26 de agosto determinando que alunos da pré-escola ao ensino fundamental II estudassem a distância.
Por que incêndios em turfeiras podem continuar produzindo fumaça
Turfa é um tipo de solo formado pelo acúmulo de matéria vegetal. Quando seca, pode queimar abaixo da superfície, permitindo que o calor e o fogo persistam mesmo depois que as chamas visíveis desaparecem. A fumaça pode continuar enquanto as equipes enfrentam dificuldades para chegar às camadas em combustão.
A fumaça dos incêndios em turfeiras da Indonésia contém PM2.5 e substâncias químicas perigosas, como formaldeído, cianeto de hidrogênio e amônia. A estiagem e a escassez de água dificultam o combate ao fogo, enquanto a fumaça espessa reduz a visibilidade para os helicópteros que lançam água.
Uma análise de satélite da Walhi Jambi estimou que 43.451 hectares haviam queimado em Jambi até 8 de outubro, incluindo 11.339 hectares no Parque Nacional Berbak e Sembilang. Com base nesses dois números, o parque representava cerca de 26% da área estimada como queimada. Mais de 2.134 hectares de floresta queimada ficavam na zona central do parque.
Yunaidi, chefe da administração do parque nacional, descreveu incêndios que se alastravam rapidamente por áreas sem vias de acesso e com reservas de água cada vez menores. Em alguns locais, as equipes precisaram injetar água diretamente na turfa. A profundidade da turfa também dificultou o deslocamento das escavadeiras durante a abertura de aceiros.
A KKI Warsi registrou incêndios em pelo menos 36 plantações de palma-de-óleo e 15 concessões florestais. Iola Abas, da Pantau Gambut, afirmou que o El Niño aumentou o risco de incêndios, enquanto a drenagem e o manejo do solo deixaram as turfeiras mais vulneráveis à ignição. Uma amostra da Pantau Gambut constatou que cerca de 70% de 77 bloqueios de canais estavam danificados e que, em cerca de 52% dos casos, o nível do lençol freático estava mais de 40 centímetros abaixo da superfície. Os bloqueios ajudam a reter água nas turfeiras; estruturas danificadas dificultam a manutenção da umidade do solo.
A cronologia e a resposta
As operações de combate aos incêndios na Indonésia continuam em meio ao aumento das preocupações com a saúde e às interrupções nas aulas. Algumas datas ajudam a mostrar como a emergência se desenvolveu:
- 9 de agosto: surgiram incêndios perto da área do Parque Nacional Berbak e Sembilang, em Parit 4, Rantau Rasau, segundo o chefe do parque, Yunaidi.
- A partir de 26 de agosto: o prefeito de Jambi emitiu repetidas determinações para a realização de aulas a distância enquanto a fumaça afetava a cidade.
- 29 de setembro: terminou a missão de assistência do Japão, que forneceu três helicópteros CH-47 Chinook, equipes e equipamentos de apoio.
- 8 de outubro: a análise de satélite da Walhi Jambi estimou que 43.451 hectares haviam queimado em Jambi.
- 9 de outubro: o monitoramento registrou concentrações de PM2.5 de 484 microgramas por metro cúbico na cidade de Jambi e de 740 em Tebo.
- 15 de outubro: a Malásia registrou qualidade do ar insalubre em 34 áreas às 9h.
O ministro do Meio Ambiente da Indonésia, Jumhur Hidayat, afirmou que os incêndios poderiam ser totalmente controlados em até um mês, com base em conversas com a Agência Nacional de Mitigação de Desastres. Ele também reconheceu que a baixa visibilidade prejudicou as operações dos helicópteros.
Jumhur afirmou que o governo estava avaliando ofertas de ajuda estrangeira antes de decidir se as aceitaria:
"Precisamos primeiro analisar o tipo de ajuda oferecida e se ela seria realmente útil e adequada", disse.
A Indonésia já havia recebido pó extintor do Brasil, além de aeronaves e equipes do Japão. A estimativa de Jumhur indicou um prazo amplo, e não uma data fixa, para controlar os incêndios.
Como reduzir a exposição aos dois poluentes
Zainal Ariffin recomendou limitar atividades físicas intensas ao ar livre, sobretudo durante tardes quentes e ensolaradas, quando os níveis de ozônio podem estar altos. Durante o exercício, a pessoa respira mais ar, o que pode aumentar a quantidade de poluentes que chega aos pulmões.
Um respirador N95 bem ajustado pode reduzir a inalação de PM2.5 quando é necessário sair. A vedação é importante porque o ar que entra pelas bordas não passa pelo filtro. Como o ozônio é um gás, ele atravessa os filtros comuns de partículas do N95. Por isso, mesmo usando o respirador, é necessário reduzir o tempo ao ar livre.
A proteção em ambientes fechados também depende do poluente. Purificadores de ar equipados com filtros de alta eficiência para partículas, conhecidos como filtros HEPA, podem reduzir a concentração de partículas em ambientes internos. Filtros HEPA comuns não removem o gás ozônio de forma eficaz.
Zainal Ariffin recomendou permanecer em ambientes fechados com ar-condicionado e janelas fechadas durante períodos de poluição. Para famílias, escolas e empregadores, as medidas imediatas são práticas: transferir atividades físicas intensas para ambientes internos, reduzir a exposição necessária ao ar livre e dar atenção especial a pessoas com asma, doenças cardíacas ou renais. É preciso adotar medidas para que trabalhadores ao ar livre passem menos tempo respirando ar poluído.
Principais pontos
- A Malásia registrou qualidade do ar insalubre em 34 áreas às 9h de 15 de outubro; Johan Setia teve o índice API mais alto, de 192.
- Os casos de infecção do trato respiratório superior em 78 unidades selecionadas aumentaram de 3.509 para 3.875 entre as Semanas 39 e 40.
- Partículas finas e ozônio ao nível do solo podem inflamar as vias respiratórias e sobrecarregar a saúde.
- Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes correm mais riscos.
- Incêndios persistentes em turfeiras na Indonésia produzem fumaça e prejudicam as aulas e as operações de combate ao fogo.
- Respiradores N95 e filtros HEPA reduzem a exposição a partículas, mas as versões comuns não removem o gás ozônio.






