Uma possível quarta reunião após sete anos separados
O presidente dos EUA, Donald Trump, levantou a possibilidade de se reunir com o líder norte-coreano Kim Jong Un durante uma viagem à Ásia em novembro, centrada na cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), em Shenzhen, na China. Seus comentários de 12 de outubro de 2026 renovaram o convite para retomar a diplomacia pessoal, mas nenhum dos dois governos anunciou uma reunião, um local ou uma agenda acordada.
Conteúdo
- Uma possível quarta reunião após sete anos separados
- O que está previsto para a viagem de novembro?
- Seul vê possibilidade, não avanço concreto
- A disputa nuclear continua sem solução
- A China pode ajudar, mas seu papel não foi confirmado
- Exercícios militares foram encurtados em agosto
- Pyongyang exibe suas armas
- Como a diplomacia chegou a este ponto
- Momento político e contatos informais
- Principais pontos
A perspectiva reuniria dois líderes que se encontraram pela última vez em Panmunjom, em junho de 2019. Os três encontros durante o primeiro mandato de Trump resultaram no compromisso de trabalhar pela desnuclearização, mas não em um acordo que desmantelasse o programa de armas nucleares da Coreia do Norte. Mais de sete anos depois, a principal divergência se acentuou: Kim rejeita novas discussões sobre desnuclearização, enquanto o Departamento de Estado dos EUA continua apontando a desnuclearização como objetivo.
Trump, ao falar com jornalistas na Casa Branca antes de partir para Ohio, foi questionado se pretendia se reunir com Kim durante a viagem. Ele respondeu:
Talvez, sim. Seria empolgante, não seria? Mas eu me dou bem com ele.
A declaração deixou aberta a possibilidade de uma reunião, sem indicar que ela estivesse sendo organizada. Separadamente, a embaixadora da Coreia do Sul em Washington, Kang Kyung-wha, disse que não havia sinais concretos de retomada do diálogo, embora considerasse possível um encontro.
A Coreia do Norte não respondeu publicamente ao convite mais recente. Em vez disso, entre os acontecimentos em torno das declarações de Trump estiveram um teste de míssil e a divulgação de um novo museu de armas que exibe o míssil balístico intercontinental Hwasong-20. Esses acontecimentos mostram as capacidades militares que Pyongyang apresenta enquanto Washington busca uma nova oportunidade para negociações.
O que está previsto para a viagem de novembro?
As datas mais consistentemente divulgadas para a reunião de líderes da APEC em Shenzhen são 18 e 19 de novembro. Vários outros relatos descrevem a programação mais ampla da cúpula como ocorrendo de 17 a 19 de novembro. A diferença importa para o planejamento da viagem, mas nenhuma das versões estabelece uma data para um encontro entre Trump e Kim.
Relatos também indicam que Trump participará da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Manila, nas Filipinas, em 16 de novembro, antes de sua visita à China. Alguns descrevem essa parada como confirmada, enquanto outro diz que ele poderá comparecer. Também se espera que Trump se reúna com o presidente chinês, Xi Jinping, na China, naquele que seria o terceiro encontro dos dois neste ano.
A APEC oferece uma oportunidade potencial porque Trump já estará na região. Isso não significa que Kim participará do encontro nem que uma reunião bilateral aconteceria dentro do local da cúpula. China, outro país e até Pyongyang foram mencionados como possíveis locais, mas nenhuma escolha foi anunciada.
Uma visita a Pyongyang seria a primeira de um presidente dos EUA em exercício. Não seria a primeira vez que Trump entraria em território norte-coreano: ele cruzou brevemente a fronteira em Panmunjom, em 2019. Por enquanto, uma visita à capital é especulação, não uma parte divulgada do itinerário.
Seul vê possibilidade, não avanço concreto
A avaliação de Kang faz uma distinção importante entre a disposição de um presidente para se reunir e a existência de evidências de que os dois lados estejam se preparando para isso. Suas declarações indicaram que a Coreia do Sul não identificou sinais concretos de retomada, embora Trump continue descrevendo positivamente sua relação com Kim.
Há um precedente recente de um convite sem resposta. Durante a reunião da APEC do ano passado, na Coreia do Sul, Trump também buscou um encontro, mas a Coreia do Norte não respondeu e não houve reunião. Essa experiência limita o que se pode concluir de outro convite público feito antes de uma cúpula regional.
Trump disse em agosto que esperava se reunir com Kim ainda naquele ano. Relatos também mencionaram instruções a assessores para buscar uma cúpula já no outono e conversas privadas sobre um encontro durante a reunião da APEC de novembro. Na época das notícias de agosto, os preparativos formais para a cúpula ainda não haviam começado.
No sábado anterior às suas declarações mais recentes na Casa Branca, Trump voltou a mencionar Kim durante um comício de campanha em Ohio. O presidente disse que "se dá muito bem" com o líder norte-coreano ao falar das relações com líderes de países que possuem armas nucleares. As mensagens repetidas demonstram o interesse contínuo de Trump, mas não comprovam um interesse correspondente de Kim.
A disputa nuclear continua sem solução
O maior obstáculo é o objetivo de eventuais novas negociações. A posição de Kim é que a Coreia do Norte não discutirá mais o abandono de seu arsenal nuclear. O Departamento de Estado continua mencionando a desnuclearização, enquanto Trump e a Casa Branca vêm promovendo a possibilidade de diálogo sem pré-condições.
Negociações sem pré-condições significariam que os lados poderiam se reunir sem antes aceitar um resultado negociado. Isso é diferente de Washington aceitar a Coreia do Norte como um país com armas nucleares. Nenhum anúncio nesses relatos diz que os Estados Unidos mudaram essa política.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, disse que Trump não considera as negociações com a Coreia do Norte uma concessão e está disposto a dialogar quando isso atende aos interesses nacionais dos EUA. Essa posição apresenta uma reunião como instrumento diplomático, e não como recompensa que Washington deva negar.
Relatos que citam uma pessoa não identificada familiarizada com o assunto sugerem que Kim poderia exigir o alívio das sanções e o reconhecimento do status nuclear da Coreia do Norte como condições para retomar o diálogo. São possíveis exigências, não uma posição de negociação anunciada recentemente por Pyongyang. Ainda assim, elas apontam para uma distância considerável entre iniciar uma conversa e chegar a um acordo sobre seus objetivos.
A cúpula de Hanói, em 2019, ilustra essa distância. Trump e Kim se reuniram, mas saíram sem acordo sobre restrições nucleares e alívio de sanções. Um quarto encontro poderia restabelecer a comunicação direta, mas as reuniões anteriores mostram que a afinidade pessoal, por si só, não resolve os termos de um acordo nuclear.
A China pode ajudar, mas seu papel não foi confirmado
O possível envolvimento da China dá outra dimensão à viagem a Shenzhen. Relatos dizem que o apoio a uma possível reunião entre Trump e Kim ganhou força depois que Trump e Xi se encontraram em Pequim, em maio. Um enviado da Casa Branca teria visitado Shenzhen e Hangzhou em meados de agosto para avaliar possíveis locais, tendo em vista uma cúpula com a Coreia do Norte.
Relatos separados dizem que a Península Coreana foi discutida em uma cúpula entre EUA e China em setembro. Eles sugerem que Trump talvez tenha pedido a Xi que ajudasse a trazer Kim de volta às negociações, mas a conversa relatada não confirma que um pedido específico tenha sido feito nem que a China tenha obtido o aval da Coreia do Norte.
Esses relatos dizem respeito a diferentes etapas de uma possível atividade diplomática: conversas entre presidentes, visitas a locais potenciais e esforços para incentivar a participação. Nenhuma delas equivale a um anúncio de cúpula. Portanto, a declaração de Kang de que não havia sinais concretos de retomada do diálogo pode coexistir com relatos de iniciativas exploratórias.
A China poderia oferecer um local ou ajudar a transmitir mensagens, mas Kim ainda teria de concordar em comparecer. Não há garantia chinesa anunciada, declaração conjunta que estabeleça uma reunião nem acordo divulgado sobre o que os líderes discutiriam.
Exercícios militares foram encurtados em agosto
A iniciativa de aproximação de Trump também incluiu, segundo relatos, uma redução nos exercícios militares anuais entre EUA e Coreia do Sul. Em agosto, ele disse que o custo e o sinal enviado a Pyongyang eram motivos para reduzi-los, vinculando sua decisão ao que descreveu como uma boa relação com Kim.
Em uma declaração publicada no Truth Social, Trump disse que era tarde demais para cancelar os exercícios e que havia instruído Pete Hegseth a encurtá-los. A justificativa apresentada pelo presidente combinou preocupações com gastos e o desejo de evitar uma mensagem que ele considerava hostil à Coreia do Norte.
Segundo relatos, o exercício Ulchi Freedom Shield terminou em 21 de agosto, após cinco dias, em vez dos 11 habituais. Com base nesses números, o exercício durou seis dias a menos, uma redução de cerca de 55%. Ele terminou quase uma semana antes do previsto.
O Ulchi Freedom Shield inclui simulações de comando e manobras em campo destinadas a preparar as forças dos EUA e da Coreia do Sul para situações de emergência na península. Encurtá-lo foi, portanto, uma mudança em uma atividade militar existente, não apenas mais uma declaração de interesse na diplomacia.
A redução foi interpretada como um gesto conciliatório em relação a Kim. No entanto, não há nenhum compromisso norte-coreano divulgado em troca, e a atividade militar posterior de Pyongyang não comprova que o gesto tenha levado a avanços rumo a uma cúpula.
Pyongyang exibe suas armas
Kim participou da inauguração do Museu da Revolução da Defesa em 11 de outubro, acompanhado da mulher, Ri Sol Ju, e da filha, conhecida como Ju Ae. A mídia estatal norte-coreana publicou a cobertura em 13 de outubro, um dia após os comentários de Trump sobre uma possível reunião.
O museu exibiu drones e o míssil balístico intercontinental Hwasong-20, entre outras armas desenvolvidas durante o governo de Kim. Um míssil balístico intercontinental, ou ICBM, é projetado para transportar uma ogiva a distâncias muito grandes, potencialmente entre continentes. A exposição apresentou a capacidade da Coreia do Norte de ameaçar alvos muito além da península.
Shin Jong-woo, secretário-geral do Fórum de Defesa e Segurança da Coreia, disse que uma exposição diante do lançador do Hwasong-20 parecia mostrar um projeto com múltiplas ogivas e um mapa-múndi com alcances que se estendiam além do território continental dos EUA. Ele interpretou a exposição tanto como uma celebração do desenvolvimento de armas quanto como uma mensagem antes de uma possível diplomacia:
Deu a impressão de ser propaganda destinada a obter vantagem estratégica antes de uma possível cúpula entre Coreia do Norte e Estados Unidos.
Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade de Kyungnam, disse que transformar exposições temporárias de armas em um museu permanente apresentava as conquistas militares de Kim como um legado duradouro. Essas interpretações dizem respeito ao propósito da exposição, não à verificação independente de todas as capacidades que ela apresentava.
A Coreia do Norte também disse que testou um míssil balístico tático na segunda-feira, 12 de outubro, para verificar uma atualização em um componente não especificado. As Forças Armadas da Coreia do Sul relataram vários lançamentos de mísseis balísticos em direção às águas da costa leste, descrevendo a atividade como o quarto lançamento de Pyongyang em um mês.
Os relatos divergem quanto ao momento: algumas notícias mais breves situam os lançamentos na terça-feira, enquanto o relato mais detalhado data o teste e a informação das Forças Armadas sul-coreanas de segunda-feira. Eles não esclarecem se a diferença se refere a eventos separados ou a datas inconsistentes. Não foram fornecidos detalhes técnicos sobre o componente que a Coreia do Norte disse ter atualizado.
Trump também havia afirmado, em 3 de outubro, que a Coreia do Norte possuía 112 mísseis nucleares. Esse número deve ser tratado como uma afirmação dele, não como um inventário verificado. Os relatos não oferecem avaliação de apoio nem explicação de como o número foi calculado.
Como a diplomacia chegou a este ponto
A reunião proposta retomaria uma sequência que começou em 2018 e foi interrompida no ano seguinte. As principais datas mostram tanto o avanço diplomático anterior quanto a ausência de um acordo nuclear concluído:
- Junho de 2018: Trump e Kim se reuniram em Singapura e concordaram em trabalhar pela desnuclearização completa da Península Coreana.
- Fevereiro de 2019: A segunda cúpula entre os dois, em Hanói, terminou sem acordo.
- Junho de 2019: Eles se reuniram em Panmunjom, onde Trump cruzou brevemente para a Coreia do Norte.
- Agosto de 2026: Trump manifestou interesse em outra reunião, enquanto relatos mencionaram iniciativas exploratórias e instruções a assessores.
- De 11 a 13 de outubro de 2026: Kim inaugurou o museu de armas, Trump renovou o convite e houve relatos de atividade militar norte-coreana.
- De 16 a 19 de novembro de 2026: O itinerário regional divulgado de Trump inclui Manila e Shenzhen, abrindo uma possível janela para um encontro.
O encontro de Singapura fez de Trump o primeiro presidente dos EUA em exercício a se reunir com um líder norte-coreano. Panmunjom acrescentou outro marco histórico: sua entrada em território norte-coreano. Nenhum dos dois eventos resultou no acordo de desnuclearização que Washington buscava, e as negociações posteriormente estagnaram enquanto a Coreia do Norte continuava desenvolvendo seus programas nuclear e de mísseis.
Momento político e contatos informais
A viagem de novembro deverá ocorrer após as eleições de meio de mandato dos EUA. Alguns relatos sugerem que Kim poderia ver uma derrota dos republicanos como uma oportunidade para buscar condições favoráveis de um Trump politicamente enfraquecido, incluindo alívio de sanções ou reconhecimento do status nuclear da Coreia do Norte. Esse é um cenário possível, não uma estratégia norte-coreana anunciada.
Recentemente, Trump apareceu em eventos no Texas ao lado do ex-jogador da NBA Dennis Rodman, cujo contato de longa data com Kim gerou especulações sobre um canal informal de comunicação. Rodman visitou a Coreia do Norte pela primeira vez em 2013 e fez outras quatro visitas até junho de 2017.
A relação de Rodman com Kim torna essas aparições diplomaticamente interessantes, mas não há nenhuma mensagem divulgada que tenha sido transmitida por ele, nenhum convite aceito por seu intermédio nem papel anunciado dele na organização da reunião de novembro. Sua presença pública não deve ser confundida com prova de que os preparativos para a cúpula estão em andamento.
Os próximos marcos previstos são a parada em Manila, mencionada para 16 de novembro, e o encontro em Shenzhen no fim daquela semana. Até lá, o acontecimento decisivo que falta é uma resposta de Pyongyang ou um anúncio de planos acordados por ambas as partes. O local, a agenda de negociações e eventuais condições para a participação não foram divulgados.
Principais pontos
- Trump disse em 12 de outubro que talvez se reúna com Kim durante sua viagem à Ásia em novembro.
- Nem Washington nem Pyongyang anunciaram uma cúpula, e a Coreia do Sul diz não haver sinais concretos de retomada do diálogo.
- A reunião de líderes da APEC em Shenzhen está prevista, segundo relatos, para 18 e 19 de novembro, embora alguns indiquem uma programação mais ampla, de 17 a 19 de novembro.
- Kim rejeita novas discussões sobre desnuclearização, enquanto o Departamento de Estado dos EUA continua citando a desnuclearização como objetivo.
- Relatos de ajuda chinesa, visitas a possíveis locais e contatos informais não comprovam um acordo da Coreia do Norte.
- A Coreia do Norte divulgou a inauguração de um museu de armas e informou ter feito um teste de míssil na época do convite mais recente de Trump.
- Um novo encontro seria o quarto entre Trump e Kim e o primeiro desde junho de 2019.






