Documentos comerciais no centro de transferências de quase US$ 52 milhões
Sete pessoas foram acusadas em Hanói por uma suposta operação de transferência de divisas que enviou mais de US$ 40,2 milhões para fora do Vietnã e trouxe mais de US$ 11,7 milhões ao país por meio de contratos de componentes eletrônicos. Segundo os promotores, duas empresas, Việt Linh e Phong Lâm, foram usadas para apresentar transferências de clientes como pagamentos de importações e exportações.
Conteúdo
- Documentos comerciais no centro de transferências de quase US$ 52 milhões
- Quem teria organizado as transferências?
- Por que pequenos componentes eletrônicos eram importantes
- Como as contas pessoais alimentavam pagamentos das empresas
- A Việt Linh movimentou a maior parte do dinheiro
- Phong Lâm e o papel contestado de uma pessoa que assinava documentos
- Pagamentos de clientes usavam descrições sem relação com a operação
- Transações com USDT e outras investigações seguem em separado
- O alerta jurídico e as datas a acompanhar
- Pontos principais
As transferências para o exterior totalizaram cerca de VND 923,8 bilhões, enquanto as transferências recebidas somaram cerca de VND 269,4 bilhões. O valor de VND 923,8 bilhões não corresponde a uma transação de US$ 923,8 milhões. Os valores em dólares informados para os dois sentidos somam aproximadamente US$ 51,9 milhões, representando dinheiro transferido, e não um prejuízo comprovado a vítimas ou ao Estado.
A Procuradoria Popular de Hanói acusou Nguyễn Mạnh Linh, Lê Đăng Khoa, Đinh Thị Lịch, Meng Jun, Lê Thanh Phương, Trần Thanh Tùng e Yang Jing de transportar ilegalmente divisas através da fronteira. O processo foi encaminhado ao tribunal de mesmo nível para julgamento em primeira instância, anunciado para 15 de outubro. O ano dessa audiência não foi especificado no relato que a anunciou.
As acusações relacionam diretores de empresas, dois ex-funcionários de banco, contadores e clientes comerciais. Elas também envolvem um cidadão chinês, Zheng Yan Fei, descrito pelos promotores como organizador dos acordos com os clientes. As atividades dele, assim como transações separadas com criptomoedas e outras duas empresas, continuam sob investigação. As acusações são alegações, não decisões de culpa.
Quem teria organizado as transferências?
Segundo o relato da denúncia, Linh conheceu Zheng em 2019. A partir de 2021, Zheng teria encontrado clientes que queriam transferir dinheiro entre o Vietnã e outros países, principalmente a China, negociado tarifas e instruído Linh a preparar documentos de importação e exportação. Linh constava como diretor tanto da Việt Linh quanto da Phong Lâm.
Khoa e Lịch trabalhavam na agência de Hanói do OCB Bank na época dos acordos investigados. Segundo os promotores, Zheng entrou em contato com eles para ajudar Linh a preparar documentos de pagamentos internacionais. Khoa teria ajudado na constituição das empresas e nas declarações fiscais, além de indicar Lịch para trabalhar como contadora da Việt Linh.
A suposta assistência incluiu a abertura de contas bancárias, a preparação de documentos sobre a capacidade comercial das empresas, a organização de cartas de crédito e o preenchimento de documentos de pagamento. Essas etapas eram importantes porque forneciam uma justificativa comercial para a saída de dinheiro do país, embora, segundo os promotores, o objetivo real fosse transferir fundos de clientes.
Meng era contador-chefe da Phong Lâm, enquanto Phương constava como contador da Việt Linh. Tùng, diretor da Vinaecom, e Yang, diretor da filial de Hanói da Newmone Vietnam, foram investigados como clientes que teriam enviado dinheiro pela conta pessoal de Linh para pagamentos à China. Os papéis atribuídos a eles diferem dos das pessoas acusadas de preparar os documentos das empresas.
Por que pequenos componentes eletrônicos eram importantes
Os contratos envolviam a importação temporária e a posterior exportação de componentes eletrônicos, entre eles chips e resistores para chips. Segundo os promotores, esses itens pequenos eram difíceis de avaliar, enquanto os contratos envolviam grandes quantias e não continham descrições adequadas de marcas, normas técnicas, especificações e certificações de qualidade.
Um alerta da polícia de Hanói, publicado no site do Ministério da Segurança Pública e datado de 30 de julho de 2026, descreve um suposto esquema com resistores para chips envolvendo mais de US$ 51 milhões. Essa estimativa é compatível em escala com os aproximadamente US$ 51,9 milhões obtidos pela soma dos valores de entrada e saída informados pela acusação, embora o alerta não apresente um total detalhado idêntico.
O comunicado descreve uma rede de empresas de fachada em Hong Kong, na China e em Singapura. Segundo o texto, os contratos tinham valores excepcionalmente altos, mas poucos detalhes comerciais, incluindo a falta de informações sobre fabricantes, anos de produção, seguros e inspeções das mercadorias, além da ausência de certificados de origem e qualidade.
A polícia também descreve condições de pagamento que permitiam aos vendedores receber o dinheiro imediatamente, enquanto os compradores podiam adiar o pagamento por até 12 meses. Segundo o alerta, os envolvidos exploraram canais de desembaraço aduaneiro com inspeção física reduzida e depois deixaram de trazer de volta as receitas das exportações ou trouxeram valores muito inferiores aos pagamentos já feitos no exterior. Essas características tornaram central a preocupação com a correspondência entre mercadorias, contratos e dinheiro.
Como as contas pessoais alimentavam pagamentos das empresas
Nas transferências para o Vietnã, segundo os promotores, o dinheiro entrava na conta da Việt Linh com base em contratos de exportação. Linh teria sacado parte dos valores e aplicado o dinheiro em contas pessoais de poupança, obtendo juros e usando os depósitos como garantia para cartas de crédito.
Uma carta de crédito é um compromisso do banco de pagar ao vendedor quando os documentos exigidos são apresentados. Neste caso, o suposto uso de depósitos pessoais como garantia vinculava os fundos recebidos aos arranjos bancários usados em pagamentos posteriores. A existência de um instrumento de pagamento bancário, por si só, não comprova que o comércio subjacente era legítimo.
Nas transferências para o exterior, os clientes teriam depositado dinheiro na conta pessoal de Linh. Em seguida, os valores eram sacados e depositados em contas das empresas antes de serem enviados para fora do país como pagamento por mercadorias importadas. Segundo os promotores, essa sequência dava aos fundos dos clientes a aparência de receitas comerciais e despesas de comércio comuns.
O alerta policial descreve fundos divididos em transferências abaixo de VND 500 milhões, movimentados por contas pessoais e acompanhados de descrições vagas, como pagamentos por mercadorias ou compras de USDT. Segundo a polícia, o objetivo era evitar a comunicação ao Banco Estatal do Vietnã. O alerta também menciona pagamentos por UPAS L/C e T/T: o primeiro permite que o vendedor receba prontamente, enquanto o comprador paga depois; o segundo é uma transferência bancária direta. Ambos são métodos legítimos de pagamento que, segundo a polícia, foram usados indevidamente.
A Việt Linh movimentou a maior parte do dinheiro
Os promotores atribuem à Việt Linh mais de US$ 35,5 milhões em transferências para o exterior, avaliadas em cerca de VND 813,5 bilhões. Também atribuem à empresa mais de US$ 11 milhões em transferências recebidas, avaliadas em cerca de VND 253,2 bilhões.
Com base nos valores arredondados em dólares, a Việt Linh respondeu por cerca de 88% dos supostos US$ 40,2 milhões enviados ao exterior. O valor de entrada informado para a empresa representou aproximadamente 94% dos US$ 11,7 milhões que entraram no Vietnã. Essas comparações mostram que a Việt Linh foi o principal canal nos dois sentidos, em vez de as duas empresas terem contribuído igualmente.
Entre fevereiro e agosto de 2021, Lịch teria feito 16 saques, totalizando mais de VND 96,9 bilhões, da conta da empresa e sete depósitos, totalizando mais de VND 36,4 bilhões, na conta pessoal de Linh. Essas transações fazem parte da movimentação de contas investigada; não devem ser somadas aos totais de transferências internacionais como valores adicionais enviados através da fronteira.
Segundo os promotores, Linh recebeu cerca de VND 300 milhões e Khoa, cerca de VND 40 milhões, enquanto Lịch recebia VND 5 milhões por mês pelo trabalho de contabilidade. Esses supostos benefícios pessoais são distintos dos valores muito maiores movimentados pelas contas. O volume das transações não significa que algum acusado tenha ficado pessoalmente com a quantia total transferida.
Phong Lâm e o papel contestado de uma pessoa que assinava documentos
No início de 2022, Linh teria começado a usar a Phong Lâm em acordos semelhantes. Por orientação de Zheng, Meng abriu contas bancárias pessoais para receber pagamentos de pessoas no Vietnã e, em seguida, sacou o dinheiro e o depositou nas contas da Phong Lâm.
De 13 de maio a 13 de junho de 2022, as contas de Meng receberam mais de VND 67,3 bilhões. Meng também assinou 11 contratos de transferências para o exterior. Os promotores atribuem à Phong Lâm US$ 4,73 milhões em transferências de saída, equivalentes a mais de VND 110,2 bilhões, e US$ 699.945 em transferências de entrada, equivalentes a mais de VND 16,2 bilhões.
Os valores das empresas se ajustam, em linhas gerais, aos totais do processo depois de arredondados. Os valores informados para transferências de saída, US$ 35,5 milhões e US$ 4,73 milhões, somam US$ 40,23 milhões. Os valores de entrada, US$ 11 milhões e US$ 699.945, somam aproximadamente US$ 11,7 milhões. Como vários valores são descritos como superiores aos números informados, esses cálculos são comparações, não totais exatos auditados.
Phương teria assinado 120 ordens de transferência internacional, totalizando mais de US$ 30,4 milhões, ou cerca de VND 697,1 bilhões, para a Việt Linh. No entanto, os promotores também afirmam que Phương não sabia o conteúdo dos documentos e não recebeu benefício algum. Esse relato deixa uma questão importante para o tribunal: como as assinaturas atribuídas a Phương fundamentariam responsabilidade criminal, considerando a descrição dos promotores sobre o que ela sabia. O valor informado faz parte das transações da empresa e não deve ser somado novamente ao total do caso.
Pagamentos de clientes usavam descrições sem relação com a operação
A empresa de Tùng, Vinaecom, operava um negócio on-line e tinha um contrato de logística com a AEG Express Limited, na China. Tùng disse que o parceiro chinês o instruiu a enviar dinheiro para a conta de Linh com uma descrição que indicava um depósito para árvores de paisagismo.
A descrição registrada era "CHUYEN TIEN DAT CAY CONG TRINH". Tùng disse que não houve compra de árvores. Os investigadores constataram que ele transferiu mais de VND 63,8 bilhões para a conta de Linh para pagar terceiros na China. A divergência entre a descrição do pagamento e a finalidade comercial declarada é um dos detalhes específicos que sustentam a alegação de ocultação.
Yang comercializava pedras de corte e desbaste importadas da China. Depois de enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, Yang teria entrado em contato com uma conta do WeChat chamada "Trận chiến ở Việt Nam" e recebido a orientação de pagar na conta de Linh. De março a agosto de 2021, Yang pediu a funcionários que fizessem oito transferências, totalizando mais de VND 1,42 bilhão.
Esses relatos de clientes mostram como a suposta operação foi além dos próprios funcionários das empresas. Dinheiro ligado a serviços de logística e a produtos industriais importados era encaminhado pela conta de uma pessoa e, em seguida, supostamente enviado ao exterior por meio de contratos de componentes eletrônicos. Ainda cabe aos promotores comprovar a responsabilidade de cada acusado nesse processo.
Transações com USDT e outras investigações seguem em separado
A conta de Linh também recebeu VND 140 bilhões de contas ligadas a Nguyễn Bá Nam, Vũ Phương Thảo e outras pessoas. Nam disse que o dinheiro era pagamento por transações com USDT. USDT é uma criptomoeda projetada para acompanhar o valor do dólar americano; sua negociação pode envolver pagamentos em moeda corrente entre compradores e vendedores.
Os investigadores identificaram indícios de que a negociação de criptomoedas pode ter sido usada para disfarçar a origem dos fundos e separaram esse material para investigação adicional. Embora um dos relatos descreva compras de USDT como parte do mecanismo mais amplo de transferências, a decisão informada de investigar essa atividade separadamente significa que ela não deve ser tratada como uma conclusão definitiva contra todos os envolvidos.
Os VND 140 bilhões não devem ser automaticamente somados aos VND 923,8 bilhões em transferências para o exterior. O primeiro valor se refere a recebimentos na conta de Linh, e o relato público não estabeleceu até que ponto esses recebimentos se sobrepõem às transferências internacionais descritas na acusação.
Os investigadores também separaram materiais sobre a Phúc Thịnh, em Hải Phòng, e a Việt Mỹ, em Hanói, por suspeita de transferências ilegais de divisas através da fronteira. O motivo informado foi o encerramento do prazo da investigação, que deixou verificações adicionais para uma apuração separada. Nenhuma das empresas é descrita como uma das duas principais empresas usadas nas transações pelas quais os sete acusados respondem.
O alerta jurídico e as datas a acompanhar
O comunicado policial diferencia a atividade lícita de importação temporária seguida de exportação do suposto uso indevido dessa prática. Ele cita o artigo 29 da Lei do Comércio, no documento consolidado 113/VBQH, datado de 27 de agosto de 2025, que define a atividade como a entrada de mercadorias no Vietnã por meio de procedimentos de importação e a posterior exportação dessas mesmas mercadorias.
Segundo a polícia, os pagamentos relacionados devem cumprir as regras cambiais, a lei de 2022 sobre prevenção à lavagem de dinheiro e os requisitos aduaneiros e de comércio exterior. O alerta cita o artigo 189 do Código Penal, sobre transporte ilegal de divisas através da fronteira, e o artigo 324, sobre lavagem de dinheiro. A referência às duas infrações não significa que os sete acusados tenham sido apontados como réus por ambas.
A sequência dos fatos se estende por vários anos, com as supostas transferências concentradas em 2021 e 2022:
- 2019: Linh teria conhecido Zheng Yan Fei.
- 2021: Zheng teria começado a organizar os clientes e a orientar a preparação dos documentos comerciais; a Việt Linh movimentava as transferências.
- Fevereiro a agosto de 2021: Lịch teria feito os saques da empresa e os depósitos em conta pessoal especificados.
- Março a agosto de 2021: Yang teria organizado oito pagamentos para a conta de Linh.
- Início de 2022: Linh teria começado a usar a Phong Lâm para transferências semelhantes.
- 13 de maio a 13 de junho de 2022: as contas de Meng receberam mais de VND 67,3 bilhões.
- 11 de junho de 2025: Zheng deixou o Vietnã.
- 30 de julho de 2026: o site do Ministério da Segurança Pública data o alerta da polícia de Hanói.
- 15 de outubro: data anunciada para o julgamento em primeira instância, sem indicação do ano.
Os investigadores pediram auxílio às autoridades chinesas em relação a Zheng, mas não haviam recebido resposta no momento descrito. Os materiais a respeito dele foram separados para verificações posteriores. A saída dele do país consta do registro de imigração mencionado, mas esse fato, por si só, não esclarece por que ele partiu.
O alerta policial pede que as empresas não emprestem sua situação jurídica nem suas contas corporativas para pagamentos de terceiros. Também recomenda que os bancos verifiquem a autenticidade dos documentos, comparem os pagamentos de importação com os recebimentos posteriores das exportações dentro de 12 meses e comuniquem transações suspeitas. Essas recomendações tratam da suposta divergência entre a documentação comercial e a movimentação real do dinheiro.
O julgamento é o próximo passo anunciado para os sete acusados. O resultado, eventuais medidas posteriores relacionadas a Zheng e as conclusões das investigações separadas sobre criptomoedas e empresas ainda não foram estabelecidos nos relatos sobre a acusação.
Pontos principais
- Sete pessoas respondem a acusações relacionadas a supostas transferências ilegais de divisas por meio da Việt Linh e da Phong Lâm.
- Os promotores alegam que mais de US$ 40,2 milhões saíram do país e mais de US$ 11,7 milhões entraram no Vietnã.
- O valor de VND 923,8 bilhões em transferências para o exterior não corresponde a US$ 923,8 milhões.
- Contratos de componentes eletrônicos, contas pessoais e documentos bancários de pagamentos internacionais teriam disfarçado transferências de clientes.
- A Việt Linh respondeu pela maior parte do volume de transações informado.
- Segundo os promotores, Phương assinou 120 ordens de transferência, mas não sabia o conteúdo delas nem recebeu benefício.
- As investigações sobre USDT, Zheng Yan Fei, Phúc Thịnh e Việt Mỹ continuam em separado.
- O julgamento em primeira instância foi anunciado para 15 de outubro, sem indicação do ano; não há decisão judicial informada.






