Mísseis percorrem mais de 900 quilômetros enquanto Seul reavalia a segurança
A Coreia do Norte disparou vários mísseis balísticos da região de Pyongyang em direção ao Mar do Leste na segunda-feira, 12 de outubro. Pelo menos um deles percorreu mais de 900 quilômetros, informou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul. O Japão detectou pelo menos dois mísseis, com lançamentos por volta das 9h20 e das 9h40, e avaliou que eles caíram fora de sua zona econômica exclusiva. O gabinete do primeiro-ministro japonês informou que não houve danos.
Conteúdo
- Mísseis percorrem mais de 900 quilômetros enquanto Seul reavalia a segurança
- O que os dados de voo permitem concluir
- Seul intensifica a vigilância e coordena ações com aliados
- Teste sul-coreano põe em evidência o programa de mísseis do país
- Por que é difícil avaliar o voo hipersônico
- O teste de 3 de outubro oferece um parâmetro contestado
- Feridos por minas na fronteira agravam o confronto
- Diplomacia continua paralisada enquanto prossegue a análise técnica
- Principais pontos
Os lançamentos ocorreram após o primeiro teste sul-coreano de um veículo planador hipersônico desenvolvido no país. O porta-voz militar sul-coreano Jang Do-young disse que as ações do Norte pareciam ter como objetivo demonstrar suas capacidades de mísseis, mostrar o progresso do plano quinquenal de desenvolvimento da defesa e responder ao teste bem-sucedido do Sul.
Essa avaliação não determina quais armas a Coreia do Norte disparou. Jang disse que foram usados vários tipos de mísseis balísticos, mas não confirmou se eram armas hipersônicas ou de alcance intermediário, enquanto a análise prosseguia. A Coreia do Sul não anunciou o número final de mísseis.
O Escritório de Segurança Nacional da Presidência convocou uma reunião de emergência com autoridades do Ministério da Defesa e do Estado-Maior Conjunto para avaliar a prontidão militar e a situação de segurança. O órgão exigiu a interrupção imediata dos lançamentos norte-coreanos, classificando-os como violações de resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O que os dados de voo permitem concluir
A Coreia do Sul detectou os lançamentos a partir de aproximadamente 9h20. O voo informado de mais de 900 quilômetros estabelece a distância percorrida por pelo menos um míssil, não o alcance máximo da arma. Segundo relatos, outro míssil percorreu uma distância menor, embora os detalhes de seu voo não tenham sido divulgados.
Os horários de detecção do Japão sugerem lançamentos sucessivos com cerca de 20 minutos de intervalo. A contagem japonesa de pelo menos dois mísseis é compatível com a descrição sul-coreana de vários mísseis, mas nenhuma das duas determina o inventário completo das armas disparadas.
As autoridades sul-coreanas avaliavam se o voo mais longo envolveu um míssil balístico de alcance intermediário testado em uma distância reduzida. A classificação informada situa os mísseis de alcance intermediário entre aproximadamente 1.000 e 3.000 quilômetros. Um voo de teste abaixo desse intervalo não necessariamente descartaria a possibilidade de a arma ter um alcance maior.
Essa distinção importa porque a distância, por si só, não permite determinar se o lançamento testou uma nova capacidade ou exercitou um sistema já existente. O Estado-Maior Conjunto informou que as autoridades de inteligência da Coreia do Sul e dos Estados Unidos estavam realizando uma análise detalhada. Não foi divulgada uma avaliação final dos modelos dos mísseis, de suas velocidades ou de seu comportamento em manobras.
Seul intensifica a vigilância e coordena ações com aliados
O Estado-Maior Conjunto informou que reforçou a vigilância para monitorar novos lançamentos e que compartilhava informações com os Estados Unidos e o Japão. O comunicado descreveu a resposta imediata dos militares:
Os militares sul-coreanos intensificaram a vigilância para se preparar para lançamentos adicionais e mantêm um estado de prontidão total, compartilhando de perto informações relevantes com os Estados Unidos e o Japão.
A porta-voz da Presidência Kang Yu-jung disse em um comunicado por escrito que o Escritório de Segurança Nacional havia avaliado a prontidão e pedido todas as medidas necessárias, ao mesmo tempo que analisava os efeitos dos lançamentos para a segurança da Coreia do Sul. O órgão afirmou que os repetidos lançamentos de mísseis balísticos violavam resoluções do Conselho de Segurança e não contribuíam para administrar a situação na península.
A resposta anunciada se concentrou em vigilância, compartilhamento de informações de inteligência e prontidão. Essas declarações não anunciaram nenhuma nova operação militar específica nem sanções adicionais. O relato do Japão de que os mísseis caíram fora de sua zona econômica exclusiva também distinguiu os locais de queda de qualquer dano relatado.
Teste sul-coreano põe em evidência o programa de mísseis do país
O teste sul-coreano envolveu um veículo planador hipersônico desenvolvido com tecnologia nacional. O relato mais detalhado situa o lançamento em 8 de outubro, a partir de uma plataforma marítima no local de testes de Anheung, da Agência para o Desenvolvimento da Defesa, observado pelo presidente Lee Jae Myung.
Os relatos divergem quanto à data. Alguns dizem que o teste ocorreu na quinta-feira, enquanto outros o situam na sexta-feira. O relato detalhado indica 8 de outubro e afirma que a divulgação pública ocorreu quatro dias antes do lançamento norte-coreano. Essas divergências não devem ser tratadas como uma cronologia confirmada.
Segundo relatos, o veículo sul-coreano percorreu várias centenas de quilômetros em um teste realizado em distância reduzida. O gabinete presidencial divulgou imagens do lançamento e de um ataque contra um alvo. Nem a distância de teste informada nem essas imagens determinam o alcance máximo futuro da arma ou o cronograma de sua entrada em operação.
Lee descreveu a arma como fundamental para fortalecer as capacidades de defesa convencional da Coreia do Sul. Seu gabinete afirmou que, quando estiver totalmente desenvolvida, ela aumentará a capacidade de atingir de surpresa alvos importantes no teatro de operações da Península Coreana. Essa formulação apresenta o sistema como uma capacidade de ataque convencional ainda em desenvolvimento, e não como uma arma já em operação.
Por que é difícil avaliar o voo hipersônico
Hipersônico significa viajar a pelo menos cinco vezes a velocidade do som. Um veículo planador hipersônico é levado para o alto por um foguete antes de planar pela atmosfera, onde pode fazer manobras em vez de apenas seguir uma trajetória balística previsível.
A velocidade é apenas parte do desafio para os sistemas de defesa antimísseis. As manobras mudam o ponto em que um interceptor precisa encontrar o alvo, enquanto o voo em altitudes mais baixas pode reduzir o tempo disponível para detecção e rastreamento por radar. Essas características podem dificultar a interceptação, mas, por si só, não provam que determinado míssil seja impossível de interceptar.
Os lançamentos mais recentes ocorreram em meio a demonstrações concorrentes dessa tecnologia, mas autoridades sul-coreanas não confirmaram que as armas disparadas na segunda-feira a utilizavam. A explicação de Jang sobre o provável objetivo político era distinta da avaliação técnica dos militares. Um lançamento pode sinalizar oposição ao teste de outro país sem empregar o mesmo tipo de arma.
O teste de 3 de outubro oferece um parâmetro contestado
O lançamento anterior de um míssil balístico pela Coreia do Norte ocorreu em 3 de outubro, a partir da região de Wonsan, em direção ao Mar do Leste. A mídia estatal norte-coreana informou no dia seguinte que o teste envolveu um míssil estratégico de alcance intermediário e treinamento de tropas que operam um sistema de armas estratégicas hipersônicas. Kim Jong Un acompanhou o teste.
A Coreia do Norte afirmou que o míssil percorreu 1.000 quilômetros. A Coreia do Sul informou uma distância superior a 700 quilômetros, levando Pyongyang a acusar o Sul de não ter detectado todo o voo. Os números não são relatos idênticos, embora a formulação sul-coreana estabeleça um limite mínimo, e não um ponto final exato.
As descrições da arma de 3 de outubro também variam. Um relato a identifica como Hwasong-11D, enquanto outros a descrevem como um míssil hipersônico ou de alcance intermediário movido a combustível sólido. Essas designações não determinam a identidade dos mísseis disparados na segunda-feira.
O lançamento mais recente ocorreu nove dias após o episódio de Wonsan e foi descrito como o 16º lançamento de míssil balístico da Coreia do Norte no ano. O país também realizou outros testes de mísseis e exercícios com fogo real, além de incorporar um novo navio de guerra. Em conjunto, essas atividades situam os lançamentos de segunda-feira em um programa de armamentos mais amplo, sem estabelecer que o teste sul-coreano tenha sido sua única causa.
Feridos por minas na fronteira agravam o confronto
As trocas de lançamentos de mísseis ocorreram após a explosão de uma mina em 21 de setembro, no lado sul-coreano da Zona Desmilitarizada. Três soldados sul-coreanos ficaram feridos, dois deles em estado crítico. Uma investigação conjunta das Forças Armadas da Coreia do Sul e do Comando das Nações Unidas concluiu que tropas norte-coreanas haviam plantado deliberadamente as minas antipessoais responsáveis.
Pyongyang negou responsabilidade, acusou Seul de fabricar as conclusões e ameaçou retaliar caso o Sul tomasse medidas de resposta. Essa disputa acrescenta uma fonte de tensão distinta à competição de mísseis: Seul atribui ferimentos graves a um ato deliberado de tropas norte-coreanas, enquanto o Norte rejeita essa conclusão.
A sequência dos acontecimentos mostra como o confronto se ampliou rapidamente:
- 20 de agosto: lançamentos anteriores de mísseis balísticos pela Coreia do Norte na região de Pyongyang.
- 21 de setembro: explosão da mina ao sul da fronteira fere três soldados sul-coreanos.
- 3 de outubro: a Coreia do Norte lança um míssil de Wonsan e depois o descreve como um teste envolvendo seu sistema de armas estratégicas hipersônicas.
- 8 de outubro: o relato detalhado situa em Anheung o primeiro teste sul-coreano de um veículo planador hipersônico, embora outros relatos indiquem dias da semana diferentes.
- 12 de outubro: a Coreia do Norte dispara vários mísseis balísticos da região de Pyongyang, levando à convocação de uma reunião de segurança de emergência em Seul.
Diplomacia continua paralisada enquanto prossegue a análise técnica
Lee defende o diálogo com a Coreia do Norte e moderou seu discurso em relação a Pyongyang, apesar da indignação com os ferimentos causados pelas minas. Ele também pediu o fortalecimento das capacidades de defesa convencional e uma menor dependência dos Estados Unidos. O programa hipersônico nacional dá forma concreta a essa política de defesa.
A Coreia do Norte rejeitou propostas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul para retomar a diplomacia. Kim interrompeu a cooperação com Seul e descreveu o Sul como um inimigo permanente. As negociações nucleares com Washington fracassaram em 2019, e os apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para retomá-las foram rejeitados até agora.
Pyongyang exige que Washington abandone o que chama de política hostil e deixe de exigir a desnuclearização como condição prévia para as negociações. Em agosto, Washington reduziu a escala de um grande exercício militar com a Coreia do Sul, mas essa decisão não levou a nenhum anúncio de retomada das conversas.
As questões imediatas ainda sem resposta são mais específicas: o número exato e os tipos de mísseis disparados na segunda-feira, se algum deles usou tecnologia hipersônica e quais foram todas as suas características de voo. O cronograma para a futura entrada em operação do sistema sul-coreano também não foi especificado. Nenhuma data foi anunciada para uma avaliação técnica final ou uma nova reunião diplomática.
Principais pontos
- A Coreia do Norte lançou vários mísseis balísticos da região de Pyongyang em 12 de outubro; pelo menos um percorreu mais de 900 quilômetros.
- O Japão detectou pelo menos dois mísseis que caíram fora de sua zona econômica exclusiva e informou que não houve danos.
- Autoridades sul-coreanas avaliaram que os lançamentos podem ter sido uma resposta ao teste hipersônico do Sul, mas não confirmaram os tipos de mísseis norte-coreanos.
- Os relatos divergem sobre a data do teste sul-coreano; o relato mais detalhado indica 8 de outubro, no local de testes de Anheung.
- Seul intensificou a vigilância, compartilhou informações com Washington e Tóquio e exigiu a interrupção dos lançamentos.
- O confronto ocorre após explosões de minas contestadas que feriram três soldados sul-coreanos, enquanto a diplomacia permanece paralisada.






