Escândalo de dados nucleares em Hamaoka revela anos de manipulação e debate sobre análises de segurança

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Hamaoka Nuclear Data Scandal Exposes Years of Manipulation and a Dispute Over Safety Reviews

Uma onda sísmica escolhida, seguida de evidências para justificá-la

O escândalo envolvendo os dados sísmicos da Chubu Electric Power na usina nuclear de Hamaoka, na província de Shizuoka, foi além da escolha de um cálculo favorável. Investigadores concluíram que a empresa escolheu a onda sísmica que queria usar e, em seguida, reuniu outras 19 ondas para fazer essa escolha parecer compatível com o método que havia descrito à Autoridade de Regulação Nuclear do Japão.

Conteúdo
  1. Uma onda sísmica escolhida, seguida de evidências para justificá-la
  2. O que significa o valor de 1.200 gal
  3. Como cálculos seletivos se tornaram evidências fabricadas
  4. Pressão para retomar as operações ultrapassou fronteiras entre departamentos
  5. Alertas não interromperam a manipulação
  6. Da apresentação dos pedidos às renúncias
  7. Por que o comitê também questionou a análise
  8. O que está estabelecido e o que permanece sem resposta
  9. Principais pontos

O comitê externo de advogados, cujo relatório foi divulgado em 14 de setembro de 2026, identificou um padrão de manipulação crescente. Tudo começou com o uso seletivo de cálculos antes do pedido da empresa, em 2014, para uma análise de segurança; evoluiu para a escolha deliberada de ondas representativas a partir de 2018; e continuou depois que os órgãos reguladores começaram a investigar.

As consequências atingem a liderança da empresa e seus esforços para retomar as operações dos reatores 3 e 4 de Hamaoka. A Chubu Electric anunciou planos para retirar os pedidos de análise. O presidente Kingo Hayashi renunciou com efeito a partir de 30 de setembro. O presidente do conselho, Satoru Katsuno, também manifestou a intenção de renunciar, embora os relatos do anúncio não confirmem que a saída tenha sido efetivada.

O relatório também apresentou um argumento distinto e delicado sobre a própria análise. Embora tenha criticado duramente a conduta da Chubu Electric, o comitê sugeriu que a avaliação de riscos sísmicos incertos pode levar a exigências excessivamente conservadoras. Em suas observações finais, levantou a possibilidade de equilibrar os requisitos de segurança nuclear com a segurança energética e a descarbonização.

São questões distintas. É legítimo discutir se os requisitos técnicos de um órgão regulador são proporcionais. Descrever com precisão como uma concessionária produziu as evidências de segurança é uma condição básica para uma análise confiável. A investigação de Hamaoka mostra como a segunda questão pode comprometer qualquer debate sério sobre a primeira.

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O que significa o valor de 1.200 gal

Quando a Chubu Electric apresentou os pedidos de análise dos reatores 3 e 4, em 2014 e 2015, propôs um movimento sísmico máximo de projeto de 1.200 gal. Um gal mede aceleração: um gal equivale a um centímetro por segundo ao quadrado. O valor descreve a intensidade da vibração usada em avaliações de engenharia, não a magnitude de um terremoto.

O movimento sísmico de projeto é a vibração presumida usada para avaliar a resistência de edifícios e equipamentos. A escolha da onda sísmica de base é importante porque os engenheiros precisam de mais do que um único valor máximo. Uma onda representa como a vibração se desenvolve ao longo do tempo e fornece informações usadas para avaliar as respostas de estruturas e equipamentos.

A Chubu Electric informou ao órgão regulador que geraria 20 conjuntos de ondas sísmicas por meio de cálculos aleatorizados e selecionaria como onda representativa aquela mais próxima da média. Nesse procedimento, a seleção deveria decorrer dos cálculos. A investigação encontrou casos em que a escolha desejada veio primeiro e o conjunto que lhe daria respaldo foi organizado depois.

Assim, o valor de 1.200 gal funciona tanto como referência de engenharia quanto como indício do motivo apontado no relatório. Segundo os investigadores, a empresa queria evitar vibrações calculadas muito acima de suas premissas, o que poderia exigir obras e prejudicar as metas de retomada das operações. As conclusões não estabelecem um valor máximo corrigido de vibração, nem demonstram que todas as estruturas ou componentes falhariam diante de um cálculo diferente.

Como cálculos seletivos se tornaram evidências fabricadas

O comitê descreveu uma prática anterior que já se afastava da aplicação direta do método declarado. Antes do pedido de análise de 2014, a empresa gerava numerosos conjuntos de cálculos e selecionava aquele cuja onda representativa não fosse extrema. A preocupação era que usar um único conjunto pudesse levar a um resultado extremo.

A abordagem mudou depois que os órgãos reguladores solicitaram a inclusão de falhas geológicas adicionais na avaliação sísmica. Segundo o relatório, o método existente passou então a produzir ondas representativas que a empresa considerava indesejáveis. A partir de 2018, a empresa adotou um método que envolvia a escolha deliberada da onda representativa.

Essa inversão é central para o caso. Um resultado apresentado como fruto de um procedimento estatístico de seleção foi, na verdade, transformado no objetivo desse procedimento. Ao escolher as outras 19 ondas para se ajustar a ele, a empresa podia criar a aparência de que sua onda preferida era a mais próxima da média.

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O comitê também concluiu que dados foram criados posteriormente para reuniões de análise dos órgãos reguladores, a fim de fazer parecer que a seleção havia seguido o método declarado. Não se tratava apenas de uma divergência sobre quais premissas científicas eram apropriadas. A empresa apresentou uma versão do processo de cálculo que não correspondia ao que havia acontecido.

Pressão para retomar as operações ultrapassou fronteiras entre departamentos

A investigação relacionou a manipulação à preocupação com as consequências práticas de premissas sísmicas mais rigorosas. Vibrações calculadas de maior intensidade poderiam exigir obras adicionais e interferir no cronograma de retomada dos reatores. Isso conferiu ao processo de seleção uma dimensão comercial e operacional, além da técnica.

Em 2019, o departamento responsável pelas premissas sísmicas apresentou cálculos preliminares ao departamento responsável pelo projeto sísmico de edifícios e equipamentos e pediu sua opinião. Quando os resultados indicavam problemas de resistência sísmica, às vezes os cálculos eram refeitos e outra onda candidata a representativa era selecionada.

A comunicação entre esses departamentos não é, por si só, imprópria. Engenheiros que avaliam riscos sísmicos e engenheiros que avaliam a resistência das estruturas precisam trocar informações. A preocupação apontada neste caso é que os problemas de resistência se tornaram motivo para reconsiderar o parâmetro escolhido, em vez de serem simplesmente considerados como um resultado a ser abordado na avaliação de segurança.

O relatório criticou duramente o raciocínio da empresa e descreveu uma teoria própria de justificação, por meio da qual práticas impróprias eram aceitas. Essa conclusão aponta para algo além de um único cálculo errado. Diz respeito a como uma organização podia continuar tratando um resultado preferido como defensável enquanto sua explicação ao órgão regulador se tornava imprecisa.

O grau de envolvimento da alta administração permanece uma questão à parte. Comissários dos órgãos reguladores levantaram a possibilidade de participação de executivos de nível superior. Seus comentários não devem ser tratados como uma conclusão definitiva de que determinados executivos tenham ordenado a manipulação.

Alertas não interromperam a manipulação

Um relatório interno de 2021 criou uma oportunidade para examinar as práticas de cálculo. Em vez disso, o comitê concluiu que dados adicionais foram criados durante a resposta a esse relatório. Assim, o mesmo problema de fundo apareceu tanto na preparação de evidências para os órgãos reguladores quanto no tratamento de um alerta interno.

A Autoridade de Regulação Nuclear tomou conhecimento do caso por meio de uma denúncia externa em fevereiro de 2025. Segundo o relatório da investigação, as atividades impróprias continuaram a partir de maio de 2025, depois que o órgão regulador iniciou a investigação, inclusive com a criação de dados que faziam parecer que o método correto havia sido usado.

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A Chubu Electric divulgou publicamente a má conduta em janeiro de 2026 e criou o comitê externo de investigação. A diferença entre essas datas é importante: o órgão regulador havia sido alertado quase um ano antes do anúncio público, e as conclusões posteriores trataram de condutas que continuaram depois do início da apuração regulatória.

Em entrevista coletiva em 1º de julho de 2026, o presidente da Autoridade de Regulação Nuclear, Shinsuke Yamanaka, disse suspeitar de ocultação. Em declaração traduzida do japonês, ele questionou se a falha ia além da deterioração da cultura de segurança da organização:

Suspeito que tenha havido uma tentativa de ocultar a má conduta. Este é um problema anterior à deterioração da cultura de segurança da organização. Talvez tenha ocorrido uma perda coletiva da ética entre os engenheiros. É muito lamentável.

A declaração distingue o compromisso geral de uma organização com a segurança da obrigação profissional mais básica de apresentar evidências com honestidade. Continuar manipulando dados depois que os investigadores começaram a fazer perguntas torna o caso mais grave do que um atalho técnico não divulgado que tenha sido abandonado quando questionado.

Da apresentação dos pedidos às renúncias

O histórico abrange mais de uma década. A cronologia mostra vários momentos em que a empresa poderia ter reconsiderado suas práticas, incluindo novos requisitos regulatórios, um alerta interno e uma investigação externa.

  • Antes de 2014: A empresa gerou vários conjuntos de cálculos sísmicos e selecionou aqueles que produziam ondas representativas menos extremas.
  • 2014 e 2015: A Chubu Electric apresentou pedidos de análise dos reatores 3 e 4 de Hamaoka, usando um movimento sísmico máximo de projeto de 1.200 gal.
  • A partir de 2018: Após pedidos para incluir falhas geológicas adicionais, foi adotada a escolha deliberada de ondas representativas.
  • 2019: A equipe de avaliação sísmica pediu a opinião da equipe de projeto sísmico e, em alguns casos, refez os cálculos após a identificação de problemas de resistência.
  • 2021: Foram criados dados adicionais em resposta a um relatório interno.
  • Fevereiro de 2025: Uma denúncia externa alertou a Autoridade de Regulação Nuclear.
  • A partir de maio de 2025: Segundo o comitê, a preparação imprópria de dados continuou depois do início da investigação regulatória.
  • Janeiro de 2026: A Chubu Electric divulgou publicamente a má conduta.
  • 1º de julho de 2026: O órgão regulador mencionou a continuidade da manipulação, e Yamanaka criticou publicamente a conduta.
  • 14 de setembro de 2026: O relatório da investigação externa foi divulgado, junto com planos de retirar os pedidos de análise dos reatores e anúncios de intenções de saída de integrantes da liderança.
  • 30 de setembro de 2026: Hayashi renunciou à presidência.

As referências a fevereiro e maio de 2025 descrevem etapas diferentes, não necessariamente datas conflitantes. Fevereiro marca o recebimento de um alerta externo pelo órgão regulador. A referência do relatório a condutas a partir de maio diz respeito ao período posterior ao início das atividades de investigação.

Por que o comitê também questionou a análise

Na seção final, o relatório foi além da má conduta corporativa e abordou as dificuldades de avaliar riscos sísmicos. O comitê reconheceu que o tema envolve grande incerteza e nem sempre tem uma única resposta inequívoca. Também observou que ainda havia ressentimento na Chubu Electric em relação a exigências de investigação que a empresa considerava irrealistas.

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Em observações apresentadas como impressões do comitê, o relatório afirmou que as exigências regulatórias podem se tornar excessivamente conservadoras. Reconheceu que a legislação exige rigor, mas sugeriu que outra perspectiva é possível: os órgãos reguladores não precisam exigir prova de risco zero e poderiam buscar um equilíbrio com as necessidades e a utilidade sociais.

Nessa discussão, a utilidade atribuída à energia nuclear diz respeito à segurança energética e à descarbonização. Essas observações foram reflexões de política pública do comitê de investigação. Não constituíram um novo padrão regulatório, uma decisão sobre a aceitabilidade das premissas sísmicas de Hamaoka nem uma autorização para substituir os cálculos preferidos pelo método descrito aos responsáveis pela análise.

Essa distinção importa porque o comitê criticou a conduta da concessionária e, ao mesmo tempo, reconheceu a complexidade do debate técnico. Não era necessário presumir que toda exigência regulatória fosse indiscutível para concluir que explicações enganosas e manipulação de dados eram inaceitáveis.

A discussão original situa essa tensão diante da descrição que o Japão faz de suas normas nucleares como algumas das mais rigorosas do mundo. Requisitos rigorosos, por si sós, não tornam uma análise confiável se as evidências apresentadas não forem dignas de confiança. Da mesma forma, a descoberta de evidências falsas não resolve, por si só, a questão de como cada premissa sísmica incerta deve ser avaliada.

O que está estabelecido e o que permanece sem resposta

A investigação estabelece um padrão relatado de cálculos seletivos, escolha deliberada de ondas e preparação posterior de dados de apoio. Também documenta falhas em interromper a conduta após um alerta interno e o início de uma investigação regulatória. A renúncia de Hayashi é uma consequência consumada para a liderança.

Outros pontos continuam sem resposta no histórico divulgado. A Chubu Electric anunciou a intenção de retirar os pedidos relativos aos reatores 3 e 4, mas esse anúncio não deve ser confundido com a confirmação de que a retirada foi concluída. Da mesma forma, a intenção de Katsuno de renunciar não estabelece a data de sua saída.

Não foram apresentados uma nova avaliação sísmica, um valor máximo revisado de vibração nem um novo cronograma de retomada das operações. Tampouco foi informada uma data para um novo pedido ou uma decisão regulatória final decorrente dessas conclusões. As informações não estabelecem o alcance total da responsabilidade individual nos níveis mais altos da administração.

Para Hamaoka, a questão imediata é a credibilidade do processo usado para embasar os pedidos de retomada. Qualquer avaliação posterior terá de lidar com a diferença entre uma onda produzida pelo método de seleção declarado e uma escolhida porque suas consequências de engenharia eram mais aceitáveis para a empresa. O debate do comitê sobre a proporcionalidade regulatória é distinto desse problema factual.

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Principais pontos

  • A Chubu Electric descreveu um método de seleção com 20 conjuntos de ondas sísmicas, mas os investigadores concluíram que ondas preferidas foram escolhidas e os dados de apoio organizados posteriormente.
  • Os pedidos de 2014 e 2015 usaram um movimento sísmico máximo de projeto de 1.200 gal. Nenhum valor máximo corrigido foi estabelecido neste caso.
  • O comitê identificou práticas cada vez mais impróprias desde antes de 2014 até o período posterior ao início da investigação regulatória, em 2025.
  • O órgão regulador recebeu uma denúncia externa em fevereiro de 2025. A Chubu Electric divulgou publicamente a má conduta em janeiro de 2026.
  • O relatório de 14 de setembro de 2026 foi divulgado junto com planos de retirar os pedidos de análise dos reatores 3 e 4.
  • O presidente Kingo Hayashi renunciou em 30 de setembro. O presidente do conselho, Satoru Katsuno, havia anunciado a intenção de renunciar.
  • O comitê questionou aspectos da análise conservadora de segurança, ao mesmo tempo que criticou duramente a manipulação de evidências pela empresa.
  • Uma avaliação sísmica revisada, um novo cronograma de retomada e o alcance total da responsabilidade da alta administração continuam sem resposta no histórico divulgado.
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