Sete rodadas formais deixam algumas questões técnicas pendentes
O Vietnã afirma que as negociações de um acordo comercial recíproco com os Estados Unidos estão quase concluídas, restando apenas algumas questões técnicas que ainda precisam ser discutidas. A atualização foi divulgada enquanto o Escritório Nacional de Estatísticas do Vietnã calcula que o superávit comercial do país com os Estados Unidos chegou a US$ 122,62 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 23,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Conteúdo
- Sete rodadas formais deixam algumas questões técnicas pendentes
- Um entendimento-quadro precedeu em quase um ano a nova etapa das negociações
- Como as negociações chegaram a esta etapa
- O que a tarifa de 20% significa para os exportadores
- O aumento do superávit eleva a importância do acordo
- O acesso ao mercado vai além das tarifas
- Decisões ministeriais orientaram o trabalho técnico
- Tecnologia e energia fazem parte do acordo mais amplo
- O que ainda precisa ser definido
- Principais pontos
Durante a coletiva de imprensa regular do terceiro trimestre do Ministério da Indústria e Comércio, em Hanói, em 7 de outubro, Ngo Chung Khanh, vice-diretor do Departamento de Desenvolvimento de Mercados Externos e Comércio Multilateral, afirmou que os países haviam realizado sete rodadas formais de negociação desde abril de 2025, além de numerosas reuniões ministeriais e técnicas.
Khanh descreveu o nível de acordo alcançado pelas equipes de negociação:
basicamente concluíram quase todo o conteúdo das negociações
O ministério está coordenando com agências americanas, em especial o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, para resolver as questões restantes e avançar rumo à assinatura e à implementação. Khanh descreveu os Estados Unidos como um importante parceiro comercial, de importância fundamental para as exportações vietnamitas.
O anúncio indica avanços substanciais, mas não confirma que um acordo final tenha sido assinado ou entrado em vigor. Nenhuma data específica para a assinatura foi anunciada, e as questões técnicas pendentes não foram identificadas. Essas distinções são importantes porque os países já haviam chegado a um entendimento-quadro em outubro de 2025, quando se esperava que o acordo detalhado fosse concluído antes do fim daquele ano.
Um entendimento-quadro precedeu em quase um ano a nova etapa das negociações
Os países concluíram o Entendimento-Quadro para um Acordo sobre Comércio Recíproco, Justo e Equilibrado em 26 de outubro de 2025. Esse documento estabeleceu a direção pretendida para o pacto, sem concluir todos os compromissos detalhados.
Uma análise jurídica publicada em novembro de 2025 pelo escritório Baker McKenzie afirmou que o Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã esperava que os países finalizassem os compromissos nas semanas seguintes, para assinatura e ratificação interna. A análise previa que o acordo final seria concluído até o fim de 2025.
O anúncio de outubro de 2026, portanto, descreve negociações que continuaram além do prazo previsto anteriormente. Ele não explica por que o cronograma se estendeu nem quais disposições exigiram trabalho adicional. A distinção entre um entendimento-quadro e um acordo concluído ajuda a explicar como as autoridades puderam anunciar um marco importante em 2025 e ainda continuar negociando em 2026.
Um entendimento-quadro registra o acordo geral que os governos pretendem buscar. Os compromissos detalhados determinam como esse acordo funcionará, incluindo os produtos abrangidos, as obrigações regulatórias e as medidas de implementação. A assinatura e a aprovação interna são etapas adicionais antes que o acordo possa entrar em vigor.
Como as negociações chegaram a esta etapa
As conversas começaram depois que Washington anunciou, em abril de 2025, uma tarifa recíproca de 46% sobre as importações vietnamitas. A medida foi posteriormente suspensa por 90 dias para permitir o diálogo. Uma ordem executiva dos Estados Unidos assinada em 1º de agosto de 2025 reduziu para 20% a alíquota anunciada para o Vietnã.
Os principais acontecimentos datados mostram que as negociações continuaram após a redução tarifária e o anúncio do entendimento-quadro:
- Fim de abril de 2025: Vietnã e Estados Unidos iniciaram negociações comerciais recíprocas.
- 1º de agosto de 2025: O presidente Donald Trump assinou uma ordem que reduziu de 46% para 20% a alíquota da tarifa recíproca aplicada ao Vietnã.
- 26 de outubro de 2025: Os países concluíram o entendimento-quadro para um comércio recíproco, justo e equilibrado.
- 10 de novembro de 2025: O ministro Nguyen Hong Dien e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, realizaram em Washington uma oitava rodada de negociações ministeriais.
- De 12 a 14 de novembro de 2025: Equipes técnicas realizaram reuniões após o encontro ministerial.
- Fim de setembro de 2026: O líder vietnamita To Lam e Greer discutiram os avanços durante uma reunião em Nova York.
- 7 de outubro de 2026: O Ministério do Comércio do Vietnã afirmou que quase todo o conteúdo das negociações havia sido concluído.
É preciso ter cuidado com a numeração. O anúncio mais recente contabiliza sete rodadas formais de negociação, enquanto relatos da reunião de novembro de 2025 a descrevem como uma oitava sessão ministerial. São descrições diferentes das atividades de negociação e não devem ser somadas em uma única contagem. As autoridades não explicaram como as duas sequências se relacionam.
O que a tarifa de 20% significa para os exportadores
O entendimento-quadro de 2025 manteve uma tarifa recíproca de 20% dos Estados Unidos sobre produtos originários do Vietnã. Em comparação com a alíquota inicial anunciada, de 46%, houve uma redução de 26 pontos percentuais. Ainda assim, trata-se de uma tarifa substancial, e não de acesso irrestrito ao mercado americano.
O entendimento-quadro também permitiu a possibilidade de tarifa recíproca zero para determinadas mercadorias previstas no Anexo III da Ordem Executiva 14346, de 5 de setembro de 2025, conforme a identificação dos dois países. A análise jurídica do Baker McKenzie alertou que as restrições à lista de mercadorias elegíveis poderiam excluir a maioria das principais exportações do Vietnã, limitando o benefício prático.
O anúncio mais recente não identifica os produtos selecionados para esse tratamento nem anuncia uma nova alíquota tarifária geral. Portanto, uma empresa não pode concluir, com base na proximidade da conclusão das negociações, que seus produtos terão direito à isenção. A cobertura de produtos continua sendo um detalhe central a ser definido nos termos finais.
Os compromissos descritos para os dois mercados também são diferentes. Pelo entendimento-quadro, o Vietnã concordou em conceder acesso preferencial ao mercado para praticamente todas as exportações industriais e agrícolas dos Estados Unidos, enquanto os produtos vietnamitas em geral estariam sujeitos à tarifa recíproca americana anunciada, com possíveis exceções. Descrever o pacto como equilibrado não significa que os dois países tenham prometido tratamento tarifário idêntico.
O aumento do superávit eleva a importância do acordo
O órgão de estatísticas do Vietnã informou que o comércio bilateral somou US$ 157,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2026. As exportações vietnamitas para os Estados Unidos foram de aproximadamente US$ 140 bilhões, alta de 24,2%, enquanto as importações americanas pelo Vietnã totalizaram US$ 17,3 bilhões.
Esses valores arredondados indicam que as exportações representaram cerca de 89% do comércio bilateral e tiveram valor aproximadamente oito vezes maior que o das importações. Subtrair o valor arredondado das importações do das exportações resulta em um superávit de cerca de US$ 122,7 bilhões, próximo ao valor mais preciso de US$ 122,62 bilhões informado pelo órgão. A pequena diferença é compatível com o uso de totais arredondados.
O superávit informado cresceu 23,8% em relação ao ano anterior. Aplicando essa taxa de crescimento, o superávit correspondente aos primeiros nove meses de 2025 foi de aproximadamente US$ 99 bilhões. O aumento foi, portanto, de cerca de US$ 23,6 bilhões, revelando a dimensão do desequilíbrio que as autoridades buscam enfrentar.
Esses são dados estatísticos vietnamitas. O anúncio não cita um conjunto de dados equivalente dos Estados Unidos, portanto os totais não devem ser apresentados como uma conciliação das contas comerciais dos dois governos. Ainda assim, eles mostram por que as negociações são importantes para o Vietnã: o mercado americano absorve um grande volume de exportações, enquanto as compras de produtos americanos continuam muito menores.
Durante a reunião realizada em Nova York no fim de setembro de 2026, o secretário-geral e presidente do Vietnã, To Lam, descreveu a cooperação econômica, comercial e de investimentos como um pilar fundamental das relações bilaterais. Ele afirmou que o Vietnã trabalhava para aumentar as compras de produtos americanos e promover um comércio mais equilibrado. Greer elogiou os esforços do Vietnã e disse que as equipes estavam perto de chegar a um resultado final.
O acesso ao mercado vai além das tarifas
O acordo proposto aborda barreiras regulatórias além das tarifas de importação. O entendimento-quadro identifica as normas americanas de segurança e emissões para veículos automotores, as licenças de importação de dispositivos médicos americanos, as aprovações de produtos farmacêuticos dos Estados Unidos, as obrigações previstas em tratados de propriedade intelectual e os procedimentos de avaliação da conformidade dos produtos.
Essas exigências podem determinar se um produto entra em um mercado, mesmo quando sua tarifa é baixa. Um dispositivo médico pode precisar de licença de importação, um medicamento pode exigir aprovação regulatória e um veículo pode ter de cumprir normas reconhecidas de segurança e emissões. A avaliação da conformidade é o processo usado para determinar se um produto atende às normas aplicáveis.
As mudanças pretendidas dizem respeito, portanto, às condições administrativas do comércio, e não apenas ao seu custo. A revisão vietnamita de licenças, autorizações de importação e controles de qualidade pode afetar o acesso de produtos agrícolas, farmacêuticos e veículos ao mercado. O anúncio não especifica a redação jurídica final, quais exigências serão alteradas nem quando novos procedimentos começariam a valer.
A agenda mais ampla de negociações inclui comércio digital, serviços e investimentos, propriedade intelectual, trabalho, meio ambiente, procedimentos aduaneiros e práticas regulatórias. O entendimento-quadro de 2025 também previa disposições sobre práticas de empresas estatais que distorcem o comércio.
Esses temas ampliam o alcance do pacto para além da circulação de bens físicos. O comércio digital abrange atividades comerciais realizadas por sistemas digitais, enquanto os compromissos em serviços e investimentos podem afetar a atuação das empresas além das fronteiras. A atualização mais recente não divulgou regras detalhadas sobre esses temas, portanto ainda não é possível avaliar seu alcance nem sua exigibilidade.
Decisões ministeriais orientaram o trabalho técnico
A reunião de 10 de novembro de 2025, em Washington, dá uma ideia de como os países trataram as disposições ainda pendentes. Nguyen Hong Dien, então identificado como ministro da Indústria e Comércio do Vietnã, e Greer discutiram caminhos para resolver as principais questões restantes após a adoção da declaração conjunta sobre o entendimento-quadro.
Dien propôs medidas para acelerar o processo e defendeu uma abordagem prática e flexível. Greer acolheu as propostas e pediu à equipe técnica americana que as analisasse para discussão posterior. A resposta indicou que as propostas continuariam em análise, e não que todas as sugestões vietnamitas haviam sido aceitas.
Em 12 de novembro, o vice-ministro Nguyen Sinh Nhat Tan se reuniu com Rick Switzer, vice-representante comercial dos Estados Unidos, para dar início às sessões técnicas. A conversa se concentrou na execução das decisões ministeriais e na definição de prioridades para as equipes de negociação. Em seguida, os grupos de trabalho iniciaram discussões detalhadas sobre os itens acordados.
Switzer elogiou os avanços do Vietnã na política comercial, nas reformas institucionais e no cumprimento dos compromissos de integração internacional. Os dois lados concordaram em manter a coordenação entre seus grupos técnicos. O anúncio de outubro de 2026 usa linguagem semelhante sobre a cooperação com agências americanas, embora não esclareça se as questões restantes são as mesmas discutidas em Washington em 2025.
Tecnologia e energia fazem parte do acordo mais amplo
O Vietnã combinou seu pedido por um acordo antecipado com propostas para comprar mais tecnologia americana e aprofundar a cooperação industrial. Durante uma reunião realizada paralelamente à sexta rodada de negociações, o ministro interino da Indústria e Comércio, Le Manh Hung, disse ao subsecretário de Estado americano para Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente, Jacob Helberg, que o Vietnã estava aberto às exportações dos Estados Unidos e queria importar mais produtos de tecnologia avançada.
Os setores discutidos incluíram inteligência artificial, tecnologia digital, manufatura, energia, aeroespacial e cadeias de suprimentos. Hung também manifestou apoio a propostas de investimentos americanos nos setores tecnológicos do Vietnã. Helberg indicou o interesse de Washington nesses setores e no apoio vietnamita a futuros projetos de investimento americanos.
As discussões sobre energia também acompanharam as negociações de novembro de 2025. Dien se reuniu com representantes da Gulf of America Energy Sourcing LLC, sediada na Louisiana, e incentivou a participação da empresa na infraestrutura de gás natural liquefeito e nos mercados de energia do Vietnã. As conversas trataram de possíveis formas de cooperação, não de um contrato de compra confirmado ou de um investimento concluído.
O contexto industrial dá relevância prática a essas propostas. A expansão das zonas industriais do Vietnã atraiu novos investimentos em manufatura, ao mesmo tempo que aumentou a pressão sobre a mão de obra e a infraestrutura. A meta de receita no Vietnã da Foxconn Industrial Internet, de US$ 20 bilhões em 2026, também ilustra a dimensão das ambições na produção de servidores de inteligência artificial. Esse valor era uma meta da empresa, não uma receita efetivamente registrada.
As regras comerciais, as compras de tecnologia e os investimentos podem contribuir para os mesmos objetivos industriais, mas não são equivalentes. Um acordo pode estabelecer as condições para o comércio, mas, por si só, não garante que as compras propostas ou os investimentos em fábricas serão realizados.
O que ainda precisa ser definido
A tarefa imediata é resolver as questões técnicas restantes, concluir o acordo e estabelecer as etapas para a assinatura e a entrada em vigor. O Ministério do Vietnã afirma que deseja concluir o processo o mais rápido possível, mas não anunciou um novo prazo nem uma cerimônia de assinatura marcada.
Vários detalhes importantes ainda não foram divulgados: as disposições específicas que seguem pendentes, os produtos elegíveis à tarifa recíproca zero, os compromissos regulatórios finais e o cronograma de implementação. A expectativa anterior de conclusão até o fim de 2025 não era uma data de assinatura confirmada e não deve ser tratada como o cronograma da etapa atual.
A conclusão mais sólida a partir do anúncio recente é que o Vietnã considera as negociações substantivas praticamente concluídas. O documento final determinará se esses avanços resultarão em tratamento tarifário previsível e regras de acesso ao mercado viáveis para empresas dos dois países.
Principais pontos
- O Vietnã afirma que quase todo o conteúdo das negociações foi concluído após sete rodadas formais, mas algumas questões técnicas continuam pendentes.
- Os países chegaram a um entendimento-quadro comercial em 26 de outubro de 2025, mas a atualização mais recente não anunciou uma data para a assinatura do acordo final.
- O entendimento-quadro manteve uma tarifa recíproca de 20% dos Estados Unidos sobre produtos vietnamitas, com a possibilidade de tarifa zero para determinadas mercadorias.
- O Vietnã informou que o comércio bilateral somou US$ 157,3 bilhões e o superávit chegou a US$ 122,62 bilhões nos primeiros nove meses de 2026.
- O pacto proposto abrange barreiras regulatórias, comércio digital, serviços, investimentos, propriedade intelectual, trabalho e compromissos ambientais.
- Compras de tecnologia, cooperação energética e investimentos industriais fazem parte das discussões econômicas mais amplas.






