Penalidades financeiras mais severas e escrutínio público mais restrito
O Parlamento do Sri Lanka aprovou o Projeto de Emenda à Lei Anticorrupção em 8 de outubro de 2026, com alterações e sem votação, reunindo dois objetivos contestados: aumentar as penalidades financeiras por corrupção e mudar quem deve declarar seus bens e como o público pode usar essas declarações.
Conteúdo
- Penalidades financeiras mais severas e escrutínio público mais restrito
- Do projeto de agosto à aprovação em outubro
- O que muda para quem consulta declarações de bens?
- Privacidade e bens do domicílio tiveram avaliações distintas
- Limite de participação estatal dobra
- Por que a disposição sobre fiança exigia um referendo
- Discricionariedade nas acusações e declarações da imprensa
- O que o governo afirma que a recuperação de valores permitirá
- Preocupações do FMI e detalhes que ainda precisam ser esclarecidos
- Pontos principais
As disposições financeiras propostas exigem uma penalidade adicional de pelo menos três vezes o valor dos bens adquiridos ou convertidos por meio de corrupção, além de uma penalidade equivalente a qualquer prejuízo financeiro causado ao governo. Outras disposições foram alvo de objeções por restringirem o uso das declarações de bens publicadas, elevarem o limite de participação estatal em empresas sujeitas a determinadas obrigações e proporem a remoção das exigências de declaração relativas a parceiros de coabitação que atendam aos critérios.
A primeira-ministra Harini Amarasuriya defendeu as mudanças como ajustes práticos à Lei Anticorrupção nº 9 de 2023. Parlamentares da oposição argumentaram que penalidades mais severas não compensariam a redução das oportunidades de identificar riqueza sem origem explicada. O Fundo Monetário Internacional também alertou para riscos às salvaguardas de transparência vinculadas ao programa de reformas econômicas do Sri Lanka.
A Suprema Corte já havia identificado problemas constitucionais em várias cláusulas, incluindo restrições à concessão de fiança. Sua decisão distinguiu entre disposições que poderiam ser aprovadas por maioria simples, aquelas que exigiriam alterações ou maioria especial e uma disposição sobre fiança que, se mantida sem alterações, exigiria tanto maioria de dois terços quanto um referendo.
A principal incerteza é o efeito exato das alterações feitas antes da aprovação. A aprovação parlamentar foi noticiada, mas o texto final consolidado não está estabelecido aqui. Essa distinção importa porque as objeções ao projeto original não necessariamente descrevem todas as disposições que o Parlamento acabou aprovando.
Do projeto de agosto à aprovação em outubro
A legislação altera uma lei de 2023, adotada para alinhar a legislação nacional aos padrões internacionais, em particular à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. A tramitação no Parlamento incluiu uma contestação constitucional e uma decisão da Suprema Corte antes do debate de outubro.
- 19 de agosto de 2026: O projeto de emenda foi incluído na pauta do Parlamento.
- 31 de agosto de 2026: A Transparência Internacional Sri Lanka apresentou a petição de interesse público SC/SD 90/26, contestando várias cláusulas.
- Setembro de 2026: A decisão da Suprema Corte identificou disposições que exigiam alterações ou aprovação constitucional por maioria qualificada. Um relato de 23 de setembro detalhou suas conclusões.
- 8 de outubro de 2026: O Parlamento aprovou o projeto com alterações e sem votação.
O anúncio da contestação pela Transparência Internacional Sri Lanka apresenta objeções relativas a decisões de acusação, declaração de bens, acesso público à informação e detenção. O presidente do Parlamento, Jagath Wickramaratne, comunicou ao Parlamento a decisão da Corte.
O que muda para quem consulta declarações de bens?
A lei de 2023 previa a publicação, no site da Comissão para Investigar Denúncias de Suborno ou Corrupção, conhecida como CIABOC, de versões com dados ocultados das declarações de bens, até um mês após sua apresentação. A ocultação remove informações sensíveis da versão pública, como números de contas bancárias, números de identificação pessoal e endereços exatos.
A emenda proposta restringe o uso dessas versões públicas a apresentações formais a autoridades ou instituições autorizadas. Outros usos podem resultar em multa de até 100 mil rúpias, prisão por até um ano ou ambas as penas. A oposição afirma que isso ameaça o jornalismo investigativo e a pesquisa, mesmo quando as informações já foram publicadas.
O parlamentar Mujibur Rahman, da Samagi Jana Balawegaya, alertou que a penalidade desestimularia o escrutínio da riqueza de autoridades.
"Por causa dessa penalidade severa, ninguém se apresentará para investigar essas questões. Sabendo que essa emenda pode sujeitá-los a uma multa de 100 mil rúpias e à prisão, todos serão desencorajados a investigar mais a fundo", disse Rahman.
A Corte analisou uma emenda apresentada na fase de comissão que isentaria das restrições as declarações do presidente, do primeiro-ministro, de parlamentares, conselheiros provinciais, representantes locais eleitos, dirigentes especificados de partidos políticos e candidatos eleitorais. Com essa emenda, considerou a Cláusula 11(2) constitucionalmente admissível. Rahman afirmou que ministros e parlamentares foram retirados da proteção proposta após a oposição pública. Isso torna a distinção entre figuras eleitas e outras autoridades central para entender o alcance da restrição.
Privacidade e bens do domicílio tiveram avaliações distintas
A Transparência Internacional Sri Lanka contestou os poderes para ocultar quaisquer outras informações consideradas uma violação da privacidade, argumentando que uma discricionariedade sem definição poderia esconder dados financeiros necessários para identificar conflitos de interesse ou riqueza sem origem explicada. A proposta também amplia a categoria de identificação para incluir outros números reconhecidos pelas autoridades competentes.
A Suprema Corte adotou uma posição diferente sobre a Cláusula 11(1). Considerou a disposição sobre ocultação constitucionalmente aceitável quando interpretada em conjunto com o procedimento de regulamentação previsto na Seção 156. Ainda assim, seu raciocínio exigia que a privacidade fosse ponderada diante do interesse público na transparência e na prevenção da corrupção. Portanto, a aceitação constitucional não resolveu a disputa política mais ampla sobre quanto informação deveria continuar visível.
A Corte rejeitou a proposta de excluir das declarações de bens os parceiros de coabitação que atendam aos critérios. A exigência vigente abrange alguém que compartilhe o domicílio com o declarante por pelo menos seis meses e com quem haja direitos e obrigações mútuos. Não inclui inquilinos, pensionistas, empregados ou hóspedes temporários simplesmente por viverem no mesmo endereço.
A justificativa do governo, baseada na privacidade, tratou essas pessoas como desconhecidas. A Corte rejeitou essa caracterização e considerou a revogação proposta incompatível com o Artigo 12(1), que garante a igualdade. Afirmou que a revogação deveria ser retirada ou aprovada por maioria especial. A disposição é identificada como Seção 81(e) na petição e no relato detalhado da decisão, embora o relato da aprovação se refira à Seção 80(1)(e).
Limite de participação estatal dobra
O projeto eleva de 25% para 50% o limite de participação estatal relevante para determinar quais empresas estão abrangidas e sujeitas às obrigações de declaração de bens. A Transparência Internacional Sri Lanka argumenta que isso retiraria do regime de declaração os altos funcionários de empresas com participação estatal minoritária substancial, mesmo quando essas empresas administram bens ou contratos públicos.
A mudança numérica é substancial: o limite de participação exigido dobra. Pela redação que exige participação de pelo menos 50%, empresas com participação estatal de 25% a menos de 50% deixariam de atender a esse critério específico. A proposta publicada no diário oficial e partes do relato da aprovação descrevem o novo limite como incluindo exatamente 50%, enquanto a crítica de Rahman o descreve como superior a 50%. O texto final é necessário para esclarecer esse limite.
A petição também aponta uma divergência em relação à Lei do Direito à Informação, que usa um limite de participação de 25%. Assim, uma empresa poderia continuar sujeita às obrigações de acesso à informação, enquanto seus dirigentes deixariam de se qualificar para a declaração de bens segundo o critério de participação revisado.
A Transparência Internacional Sri Lanka argumenta que a participação acionária, por si só, pode não captar o controle efetivo do Estado por meio da indicação de membros para conselhos ou de direitos de voto. Rahman também se opôs à exclusão de entidades como o Comitê Olímpico Nacional. Essas objeções dizem respeito ao alcance da lei, e não à severidade das penalidades depois que uma infração abrangida é comprovada.
Por que a disposição sobre fiança exigia um referendo
A Cláusula 17 propunha um regime especial de fiança para casos envolvendo suborno de pelo menos 100 mil rúpias, ou prejuízo ou benefício ao governo de pelo menos 500 mil rúpias, certificado pelo diretor-geral da CIABOC. Pela proposta, somente a Alta Corte poderia conceder fiança, e apenas em circunstâncias excepcionais.
A Suprema Corte considerou que a disposição impediria o magistrado que primeiro recebe uma pessoa detida de tomar uma decisão efetiva sobre sua liberdade. A detenção prolongada decorreria da lei, e não de uma avaliação judicial individual, obrigando o suspeito a apresentar um pedido separado à Alta Corte.
A objeção da Corte não era simplesmente que o Parlamento havia atribuído as decisões sobre fiança a uma determinada instância. A questão era se o controle judicial sobre a liberdade de uma pessoa continuaria efetivo quando ela comparecesse pela primeira vez perante um magistrado. O Artigo 13(2) protege contra a detenção sem esse controle, enquanto o Artigo 13(5) preserva a presunção de inocência até que a culpa seja estabelecida.
A decisão considerou a Cláusula 17 incompatível com o Artigo 4(c), lido em conjunto com o Artigo 3, sobre o poder judicial do povo. Para mantê-la sem alterações, seriam necessários uma maioria parlamentar de dois terços e a aprovação em referendo nacional. Como o projeto foi aprovado com alterações, a restrição original não deve ser tratada como regra final sem que se confira o texto promulgado. Não há data de referendo indicada.
Discricionariedade nas acusações e declarações da imprensa
A Cláusula 4 permitiria que a CIABOC autorizasse seu diretor-geral a não processar cúmplices em troca de uma revelação completa dos fatos, sem obter autorização de um magistrado. Esse tipo de acordo pode obter informações de alguém envolvido em uma infração, mas a petição argumenta que a retirada da supervisão judicial concentra a discricionariedade em um único cargo e o expõe a pressões.
A Suprema Corte, ainda assim, considerou que a Cláusula 4 poderia ser aprovada por maioria simples, assim como as Cláusulas 3, 6(4), 6(5) e 11(1). O resultado ilustra uma distinção importante: uma disposição pode atender aos requisitos constitucionais e, ainda assim, continuar sendo contestada como escolha política.
A Corte chegou a uma conclusão diferente sobre a Cláusula 6(7), que substituiria as referências a proprietários, editores e profissionais de redação da imprensa por proprietários, presidentes e diretores de determinadas empresas de mídia. Considerou a distinção incompatível com a igualdade e a liberdade de expressão, exigindo maioria especial caso fosse mantida sem alterações.
A Corte não considerou que exigir que jornalistas ou profissionais de mídia declarassem seus bens fosse, por si só, uma interferência na liberdade de expressão. Em vez disso, rejeitou a distinção proposta entre pessoas responsáveis pelo conteúdo editorial e aquelas responsáveis por decisões financeiras ou administrativas.
O que o governo afirma que a recuperação de valores permitirá
As disposições financeiras dão substância ao argumento do governo de que a emenda reforça a aplicação da lei. Pela lei principal, a corrupção poderia resultar em prisão rigorosa de até dez anos, multa de até um milhão de rúpias ou ambas as penas. A recuperação dos prejuízos do governo ficava a critério geral da Corte.
A proposta de emenda exige uma penalidade adicional de pelo menos três vezes o valor dos bens adquiridos ou convertidos por meio de corrupção. Também exige uma penalidade adicional equivalente ao prejuízo financeiro que se determine ter sido causado ao governo. Essas medidas vinculam as consequências financeiras ao valor da irregularidade, em vez de depender apenas de uma multa máxima fixa.
A primeira-ministra Harini Amarasuriya disse ao Parlamento que as mudanças tratavam de problemas de implementação, e não enfraqueciam a estrutura legal.
"Na verdade, esta é uma tentativa de resolver os desafios práticos, os desafios institucionais e os problemas de recursos humanos encontrados na implementação, pela primeira vez na história do Sri Lanka, do processo anticorrupção, e não de enfraquecê-lo", disse Amarasuriya.
A defesa dela e as objeções da oposição dizem respeito a etapas diferentes da aplicação da lei. As penalidades financeiras obrigatórias são aplicadas depois que a irregularidade é comprovada. As declarações de bens e o escrutínio público ajudam a identificar riqueza suspeita antes de um caso chegar a essa etapa. Reforçar uma coisa não resolve, por si só, as preocupações com a restrição da outra.
Preocupações do FMI e detalhes que ainda precisam ser esclarecidos
O chefe da missão do FMI, Evan Papageorgiou, havia alertado que as mudanças propostas poderiam enfraquecer as salvaguardas relativas às declarações de bens e aos registros de propriedade pública. Esses elementos fazem parte dos parâmetros de governança do programa de reformas econômicas do Sri Lanka. O alerta levou o debate para além da política partidária nacional, vinculando a legislação aos compromissos assumidos no âmbito do programa.
Nenhuma suspensão específica de financiamento, decisão de revisão ou penalidade financeira é mencionada em relação à emenda. Portanto, o alerta deve ser entendido como uma preocupação com os padrões de governança, e não como prova de que um desembolso do FMI tenha sido bloqueado.
Rahman também alegou que as mudanças poderiam proteger autoridades ou ser usadas contra líderes políticos da oposição. Essas são alegações políticas, não conclusões da Suprema Corte. As conclusões da Corte dizem respeito a disposições constitucionais específicas e não endossaram todas as objeções apresentadas pela oposição ou pela Transparência Internacional Sri Lanka.
Os próximos fatos jurídicos a esclarecer são o texto certificado e as regras para sua entrada em vigor. Eles indicariam como o Parlamento tratou a cláusula sobre fiança, a declaração de bens de pessoas do mesmo domicílio, as obrigações da imprensa e as restrições ao uso das declarações. A aprovação sem votação não demonstra que os críticos apoiaram o projeto, nem estabelece que todas as disposições criticadas antes da aprovação tenham permanecido inalteradas.
Pontos principais
- O Parlamento aprovou o projeto de emenda em 8 de outubro de 2026, com alterações e sem votação.
- A proposta acrescenta penalidades financeiras vinculadas a bens adquiridos por corrupção e a prejuízos causados ao governo.
- Restrições ao uso de declarações públicas de bens podem resultar em multa de 100 mil rúpias, até um ano de prisão ou ambas as penas.
- A Suprema Corte aceitou uma exceção proposta para declarações de líderes eleitos e outras figuras políticas especificadas.
- A Corte identificou problemas constitucionais na restrição original à fiança, na remoção de parceiros de coabitação que atendem aos critérios e nas mudanças às obrigações de declaração da imprensa.
- O limite de participação estatal sobe de 25% para 50%, reduzindo a abrangência sobre empresas com participação estatal minoritária.
- É necessário consultar o texto final consolidado para determinar quais disposições contestadas permaneceram após as alterações parlamentares.






