Incêndio começa em movimentada rota entre ilhas
Uma balsa de passageiros que viajava de Surabaya, em Java Oriental, para Makassar, em Sulawesi do Sul, pegou fogo na manhã de domingo, deixando cinco mortos e dezenas de desaparecidos enquanto equipes de resgate trabalhavam em meio ao mar agitado. A embarcação, identificada como Mutiara Sentosa 2, transportava pelo menos 271 pessoas, segundo o manifesto, embora autoridades tenham observado mais tarde que o número real poderia ser maior, devido a discrepâncias comuns na Indonésia.
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O incêndio começou entre 6h e 7h, no horário local, quando o navio estava ao norte da ilha de Madura, a cerca de 35 quilômetros da ilha de Sapudi. O capitão avisou a operadora cerca de uma hora depois, mas o contato foi perdido pouco depois, à medida que as chamas se espalharam rapidamente pelos conveses.
Passageiros pulam no mar para escapar das chamas
Sobreviventes contaram que o fogo começou no convés de veículos, entre caminhões. Ahmad Abdul Karim, um passageiro que conseguiu escapar, disse que alguém relatou a presença de fumaça vinda de baixo. Quando foi verificar, dois veículos já estavam em chamas. Ventos fortes aceleraram a propagação do fogo, obrigando todos a se dirigir à proa em meia hora.
Azhari, outro passageiro que usa apenas um nome, contou a entrevistadores de televisão que muitos tinham acabado de acordar quando o fogo chegou ao meio do navio. Sem outra opção, as pessoas pularam no mar usando coletes salva-vidas. Algumas ficaram na água por quase quatro horas, até serem resgatadas por embarcações que passavam pelo local.
Equipes de resgate enfrentam condições difíceis
A Agência Nacional de Busca e Salvamento da Indonésia (Basarnas) enviou embarcações de Surabaya, mas a viagem levou cerca de seis horas. Um barco menor, de um posto próximo, retornou devido às ondas altas. A Marinha enviou um navio de guerra, e vários cargueiros na região prestaram ajuda, apesar de transportarem cargas inflamáveis que impediram uma aproximação maior.
Até a noite de domingo, as equipes haviam retirado da água entre 225 e 231 pessoas e recuperado cinco corpos. As estimativas iniciais de desaparecidos variaram de 41 a 28, à medida que familiares informavam nomes e as autoridades conferiam os manifestos. A área de busca se estendia por dez milhas a leste e a oeste do local do incidente, e as operações deveriam continuar por pelo menos sete dias.
Discrepâncias nos manifestos dificultam os trabalhos
Nanang Sigit, chefe do Escritório de Busca e Salvamento de Surabaya, explicou que o número de passageiros nas balsas costuma divergir das listas oficiais na Indonésia. Essa prática dificulta a identificação das vítimas durante emergências. As autoridades abriram uma linha telefônica para que familiares informassem sobre passageiros que não constavam nas listas.
Construída no Japão em 1992 e vendida à Indonésia em 2015, a balsa tem 160 metros de comprimento e capacidade para até 689 passageiros e 181 veículos. Ela opera a rota de 40 horas entre Surabaya e Makassar, uma ligação frequente entre Java e Sulawesi para passageiros e cargas.
Governo avaliará atuação da operadora
O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, afirmou que as autoridades vão avaliar a operadora da balsa, PT Atosim Lampung Pelayaran, assim que o Comitê Nacional de Segurança nos Transportes concluir sua investigação. Determinar a causa exata é o primeiro passo antes de qualquer mudança regulatória.
Muhammad Masyhud, do Ministério dos Transportes, ressaltou que a segurança dos passageiros é a prioridade imediata e que a coordenação com todos os órgãos continua para acelerar as evacuações.
Acidentes marítimos continuam frequentes
A Indonésia é formada por mais de 17 mil ilhas, onde as balsas são uma opção de transporte essencial e acessível. A fiscalização insuficiente das normas de segurança e as condições climáticas variáveis contribuem para a frequência de acidentes. No mês passado, outra balsa afundou perto da ilha de Selayar, deixando quatro mortos confirmados e 14 pessoas ainda desaparecidas quando as operações foram encerradas.
A Mutiara Sentosa 2 transportava 180 veículos, em sua maioria caminhões, o que aumentou o risco de incêndio quando as chamas chegaram ao convés inferior. A causa segue sob investigação, e ainda não foi divulgada uma conclusão oficial.
Principais pontos
- Cinco mortos confirmados e entre 28 e 41 desaparecidos nas estimativas iniciais após o incêndio de domingo na Mutiara Sentosa 2.
- Entre 231 e 238 pessoas resgatadas por embarcações próximas e equipes oficiais.
- O fogo começou no convés de veículos e se espalhou rapidamente por causa do vento.
- As buscas continuam com barcos da Marinha e da polícia, além do apoio de helicópteros.
- O número de passageiros nos manifestos costuma ser inferior ao número real nas balsas indonésias.
- A atuação da operadora será avaliada após a divulgação do relatório do comitê de segurança.






