Tribunal do Paquistão devolve menina de 13 anos a suposto sequestrador e provoca protestos de defensores dos direitos humanos

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Tribunal do Paquistão devolve menina de 13 anos a suposto sequestrador e provoca protestos de defensores dos direitos humanos

Decisão sobre guarda provoca alarme em Faisalabad

Um tribunal paquistanês devolveu a guarda de uma menina de 13 anos ao homem acusado de sequestrá-la, apesar de registros de idade conflitantes, de alegações de que ela foi pressionada a afirmar que era maior de idade e de dúvidas sobre a validade de seus documentos de conversão religiosa e casamento.

Conteúdo
  1. Decisão sobre guarda provoca alarme em Faisalabad
  2. Documentos conflitantes se tornaram centrais no caso
  3. Por que a conversão pode complicar a proteção
  4. Lei de Punjab estabelece um padrão mais rigoroso
  5. Outro caso aumenta a pressão internacional
  6. Famílias enfrentam uma batalha difícil para obter proteção
  7. O que o caso pode definir
  8. Principais pontos

A decisão, proferida por um tribunal de sessões em Faisalabad em 25 de julho de 2026, provocou condenação de defensores dos direitos humanos e grupos de defesa dos cristãos. A menina, cujo nome não foi divulgado no caso de Faisalabad, também teria sido devolvida ao acusado como sua suposta esposa. O homem obteve liberdade sob fiança.

Defensores dos direitos humanos alertam que a decisão pode expor a criança novamente à violência, à intimidação e ao abuso sexual. Eles pedem que as autoridades de Punjab intervenham, protejam a menina e garantam que os registros oficiais de nascimento e outras provas sejam devidamente analisados antes de qualquer decisão final sobre a guarda.

O caso também reacendeu preocupações mais amplas com o sequestro, a conversão forçada e o casamento de meninas de comunidades de minorias religiosas no Paquistão. Ativistas afirmam que supostos autores desses crimes frequentemente recorrem a certificados de conversão, documentos de casamento e declarações registradas em tribunal para apresentar um sequestro como um casamento voluntário.

O caso de Faisalabad começou em 12 de junho, quando Mohsin Liaquat teria sequestrado a menina. A família denunciou o ocorrido à delegacia de Raza Abad, e a polícia registrou um Primeiro Relatório de Informação com base na Seção 365 B do Código Penal do Paquistão. Essa disposição trata do sequestro ou rapto de uma mulher para casamento ou exploração sexual.

A polícia prendeu o acusado cerca de duas semanas depois e resgatou a menina de sua custódia. Ela ficou sob a proteção da Unidade de Violência de Gênero da Polícia de Faisalabad antes de ser transferida para Dar ul Aman, um abrigo governamental para mulheres e meninas em situação de risco.

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Documentos conflitantes se tornaram centrais no caso

Segundo o relato apresentado por defensores dos direitos humanos, a menina disse ao tribunal em 27 de junho que a família do acusado a havia instruído e pressionado a dizer que era adulta. A alegada pressão é central na disputa porque uma declaração feita por uma criança sob a custódia ou influência de um suposto sequestrador não pode ser tratada como prova de consentimento livre sem garantias rigorosas.

O lado do acusado teria apresentado um certificado de conversão religiosa e uma certidão de casamento indicando que a menina nasceu em junho de 2008. A família contesta essa data. Afirma que ela não condiz com os registros familiares, inclusive com o fato de os pais terem se casado em 2012.

Diante dos documentos conflitantes, o tribunal determinou um exame médico para avaliar a idade da menina e ordenou que ela permanecesse em Dar ul Aman enquanto o processo prosseguia. Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que essa decisão era condizente com a necessidade de proteger uma criança enquanto as provas eram examinadas.

Por isso, ficaram chocados quando o tribunal de sessões posteriormente concedeu a guarda ao acusado e aceitou a alegação dele de que era marido da menina. Ativistas afirmam que o tribunal não deu peso suficiente aos registros oficiais de nascimento e a outras provas documentais, ao mesmo tempo que atribuiu peso excessivo a documentos que, segundo alegam, foram falsificados.

Ashiknaz Khokhar, ativista de direitos humanos, afirmou que os tribunais devem verificar cuidadosamente as provas documentais em casos envolvendo vítimas menores de idade. Khokhar argumentou que a declaração de uma menor ou seu suposto consentimento não podem, por si sós, determinar a guarda quando a criança pode ter sido submetida a ameaças, coerção ou controle.

Joseph Janssen, presidente da Voice for Justice, afirmou que advogados ameaçaram a menina no tribunal com punição por apostasia caso rejeitasse o Islã. Janssen classificou a conduta alegada como um grave abuso da autoridade jurídica e religiosa. Ele pediu à ministra-chefe de Punjab, Maryam Nawaz Sharif, que agisse diante do que descreveu como uma injustiça, estupro de vulnerável e afastamento de uma criança dos pais.

Por que a conversão pode complicar a proteção

O sistema jurídico do Paquistão prevê proteções para crianças, mulheres e minorias religiosas. Na prática, ativistas afirmam que pode ser difícil fazer valer essas proteções quando uma menina sequestrada é apresentada como convertida ao islamismo e mulher casada.

A conversão religiosa pode desviar o foco de uma audiência das alegações originais de sequestro, confinamento e abuso. A menina pode então ser questionada se deseja permanecer com o homem que a levou, embora possa ser criança e ter enfrentado ameaças dele ou de seus parentes.

Advogados de direitos humanos afirmam que, em primeiro lugar, deve-se apurar se a menina foi sequestrada, se tinha idade legal para se casar, se sua conversão foi livre de coerção e se ela pode falar com segurança e de forma independente. Eles defendem que a suposta vítima seja entrevistada longe do acusado e de seus apoiadores, com acesso a um advogado independente, a um responsável legal e a atendimento psicológico.

O Paquistão é signatário de acordos internacionais que exigem a proteção de crianças contra sequestro, casamento forçado e exploração. A Convenção sobre os Direitos da Criança reconhece a liberdade de pensamento, consciência e religião da criança e também determina que o melhor interesse dela oriente decisões que a afetem. O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos protege a liberdade religiosa e proíbe a coerção em questões de crença.

Defensores afirmam que essas garantias não permitem que um adulto acusado de sequestrar uma menina obtenha sua guarda simplesmente apresentando um certificado de conversão ou recorrendo à declaração de uma criança vulnerável. Eles também rejeitam a ideia de que a puberdade física estabeleça a maturidade mental necessária para um casamento válido.

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Lei de Punjab estabelece um padrão mais rigoroso

A decisão ocorre pouco depois de Punjab aprovar a Lei de Restrição ao Casamento Infantil de 2026. A legislação estabelece a idade mínima para o casamento em 18 anos e torna o casamento envolvendo uma criança um crime sem direito a fiança. Também determina que os tribunais coloquem o melhor interesse das crianças no centro dos processos relacionados a casamento.

O ativista de direitos humanos Lala Robin Daniel afirmou que investigações frágeis e decisões judiciais inconsistentes estão comprometendo o propósito das novas leis de proteção à infância. Ele argumentou que o casamento infantil e as relações sexuais decorrentes de tal união devem ser tratados como crimes, em vez de protegidos por alegações de vínculo matrimonial.

A disputa jurídica reflete uma distinção que causou confusão em casos anteriores. Uma lei pode impor sanções penais a quem se casa com uma criança sem declarar automaticamente o casamento inválido. Críticos afirmam que essa lacuna pode permitir que um homem acusado reivindique direitos conjugais ou a guarda, mesmo enquanto enfrenta acusações de ter sequestrado a menina e forçado o casamento.

Advogados e representantes de minorias religiosas pedem uma legislação que criminalize expressamente a conversão religiosa forçada e deixe claro que uma criança não pode consentir validamente com uma conversão ou casamento sob ameaças, confinamento ou manipulação. Eles também querem procedimentos mais rigorosos para verificar registros de nascimento, históricos escolares, registros de identidade nacional e documentos familiares.

Essas garantias são especialmente importantes em comunidades onde o registro de nascimento pode ser tardio ou incompleto. A falta de uma certidão não deve dar a um adulto licença para afirmar que uma criança é mais velha, dizem os ativistas. Ao mesmo tempo, documentos contestados precisam ser examinados por meio de um processo transparente, em vez de aceitos por favorecerem a alegação do adulto.

Outro caso aumenta a pressão internacional

A decisão de Faisalabad veio à tona em meio à crescente preocupação internacional com outro caso, envolvendo Maria Shahbaz, uma menina cristã de Lahore. Shahbaz tinha, segundo relatos, 13 anos quando foi sequestrada em julho de 2025, convertida ao islamismo e casada com um homem muçulmano muito mais velho, identificado em relatórios de defesa jurídica como Shehryar Ahmad, de 30 anos.

Esse caso seguiu um cronograma judicial diferente do processo de Faisalabad. O Tribunal Constitucional Federal do Paquistão decidiu anteriormente que Shahbaz poderia permanecer com o homem, enquanto a família argumentava que registros oficiais comprovavam que ela era menor de idade e que a certidão de casamento era falsa. Uma petição de revisão foi marcada para audiência em 24 de julho, e a família pediu um novo exame das provas e a manutenção da menina sob sua guarda.

O advogado Muhammad Saqib Jillani argumentou que a questão principal não é se uma mulher cristã pode se casar com um homem muçulmano. Segundo ele, as perguntas centrais são se uma criança abaixo da idade legal para o casamento pode contrair uma união válida e se uma declaração registrada nos termos da Seção 164 do Código de Processo Penal pode comprovar consentimento voluntário em circunstâncias que envolvem suposto sequestro e coerção.

A resolução do Parlamento Europeu de 9 de julho citou o caso de Shahbaz e pediu ao Paquistão que investigasse denúncias envolvendo meninas de minorias sequestradas e convertidas à força. O texto instou as autoridades a oferecer às vítimas representação jurídica independente, apoio psicológico e acesso às famílias. Também pediu a criação de um mecanismo nacional para receber denúncias de famílias cujas filhas desaparecem ou supostamente são convertidas contra a vontade.

A Voice for Justice relatou 210 casos envolvendo meninas cristãs menores de idade que teriam sido sequestradas, convertidas à força, casadas e abusadas sexualmente entre 2019 e 2025. Segundo o relatório, 89% dos casos registrados ocorreram em Punjab. Grupos de defesa estimaram separadamente que mais de mil meninas menores de idade são forçadas à conversão e ao casamento no Paquistão a cada ano, embora seja difícil estabelecer números precisos porque muitas famílias enfrentam ameaças, pressão social ou inação policial.

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Famílias enfrentam uma batalha difícil para obter proteção

Relatos de outros casos mostram por que uma ordem judicial que devolve uma menina a um suposto sequestrador pode ter consequências duradouras. Em algumas situações, a polícia se recusou a intervir depois que uma menina escapou porque o acusado continuava afirmando que ela era sua esposa. Outras famílias relataram ameaças depois de apresentar denúncias ou contestar registros de casamento falsificados.

Líderes cristãos e grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que famílias de minorias frequentemente não dispõem de recursos financeiros nem de apoio jurídico para recorrer em diferentes instâncias judiciais. A menina também pode ficar isolada dos parentes durante o processo, o que dificulta que fale livremente ou receba aconselhamento.

O padre Lazar Aslam, diretor da Comissão Capuchinha para Justiça, Paz e Ecologia, descreveu esse padrão como uma fonte de medo para as minorias religiosas. Ele e outros representantes comunitários pediram ao governo que garanta o retorno seguro das meninas sequestradas e processe aqueles que usam a conversão como pretexto para o sequestro.

Os grupos que pedem medidas afirmam que a proteção deve continuar após o resgate de uma menina. Moradia segura, tratamento médico, atendimento psicológico, educação e proteção contra retaliações são necessários para que a vítima possa reconstruir sua vida. Devolver uma criança a um adulto acusado de sequestrá-la, alertam, anula o propósito do resgate.

No caso de Faisalabad, ativistas pedem ao governo provincial, à polícia e aos tribunais superiores que revejam a ordem de guarda, verifiquem a idade da menina com base em todos os registros disponíveis, investiguem os documentos supostamente falsificados e apurem as alegações de ameaças no tribunal. Janssen afirmou que levará o caso a organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas e o Parlamento Europeu, a menos que a menina seja devolvida à família.

O que o caso pode definir

A disputa agora vai além de uma única ordem de guarda. Ela põe à prova se as regras de Punjab, recentemente reforçadas, contra o casamento infantil serão aplicadas quando a conversão religiosa e um suposto casamento forem usados para contestar o pedido de proteção de uma família.

Uma revisão confiável precisaria separar a questão da crença religiosa das alegações de sequestro e abuso. Também precisaria estabelecer a idade da menina com base em registros confiáveis, avaliar se suas declarações foram feitas livremente e garantir que qualquer entrevista ocorra sem pressão do acusado ou de sua família.

Defensores dos direitos humanos afirmam que o governo deve criar um procedimento especializado para casos envolvendo meninas de minorias, aprimorar as investigações policiais, punir autoridades que ignorem denúncias e transformar a conversão forçada em um crime específico. Também querem que os tribunais tratem o bem-estar da criança como prioridade, em vez de permitir que um suposto casamento determine a guarda antes da resolução das acusações criminais subjacentes.

Segundo as organizações que apoiam a família da menina, a decisão de julho sobre a guarda a deixou vulnerável. Para elas, a prioridade imediata é sua segurança. A preocupação mais ampla é saber se as instituições jurídicas protegerão as crianças independentemente de sua religião, gênero ou renda familiar.

Principais pontos

  • Um tribunal de sessões de Faisalabad concedeu a guarda de uma menina de 13 anos ao homem acusado de sequestrá-la.
  • O acusado também obteve liberdade sob fiança e foi apresentado como suposto marido da menina.
  • Grupos de defesa dos direitos humanos contestam documentos que indicavam que a menina era adulta e questionam a validade de sua conversão e de seu casamento.
  • Ativistas afirmam que a declaração de uma criança não comprova consentimento livre quando pode haver ameaças ou coerção.
  • A lei de Punjab de 2026 estabelece a idade mínima para o casamento em 18 anos e torna o casamento infantil um crime sem direito a fiança.
  • O Parlamento Europeu pediu ao Paquistão que proteja meninas de minorias e investigue denúncias de sequestro, conversão forçada e casamento infantil.
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