Febre chinesa por durian transforma cidade aurífera da Malásia na “capital do durian”

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KL Durians Top 5 Spots You Can’t Miss — Musang King …

Da mineração de ouro ao império do durian

A pacata cidade de Raub, no estado malaio de Pahang, ganhou destaque nacional no início do século 20 por seu ouro, quando garimpeiros recolhiam pequenas partículas do metal em bateias cheias de areia recém-extraída. Hoje, a economia de Raub mudou para outro tipo de “ouro”. Suas encostas agora abrigam cerca de 150 mil pés de durian, espalhados por aproximadamente 2 mil hectares. Essa transformação foi impulsionada pelo enorme apetite da China pelo durian Musang King, uma variedade tão valorizada que os consumidores chineses a apelidaram de “Hermès dos durians”.

Conteúdo
  1. Da mineração de ouro ao império do durian
  2. O fenômeno Musang King
  3. Transformação econômica e nova riqueza
  4. O apetite insaciável da China
  5. A dura realidade por trás da riqueza
  6. Desafios e controvérsias
  7. Concorrência regional
  8. Diplomacia do durian
  9. Proteção de marca e posicionamento no mercado
  10. A ameaça da produção doméstica
  11. Preocupações ambientais e de mercado
  12. Perspectivas para o futuro
  13. Em resumo

O durian há muito divide opiniões: alguns o elogiam como o “rei das frutas” por seu sabor doce e textura cremosa, enquanto outros o evitam por seu cheiro forte. Ainda assim, conquistou compradores entusiasmados na China, onde a demanda parece ilimitada. Nos últimos anos, a fruta também ganhou novo prestígio no país: é consumida não apenas fresca, mas também em sobremesas, chás com leite e até hot pot.

Ao dirigir por Raub, é impossível não notar a fruta espinhosa que movimenta a economia local. Seu cheiro pode ser sentido no fluxo constante de caminhões que percorrem as estradas montanhosas. Ela também está por toda parte: nos espinhos verdes de uma escultura gigante, nos murais pintados com carinho em muros baixos e nas placas que anunciam: “Bem-vindo à terra dos durians Musang King”.

Antiga cidade mineradora de ouro no século 19, Raub viu sua economia ganhar um novo tom de amarelo nos últimos anos. Hoje, é mais conhecida como a terra do Musang King, uma variedade amanteigada e agridoce que está no centro de uma corrida global pelo durian.

“Mesmo que apenas 2% dos chineses queiram comprar durians, isso já representa negócios mais do que suficientes”, diz Chee Seng Wong, gerente da fábrica da Fresco Green, exportadora de durian em Raub.

Wong lembra que, durante a crise econômica dos anos 1990, agricultores derrubaram durianzeiros para abrir espaço para palmeiras-de-óleo, principal cultura comercial do país. “Agora é o contrário. Eles estão cortando as palmeiras-de-óleo para voltar a cultivar durians.”

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O fenômeno Musang King

Entre as muitas variedades da fruta, o Musang King se destaca pelo sabor agridoce característico e pelo status premium. Sua textura amanteigada e seu perfil de sabor complexo fizeram dele a variedade de durian mais procurada na China. A comparação com a grife francesa de luxo Hermès não é exagerada. Assim como uma bolsa Birkin, os autênticos durians Musang King alcançam preços elevados e funcionam como símbolos de status entre os consumidores chineses mais ricos.

Os durians Musang King podem custar de US$ 14 a US$ 100 por unidade, dependendo da qualidade e da época do ano, enquanto variedades comuns no Sudeste Asiático custam menos de US$ 2. O preço elevado reflete tanto a dificuldade de cultivo quanto as características superiores de sabor da fruta. Em Raub, as condições geográficas, especialmente a composição do solo e o clima, criam um ambiente ideal para o cultivo dessa variedade tão valorizada.

“O solo de Raub é muito adequado para o cultivo de durians. Além disso, o clima é muito bom”, diz Lu Yuee Thing, dono de uma fazenda local chamada Uncle Thing Durian Leisure Farm. “A localização geográfica da cidade também é ideal para cultivar a variedade de luxo pela qual ela é conhecida.”

Os consumidores chineses desenvolveram um paladar cada vez mais sofisticado para o durian. “Talvez no começo gostássemos apenas de durians doces. Mas agora procuramos características como aroma, intensidade e sabores complexos”, diz Xu Xin, de 33 anos, que vende a fruta em sua cidade, no nordeste da China.

“Hoje em dia, mais clientes entram na loja e perguntam: ‘Tem algum mais amargo neste lote?’”

Xu fez uma viagem recente a Raub para provar durians, acompanhada de outros dois exportadores da fruta do sul da China. “Há muita gente que ainda não provou. O potencial de mercado é enorme”, diz uma de suas companheiras.

Turistas chineses entusiasmados têm viajado em massa para o interior da Malásia para provar a fruta. Sentados em uma loja de durian, eles se servem de bandejas cuidadosamente organizadas, das variedades mais suaves às mais intensas. Se forem consumidos na ordem certa, dizem os moradores, cada gomo deve revelar novas notas: caramelo, creme e, por fim, um amargor quase alcoólico, sinal do Musang King.

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Transformação econômica e nova riqueza

O boom do durian criou muitos milionários em Raub e transformou a paisagem econômica da cidade, antes sonolenta. Agricultores que mal conseguiam pagar as contas agora têm uma riqueza considerável, trocam casas de madeira por casas de alvenaria e conseguem custear o ensino superior dos filhos no exterior.

Eric Chan, um dos casos de sucesso do durian em Raub, deixou de escrever códigos para satélites e robôs para fundar uma empresa fornecedora de pasta de durian usada em diversos pratos. Mais tarde, vendeu uma participação majoritária na empresa por cerca de US$ 4,5 milhões, aproximadamente 50 vezes o investimento inicial.

“Todo mundo tem ganhado um bom dinheiro”, disse Chan ao The New York Times. “Eles reconstruíram as casas, trocando a madeira por alvenaria. E conseguem mandar os filhos para estudar na universidade no exterior.”

Jovi Kong, dono de uma fazenda de durian, conta que acumulou bens como carros de luxo e dois imóveis, um em Raub e outro em Kuala Lumpur. “Raub é muito diferente de outras cidades malaias. As pessoas que vivem aqui são ricas”, disse Kong ao Channel News Asia em 2019.

Uncle Thing é outro caso de sucesso. Em sua fazenda, ele aponta para as picapes japonesas que substituíram os jipes precários que antes usava para transportar caixas da fruta. Em negócios familiares como o dele, os filhos costumam ajudar no transporte dos durians, enquanto as filhas cuidam da contabilidade e das finanças.

“O durian contribuiu muito para a economia daqui”, diz Uncle Thing. A transformação econômica vai além dos agricultores. Toda a cadeia de abastecimento se expandiu, criando empregos em embalagem, logística, processamento e serviços relacionados. Restaurantes e hotéis locais também se beneficiaram do fluxo de turistas em busca de uma experiência autêntica com o Musang King.

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O apetite insaciável da China

A China se tornou a maior importadora de durian do mundo, respondendo por cerca de 95% da demanda global. Somente em 2024, o país importou um valor recorde de US$ 7 bilhões em durians, o triplo do registrado em 2020. Esse número impressionante representa mais de 90% das exportações mundiais de durian, que agora têm a China como destino.

Entre 2018 e junho de 2025, a Malásia enviou à China um total de 115.359 toneladas de produtos de durian, incluindo polpa, pasta, frutas congeladas e frutas inteiras frescas, no valor de 6,37 bilhões de ringgits malaios (RM), ou US$ 1,51 bilhão. Em 2024, a China importou da Malásia 1 bilhão de ringgits em durian, após um acordo bilateral que abriu caminho para o envio da fruta fresca. Antes disso, a Malásia só podia exportar produtos congelados.

A possibilidade de exportar durians frescos aumentou significativamente a competitividade da Malásia no mercado chinês. Ao contrário dos congelados, os durians frescos malaios amadurecem naturalmente nas árvores e caem no chão antes de serem colhidos. Esse processo de amadurecimento natural resulta em sabor mais intenso e polpa mais macia do que as dos durians tailandeses e vietnamitas, colhidos das árvores e amadurecidos durante o transporte.

No entanto, esse amadurecimento natural também significa que os durians malaios têm menor vida útil, o que exige uma cadeia de frio completa e uma distribuição eficiente para que cheguem frescos aos consumidores até 48 horas depois de caírem das árvores. Esse desafio logístico exige transporte aéreo, tornando o envio dos durians malaios mais caro, mas preservando seu posicionamento premium.

A Câmara de Comércio e Indústria da Malásia na China prevê que as importações chinesas de durian da Malásia aumentem de 15% a 20% em 2025, impulsionadas pela demanda constante dos consumidores, apesar dos desafios climáticos no país. “Hoje, é impossível encontrar Musang King de grau A por menos de 30 ringgits por quilo no preço de fazenda”, diz Loh Wee Keng, presidente da MayCham. “Na entressafra, como em maio, os preços podem chegar a 80 ringgits por quilo.”

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A dura realidade por trás da riqueza

Apesar dos ganhos financeiros, cultivar durian continua sendo um trabalho fisicamente exigente. Os agricultores enfrentam riscos e longas jornadas, muitas vezes acordando antes do amanhecer para colher a fruta. Aos 72 anos, Lu Yuee Thing, conhecido localmente como “Uncle Thing”, levanta cedo todos os dias e percorre sua fazenda íngreme e irregular para recolher os durians maduros, pendurados nas árvores ou acomodados em redes próximas ao chão.

Há alguns anos, um durian que caiu de uma árvore atingiu seu ombro, deixando uma dor latejante que ainda volta de vez em quando. “Parece que os agricultores ganham dinheiro fácil. Mas não é fácil”, diz ele.

Lu começou a cultivar durians nos anos 1980, inicialmente variedades kampung. Nos primeiros anos, o cultivo dava pouco lucro, pois os preços eram voláteis. “A situação era tão ruim que alguns agricultores começaram a plantar palmeiras-de-óleo”, diz ele, acrescentando que também converteu parte de suas terras. Com o amadurecimento do setor, os produtores passaram a cultivar variedades melhores, e a exportação do Musang King começou a gerar lucros.

Depois da colheita, os durians são levados à loja de Uncle Thing, onde passam por uma seleção minuciosa em categorias que vão do grau A, para os exemplares grandes e redondos, ao grau C, para os pequenos e de formato irregular. No centro do espaço de seleção há uma única cesta reservada aos durians de grau AA, os mais bonitos do lote. Eles serão enviados em breve para a China.

O trabalho intensivo do cultivo de durian vai além da colheita. A manutenção dos pomares exige podas regulares, fertilização e controle de pragas. O terreno acidentado de Raub dificulta a mecanização, então boa parte do trabalho precisa ser feita manualmente. As gerações mais jovens estão cada vez menos dispostas a assumir esse trabalho fisicamente exigente, o que gera preocupação com a disponibilidade de mão de obra para o setor no futuro.

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Desafios e controvérsias

A rápida expansão do cultivo de durian não ocorreu sem desafios. Uma recente situação de excesso de oferta na Malásia, impulsionada por pomares mais novos que produzem variedades clonadas de menor qualidade, fez o preço do Musang King cair de 60 a 80 ringgits por quilo para 10 ringgits (US$ 2,40) durante a principal temporada de colheita. Com a queda, alguns produtores passaram a vender diretamente de seus pomares aos consumidores, eliminando intermediários para se manterem à tona.

Faisal Iswardi Ismail, vice-diretor-geral de Segurança Alimentar e Operações da Autoridade Federal de Comercialização Agrícola, afirma que o excesso de oferta foi impulsionado por pomares mais novos que produzem variedades clonadas de menor qualidade, como o Musang King. Essas frutas não atendem aos padrões de exportação de grandes mercados como China e Singapura.

A Autoridade Federal de Comercialização Agrícola passou a apoiar os agricultores comprando os durians de aldeia afetados e enviando-os a instalações especializadas para serem processados em pasta e polpa. Também lançou o programa de vendas Agro MADANI, que vendeu mais de 30 toneladas de durians e frutas da estação em dois dias, gerando 100 mil ringgits em receita somente no primeiro dia.

Talvez mais preocupante seja a disputa fundiária em andamento em Raub. As autoridades derrubaram milhares de durianzeiros que, segundo elas, foram plantados ilegalmente em terras do Estado. Os agricultores afirmam que usam essas terras há décadas sem problemas e alegam que agora estão sendo obrigados a pagar um arrendamento para continuar cultivando ali, sob ameaça de despejo.

Entre março e abril de 2025, a Unidade de Fiscalização do Estado de Pahang realizou operações contra plantações ilegais de durian Musang King em uma área de 202 hectares perto de Raub. A ação levou a “Aliança Salvem o Musang King”, que representa os interesses da maioria dos agricultores envolvidos, a acusar o governo estadual de Pahang de violar os termos de uma decisão do Tribunal de Apelação, de maio de 2024, que proibia o corte de árvores ou a destruição de estruturas.

Muitos agricultores chineses que haviam fugido para as margens das selvas malaias desmataram e cultivaram terrenos fora das áreas legalizadas após a Emergência Malaia (1948-1960). Eles justificam o uso de terras do Estado com o suposto incentivo, no passado, a uma economia agrícola informal. Em 1974, o governo malaio criou o Plano do Livro Verde, que incentivava a população a praticar jardinagem ou agricultura de curto prazo para consumo próprio, e os agricultores puderam permanecer nessas terras por décadas sem serem perturbados.

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Concorrência regional

A posição da Malásia no mercado chinês de durian enfrenta a concorrência de outros países do Sudeste Asiático. Tailândia e Vietnã são os principais fornecedores de durian à China e respondem por quase todas as importações. Em 2023, a China importou 1,43 milhão de toneladas de durians frescos, no valor de US$ 6,7 bilhões, sendo 99,8% provenientes da Tailândia e do Vietnã.

O Vietnã ganhou rapidamente participação de mercado depois de receber autorização para exportar durians frescos à China, em julho de 2022. Em menos de dois anos, tornou-se o segundo maior exportador de durian para o mercado chinês, com a ambição de ultrapassar a Tailândia. Nos primeiros sete meses de 2024, as exportações vietnamitas de durians frescos para a China chegaram a US$ 1,22 bilhão, alta de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nos dois primeiros meses de 2024, o Vietnã chegou a ultrapassar brevemente a Tailândia, respondendo por 62% dos durians exportados para a China. No entanto, a Tailândia retomou a liderança após a colheita do segundo trimestre. “Embora o Vietnã tenha variedades de durian que não são encontradas na Tailândia e na Malásia, como o Ri6, falta-lhe uma variedade famosa como o Musang King da Malásia”, diz Vo Tan Loi, diretor da exportadora de frutas Phuong Ngoc Cai Be Company, na província de Tien Giang.

O Vietnã tem vantagens logísticas por fazer fronteira terrestre com a China. Os durians vietnamitas podem chegar aos mercados chineses em cerca de 36 horas pelo Passo da Amizade, em comparação com pelo menos três ou quatro dias para os tailandeses. “A ligação terrestre com a China permite ao Vietnã transportar durians de caminhão ou trem, o que é mais rápido e barato”, diz Vo.

O Camboja também entrou no mercado e, em abril de 2025, tornou-se o mais recente país do Sudeste Asiático autorizado a exportar durians frescos para a China. No entanto, ainda não tem o reconhecimento de marca de países consolidados como Tailândia e Malásia. “O Camboja ainda está construindo sua reputação no mercado internacional”, diz Lim Chin Khee, consultor da Durian Academy. “Ainda não tem o reconhecimento de longa data da variedade Monthong da Tailândia nem do Musang King premium da Malásia.”

Diplomacia do durian

O apetite da China por durians se tornou uma ferramenta diplomática, com Pequim assinando uma série de acordos comerciais com produtores de todo o Sudeste Asiático. Esses acordos são apresentados como celebrações das relações bilaterais com Tailândia, Vietnã, Malásia, Camboja, Indonésia, Filipinas e Laos. “Nesta competição do durian, todos saem ganhando”, declarou um artigo da mídia estatal chinesa em 2024.

Os acordos se alinham aos investimentos da China em infraestrutura na região. A ferrovia China-Laos, inaugurada em 2021, transporta hoje mais de 2 mil toneladas de frutas por dia, a maioria durians tailandeses.

Presentear autoridades com durians premium se tornou um gesto de boa vontade entre os países do Sudeste Asiático e Pequim. Durante uma visita de Estado em 2024, o rei da Malásia, Ibrahim, deu ao presidente Xi Jinping duas caixas de durians premium, incluindo Musang King. No início daquele ano, o primeiro-ministro chinês Li Qiang e o primeiro-ministro malaio Anwar Ibrahim foram filmados tentando abrir um durian juntos, com faca e colher.

“A diplomacia do durian não é apenas diplomacia; é negócio de durian”, disse Ahmad Zahid Hamidi, vice-primeiro-ministro da Malásia, em novembro de 2024. “Precisamos trabalhar com empresários chineses para desenvolver ainda mais as plantações de Musang King na Malásia e também fortalecer juntos os setores derivados.”

Para a China, o comércio de durian faz parte de uma estratégia mais ampla chamada “Rota da Seda dos alimentos”, uma rede emergente de investimentos e acordos comerciais criada para diversificar as importações de alimentos chinesas entre várias regiões do mundo. A Nova Zelândia exporta para a China a maior parte de seus kiwis dourados premium, enquanto o mercado chinês também é um destino igualmente importante para as cerejas chilenas e os abacates quenianos.

Proteção de marca e posicionamento no mercado

Para proteger sua posição premium, a Malásia renovou até março de 2034 o registro de propriedade intelectual da variedade Musang King. Essa designação significa que o Musang King “pertence à Malásia” e não pode ser reivindicado por vendedores de durian de outros países.

Na China, onde os consumidores costumam comer durians tailandeses e vietnamitas devido ao volume muito maior de importações, o respeito ao registro de propriedade intelectual da Malásia deve ajudar a sustentar preços que podem ser de quatro a cinco vezes superiores aos de outros tipos de durian em um mercado competitivo. Os consumidores chineses que comprarem durians Musang King com marca registrada terão mais confiança de que estão adquirindo o produto autêntico, e não uma fruta com rótulo incorreto.

“Depois das guerras de preços, a marca registrada pode ser uma estratégia relativamente boa em termos de qualidade e posicionamento de marca”, diz Peng Peng, presidente executivo da Guangdong Society of Reform, que também ajuda um importador de Shenzhen a vender durians malaios em Guangzhou.

Essa proteção de marca é especialmente importante diante de casos anteriores em que compradores tailandeses colheram Musang King ainda verdes na Malásia e os venderam à China como “Musang King da Tailândia”. Em consequência, o governo tailandês proibiu essas práticas e suspendeu as importações de durian da Malásia até que o caso fosse encerrado. O episódio também levou a Malásia a acelerar as negociações com a China sobre a exportação de durians frescos.

O governo malaio tem trabalhado para informar os consumidores chineses sobre as características reais do Musang King e de outras variedades, a fim de proteger a reputação das marcas malaias de durian. Alguns comerciantes costumam rotular incorretamente durians kampung como Musang King para cobrar mais, prejudicando a credibilidade do mercado. “Até os durians kampung têm mercado se forem vendidos com honestidade. Precisamos ensinar aos consumidores chineses as características reais do Musang King, do D24 e de outras variedades”, ressalta Loh Wee Keng.

A ameaça da produção doméstica

Talvez o desafio mais significativo no longo prazo venha da própria China. A província insular de Hainan tem trabalhado para cultivar seus próprios durians, com o objetivo de alcançar o que a mídia estatal chama de “liberdade do durian”. A previsão era de que a colheita de durian de Hainan chegasse a 2 mil toneladas em 2025.

“Por um lado, não precisaremos mais depender de vendedores tailandeses e vietnamitas para comprar durians!”, proclamou um artigo da mídia estatal chinesa em agosto de 2024.

Embora atualmente represente menos de 1% do consumo de durian da China, o esforço de Hainan é uma possível ameaça futura. Os primeiros durians cultivados na ilha chegaram ao mercado com grande alarde em 2023. No entanto, especialistas dizem que o sabor difere significativamente devido às condições do solo e do clima. “O Musang King de Hainan não pode substituir o original malaio”, diz Loh Wee Keng. “O sabor é diferente por causa do solo e do clima. Um amigo meu também tentou cultivá-lo aqui, mas não deu certo.”

Uncle Thing tem uma visão pragmática da situação. “Hainan já teve sucesso em seu experimento. Se tiver abastecimento próprio e começar a importar menos, nosso mercado será afetado. Mas não podemos nos preocupar com isso. Tudo o que podemos fazer é cuidar bem das nossas fazendas e aumentar a produtividade.”

Quando perguntam a outras pessoas em Raub sobre a busca de Hainan, a questão é descartada com uma resposta arrogante: ainda não há comparação com os durians malaios. Ainda assim, enquanto a China busca a “liberdade do durian”, é difícil ignorar que o Musang King ocupa um trono cada vez mais instável.

Preocupações ambientais e de mercado

A rápida expansão do cultivo de durian gerou preocupações ambientais. Na Indonésia, no Laos e na Malásia, a criação de novos pomares levou ao desmatamento, perturbando habitats e ecossistemas locais. Isso representa um risco para espécies animais ameaçadas, como o tigre-malaio.

No Vietnã, muitos cafeicultores migraram para o cultivo de durian, pressionando ainda mais os preços globais do café, já afetados pelo clima severo. As autoridades vietnamitas começaram a enfrentar o problema, pedindo aos governos locais que revisem o tamanho das plantações, coordenem o planejamento e promovam pomares profissionais de durian em vez de uma expansão desordenada.

Também surgiram preocupações com a segurança alimentar. Em 2024, autoridades chinesas encontraram corante químico cancerígeno em durians tailandeses, que, segundo suspeitas, era usado para deixar a fruta mais amarela. No mesmo ano, a China suspendeu as importações de durian de 15 fábricas de embalagem e 18 plantações no Vietnã após detectar níveis excessivos do metal pesado cádmio em lotes recentes.

“Com as exigências cada vez mais rigorosas da China para frutas importadas, as partes vietnamitas envolvidas devem aprimorar a gestão das plantações de durian e das fábricas de embalagem para garantir preços razoáveis e que a fruta seja segura para o consumo”, diz Vo Huu Thoai, chefe do Instituto de Pesquisa de Frutas do Sul do Vietnã.

Alguns consumidores temem que a exportação de grandes quantidades de durians frescos para a China eleve os preços na Malásia e em Singapura. “Parece que os durians vão ficar cada vez mais caros agora que os frescos são vendidos para a China”, diz Tan Guet Meng, de 54 anos, morador de Kuala Lumpur e empresário.

Raymond Ng, que administra barracas de durian em Singapura, diz: “Se a Malásia exportar durians para a China em grande escala, os singapurenses podem acabar pagando caro para comer durian. Se os preços subirem, só nos resta aceitar. Na verdade, os durians já não são baratos.”

Perspectivas para o futuro

Prevê-se que o valor das exportações malaias de durian chegue a 1,8 bilhão de ringgits até 2030, com um volume exportado de 69 mil toneladas. O governo malaio continua incentivando a colaboração com empresas chinesas para ampliar as atividades de processamento e as plantações de Musang King.

Especialistas do setor ressaltam que a Malásia não concorre diretamente com os durians tailandeses, devido às diferenças de preço e qualidade. Em vez disso, veem os durians malaios competindo com frutas premium, como kiwis, cerejas, morangos e uvas japoneses, no mercado chinês. “Na verdade, também estamos competindo com kiwis e cerejas, além de produtos do Japão, como morangos e uvas”, observa Loh Wee Keng.

Por enquanto, Raub continua prosperando como o coração da indústria malaia de durian. A cidade assumiu a identidade de “Cidade do Durian Musang King”, com placas anunciando “Bem-vindo à terra dos durians Musang King” e murais pintados com carinho nos muros em homenagem à fruta espinhosa.

Apesar dos desafios, incluindo disputas fundiárias, oscilações de mercado, concorrência de outros países e a possibilidade de produção doméstica na China, o setor de durian transformou profundamente a economia de Raub. De sua herança de mineração de ouro à condição atual de polo global do durian, a cidade mostra como as preferências dos consumidores chineses podem remodelar as economias do Sudeste Asiático.

Com a evolução do mercado de durian, os agricultores de Raub enfrentam oportunidades e incertezas. O futuro da cidade dependerá da capacidade de manter a qualidade e a reputação de seus durians Musang King e, ao mesmo tempo, lidar com as dinâmicas complexas do comércio internacional, das relações diplomáticas e da concorrência de mercado.

Em resumo

  • A China importou um valor recorde de US$ 7 bilhões em durians em 2024, respondendo por 95% da demanda global
  • A Malásia exportou para a China produtos de durian no valor de 6,37 bilhões de ringgits entre 2018 e 2025
  • Os durians Musang King podem custar de US$ 14 a US$ 100 por unidade, enquanto variedades comuns custam menos de US$ 2
  • Raub abriga cerca de 150 mil durianzeiros em aproximadamente 2 mil hectares
  • Prevê-se que as importações chinesas de durian da Malásia aumentem de 15% a 20% em 2025
  • A Malásia renovou a proteção da marca registrada Musang King até 2034
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