A escassez global de memória que está transformando o setor de tecnologia
Os chips de memória funcionam como as linhas de combustível que alimentam os motores da computação moderna. À medida que os mecanismos de inteligência artificial desenvolvidos por empresas como a Nvidia se tornam mais potentes, eles exigem cada vez mais memória, tanto dos tipos tradicionais quanto de uma forma avançada conhecida como memória de alta largura de banda, ou HBM. Esse aumento da demanda provocou uma grave escassez global que repercute em toda a cadeia de suprimentos de tecnologia, dos centros de dados aos eletrônicos de consumo.
Conteúdo
- A escassez global de memória que está transformando o setor de tecnologia
- A ascensão da desafiante chinesa no mercado de DRAM
- Uma aposta de bilhões de dólares no crescimento futuro
- De produtos legados à tecnologia de ponta
- A corrida pela memória de alta largura de banda
- Grandes fabricantes globais precisam se adaptar
- Obstáculos geopolíticos e restrições comerciais
- O desafio da diferença tecnológica
- Acusações de roubo de segredos comerciais e disputas judiciais
- A estratégia mais ampla da China para semicondutores
- O que esperar do mercado global de memória
- Os próximos passos
- Principais pontos
Um único servidor de IA agora consome mais memória dinâmica de acesso aleatório, ou DRAM, do que frotas inteiras de laptops. Segundo a consultoria de pesquisa TrendForce, a previsão é que o preço da DRAM convencional suba mais de 50% neste trimestre em comparação com o anterior. Essa demanda sem precedentes dos centros de dados de IA está absorvendo capacidade de fabricação de chips que, de outra forma, atenderia fabricantes de computadores, consoles de videogame e smartphones, elevando os preços para os consumidores americanos e criando oportunidades para novos participantes no mercado.
É nesse cenário volátil que surge a ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT, principal fabricante chinesa de chips de memória. A empresa está se preparando para uma oferta de ações de US$ 4 bilhões após avanços técnicos significativos, numa tentativa de abalar um setor há muito dominado por empresas sul-coreanas e americanas. Esse movimento representa uma das maiores ofertas de uma fabricante de chips neste século e ocorre em um momento crítico para o cenário global de semicondutores.
A ascensão da desafiante chinesa no mercado de DRAM
Fundada em 2016 e sediada em Hefei, a CXMT cresceu rapidamente e se tornou a maior fabricante de DRAM da China, graças a uma combinação de apoio governamental e aquisição estratégica de tecnologia. A empresa construiu sua base inicial ao adquirir patentes da Qimonda, uma fabricante alemã de chips de memória que encerrou as atividades, obtendo assim um ponto de partida para seu desenvolvimento. Em volume de produção, a CXMT já se tornou a quarta maior fabricante de DRAM do mundo, fornecendo memória para uma ampla gama de produtos, de smartphones e PCs a servidores usados por grandes empresas chinesas de tecnologia.
A participação da CXMT no mercado chegou a 4,1% no primeiro trimestre de 2025. Projeções da consultoria TrendForce indicam que esse percentual pode subir para entre 7% e 10% até 2027. A empresa quase dobrou sua receita em relação ao ano anterior em 2025 e espera voltar a registrar lucro, em grande parte graças à recuperação dos preços da DRAM, impulsionada pela concorrência entre a infraestrutura de IA, os provedores de nuvem e os fabricantes de dispositivos por uma oferta limitada de chips de memória.
Essa ascensão rápida não passou despercebida pelos líderes já estabelecidos do setor. A sul-coreana Samsung Electronics e a SK Hynix, junto com a americana Micron Technology, controlam o mercado global de memória há anos. O surgimento de uma concorrente chinesa de peso ameaça romper esse equilíbrio delicado, sobretudo porque a CXMT recebe apoio substancial da política industrial de Pequim, voltada à autossuficiência em semicondutores.
Uma aposta de bilhões de dólares no crescimento futuro
A CXMT está acelerando sua entrada no mercado de capitais doméstico, com planos de levantar aproximadamente US$ 4,2 bilhões por meio de uma oferta pública inicial de ações no mercado STAR, em Xangai. A empresa iniciou oficialmente o processo de abertura de capital em julho, ao se inscrever para receber orientação para a listagem junto à Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China, ou CSRC. Analistas esperam que a oferta possa ser concluída já neste ano, tornando-se uma das maiores aberturas de capital do setor de semicondutores no país em anos.
A empresa nomeou a China International Capital Corporation, ou CICC, e a CITIC Securities como coordenadoras líderes da oferta. Na rodada de financiamento mais recente, a CXMT teria sido avaliada em 140 bilhões de yuans, aproximadamente US$ 19 bilhões. Essa avaliação expressiva reflete a confiança dos investidores na trajetória de crescimento da empresa e na importância estratégica da tecnologia de memória na era da IA.
O capital levantado com essa oferta pública financiará várias iniciativas essenciais. A CXMT planeja ampliar sua capacidade de produção de wafers, modernizar linhas de fabricação e investir pesadamente no desenvolvimento da próxima geração de DRAM. Em sua apresentação aos investidores, a empresa destaca seu papel no fortalecimento do esforço chinês por independência em semicondutores, sobretudo em DRAM avançada e tecnologias de memória voltadas à IA, áreas em que o país atualmente depende de fornecedores estrangeiros.
Analistas consideram essa oferta pública um passo importante para a China alcançar a independência na fabricação de memórias para IA. Com o endurecimento das restrições americanas à exportação, desenvolvedores chineses de chips de IA enfrentam dificuldades crescentes para obter componentes avançados de DRAM e HBM. Grandes empresas chinesas de tecnologia, como Huawei, Alibaba e Baidu, estão projetando seus próprios aceleradores de IA, mas ainda enfrentam o desafio de conseguir a memória de ponta necessária. A CXMT pretende ajudar a resolver esse problema.
De produtos legados à tecnologia de ponta
Embora inicialmente tenha se concentrado em produtos legados, como a memória DDR4, a CXMT recentemente redirecionou seus esforços para o desenvolvimento de tecnologias DDR5 e de memória de alta largura de banda. Essa transição reflete tanto a realidade do mercado quanto as prioridades estratégicas da empresa. A DDR4 legada continua alimentando muitos dispositivos de consumo, mas oferece margens menores e potencial limitado de crescimento. A verdadeira oportunidade — e o verdadeiro desafio — está nos produtos avançados de memória que alimentam os sistemas de IA.
Empresas que acompanham o setor dizem que a CXMT está posicionando a DRAM móvel como seu principal produto e planeja continuar liderando o crescimento anual global do volume de bits produzidos até 2026. Esse foco atende às necessidades das marcas chinesas de smartphones e dos fabricantes de PCs que buscam uma fonte doméstica de memória, além de dar à CXMT uma base nos mercados de exportação, onde proliferam dispositivos sensíveis a custos.
A corrida pela memória de alta largura de banda
A memória de alta largura de banda se tornou um componente essencial para treinar grandes modelos de linguagem e executar aplicações avançadas de IA. Ao contrário da DRAM tradicional, a HBM empilha verticalmente os chips de memória para economizar espaço e reduzir o consumo de energia, ao mesmo tempo que aumenta drasticamente a largura de banda. Essa arquitetura é ideal para processar a enorme quantidade de dados gerada por aplicações complexas de IA.
Atualmente, três empresas dominam o mercado global de HBM: a sul-coreana SK Hynix, que até pouco tempo atrás era a única fornecedora de HBM para a gigante de chips de IA Nvidia; a Samsung; e, em menor escala, a americana Micron Technology. As três fabricam os chips mais recentes do padrão HBM3 e trabalham para levar aos clientes neste ano a HBM de quinta geração, ou HBM3E. Só a SK Hynix prevê que o mercado de HBM crescerá cerca de 30% ao ano entre 2025 e 2030.
A CXMT entrou nessa corrida em desvantagem, mas está avançando mais rápido do que muitos esperavam. A empresa iniciou a produção em massa de HBM2, ficando aproximadamente três gerações atrás dos líderes do mercado. No entanto, as informações mais recentes indicam que os fabricantes chineses de memória avançaram em HBM mais rapidamente do que se previa. A CXMT estaria trabalhando na HBM3 e planejando iniciar a produção em massa em 2026, com a HBM3E prevista para 2027. Se conseguir cumprir esse cronograma, a diferença entre a CXMT e os líderes em HBM cairá para cerca de três a quatro anos.
Um profissional do setor comentou a importância estratégica desse avanço: "Com o crescimento do mercado de semicondutores para IA, a importância da HBM e da DRAM para servidores disparou. Por isso, aumentam as expectativas em relação à CXMT, a maior produtora de DRAM da China. Devido às restrições dos Estados Unidos, as ambições chinesas em IA são limitadas pela escassez de chips de memória de ponta, levando empresas como a CXMT e a YMTC a intensificar a pesquisa e o desenvolvimento de HBM e outras soluções avançadas de memória para IA."
Grandes fabricantes globais precisam se adaptar
A escassez de memória tem consequências concretas para empresas que vão além do setor de IA. A HP, uma das maiores fabricantes de computadores pessoais do mundo, teria sido obrigada a recorrer a fabricantes chineses de memória devido à escassez de DRAM. Tae Kim, analista da Barron's, observou que a HP enfrenta dificuldades para obter suprimentos de fornecedores tradicionais, como Micron e Samsung, levando a empresa a considerar a inclusão de fornecedores chineses de memória em sua lista de fontes de componentes.
A HP estaria planejando enviar produtos em "quantidades limitadas" para a Ásia e a Europa usando memória chinesa. Esse movimento representa uma mudança significativa, pois seria a primeira vez que uma grande fabricante ocidental de PCs consideraria ativamente comprar memória de fornecedores chineses por necessidade, e não por escolha. A situação mostra a gravidade da escassez de memória e como ela está reformulando as decisões sobre cadeias de suprimentos em todo o setor de tecnologia.
Os chips de memória são commodities que podem ser facilmente substituídas, ao contrário dos chips proprietários de IA fabricados pela Nvidia. No entanto, empresas que consideram fornecedores chineses precisam navegar pelas normas americanas sobre a aquisição de semicondutores da China. Diante da atual situação de oferta de memória e da demanda insaciável, analistas acreditam que poderão ser estabelecidas novas regras para a busca de suprimentos de fabricantes chineses de memória, criando incerteza adicional para os fabricantes globais de equipamentos originais, ou OEMs.
Obstáculos geopolíticos e restrições comerciais
Apesar do avanço técnico e dos ambiciosos planos de crescimento, a CXMT enfrenta importantes obstáculos geopolíticos. Sucessivos governos americanos endureceram as restrições às fabricantes chinesas de chips e, em dezembro de 2024, os Estados Unidos anunciaram novos pacotes de controles de exportação voltados especificamente a limitar o acesso da China à memória de alta largura de banda e a vários tipos de equipamentos de fabricação de semicondutores, incluindo ferramentas essenciais para a produção e o empacotamento de HBM.
As novas regras acrescentaram mais de 140 fabricantes chinesas de chips e de equipamentos para a produção de chips à Lista de Entidades do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, impedindo-as, na prática, de acessar tecnologia americana. As restrições foram criadas para limitar ainda mais o desenvolvimento de IA na China, explorando o gargalo da HBM, cuja oferta global é controlada por apenas três empresas: SK Hynix, Samsung e Micron.
Os controles de exportação têm consequências operacionais imediatas. Embora a CXMT aparentemente tenha estocado equipamentos de fabricação de semicondutores suficientes para produzir HBM e DRAM — provavelmente o bastante para manter as operações até 2026 ou 2027 —, as restrições existentes limitarão sua capacidade de desenvolver e ampliar a produção de DRAM e HBM avançadas nos próximos anos. Os controles de exportação de dezembro restringiram equipamentos essenciais para a fabricação e o empacotamento de HBM, incluindo ferramentas para vias através do silício, gravação e etapas relacionadas.
Talvez ainda mais prejudicados pela situação sejam os técnicos de manutenção de empresas americanas de equipamentos para semicondutores que trabalhavam nas instalações da CXMT e receberam instruções para deixar a empresa em meio ao endurecimento das restrições. A perda de conhecimento especializado e de suporte afetará o desenvolvimento de DRAM e HBM da companhia, podendo desacelerar seu avanço tecnológico em um momento crucial.
O desafio da diferença tecnológica
Do ponto de vista técnico, a CXMT enfrenta obstáculos significativos para alcançar os líderes globais. Atualmente, a empresa consegue fabricar DRAM nos nós D1y e D1z, tecnologias na faixa de 17 a 13 nanômetros. Esses nós são usados nas gerações HBM2E e HBM3. Embora a equipe de pesquisa e desenvolvimento da CXMT provavelmente esteja desenvolvendo nós de DRAM abaixo de 15 nanômetros, especificamente os nós D1α e D1β, essenciais para a HBM3E, a empresa provavelmente enfrentará grandes desafios sem a litografia ultravioleta extrema, ou EUV.
A EUV se tornou essencial para o desenvolvimento de DRAM e HBM de ponta por grandes fabricantes de memória. Sem acesso a essa tecnologia, a CXMT pode enfrentar dificuldades semelhantes às da Semiconductor Manufacturing International Corporation, ou SMIC, nos últimos anos: problemas para melhorar o rendimento, o tamanho dos chips e a escala de produção. Esse gargalo pode continuar sendo o principal obstáculo para os planos da CXMT de produzir DRAM e HBM de ponta.
Acusações de roubo de segredos comerciais e disputas judiciais
Além dos desafios técnicos e geopolíticos, a CXMT enfrenta obstáculos jurídicos na busca por participação de mercado. Promotores da Coreia do Sul, país de origem das líderes em chips de memória Samsung Electronics e SK Hynix, acusam ex-funcionários da Samsung de terem repassado segredos comerciais que contribuíram para a ascensão da CXMT.
Promotores sul-coreanos indiciaram vários ex-funcionários da Samsung, acusados de vazar para a CXMT tecnologia proprietária de processos de fabricação de DRAM. A Samsung indicou que as acusações estão relacionadas aos avanços recentes da CXMT em nós avançados, como os de 10 nanômetros. O caso mostra o quanto o desenvolvimento de memórias de ponta é difícil e exige muitos recursos, além de levantar dúvidas sobre se o rápido avanço tecnológico da CXMT ocorreu inteiramente por meios legítimos.
"Seja por meio de pesquisa e desenvolvimento legítimos ou de uma transferência contestada de tecnologia, avançar na produção moderna de DRAM é um processo lento, caro e sujeito a grandes limitações. Isso significa que nem mesmo planos agressivos de expansão garantem aumentos rápidos na oferta efetivamente disponível", observou um analista que acompanha o mercado de memória.
Essas acusações acrescentam outra camada de complexidade às ambições internacionais da CXMT. Mesmo que a empresa resolva as questões jurídicas, o dano à sua reputação pode deixar clientes globais relutantes em comprar memória da CXMT, sobretudo nos mercados ocidentais, onde há preocupação com a proteção da propriedade intelectual e a segurança das cadeias de suprimentos.
A estratégia mais ampla da China para semicondutores
A CXMT não atua isoladamente: é um componente essencial da estratégia mais ampla da China para alcançar a autossuficiência em semicondutores. A empresa trabalha em conjunto com a Yangtze Memory Technologies, que se concentra em memória flash NAND, enquanto a CXMT se dedica à DRAM. Juntas, essas empresas formam o núcleo do esforço coordenado de Pequim para construir uma cadeia autossuficiente de memória que ainda possa competir no exterior.
A Yangtze Memory Technologies, frequentemente chamada de YMTC, já alcançou 13% de participação nos embarques de memória flash NAND. A expansão da capacidade e os avanços tecnológicos sustentam a meta da empresa de chegar a 15% dos embarques globais em 2026. A companhia está avançando com a construção de uma terceira fábrica de chips em Wuhan, projeto que reflete a disposição de Pequim para fazer investimentos de alto risco e alto custo a fim de ampliar a produção doméstica de semicondutores. Essa combinação de participação de mercado, novas fábricas e equipamentos resistentes a sanções sugere que as empresas chinesas de memória não estão apenas resistindo à pressão de Washington, mas também usando-a como estímulo para acelerar o desenvolvimento de capacidades nacionais.
Tanto a YMTC quanto a CXMT estão recorrendo aos mercados de ações para consolidar seu desafio às empresas estabelecidas. A Yangtze Memory Technologies está considerando uma oferta pública inicial na China continental, enquanto a CXMT avança com sua listagem de US$ 4,2 bilhões em Xangai. Essas ofertas sinalizam que Pequim quer capitalizar suas principais fabricantes de memória para que possam acompanhar os ciclos de investimento de capital da Samsung e da SK Hynix, que investem bilhões de dólares por ano em novas fábricas e no desenvolvimento de tecnologia.
O que esperar do mercado global de memória
A expansão da CXMT ocorre em um momento de transformação fundamental do mercado global de memória. Os padrões cíclicos tradicionais de excesso de oferta e escassez estão sendo alterados por mudanças estruturais nos padrões de demanda. As cargas de trabalho de IA continuam consumindo quantidades enormes de memória, não apenas HBM de ponta, mas também DRAM convencional para servidores, sistemas de armazenamento e infraestrutura de suporte.
Grandes clientes estão cada vez mais fechando contratos de fornecimento de longo prazo, o que reduz a quantidade de memória que chega ao mercado aberto. Isso significa que a expansão da CXMT pode ajudar a estabilizar a situação no médio prazo, mas dificilmente trará alívio imediato para fabricantes de PCs ou consumidores que se perguntam por que os preços da DDR5 continuam elevados. No curto prazo, a expansão da empresa pode até piorar a situação, à medida que empresas como a CXMT ampliam a produção e disputam os mesmos equipamentos de fabricação, materiais e profissionais especializados que Samsung, Micron e SK Hynix.
O resultado já é visível no mercado: preços mais altos, prazos de entrega mais longos e menos opções na faixa de preço mais baixa. Observadores do setor preveem que a crise de oferta de memória pode se estender até 2028 ou além, já que novas fábricas de grandes participantes, como SK Hynix e Micron, só devem entrar em operação no fim de 2027, no mínimo.
Os próximos passos
Apesar desses desafios, o surgimento da CXMT como concorrente de peso representa um avanço significativo para o setor global de semicondutores. O rápido progresso tecnológico da empresa — que reduziu a diferença em relação aos líderes globais de seis a oito anos estimados para apenas três a quatro anos — demonstra a eficácia da abordagem chinesa de desenvolvimento tecnológico apoiada pelo Estado.
Para a CXMT, a prioridade imediata é concluir com sucesso sua oferta pública inicial e usar os recursos para financiar seus planos de expansão. A empresa também precisa navegar pelo complexo ambiente jurídico e regulatório, incluindo possíveis inclusões na Lista de Entidades dos Estados Unidos, que restringiriam ainda mais seu acesso aos mercados e à tecnologia globais. No longo prazo, a CXMT precisa demonstrar que consegue atualizar sua linha de produtos de forma consistente, geração após geração, acompanhando o ritmo agressivo de empresas como a SK Hynix, que lançará a HBM4 neste ano e já planeja a HBM4E.
As implicações para o mercado global de memória são profundas. Se a CXMT conseguir ampliar a produção com eficiência, poderá ajudar a absorver parte do crescimento da demanda que atualmente pressiona os preços para cima. A empresa também acrescenta mais um participante de peso a um mercado dominado por três companhias há anos, o que, em geral, favorece a concorrência. No entanto, o componente geopolítico significa que essa história se desenrolará em meio a tensões comerciais, controles de exportação e competição estratégica entre Estados Unidos e China.
Para consumidores e empresas, o cenário traz sinais mistos. Não é provável que os preços elevados da memória caiam no futuro imediato, mas a perspectiva de oferta no longo prazo está, ao menos, avançando na direção certa. Se isso se traduzirá em módulos de RAM mais baratos nas lojas dependerá da rapidez com que a produção global conseguirá acompanhar um setor que, de repente, passou a demandar muita memória, e de as tensões geopolíticas continuarem fragmentando um mercado que tradicionalmente era global.
Principais pontos
- A CXMT está se preparando para uma oferta pública inicial de US$ 4,2 bilhões no mercado STAR, em Xangai, para financiar sua expansão e o desenvolvimento de tecnologia.
- A empresa cresceu e se tornou a quarta maior fabricante de DRAM do mundo, com 4,1% de participação no mercado no primeiro trimestre de 2025.
- A previsão é que os preços globais da DRAM subam mais de 50% neste trimestre, devido à demanda impulsionada pela IA.
- A CXMT pretende produzir HBM3 em 2026 e HBM3E em 2027, reduzindo para três ou quatro anos a diferença em relação aos líderes globais.
- A HP teria recorrido a fornecedores chineses de memória devido à escassez de DRAM entre os fornecedores tradicionais.
- Os controles de exportação dos Estados Unidos restringem o acesso da CXMT a equipamentos avançados de fabricação e levaram à saída de técnicos de manutenção de suas instalações.
- Promotores sul-coreanos indiciaram ex-funcionários da Samsung por suposto roubo de segredos comerciais que teria beneficiado a CXMT.
- A CXMT planeja usar os recursos da oferta pública para ampliar sua capacidade de produção de wafers e desenvolver tecnologias de memória de próxima geração.






