Por que a ThaiBev, dona da cerveja Chang, está investindo bilhões em laticínios e alimentos halal

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Por que a ThaiBev, dona da cerveja Chang, está investindo bilhões em laticínios e alimentos halal

Um novo motor de crescimento além da cerveja

A cerveja Chang, com seu rótulo verde e o logotipo de elefante, é uma das marcas de consumo mais conhecidas da Tailândia. Sua fabricante, a Thai Beverage (ThaiBev), agora quer um segundo motor de crescimento, menos exposto aos ciclos do álcool e à regulamentação. A empresa está construindo uma ampla plataforma de laticínios e alimentos halal no Sudeste Asiático, centrada em um novo complexo integrado de laticínios na Malásia e em uma parceria mais profunda com a Fraser & Neave (F&N). A iniciativa busca transformar a ThaiBev, hoje uma grande cervejaria e produtora de destilados, em líder regional em nutrição para o dia a dia e produtos prontos para consumo.

Conteúdo
  1. Um novo motor de crescimento além da cerveja
  2. Por que laticínios agora?
  3. Halal como passaporte regional
  4. Por dentro do complexo de laticínios AgriValley da ThaiBev na Malásia
  5. Como o modelo de circuito fechado favorece a expansão
  6. De grupo cervejeiro a empresa dedicada a alimentos e bebidas
  7. Vantagens de distribuição e digitais
  8. Lançamentos de produtos e próximos marcos
  9. Serviços de alimentação como plataforma de lançamento
  10. A economia do leite no Sudeste Asiático
  11. O tabuleiro regional, do Vietnã à Indonésia
  12. Riscos a acompanhar
  13. Compromissos com sustentabilidade e bem-estar animal
  14. O que saber

O plano de investimentos é expressivo. No atual ano fiscal, a ThaiBev destinou cerca de 18 bilhões de baht à expansão dos negócios de cerveja, destilados, bebidas não alcoólicas, laticínios, serviços de alimentação e projetos de sustentabilidade. Pouco mais da metade desse orçamento será direcionada às bebidas não alcoólicas, com a AgriValley, um projeto emblemático de laticínios na Malásia, como destaque. A estratégia faz parte do plano plurianual PASSION 2030 da ThaiBev, que se concentra em dois temas: alcance competitivo e digital para crescer. Ambos visam colocar produtos nas mãos dos consumidores mais rapidamente, usando dados e tecnologia para reduzir custos e aprofundar o relacionamento com o público.

A aposta da administração é clara. Categorias de consumo diário, como leite, bebidas de soja e funcionais, são menos sazonais, oferecem margens atraentes na região e dão à ThaiBev acesso a mercados de maioria muçulmana, onde o álcool é restrito. Ao produzir laticínios com certificação halal na Malásia e exportá-los para países vizinhos, como a Indonésia, a ThaiBev pode se expandir para além da Tailândia com produtos adequados às regras e aos gostos locais. A força de distribuição que construiu as marcas Chang, o chá verde Oishi e a água Crystal oferece uma rede pronta para colocar novas linhas de laticínios nas prateleiras em grande escala.

Por que laticínios agora?

O consumo de laticínios em algumas partes do Sudeste Asiático ainda é inferior ao dos mercados desenvolvidos, mas cresce com o aumento da renda e a urbanização. Pais priorizam a nutrição dos filhos, empresas de alimentação buscam um abastecimento estável e varejistas valorizam produtos com giro diário. Na Tailândia e em países próximos, os laticínios também têm margens de lucro relativamente altas em comparação com muitas outras bebidas embaladas. A ThaiBev afirmou que espera um crescimento de dois dígitos em seu segmento de bebidas não alcoólicas após o investimento na AgriValley, citando as margens dos laticínios na Tailândia e em mercados vizinhos.

Halal como passaporte regional

A Malásia oferece padrões rigorosos de certificação halal e um ecossistema consolidado de auditores, fornecedores e empresas de logística. Produzir no país com processos adequados ao público muçulmano facilita o envio de produtos para a Indonésia e outros mercados onde a certificação halal é obrigatória ou influencia fortemente a decisão de compra. A empresa posiciona a unidade malaia como base para bebidas halal e alimentos prontos para consumo, com planos de trabalhar em estreita colaboração com as operações da F&N no país. Essa combinação pode reduzir o tempo de chegada ao mercado de produtos lácteos, de soja e de outras categorias de nutrição voltadas aos consumidores muçulmanos.

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Por dentro do complexo de laticínios AgriValley da ThaiBev na Malásia

A AgriValley está no centro da expansão da ThaiBev no setor de laticínios. A empresa reservou cerca de 8 bilhões de baht para o projeto malaio, concebido como uma operação integrada, da fazenda à garrafa. A unidade ocupa cerca de 2.726 hectares e deve abrigar aproximadamente 20 mil vacas leiteiras quando estiver operando em plena capacidade. A produção prevista é de cerca de 200 milhões de litros de leite por ano. Um sistema de circuito fechado reunirá reprodução, alimentação, ordenha, processamento e embalagem em um só complexo para melhorar a eficiência e a qualidade dos produtos.

Produzir perto do mercado consumidor reduz os custos de transporte e diminui as exigências da cadeia de frio. Também reforça o cumprimento das normas halal, já que todo o processo, do leite cru ao produto acabado, é controlado em uma única unidade certificada. Para os consumidores, isso deve se traduzir em qualidade consistente, preços competitivos e uma variedade maior de laticínios e bebidas funcionais. Para a ThaiBev, reduz a dependência de leite em pó importado e cria uma plataforma de exportação para grandes mercados muçulmanos.

Como o modelo de circuito fechado favorece a expansão

Em um sistema de circuito fechado, os recursos são reutilizados e os principais processos permanecem na própria unidade. Os programas de alimentação podem ser padronizados, o tratamento de resíduos é controlado e as verificações de qualidade ocorrem em toda a cadeia. Isso facilita a rastreabilidade, importante tanto para garantir a conformidade halal quanto para atender clientes do varejo moderno, que exigem comprovação da origem e do manuseio dos produtos. Também ajuda a controlar os custos em períodos de volatilidade nos preços globais dos insumos lácteos.

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De grupo cervejeiro a empresa dedicada a alimentos e bebidas

A ThaiBev está reorganizando seu portfólio para se concentrar integralmente em alimentos e bebidas. Uma troca de ações dentro do grupo afastou a empresa de participações no setor imobiliário e aumentou sua participação efetiva na F&N para quase 70% por meio da InterBev Investment. O resultado é um alinhamento mais estreito em torno de bebidas, laticínios e alimentos embalados, além do acesso às marcas e à produção da F&N em Singapura e na Malásia. O portfólio da F&N inclui marcas conhecidas, como o leite Magnolia, os chás Seasons, as bebidas isotônicas 100 Plus e os refrigerantes F&N.

Essa mudança corporativa amplia o acesso da ThaiBev às operações em conformidade com as normas halal e à experiência em laticínios da F&N Malaysia, além de sua distribuição já consolidada em mercados de maioria muçulmana. Também dá suporte a uma gama mais ampla de categorias não alcoólicas, de bebidas de soja a bebidas de ervas asiáticas. O plano está alinhado à ambição de longo prazo da empresa de se tornar líder em alimentos e bebidas na Asean, combinando desenvolvimento próprio e parcerias para entrar em novos segmentos em grande escala.

Vantagens de distribuição e digitais

A rede de distribuição da ThaiBev cobre centenas de milhares de pontos de venda na Tailândia, e o grupo envia produtos para mais de 90 países. Essa presença, aliada ao foco do PASSION 2030 em ferramentas digitais, deve aprimorar a previsão de demanda, o planejamento de rotas e o giro de estoque. Ciclos de pedidos mais rápidos e dados melhores podem manter os laticínios mais frescos nas prateleiras e reduzir as devoluções dos varejistas. Para categorias com prazo de validade curto, como leite fresco e bebidas de iogurte, esses ganhos são importantes.

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Lançamentos de produtos e próximos marcos

Na próxima fase, o calendário de produtos da ThaiBev combinará lançamentos de laticínios com a expansão dos principais negócios de bebidas e serviços de alimentação. A empresa planeja lançar mais bebidas voltadas à saúde sob a marca F&N Nutriwell e ampliar a distribuição do chá verde Oishi e do leite Tea Pot no Camboja. No segmento de cerveja, o grupo continua defendendo a liderança de mercado na Tailândia e investiu em uma nova cervejaria no Camboja, com capacidade inicial de 50 milhões de litros, ampliando o portfólio transfronteiriço e a relevância local.

No segmento de laticínios, a expectativa é de uma combinação de produtos frescos e de longa duração. O leite fresco é a base da proposta, com foco em sabor e qualidade, enquanto as linhas UHT e as bebidas de iogurte ajudam a alcançar uma área geográfica maior sem exigir uma cadeia de frio robusta. Com o tempo, espera-se que a unidade da Malásia abasteça tanto varejistas locais quanto mercados de exportação, começando pela Indonésia. Com a certificação halal na unidade de produção, a ThaiBev pode conquistar a confiança dos consumidores nesses mercados mais rapidamente.

Serviços de alimentação como plataforma de lançamento

A divisão de serviços de alimentação do grupo, que opera marcas como KFC e Oishi, planeja abrir novas unidades e modernizar as existentes. Essa presença pode ajudar a introduzir laticínios e bebidas funcionais por meio dos cardápios e dos refrigeradores nas lojas, dando à ThaiBev mais um canal para testar produtos e obter avaliações. Paralelamente, a empresa sinalizou interesse em expandir a oferta de alimentos halal prontos para consumo com seus parceiros malaios, usando as instalações da AgriValley e da F&N como base de produção de refeições para o consumo local e a exportação.

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A economia do leite no Sudeste Asiático

Os laticínios podem ser uma categoria lucrativa na região. A demanda é estável, a frequência de compra é alta e produtos de maior valor agregado, como leite fortificado, bebidas de iogurte e leite saborizado, permitem cobrar mais. Em mercados como Tailândia e Vietnã, os varejistas oferecem vários formatos e os consumidores estão abertos a novas alegações nutricionais e sabores. Uma base de produção local na Malásia ajuda a reduzir os custos de logística e importação, enquanto a distribuição combinada da ThaiBev e da F&N favorece uma expansão rápida.

As margens dependem da eficiência da fazenda, dos custos da ração e da escala da unidade de processamento. O modelo de circuito fechado da AgriValley busca controlar esses insumos com mais rigor. Controlar etapas essenciais, da vaca à embalagem, permite ajustar os rendimentos e desenvolver rapidamente produtos para novos segmentos, como opções com baixo teor de açúcar ou bebidas enriquecidas com proteínas. Essa estrutura foi concebida para manter os custos previsíveis mesmo quando os preços globais dos laticínios oscilam.

O tabuleiro regional, do Vietnã à Indonésia

As ambições regionais da ThaiBev no setor de laticínios também se refletem em movimentos no mercado de capitais. Uma afiliada ligada aos acionistas controladores do grupo, a F&N Dairy Investments, buscou aumentar sua participação na Vinamilk, do Vietnã, uma das maiores empresas de laticínios da região. O grupo já detém mais de 20% da Vinamilk e tem recebido dividendos expressivos ao longo dos anos. Ampliar a exposição à Vinamilk aprofundaria a presença da ThaiBev em um mercado de laticínios maduro, enquanto a AgriValley desenvolve capacidade na Malásia para crescer com produtos halal.

O Vietnã continua sendo um mercado importante para os negócios de cerveja do grupo, como proprietário da SABECO, e é um grande mercado para a inovação em laticínios. A Indonésia, o maior mercado de maioria muçulmana da Asean, é o primeiro destino de exportação dos laticínios halal produzidos na Malásia. Essa estratégia de duas frentes, uma em uma base de consumo halal em rápido crescimento e outra em um mercado de laticínios consolidado, oferece à ThaiBev vários caminhos para crescer em escala.

Riscos a acompanhar

A execução é fundamental. A pecuária leiteira enfrenta riscos biológicos e climáticos, que vão dos custos da ração e do abastecimento de água à saúde dos animais. Uma fazenda com 20 mil vacas precisa manter padrões elevados de atendimento veterinário, higiene e qualidade da ração para proteger a produtividade e a segurança dos produtos. A certificação halal exige conformidade contínua na aquisição, no manuseio e na documentação. Qualquer falha pode interromper as vendas nos mercados-alvo.

A demanda dos consumidores e os preços são outros fatores. Se a inflação pressionar a renda, os consumidores poderão optar por formatos mais baratos ou embalagens menores, reduzindo as margens. As oscilações cambiais afetam os equipamentos importados e quaisquer suplementos para ração adquiridos no exterior. No campo regulatório, as normas de segurança dos alimentos e rotulagem mudam com frequência, e cada mercado tem suas próprias exigências. A escala da ThaiBev ajuda, mas as equipes locais ainda precisam lidar com processos complexos de aprovação para novos produtos e alegações de marketing.

Compromissos com sustentabilidade e bem-estar animal

A ThaiBev estabeleceu a meta de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa nos Escopos 1, 2 e 3 até 2050. O grupo informa avanços em embalagens e energia, incluindo a reutilização e a reciclagem de vidro na Tailândia e a ampliação da participação de fontes renováveis de energia em suas unidades. Instalações solares já estão presentes em dezenas de fábricas em vários países, com capacidade instalada medida em dezenas de megawatts. Esses projetos estão ligados às metas de redução de custos de longo prazo da empresa e ajudam a atender às expectativas de varejistas e consumidores em relação à sustentabilidade.

No setor de laticínios, o projeto integrado da AgriValley busca melhorar o uso de recursos e a rastreabilidade. Um sistema de circuito fechado pode reduzir o desperdício, melhorar a eficiência no uso da água e da ração e apoiar programas de bem-estar animal. O rastreamento transparente, da fazenda à prateleira, também ajuda varejistas e órgãos reguladores a auditar a conformidade. Quando bem executada, a sustentabilidade pode reduzir custos, proteger a marca e facilitar a entrada em novos mercados que exigem padrões ambientais e sociais rigorosos nas cadeias de abastecimento.

O que saber

  • A ThaiBev está acelerando sua estratégia de laticínios e alimentos halal, ancorada por um novo complexo integrado de laticínios na Malásia.
  • A empresa definiu um orçamento de expansão de 18 bilhões de baht para o atual ano fiscal, com mais da metade destinada a bebidas não alcoólicas e laticínios.
  • A AgriValley, na Malásia, prevê cerca de 20 mil vacas, produção anual de 200 milhões de litros de leite e um sistema de circuito fechado, da fazenda à garrafa.
  • A Malásia será a base de produção halal para abastecer varejistas locais e exportar para a Indonésia e outros mercados de maioria muçulmana.
  • A ThaiBev aumentou sua participação na F&N para quase 70% por meio de uma troca interna de ações, concentrando-se em alimentos e bebidas.
  • Os lançamentos incluem bebidas voltadas à saúde da marca F&N Nutriwell e a expansão do chá verde Oishi e do leite Tea Pot no Camboja.
  • Uma nova cervejaria no Camboja e melhorias na produção de cerveja tailandesa dão suporte ao portfólio mais amplo de bebidas, junto com o crescimento dos laticínios.
  • Um investidor afiliado ligado aos proprietários da ThaiBev busca aumentar sua participação na Vinamilk, do Vietnã, para ampliar sua presença regional no setor de laticínios.
  • Os principais riscos incluem a execução na fazenda, a conformidade halal, os custos dos insumos, as oscilações cambiais e as mudanças no orçamento dos consumidores.
  • A ThaiBev tem como meta alcançar emissões líquidas zero até 2050 e está investindo em energia renovável e reutilização de embalagens, buscando associar a sustentabilidade à redução de custos e ao acesso a mercados.
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