KFC Indonésia reduz prejuízos à medida que impacto do boicote diminui

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Gedung Kfc - Perumperindo.co.id

Recuperação ganha ritmo apesar da demanda fraca

A PT Fast Food Indonesia Tbk, operadora da KFC e da Taco Bell na Indonésia, está saindo de sua pior crise à medida que o impacto do boicote do ano passado diminui e o controle de custos melhora as margens. Nos primeiros nove meses de 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido bem menor e um lucro bruto maior, sinalizando que as operações principais estão se estabilizando após um turbulento 2024.

Conteúdo
  1. Recuperação ganha ritmo apesar da demanda fraca
  2. Como o boicote afetou o setor e por que o fast-food foi um dos alvos
  3. Como está o boicote na Indonésia atualmente
  4. Fechamentos, operações mais enxutas e o caminho para reduzir custos
  5. Marcas locais conquistam espaço à medida que consumidores mudam de preferência
  6. Contração mais acentuada na Malásia revela pressão regional
  7. Pressões macroeconômicas: por que as vendas continuam sob pressão
  8. Como melhorar as margens quando a receita quase não muda
  9. O que acompanhar até 2026
  10. Principais pontos

A empresa registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de Rp 239 bilhões (cerca de 14,34 milhões de dólares) entre janeiro e setembro de 2025. O valor compara-se ao prejuízo de Rp 557 bilhões no mesmo período de 2024. A receita recuou ligeiramente, para Rp 3,56 trilhões (cerca de 213,61 milhões de dólares), ante Rp 3,59 trilhões, mas o custo dos produtos vendidos caiu de Rp 1,59 trilhão para Rp 1,43 trilhão. A redução elevou o lucro bruto para Rp 2,13 trilhões, ante Rp 2,08 trilhões um ano antes. O prejuízo operacional diminuiu acentuadamente, passando de Rp 585 bilhões para Rp 244 bilhões nos mesmos períodos de nove meses.

O diretor Wachjudi Martono afirmou que o boicote, iniciado no fim de 2023 e intensificado ao longo de 2024, deixou de ser marcado por campanhas organizadas e passou a refletir escolhas mais individuais. Segundo ele, o mercado está se normalizando gradualmente, embora alguns clientes ainda evitem marcas vistas como alinhadas a interesses ocidentais.

Ao apresentar a avaliação da empresa, o diretor Wachjudi Martono afirmou que a reação negativa está perdendo força, embora não tenha desaparecido por completo.

As coisas começaram a se acalmar, embora ainda haja resquícios.

Wachjudi alertou que ainda se espera que 2025 termine no vermelho, pois as finanças das famílias continuam pressionadas. Ele apontou o baixo poder de compra e o enfraquecimento do mercado de trabalho como desafios persistentes, mas disse esperar que medidas do governo para estimular a atividade econômica apoiem a recuperação no próximo ciclo.

Antes de detalhar as pressões macroeconômicas, Wachjudi destacou os fatores que pesam sobre as vendas atualmente.

Nossas vendas são afetadas pela queda do poder de compra e pelo aumento do desemprego. Alguns setores, como o de manufatura, ainda precisam de estímulos do governo.

Ele acrescentou que a liberação mais rápida de verbas dos orçamentos regionais poderia impulsionar a demanda. Segundo ele, mais gastos nas economias locais aumentariam o fluxo de clientes e as transações.

Essa é uma oportunidade para nós. Mais dinheiro circulando entre a população significa que a economia vai se aquecer e crescer.
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Como o boicote afetou o setor e por que o fast-food foi um dos alvos

O impacto sobre as franquias de marcas ocidentais na Indonésia se intensificou após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. Muitos consumidores optaram por evitar empresas que consideravam ligadas a Israel ou a seus aliados. Esse sentimento atingiu setores que dependem de compras frequentes e discricionárias, entre eles restaurantes de serviço rápido e redes de cafeterias. A KFC, que opera na Indonésia desde 1979, registrou forte queda no movimento em muitas cidades no fim de 2023 e no início de 2024.

No primeiro trimestre de 2024, a Fast Food Indonesia registrou prejuízo líquido de Rp 348,83 bilhões, ante Rp 5,56 bilhões no mesmo trimestre de 2023. Gerentes de lojas descreveram o início de 2024 como um período excepcionalmente fraco, sobretudo nos dias de semana. Um gerente da KFC em Medan, que falou sob anonimato por não ter autorização para conversar com a imprensa, descreveu as mesas vazias e a mudança no movimento durante a semana depois do início da guerra.

Ao relatar a perspectiva de quem estava no local, um gerente da KFC em Medan explicou a queda no movimento nos dias de semana no início de 2024.

O restaurante fica muito vazio de segunda a quinta-feira.

As marcas de serviço rápido enfrentaram uma combinação de fatores adversos. Consumidores que queriam demonstrar solidariedade aos palestinos evitaram estabelecimentos associados a nomes americanos. As redes sociais disseminaram rapidamente os apelos ao boicote, e muitos consumidores passaram a comprar de vendedores locais de alimentos. A dinâmica ecoou tendências em mercados vizinhos, embora a intensidade variasse entre países e cidades.

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Como está o boicote na Indonésia atualmente

A administração da Fast Food Indonesia considera que o movimento está agora mais fragmentado e menos coordenado do que no auge de 2024. Ainda há focos de resistência em algumas regiões, mas a fase mais aguda já passou. Essa mudança ajuda a explicar por que a receita caiu apenas ligeiramente, enquanto o lucro bruto melhorou. Clientes habituais estão voltando, promoções atraem público e parte das campanhas mais organizadas perdeu força.

O cenário mais amplo nos mercados de maioria muçulmana ainda reflete cautela em relação a marcas ligadas ao Ocidente. Operadores no Oriente Médio e no Sudeste Asiático continuam relatando movimento irregular, dependendo do sentimento local e da visibilidade da marca nos debates públicos sobre Gaza. Amarpal Sandhu, diretor-presidente da Americana Restaurants, que opera a KFC e outras marcas na Ásia Ocidental, resumiu esse padrão de recuperação desigual.

Apresentando uma perspectiva regional, o diretor-presidente da Americana Restaurants, Amarpal Sandhu, descreveu a continuidade do movimento.

O impacto varia entre as regiões, mas diríamos que o boicote ainda existe.

O contexto da Indonésia é particular. A maior população muçulmana do mundo, uma forte cultura de comer fora e uma extensa rede de shopping centers e restaurantes de beira de estrada formam uma ampla base para o consumo em restaurantes de serviço rápido. Essa base tem se mostrado resiliente, embora alguns clientes ainda prefiram marcas locais por princípio ou por serem mais sensíveis a preços.

Fechamentos, operações mais enxutas e o caminho para reduzir custos

A melhora das margens da empresa reflete mudanças internas significativas iniciadas em 2024. A Fast Food Indonesia fechou lojas com desempenho abaixo do esperado e enxugou as equipes para ajustá-las à demanda. Até o terceiro trimestre de 2024, a rede havia fechado 47 unidades e reduzido o quadro de funcionários em 2.274 postos. Com isso, mais de 700 lojas continuaram em operação em todo o país, com uma força de trabalho superior a 13 mil funcionários. Essas medidas são dolorosas para os funcionários e os bairros que perdem estabelecimentos conhecidos, mas ajudam a reduzir custos fixos e a concentrar recursos em locais com maior movimento.

A queda do custo dos produtos vendidos em 2025 sugere que outras medidas também estão em curso. As empresas costumam renegociar contratos com fornecedores, simplificar cardápios e ajustar o tamanho das porções para proteger as margens. Os cardápios de serviço rápido na Indonésia também tendem a ser flexíveis, com itens adaptados ao mercado local e preços alinhados às expectativas de valor dos clientes. Promoções e ofertas combinadas ajudam a sustentar o número de transações mesmo quando a renda disponível está apertada.

A redução do prejuízo operacional de Rp 585 bilhões para Rp 244 bilhões nos períodos de nove meses mostra que a reestruturação de custos está surtindo efeito. Esse valor inclui despesas das lojas, custos de vendas e administrativos e outros itens operacionais. Ele não inclui despesas financeiras nem impostos, por isso oferece uma visão mais clara da saúde cotidiana do negócio do que o lucro líquido isoladamente.

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Marcas locais conquistam espaço à medida que consumidores mudam de preferência

Uma mudança clara ao longo de 2024 e 2025 foi o crescimento dos concorrentes nacionais. Na Indonésia e na Malásia, redes locais abriram novas unidades e recorreram a mensagens direcionadas para atrair clientes que buscavam alternativas às marcas ocidentais. Na Indonésia, a recém-chegada Almaz Fried Chicken abriu dezenas de lojas em poucos meses, sobretudo na Grande Jacarta e em partes de Sumatra. Redes de cafeterias como a ZUS Coffee também se beneficiaram dessa tendência ao se posicionarem como opções nacionais.

Essa substituição vai além da política. As marcas locais muitas vezes têm custos indiretos menores por loja. Em geral, compram mais ingredientes no mercado interno e conseguem adaptar rapidamente os cardápios aos gostos locais. Também têm mais flexibilidade para definir preços. Em períodos de baixo poder de compra, pequenas diferenças de preço fazem diferença. Isso pressiona as grandes franquias a oferecer um bom custo-benefício sem prejudicar as margens.

Contração mais acentuada na Malásia revela pressão regional

Do outro lado do Estreito de Malaca, a franqueada da KFC fechou temporariamente mais de 100 lojas na Malásia em 2024, em meio à queda do movimento e à alta dos custos. A operadora afirmou que consolidaria as operações em zonas comerciais mais fortes e realocaria funcionários sempre que possível. Os fechamentos se tornaram um dos exemplos mais visíveis de como boicotes prolongados podem levar a grandes ajustes no setor de serviço rápido do Sudeste Asiático.

O cenário na Indonésia foi menos grave, mas os dois mercados têm pontos em comum. Os consumidores recorreram aos boicotes para expressar opiniões políticas, as redes sociais amplificaram essas escolhas e marcas locais ocuparam o espaço. Para as multinacionais nos dois países, conciliar a gestão das marcas com as sensibilidades locais se tornou uma tarefa central para a liderança.

Pressões macroeconômicas: por que as vendas continuam sob pressão

Os comentários de Wachjudi sobre poder de compra e desemprego apontam para um segundo desafio, além dos boicotes. Quando as famílias enfrentam maior incerteza em relação ao emprego, reduzem os gastos discricionários. Refeições de serviço rápido, mesmo quando acessíveis, podem estar entre as primeiras despesas a serem cortadas. O setor de manufatura da Indonésia tem apresentado desempenho irregular, o que repercute no mercado de trabalho, inclusive no trabalho de meio período, que muitas vezes complementa a renda de jovens consumidores que gastam em shopping centers e praças de alimentação.

As políticas do governo podem ajudar. A liberação de verbas dos orçamentos locais para infraestrutura, serviços públicos e assistência social aumenta o dinheiro em circulação. A liberação mais rápida tende a beneficiar pequenos negócios, mercados e serviços urbanos nas áreas onde operam as redes de restaurantes. Se o fluxo de clientes aumentar, as promoções se tornam mais eficazes e a composição das vendas melhora. Por isso, a administração considera que a liberação tempestiva de gastos regionais pode dar um apoio concreto à retomada em 2026.

Ao entrar em 2026, a Fast Food Indonesia aposta que uma combinação de eficiência de custos, marketing direcionado e normalização gradual do sentimento dos consumidores impulsionará seu desempenho. A empresa demonstrou cautela em relação ao lucro em 2025, mas a evolução dos resultados operacionais é animadora.

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Como melhorar as margens quando a receita quase não muda

Investidores costumam perguntar como uma empresa pode apresentar um lucro bruto maior com receita menor. Três fatores geralmente explicam essa diferença. Primeiro, as compras podem ser direcionadas a insumos mais econômicos sem alterar a experiência do cliente. Segundo, a composição das vendas pode favorecer itens de margem maior, como combos familiares ou refeições à base de arroz que são fáceis de transportar por aplicativos de entrega. Terceiro, os custos no nível das lojas caem quando unidades com desempenho fraco são fechadas e a mão de obra é redistribuída entre turnos e locais.

Os números da Fast Food Indonesia apontam para algumas ou todas essas dinâmicas. O custo dos produtos vendidos caiu de Rp 1,59 trilhão para Rp 1,43 trilhão, uma redução significativa diante da pequena queda da receita. Isso gerou Rp 50 bilhões a mais de lucro bruto em relação ao mesmo período do ano anterior, nos primeiros nove meses, contribuindo para reduzir o prejuízo operacional. Embora as despesas financeiras e os impostos ainda possam manter o resultado líquido no vermelho, a melhora operacional é um marco importante após o impacto de 2024.

O que acompanhar até 2026

Alguns indicadores mostrarão se a recuperação segue no rumo esperado:

  • Produtividade das lojas. As vendas nas mesmas lojas e o número de transações por unidade indicam se os clientes estão voltando para além das promoções de curta duração.
  • Tendências de custos. Os preços cobrados pelos fornecedores por frango, óleo de cozinha e embalagens são fundamentais para a estabilidade das margens.
  • Intensidade da concorrência. O ritmo de abertura de redes nacionais de frango frito e cafeterias influenciará o poder de definir preços.
  • Canais digitais. Entregas e pedidos com retirada na loja impulsionam vendas adicionais quando os prazos de atendimento e as ofertas nos aplicativos são competitivos.
  • Sentimento dos consumidores. Qualquer escalada no Oriente Médio ou nova campanha viral pode reduzir temporariamente a demanda.

Por enquanto, a orientação da própria empresa é cautelosa. A administração considera viável uma retomada em 2026, enquanto 2025 ainda será afetado pela situação mais ampla da economia. Isso está de acordo com o padrão observado em toda a região, onde as marcas relatam uma recuperação gradual, mas não um retorno completo aos hábitos anteriores à guerra.

Principais pontos

  • A Fast Food Indonesia reduziu o prejuízo líquido de janeiro a setembro de 2025 para Rp 239 bilhões, ante Rp 557 bilhões um ano antes.
  • A receita recuou para Rp 3,56 trilhões, mas o custo dos produtos vendidos caiu mais acentuadamente, elevando o lucro bruto para Rp 2,13 trilhões.
  • O prejuízo operacional caiu para Rp 244 bilhões, mostrando que as medidas de redução de custos estão funcionando apesar da demanda estável.
  • A administração afirma que os boicotes passaram de campanhas organizadas a escolhas mais pessoais, embora ainda existam focos do movimento.
  • Wachjudi Martono prevê uma possível retomada em 2026 e alerta que 2025 provavelmente continuará sendo um ano de prejuízo.
  • A rede fechou dezenas de lojas e reduziu o quadro de funcionários em 2024 para reestruturar custos e se concentrar em locais mais movimentados.
  • Concorrentes locais como a Almaz Fried Chicken cresceram rapidamente à medida que os consumidores passaram a preferir marcas nacionais.
  • Mais de 100 unidades da KFC na Malásia fecharam temporariamente em 2024, evidenciando a pressão regional sobre redes ligadas ao Ocidente.
  • O baixo poder de compra e o mercado de trabalho irregular da Indonésia continuam pesando sobre as vendas.
  • A liberação mais rápida de verbas dos orçamentos regionais do governo poderia apoiar o fluxo de clientes e as transações em 2026.
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