Um apagão repentino no início da alta temporada
O rompimento de um cabo submarino de energia mergulhou a ilha turística vietnamita de Phu Quoc em um amplo apagão na tarde de sábado, mostrando como uma única falha ainda pode afetar a vida e os negócios em um destino em rápido crescimento. A linha submarina de 110 kV entre Ha Tien e Phu Quoc falhou perto do trecho continental por volta das 13h15, segundo a Companhia de Energia de An Giang, depois que uma empreiteira de uma estrada costeira teria cravado estacas dentro da faixa de segurança da rede elétrica. O rompimento interrompeu uma das duas principais rotas de abastecimento da ilha e deixou dezenas de milhares de moradores e visitantes sem energia.
Conteúdo
- Um apagão repentino no início da alta temporada
- O que causou o rompimento perto de Ha Tien?
- Como a energia foi restabelecida e quem continua afetado
- Por que uma única falha pode deixar grande parte de Phu Quoc sem energia?
- Uma conexão submarina vital construída em 2014, confiável, mas ainda vulnerável
- O desafio do reparo e o que é necessário para consertar um cabo submarino rompido
- Turismo, vida cotidiana e impacto nos negócios
- O que mudará para reduzir o risco da próxima vez?
- Por que as faixas de segurança são importantes perto de cabos de alta tensão
- O que saber
Os engenheiros redirecionaram rapidamente a energia da subestação Nam Phu Quoc de 110/22 kV para manter em funcionamento hospitais, estações de tratamento de água, telecomunicações e serviços essenciais. Até domingo, o fornecimento havia sido restabelecido para cerca de 17.400 clientes, mas mais de 12 mil residências, muitas no norte da ilha, continuavam sem energia.
A interrupção ocorreu quando Phu Quoc, lar de quase 160 mil pessoas, entra no período mais movimentado do ano. A ilha recebeu cerca de 6,5 milhões de visitantes nos primeiros nove meses do ano, gerando mais de 31 trilhões de dong em receita turística (cerca de 1,17 bilhão de dólares). A perda repentina de energia é um novo teste de resistência para uma rede que se expandiu rapidamente para acompanhar o crescimento do turismo, mas ainda depende de poucas conexões críticas.
O que causou o rompimento perto de Ha Tien?
As avaliações iniciais apontam para erro humano no continente. Autoridades do setor elétrico disseram que uma empreiteira que construía uma estrada costeira perto de Ha Tien cravou estacas em violação à faixa de segurança de alta tensão, uma zona protegida que mantém equipamentos pesados afastados de infraestruturas enterradas. O impacto rompeu o cabo de três condutores de 110 kV que transporta energia sob águas rasas antes de seguir para o leito marinho mais profundo no trajeto até a ilha. A concessionária trabalha com as autoridades locais para confirmar a causa exata e acelerar os reparos.
Os trechos próximos à costa costumam ser as partes mais vulneráveis de uma conexão elétrica submarina. Os cabos geralmente são enterrados e revestidos com proteção, e sua localização é mapeada para que dragas, bate-estacas e âncoras não atinjam essas estruturas. Obras que invadem a faixa de segurança ainda podem superar essas proteções durante a construção, especialmente em leitos marinhos macios, onde as estacas podem alcançar maiores profundidades.
Como a energia foi restabelecida e quem continua afetado
Para estabilizar a rede elétrica da ilha, as equipes priorizaram o fornecimento a instalações críticas. A subestação Nam Phu Quoc de 110/22 kV alimentou cargas essenciais pela rede de 22 kV, mantendo energizados escritórios do Partido e do governo, unidades militares, hospitais, sistemas de abastecimento de água, grandes nós de telecomunicações e bairros selecionados. Alguns resorts e estabelecimentos comerciais recorreram a geradores próprios para contornar a interrupção.
Grandes áreas da metade norte da ilha, incluindo partes de Duong Dong, Cua Can, Cua Duong e Ham Ninh, enfrentaram interrupções prolongadas. A Companhia de Energia de An Giang informou que cerca de 12 mil clientes no norte ainda estavam sem energia da rede no domingo. O fornecimento alternado está sendo usado em zonas limitadas, mas a demanda supera em muito a geração temporária.
Por que uma única falha pode deixar grande parte de Phu Quoc sem energia?
Phu Quoc é abastecida por duas conexões de alta tensão: o cabo submarino de 110 kV vindo de Ha Tien e a linha de transmissão de 220 kV entre Kien Binh e Phu Quoc. As linhas ainda não estão conectadas em um anel completo que permita à eletricidade contornar um trecho avariado. Quando uma rede é radial, em vez de formar um circuito fechado, um único rompimento pode isolar bairros e distritos inteiros até que as equipes reconfigurem o sistema ou concluam os reparos.
Um projeto em circuito fechado, às vezes chamado de configuração em anel, dá aos operadores mais opções em caso de falha. A energia pode percorrer o circuito no sentido contrário e chegar às áreas isoladas pelo problema. Sem essa redundância, os engenheiros ainda conseguem restabelecer o fornecimento em algumas áreas por meio da comutação de alimentadores e do uso de subestações, mas a recuperação é parcial. A interrupção atual mostra o valor de uma rede em anel para uma ilha grande, com população espalhada e infraestrutura turística.
Uma conexão submarina vital construída em 2014, confiável, mas ainda vulnerável
A conexão submarina entre Ha Tien e Phu Quoc entrou em operação no início de 2014, após um dos projetos de energia mais complexos do Vietnã. O cabo de corrente alternada de 110 kV se estende por quase 58 quilômetros pelo golfo da Tailândia. A construção custou mais de 2,3 trilhões de dong e foi realizada por uma empreiteira internacional experiente, sob a supervisão da Corporação de Energia do Sul do Vietnã. O projeto encerrou anos de dependência das usinas a diesel da ilha e passou a fornecer energia do continente em grande escala.
Os engenheiros escolheram um cabo contínuo de cobre com três condutores para aumentar a confiabilidade e a capacidade. Levantamentos oceânicos mapearam o trajeto, e os construtores enterraram e revestiram trechos do cabo para protegê-lo de âncoras, correntes e movimentação de areia perto da costa. Essa abordagem reduziu o risco de danos mecânicos na maioria das condições. Nenhum projeto consegue eliminar totalmente os riscos de grandes obras civis perto dos pontos de chegada à costa, por isso é essencial fiscalizar rigorosamente as faixas de segurança. Informações técnicas sobre o projeto continuam disponíveis no site da consultoria vietnamita envolvida, a PECC2, que detalhou as decisões de engenharia e os métodos de instalação em pecc2.com.
O desafio do reparo e o que é necessário para consertar um cabo submarino rompido
O reparo de um cabo submarino de alta tensão danificado é um trabalho especializado. As equipes precisam localizar a falha, geralmente por meio de testes elétricos e reflectometria no domínio do tempo, e então inspecionar o leito marinho para confirmar a localização exata. Um navio ou uma barcaça de lançamento de cabos é mobilizado com equipamentos para emendas, e mergulhadores ou ferramentas operadas remotamente expõem o cabo. O trecho danificado é removido, um novo cabo é instalado e emendas feitas sob controles rigorosos reconectam os três condutores e o revestimento protetor. Cada etapa exige mar calmo e verificações cuidadosas de qualidade.
Autoridades do setor elétrico disseram que o prazo do reparo depende da extensão dos danos e da solução técnica escolhida. As condições climáticas, a disponibilidade de embarcações e as autorizações para trabalhar perto da costa podem prolongar o cronograma. Durante a interrupção, unidades da Corporação de Energia do Sul estão instalando geradores a diesel para fornecer energia em sistema de rodízio onde a rede local consegue recebê-la. Devido ao longo alcance da rede de distribuição da ilha, que passa de 40 quilômetros em algumas direções, e à forte demanda da temporada turística, não é possível cobrir toda a área com geração temporária.
Turismo, vida cotidiana e impacto nos negócios
A economia de Phu Quoc depende de energia confiável. Resorts, vilas e restaurantes precisam de eletricidade para ar-condicionado, refrigeração e bombas de água. As redes de telecomunicações precisam de fornecimento estável para manter os serviços de dados e telefonia móvel. O momento da interrupção agrava a situação. A ilha está entrando no período de pico das férias, quando a ocupação aumenta e os visitantes esperam serviços sem interrupções. Muitos hotéis maiores mantêm geradores de reserva, mas o combustível, o ruído e os limites de carga trazem dificuldades. Estabelecimentos menores e comércios de rua enfrentam escolhas mais difíceis sobre horários e serviços.
Moradores relatam que o abastecimento de água e o sinal de celular se mantiveram em muitas áreas centrais graças ao redirecionamento prioritário da subestação Nam Phu Quoc. Hospitais e clínicas continuaram funcionando. Bairros do norte enfrentaram apagões mais longos e fornecimento intermitente. Famílias carregaram celulares em prédios públicos, e algumas comunidades compartilharam geradores para alimentar bombas e freezers comunitários. Autoridades locais pediram paciência enquanto os engenheiros investigavam a falha e organizavam a logística marítima.
O que mudará para reduzir o risco da próxima vez?
A Corporação de Energia do Sul está desenvolvendo vários projetos para reforçar a rede principal de Phu Quoc. Estão previstas novas linhas de 110 kV para conectar o norte e o sul da ilha, além de uma subestação de 220 kV no local. Quando estiverem concluídos e interligados, esses ativos permitirão que os operadores redirecionem a energia em torno de um trecho avariado e isolem áreas menores durante incidentes. O avanço foi prejudicado por dificuldades com a desocupação de terrenos e as indenizações, o que atrasou a energização dos projetos.
Há também medidas de política pública. Mapas precisos das redes enterradas, maior coordenação entre construtoras e operadores da rede elétrica e fiscalização das faixas de segurança podem evitar que o problema se repita perto dos pontos de chegada à costa. Empreiteiras que trabalham perto de infraestruturas críticas geralmente precisam inspecionar, sinalizar e monitorar as áreas protegidas, além de avisar as concessionárias antes de cravar estacas. Regras de responsabilização e penalidades ajudam a alinhar os incentivos, enquanto o seguro pode cobrir danos sem atrasar a restauração do serviço.
Por que as faixas de segurança são importantes perto de cabos de alta tensão
As faixas de segurança elétrica definem distâncias mínimas em torno de linhas, subestações e cabos submarinos. Elas existem para reduzir o risco de incêndios, choques elétricos e danos mecânicos. Em ambientes próximos à costa, a faixa geralmente abrange tanto áreas terrestres quanto um trecho delimitado do leito marinho que contém o cabo enterrado e sua zona prevista de movimentação. Manter-se fora dessa área evita que estacas pesadas e âncoras transfiram força para a cobertura do cabo e seus condutores de cobre.
Para uma cidade costeira em rápido crescimento como Ha Tien, o cumprimento rigoroso dessas regras protege tanto os trabalhadores quanto os serviços públicos. A maioria dos países exige licenças, supervisão no local e um plano temporário de trabalho para obras realizadas perto de infraestruturas energizadas. O setor elétrico do Vietnã ampliou essas exigências à medida que a rede cresceu. Incidentes como o rompimento em Phu Quoc costumam levar a novas auditorias, cursos de atualização e maior coordenação em projetos rodoviários futuros.
O que saber
- Um cabo submarino de energia de 110 kV entre Ha Tien e Phu Quoc foi rompido no sábado, por volta das 13h15, perto do continente.
- A causa suspeita é o cravamento de estacas por uma empreiteira de uma estrada costeira dentro da faixa de segurança da rede elétrica.
- O fornecimento foi restabelecido para cerca de 17.400 clientes pela subestação Nam Phu Quoc de 110/22 kV; cerca de 12 mil residências, principalmente no norte, continuavam sem energia no domingo.
- As áreas afetadas incluem partes de Duong Dong, Cua Can, Cua Duong e Ham Ninh.
- A rede elétrica de Phu Quoc não tem uma conexão em circuito fechado; a ilha depende do cabo submarino de 110 kV e da linha de 220 kV entre Kien Binh e Phu Quoc.
- A Corporação de Energia do Sul está avançando com novas linhas de 110 kV e uma subestação de 220 kV na ilha, mas o progresso foi atrasado pela desocupação de terrenos.
- Geradores a diesel estão sendo usados para fornecer energia em sistema de rodízio, mas a alta demanda e as longas distâncias de distribuição limitam a cobertura.
- O cabo submarino entrou em operação em 2014, tem quase 58 quilômetros de extensão e custou mais de 2,3 trilhões de dong.






