Taiwan registra 22º mês consecutivo de queda populacional, com menos nascimentos e envelhecimento acelerado

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Taiwan must harness tech to ease impact of rapid societal aging: ND…

Um marco demográfico preocupante

Em outubro, Taiwan registrou o 22º mês consecutivo de queda populacional, reforçando uma tendência que está transformando a sociedade e a economia da ilha. Dados do Ministério do Interior mostram que houve 9.458 nascimentos e 15.908 mortes no mês. A diferença entre esses números, uma redução natural da população de 6.450 pessoas, foi compensada apenas parcialmente por um pequeno saldo migratório positivo de 272 pessoas. A população total de Taiwan caiu 6.178 pessoas em relação a setembro, chegando a 23.310.853 no fim de outubro.

Conteúdo
  1. Um marco demográfico preocupante
  2. O que mostram os dados mais recentes
  3. Nascimentos em níveis historicamente baixos
  4. Mortes permanecem estáveis em patamar elevado
  5. Por que os nascimentos continuam caindo em Taiwan
  6. Custos e moradia
  7. Trabalho, família e normas de gênero
  8. Proximidade do patamar de sociedade superenvelhecida
  9. Aumentam as pressões econômicas e sociais
  10. A migração ajuda, mas não compensa a queda
  11. Como Taiwan se compara ao restante do Leste Asiático
  12. O que as autoridades estão fazendo
  13. Entenda os números
  14. Principais pontos

Os nascimentos foram 22% menores do que no mesmo mês do ano passado, embora tenham aumentado modestamente em relação a setembro. O número de mortes subiu ligeiramente tanto em relação ao mês anterior quanto a outubro do ano passado. Os dados mensais correspondem a uma taxa bruta de natalidade de 4,78 por mil habitantes e a uma taxa bruta de mortalidade de 8,03 por mil. Esse saldo continua reduzindo a população, numa tendência iniciada em 2020 e que persiste, com apenas breves interrupções.

A estrutura etária evidencia essa mudança. Pessoas com 65 anos ou mais representam agora 19,9% da população, pouco abaixo do limite de 20% usado pelas Nações Unidas para definir uma sociedade superenvelhecida. Crianças de até 14 anos correspondem a 11,55%, enquanto a faixa de 15 a 64 anos representa 68,55%. A cidade de Taipei tem a maior proporção de idosos, com 24%. O condado de Hsinchu tem a menor, com 14,95%.

A formação de famílias também está desacelerando. Em outubro, 10.735 casais se casaram e 4.511 se divorciaram. A taxa bruta de nupcialidade foi de 5,42 por mil habitantes, e a taxa bruta de divórcio, de 2,28 por mil. Casais do mesmo sexo representaram 307 casamentos e 77 divórcios do total registrado no mês.

O que mostram os dados mais recentes

Os principais números de outubro revelam três forças atuando ao mesmo tempo: menos nascimentos do que um ano atrás, um nível estável, mas elevado, de mortes e fluxos migratórios positivos, porém pequenos. A redução natural de 6.450 pessoas em outubro reflete padrões observados ao longo de 2025. Para contextualizar, Taiwan registrou 134.856 nascimentos em 2024, o menor total anual já registrado, e a tendência em 2025 continua fraca, apesar de uma recuperação temporária em relação a setembro.

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Nascimentos em níveis historicamente baixos

A taxa de fecundidade de Taiwan está entre as mais baixas do mundo. Estimativas a situam entre 0,85 e 0,9 filho por mulher nos últimos anos, muito abaixo da taxa de reposição de 2,1. O total de 9.458 nascimentos em outubro equivale a cerca de um bebê a cada 4,7 minutos. Efeitos sazonais e de calendário podem influenciar os dados mensais, mas a tendência mais ampla é de estabilidade ou queda, mesmo em anos considerados auspiciosos no calendário lunar.

Mortes permanecem estáveis em patamar elevado

As mortes totalizaram 15.908 em outubro, cerca de uma a cada 2,8 minutos. A expectativa de vida é alta em comparação com a média global e o acesso a atendimento médico é amplo, mas a população idosa de Taiwan está crescendo rapidamente. Com o envelhecimento da população, o número de mortes tende a permanecer elevado em relação ao de nascimentos. Essa realidade estrutural dificulta que os nascimentos de um único mês alterem a tendência nacional.

Por que os nascimentos continuam caindo em Taiwan

As razões são conhecidas nas economias avançadas, mas se combinam de forma intensa em Taiwan. Casamentos mais tardios, altos custos de moradia nas grandes cidades, longas jornadas de trabalho e gastos elevados com educação pesam nas decisões de formar uma família. Muitas mulheres relatam que as penalidades profissionais e a distribuição desigual das tarefas domésticas tornam a maternidade menos viável. Casais que querem ter filhos muitas vezes adiam o primeiro nascimento e, depois, têm apenas um filho ou nenhum.

Custos e moradia

Os preços dos imóveis em Taipei, Nova Taipei, Taichung e Hsinchu avançam mais rápido do que os salários. Os custos do financiamento imobiliário ou do aluguel consomem uma parcela considerável da renda dos jovens adultos justamente na fase em que poderiam começar a formar uma família. As vagas em creches podem ser escassas nos bairros mais procurados, e creches particulares e programas no contraturno escolar acrescentam despesas mensais significativas. Existem programas de auxílio financeiro, mas os custos pagos diretamente pelas famílias continuam sendo um obstáculo.

Trabalho, família e normas de gênero

A cultura de longas jornadas, os horários rígidos e a oferta limitada de trabalho flexível dificultam conciliar uma carreira exigente com os cuidados familiares. Mesmo com proteções legais, as mães enfrentam maior risco de estagnação salarial e de progressão profissional mais lenta. Os pais tiram menos licença do que a política permite, o que deixa uma parcela maior da carga sobre as mães. Transformar o ambiente de trabalho para apoiar a vida familiar é um processo lento, e as expectativas sociais mudam gradualmente.

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Tratamentos de infertilidade tornaram-se mais comuns à medida que os casais começam a formar famílias mais tarde. Os subsídios públicos para reprodução assistida foram ampliados, e clínicas relatam aumento na procura em todo o Leste Asiático. Custos, acesso e taxas de sucesso ainda variam, por isso muitos casais enfrentam um caminho complexo e demorado até a parentalidade.

Proximidade do patamar de sociedade superenvelhecida

Taiwan está prestes a se tornar uma sociedade superenvelhecida. A proporção de moradores com 65 anos ou mais chegou a 19,9% em outubro. O parâmetro da ONU para uma sociedade superenvelhecida é de 20%. É provável que Taiwan ultrapasse esse limite em breve, diante do ritmo constante de envelhecimento e do baixo número de nascimentos. A proporção da população em idade ativa, hoje em 68,55%, diminuirá com o tempo, à medida que grupos etários mais numerosos se aposentarem.

Essa mudança transforma o cotidiano. Todos os condados e cidades precisam de mais cuidados de longa duração, serviços de assistência e moradias adaptadas para idosos. A diferença entre áreas urbanas e rurais na proporção de idosos já é visível: em Taipei, o índice chega a 24%, enquanto no condado de Hsinchu fica abaixo de 15%. Planejar o transporte, a capacidade dos serviços de saúde, a formação de cuidadores domiciliares e espaços públicos adaptados para idosos tornou-se uma função central dos governos locais.

Demógrafos acompanham a razão de dependência, que compara o número de crianças e idosos com o da população em idade ativa. Essa razão está aumentando em Taiwan, à medida que a população jovem diminui e a idosa cresce. Sem uma recuperação dos nascimentos ou um aumento sustentado da imigração, o número de trabalhadores por aposentado continuará caindo, o que dificulta o financiamento das aposentadorias e do sistema de saúde.

Aumentam as pressões econômicas e sociais

Projeções de longo prazo do Conselho Nacional de Desenvolvimento apontam para uma sociedade muito menor nas próximas décadas. As previsões indicam que a população pode chegar a cerca de 15 milhões até 2070 se a baixa fecundidade persistir, e a proporção de moradores com 65 anos ou mais pode se aproximar de uma em cada duas pessoas. Uma mudança dessa magnitude transformaria o mercado de trabalho, aumentaria a pressão sobre os sistemas de aposentadoria e seguro-saúde e elevaria acentuadamente a demanda por cuidados de longa duração. Também mudaria o lugar onde as pessoas vivem: alguns municípios rurais enfrentariam forte despovoamento, enquanto alguns centros urbanos continuariam atraindo trabalhadores.

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Para os empregadores, uma oferta cada vez menor de jovens trabalhadores significa concorrência mais acirrada por talentos, salários mais altos em setores-chave e mais investimentos em automação. As empresas já estão ampliando o uso de software e robótica para manter a produção com menos trabalhadores. A ampla adoção de tecnologias digitais em Taiwan, a rápida expansão da banda larga fixa e o uso crescente de serviços em nuvem podem ajudar a elevar a produtividade, mas adaptar a tecnologia ao trabalho de cuidados e aos serviços é mais complexo.

As finanças públicas exigirão planejamento cuidadoso. Menos contribuintes terão de sustentar gastos maiores com saúde, cuidados de longa duração e aposentadorias. Os formuladores de políticas avaliam mudanças na idade de aposentadoria, nas alíquotas de contribuição e nas fórmulas de cálculo dos benefícios, ao mesmo tempo que incentivam a aprendizagem ao longo da vida e a permanência na carreira por mais tempo. A dimensão dos ajustes dependerá da evolução da fecundidade, da imigração e da produtividade na próxima década.

A migração ajuda, mas não compensa a queda

Taiwan registrou um saldo migratório positivo de 272 pessoas em outubro, um reforço favorável, mas pequeno diante da redução natural da população. Em alguns meses do início deste ano, a emigração superou ligeiramente a imigração. Ao longo de um ano, a entrada de estudantes, profissionais, cuidadores e familiares pode desacelerar a perda populacional, mas o número necessário para compensar totalmente os poucos nascimentos seria muito alto.

A política de imigração é uma área sensível, e programas bem-sucedidos dependem de caminhos claros para a residência, proteção aos trabalhadores e apoio às famílias. Taiwan ampliou nos últimos anos o recrutamento de cuidadores e trabalhadores qualificados. O impacto de longo prazo depende da permanência, da integração e de quantos imigrantes decidem se estabelecer de forma permanente e formar famílias.

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Como Taiwan se compara ao restante do Leste Asiático

Taiwan não está sozinho. A fecundidade caiu em todo o Leste Asiático de alta renda, para níveis muito abaixo da reposição. A taxa da Coreia do Sul está perto de 0,7; a de Hong Kong, abaixo de 0,8; a de Taiwan, entre 0,85 e 0,9; a do Japão, em torno de 1,2; e a da China, perto de 1,0. Todos os países desse grupo estão envelhecendo rapidamente, e cada um já tentou incentivos em larga escala, benefícios fiscais, apoio à moradia ou ampliação do acesso a creches, com efeito limitado sobre os nascimentos.

A experiência de outros lugares mostra que incentivos financeiros podem elevar os nascimentos por um curto período, mas o efeito depois desaparece. Ganhos duradouros tendem a vir de mudanças mais profundas, como jornadas de trabalho mais curtas, empregos mais flexíveis, acesso confiável a creches públicas e mudanças nas normas sobre os pais tirarem licença. Mesmo com avanços, a fecundidade costuma se estabilizar entre 1,4 e 1,6, ainda abaixo da taxa de reposição, o que significa que a população continua diminuindo sem imigração.

O que as autoridades estão fazendo

O governo está atuando em várias frentes. Entre as medidas em discussão ou já implementadas estão a ampliação dos subsídios para reprodução assistida, o aumento do auxílio durante a licença-maternidade, a oferta de creches mais acessíveis, incentivos a empregadores que adotem horários flexíveis e o uso de inteligência artificial e automação para reduzir a necessidade de mão de obra sempre que possível. Também está em andamento um planejamento fiscal para estabilizar os fundos do seguro-saúde e das aposentadorias à medida que a estrutura etária muda.

Um alto responsável pelo planejamento econômico alertou que qualquer aumento nos nascimentos só terá efeito sobre o mercado de trabalho depois de muito tempo. O vice-ministro do Conselho Nacional de Desenvolvimento, Kao, resumiu o desafio em termos práticos.

Mesmo que o governo reverta a atual baixa taxa de natalidade, as crianças levarão 20 anos para ingressar na força de trabalho depois de nascerem, o que significa que o governo precisa enfrentar as questões em paralelo.

Essa visão sustenta uma abordagem em duas frentes. Uma apoia as famílias agora, com subsídios para tratamentos de fertilidade, auxílios por nascimento e ampliação da capacidade de atendimento infantil. A outra aumenta a produtividade e amplia a participação, incorporando mais idosos, mulheres e trabalhadores estrangeiros à força de trabalho, com treinamento, proteção e remuneração justa. As cidades também estão testando projetos adaptados para idosos, desde transporte sem barreiras até calçadas mais seguras e centros comunitários de atendimento.

Entenda os números

As taxas brutas de natalidade e mortalidade correspondem ao número de nascimentos e mortes por mil habitantes em determinado período. Elas oferecem uma visão simples da velocidade com que a população cresce ou diminui. A variação natural da população é a diferença entre nascimentos e mortes. Quando as mortes superam os nascimentos, a população diminui, a menos que a imigração compense a diferença.

A taxa de fecundidade é o número médio de filhos que se espera que uma mulher tenha ao longo da vida. Nas economias desenvolvidas, a taxa de reposição é de aproximadamente 2,1. A idade mediana é aquela que divide a população ao meio, com metade das pessoas mais velhas e metade mais jovens. Uma sociedade superenvelhecida tem pelo menos 20% de pessoas com 65 anos ou mais. Taiwan está apenas uma fração abaixo desse patamar.

Os dados mensais podem oscilar por causa de feriados, calendários escolares e tradições culturais. Algumas famílias tentam planejar os nascimentos para anos considerados auspiciosos no zodíaco lunar. A tendência de vários anos ainda depende da segurança econômica, das normas no ambiente de trabalho e do apoio prático para criar filhos. Esses fatores mudam lentamente, por isso as tendências demográficas avançam aos poucos depois de se estabelecerem.

Principais pontos

  • A população de Taiwan caiu 6.178 pessoas em outubro de 2025, chegando a 23.310.853.
  • Foram registrados 9.458 nascimentos no mês, 22% a menos do que em outubro de 2024.
  • As mortes chegaram a 15.908, mantendo a taxa bruta de mortalidade acima da taxa bruta de natalidade.
  • A redução natural da população foi de 6.450 pessoas em outubro.
  • O saldo migratório acrescentou 272 pessoas, insuficientes para compensar a queda natural.
  • Pessoas com 65 anos ou mais representam 19,9% da população, perto do limite de sociedade superenvelhecida.
  • Crianças de até 14 anos correspondem a 11,55% da população, enquanto pessoas de 15 a 64 anos representam 68,55%.
  • Em outubro, houve 10.735 casamentos e 4.511 divórcios.
  • As projeções indicam que a população pode ficar próxima de 15 milhões até 2070 se a baixa fecundidade persistir.
  • Entre as medidas estão subsídios para tratamentos de fertilidade, auxílios durante licenças, ampliação de creches, trabalho flexível e automação direcionada.
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