COI suspende Indonésia como sede após ginastas israelenses terem vistos negados
O Comitê Olímpico Internacional (COI) instou as federações esportivas internacionais a evitar a realização de eventos na Indonésia depois que o país negou vistos a ginastas israelenses para o Campeonato Mundial de Ginástica Artística, em Jacarta. O conselho executivo do COI também suspendeu todas as conversas sobre candidaturas da Indonésia a futuros eventos olímpicos, afirmando que as discussões não serão retomadas até que o governo garanta a entrada de todos os atletas elegíveis, independentemente da nacionalidade. O comitê planeja ajustar as regras de classificação olímpica para exigir garantias de acesso e convocou o Comitê Olímpico da Indonésia e a Federação Internacional de Ginástica para uma reunião em Lausanne. A decisão foi anunciada durante a semana do campeonato na capital indonésia.
Conteúdo
- COI suspende Indonésia como sede após ginastas israelenses terem vistos negados
- O que motivou a decisão do COI
- Política da Indonésia e justificativa de ordem pública
- Como o COI reagiu e o que vai mudar
- O que a Carta Olímpica exige dos países-sede
- Tribunais e federações: o que decidiram a CAS e a FIG
- Atletas no meio do impasse
- As ambições da Indonésia como anfitriã e o histórico de participação israelense
- Política interna e opinião pública
- Um padrão mais amplo de esporte entrelaçado à geopolítica
- O que pode mudar nos próximos eventos
- O que acontece agora
- Principais pontos
A Indonésia, o maior país de maioria muçulmana do mundo, não mantém relações diplomáticas com Israel e há muito apoia a criação de um Estado palestino. Autoridades de alto escalão disseram que a recusa dos vistos ocorreu após objeções de integrantes do governo e de líderes religiosos do país, depois de meses de conflito em Gaza. A decisão impediu a equipe israelense de competir em Jacarta. A Federação Israelense de Ginástica classificou a medida como chocante e desoladora.
O ministro da Juventude e dos Esportes, Erick Thohir, disse que Jacarta aceita as consequências e descreveu a política como fundamentada na Constituição de 1945 e no dever de manter a ordem pública. Ele acrescentou que a Indonésia continuará participando de eventos regionais e globais, ao mesmo tempo que protegerá a segurança interna. Seu gabinete apresentou a posição como compatível com a legislação nacional e com o princípio de preservação da ordem mundial.
O que motivou a decisão do COI
O ponto de tensão foi o 53º Campeonato Mundial de Ginástica Artística da FIG, em Jacarta, iniciado na semana passada. Israel estava entre as dezenas de equipes inscritas para competir. Seus atletas e dirigentes não puderam viajar depois que as autoridades indonésias confirmaram que eles não receberiam vistos. Entre os afetados está Artem Dolgopyat, atual campeão mundial de solo, medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e de prata em Paris 2024. As autoridades indonésias mantiveram a proibição de vistos mesmo após um cessar-fogo recente em Gaza.
Política da Indonésia e justificativa de ordem pública
Autoridades argumentaram que a entrada da delegação israelense poderia provocar protestos e ameaçar a ordem pública. A Indonésia não mantém relações formais com Israel e segue há muito a política de não estabelecer relações até que a independência palestina seja reconhecida. O ministro sênior de Assuntos Jurídicos, Yusril Ihza Mahendra, disse que a proibição veio após objeções de setores do governo e de líderes religiosos. O governador de Jacarta afirmou que a crise humanitária em Gaza tornou a chegada da equipe inaceitável para muitos moradores.
Como o COI reagiu e o que vai mudar
O COI, citando seus princípios fundamentais, afirmou que países-sede não podem excluir atletas com base na nacionalidade. Seu conselho executivo recomendou que as federações internacionais evitem realizar competições ou reuniões na Indonésia até que o governo ofereça garantias firmes de entrada. Também suspendeu qualquer discussão sobre candidaturas indonésias aos Jogos Olímpicos da Juventude e aos Jogos Olímpicos de Verão de 2036. O comitê instruiu o Comitê Olímpico da Indonésia e a FIG a participar de uma reunião em Lausanne para tratar do caso e da questão mais ampla do acesso dos atletas.
O que a Carta Olímpica exige dos países-sede
A Carta Olímpica compromete o movimento com o acesso justo e sem discriminação e com a neutralidade política. Na prática, isso significa que o país-sede deve conceder vistos a todos os atletas e dirigentes elegíveis e manter o ambiente de competição seguro. Quando o acesso é negado, espera-se que as federações protejam a entrada dos participantes, transferindo os eventos ou estabelecendo condições antes de conceder sua realização. Os estatutos da FIG exigem que as autoridades anfitriãs garantam os vistos, embora a federação não tenha transferido o evento de Jacarta.
Em comunicado oficial, o COI afirmou que a proibição de vistos privou os atletas do direito de competir pacificamente e impediu o movimento de demonstrar o poder do esporte.
Essas ações privam os atletas do direito de competir pacificamente e impedem o movimento olímpico de demonstrar o poder do esporte.
O COI também afirmou que os sistemas de classificação olímpica serão atualizados para que todo torneio classificatório inclua uma garantia clara e aplicável de acesso para cada atleta elegível. O comitê lembrou a todas as partes envolvidas que o esporte deve oferecer oportunidades iguais, independentemente da nacionalidade, respeitando a autonomia das federações e as regras que elas estabelecem.
Tribunais e federações: o que decidiram a CAS e a FIG
A Federação Israelense de Ginástica apresentou recursos urgentes à Corte Arbitral do Esporte (CAS), pedindo que os árbitros ordenassem à Federação Internacional de Ginástica que garantisse a participação de Israel ou transferisse ou cancelasse o evento. A CAS rejeitou os pedidos. O painel também se recusou a anular o reconhecimento, pela FIG, da posição do governo indonésio. A CAS é o tribunal independente do esporte mundial e avalia pedidos de emergência considerando as regras das federações e a urgência dos danos. Neste caso, a competição continuou sem Israel.
Atletas no meio do impasse
Os mais afetados são os atletas que passaram meses se preparando para atingir o auge em Jacarta. Dolgopyat, campeão mundial e medalhista olímpico, e seus companheiros de equipe foram impedidos de participar pela decisão sobre os vistos. Para ginastas que buscam posições no ranking e uma vaga na seleção, perder um campeonato mundial pode comprometer os planos de treinamento e o financiamento.
Após a divulgação da decisão, a Federação Israelense de Ginástica condenou a proibição em termos contundentes.
Chocante e desolador.
Líderes do esporte israelense também apoiaram a medida do COI. Yael Arad, presidente do Comitê Olímpico de Israel, elogiou as iniciativas como uma defesa da igualdade de oportunidades e do jogo limpo. Por sua vez, o COI ordenou que o Comitê Olímpico da Indonésia e a FIG participem de uma reunião em Lausanne em breve.
As ambições da Indonésia como anfitriã e o histórico de participação israelense
A suspensão atinge uma área de orgulho nacional. A Indonésia manifestou interesse em sediar os Jogos de Verão de 2036 e buscou receber mais eventos de alto nível após sediar os Jogos Asiáticos de 2018. Esse caminho está bloqueado até que o governo garanta a entrada de todos os participantes. O COI afirma que não considerará candidaturas indonésias para os Jogos Olímpicos, os Jogos Olímpicos da Juventude ou outros eventos do movimento olímpico até que essas garantias sejam estabelecidas.
Este não é o primeiro atrito da Indonésia relacionado à participação israelense. Em 2023, a Fifa retirou da Indonésia a Copa do Mundo Sub-20 depois que alguns líderes regionais se opuseram à equipe de Israel. Mais tarde, os Jogos Mundiais de Praia da ANOC foram cancelados após as autoridades indonésias retirarem o apoio em meio à resistência à participação israelense. A Indonésia também se recusou a receber atletas israelenses nos Jogos Asiáticos de 1962.
Política interna e opinião pública
A proibição de vistos recebeu apoio de organizações religiosas e de setores da classe política. O Conselho de Ulemás da Indonésia havia se oposto a uma delegação israelense. O governador de Jacarta afirmou que a crise humanitária decorrente da guerra em Gaza tornou a chegada de atletas israelenses motivo de sofrimento emocional para muitos moradores. Autoridades apresentaram a política como uma medida de segurança destinada a evitar distúrbios e, ao mesmo tempo, manter a coerência com os valores constitucionais.
Um padrão mais amplo de esporte entrelaçado à geopolítica
A disputa se insere em um padrão mais amplo, no qual o esporte internacional se cruza com a política externa e a pressão pública. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, muitas federações proibiram equipes russas e bielorrussas ou permitiram apenas a participação de atletas neutros. Nos últimos meses, especialistas das Nações Unidas pediram às entidades do futebol que suspendessem Israel das competições internacionais por causa do tratamento dado aos palestinos. Os casos são diferentes, mas o debate sobre quem pode participar e em que condições ganhou força.
O que pode mudar nos próximos eventos
O COI planeja tornar as garantias de acesso uma condição para qualquer evento que determine a classificação olímpica. As federações poderão exigir garantias por escrito dos países-sede e transferir torneios quando participantes tiverem a entrada negada. Isso levaria mais classificatórias para locais neutros ou flexíveis, onde os organizadores possam conceder vistos sem ressalvas políticas. Para a Indonésia voltar a sediar eventos do movimento olímpico, será necessário um compromisso formal de permitir a entrada de todas as delegações elegíveis. A reunião em Lausanne será o próximo teste para saber se essas garantias são possíveis.
O que acontece agora
O Campeonato Mundial de Ginástica Artística em Jacarta continua sem a equipe israelense. O COI ainda não marcou a reunião em Lausanne com o Comitê Olímpico da Indonésia e a FIG, mas espera tratar tanto do caso imediato quanto das futuras regras de acesso. O Ministério dos Esportes da Indonésia afirma que continuará desenvolvendo programas esportivos nacionais e participando de competições internacionais. No entanto, enquanto não houver garantias de entrada, o país não sediará eventos do movimento olímpico.
Principais pontos
- O COI orientou as federações a não realizar eventos na Indonésia depois que vistos foram negados a ginastas israelenses.
- As conversas sobre candidaturas indonésias a eventos olímpicos estão suspensas até que a entrada de todos os participantes seja garantida.
- A CAS rejeitou recursos que pediam a participação de Israel ou a transferência do campeonato mundial de Jacarta.
- A FIG manteve o campeonato mundial em Jacarta apesar da recusa do país-sede em conceder vistos.
- A Indonésia cita sua Constituição, a ordem pública e o apoio à Palestina para justificar a proibição.
- Atletas israelenses, entre eles Artem Dolgopyat, campeão mundial e medalhista olímpico, não puderam competir.
- O COI exigirá garantias de acesso para qualquer evento classificatório para os Jogos Olímpicos.
- A Indonésia já perdeu o direito de sediar a Copa do Mundo Sub-20 da Fifa e viu os Jogos Mundiais de Praia serem cancelados por causa da participação israelense.
- O Comitê Olímpico da Indonésia e a FIG foram convidados para uma reunião do COI em Lausanne para tratar da situação.






