Sanções chinesas ao setor naval abalam mercados em meio ao avanço das restrições a terras raras e da disputa tarifária

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Sanções chinesas ao setor naval abalam mercados em meio ao avanço das restrições a terras raras e da disputa tarifária

O que aconteceu

As bolsas globais caíram depois que a China intensificou o confronto comercial com Washington, proibindo empresas chinesas de fazer negócios com as subsidiárias nos Estados Unidos da sul-coreana Hanwha Ocean, fabricante de navios. A medida foi anunciada quando os investidores já estavam apreensivos com uma nova rodada de controles de exportação sobre materiais essenciais, novas ameaças de tarifas e o aumento das taxas portuárias dos dois lados. O sentimento piorou ainda mais depois que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, alertou que qualquer tentativa de Pequim de desacelerar a economia global prejudicaria a própria China.

Conteúdo
  1. O que aconteceu
  2. Por que as sanções ao setor naval importam
  3. Terras raras e minerais críticos são uma segunda frente
  4. Por que é difícil substituir esses materiais
  5. Escalada tarifária e medidas recíprocas
  6. O que dizem autoridades e analistas

As vendas se espalharam por várias regiões. Os contratos futuros de ações dos Estados Unidos caíram antes da abertura, e o S&P 500 recuou quase 1% no início do pregão, mantendo-se em baixa nas primeiras negociações. No retrato da manhã, o S&P 500 caía 0,83%, e os contratos futuros recuavam 0,87%. O Stoxx 600, da Europa, cedia 0,49%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, permanecia estável. A Ásia liderou as perdas, com o Nikkei 225, do Japão, em queda de 2,58%; o CSI 300, da China, recuando 1,2%; o Kospi, da Coreia do Sul, caindo 0,63%; e o Nifty 50, da Índia, perdendo 0,42%. O bitcoin era negociado em baixa, perto de US$ 111,8 mil.

A onda de vendas marcou uma forte reversão em relação ao pregão anterior, quando a expectativa de um encontro entre o presidente Donald Trump e o presidente da China, Xi Jinping, na cúpula da Apec, impulsionou o apetite por risco. As novas sanções contra unidades da Hanwha ligadas aos Estados Unidos rapidamente voltaram a direcionar a atenção para as cadeias de suprimentos, a indústria de defesa e as rotas comerciais marítimas, que dependem de uma cooperação transfronteiriça estável.

Por que as sanções ao setor naval importam

A Hanwha Ocean é uma importante fabricante de navios comerciais e militares. Suas operações chegam aos Estados Unidos por meio de subsidiárias que prestam serviços de reparo e manutenção de navios e fornecem componentes. Ao proibir empresas chinesas de fazer transações com essas subsidiárias, Pequim restringe o acesso a peças, serviços e financiamento chineses que frequentemente integram as redes globais de construção naval, desde fabricantes de aço e motores até fornecedores de eletrônicos e operadores portuários. Mesmo restrições indiretas podem afetar contratos de reparo e modernização, atrasar projetos e elevar os custos para compradores que precisam encontrar fornecedores alternativos.

O transporte marítimo está no centro do comércio mundial. Qualquer medida que desestimule escalas em portos, a emissão de documentos ou pagamentos pode atrasar o fluxo de mercadorias. A decisão mais recente vem após uma série de novas taxas portuárias que cada lado impôs a embarcações pertencentes ou operadas por entidades ligadas ao outro país. Centros comerciais da Ásia Oriental e da Europa são sensíveis até a pequenas interrupções. Por isso, uma sanção contra uma fabricante conhecida com vínculos com os Estados Unidos repercute muito além de uma única empresa.

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Terras raras e minerais críticos são uma segunda frente

As últimas restrições de exportação de Pequim a elementos de terras raras e ímãs relacionados aumentam os riscos para fabricantes dos setores aeroespacial, de defesa, automotivo e de energia limpa. Não se trata de proibições gerais, mas as medidas exigem licenças especiais e podem interromper os embarques enquanto as regras são implementadas. Analistas esperam que o processo de licenciamento provoque atrasos no fornecimento de terras raras médias e pesadas, que são as mais difíceis de substituir. Os Estados Unidos estão especialmente vulneráveis nesse ponto. A China domina o processamento de terras raras pesadas usadas em sistemas de orientação de precisão, atuadores de jatos, sonares de submarinos e radares avançados. Ímãs que dependem desses materiais também são essenciais para turbinas eólicas e veículos elétricos.

Por que é difícil substituir esses materiais

A China detém parcelas substanciais da oferta e do processamento globais de vários insumos críticos. O país responde por uma grande parte da produção de grafite e antimônio, além da esmagadora maioria do gálio e da capacidade de refino de terras raras pesadas. O grafite é essencial para os ânodos de baterias de íons de lítio; o antimônio é usado em retardantes de chama e munições; e o gálio e o germânio são empregados em chips, sensores e sistemas ópticos avançados. Os Estados Unidos podem diversificar seus fornecedores e buscar alternativas na África, nas Américas e na Austrália. O Departamento de Defesa investiu centenas de milhões de dólares para desenvolver no país uma cadeia de produção que vai da mineração à fabricação de ímãs. Esses projetos avançam, mas ainda representam uma fração da escala atual da China, especialmente na separação de terras raras pesadas e na fabricação de ímãs.

Episódios anteriores mostram como um regime de licenciamento pode desacelerar o comércio rapidamente. Mesmo quando os governos pretendem apenas fiscalizar as exportações, a papelada pode se acumular, as datas de embarque podem atrasar e os compradores podem correr atrás de fornecedores alternativos. Os preços podem disparar quando os estoques de segurança são baixos. Por isso, empresas cujos produtos dependem desses insumos acompanham de perto a velocidade de emissão das licenças e as regras aplicáveis ao uso final.

Escalada tarifária e medidas recíprocas

As sanções ao setor naval são anunciadas em meio a um confronto mais amplo envolvendo tarifas e controles de exportação. Washington ameaçou impor tarifas de três dígitos sobre importações chinesas, além de uma ampla lista de taxas. Pequim respondeu com tarifas adicionais elevadas sobre produtos dos Estados Unidos, controles mais rígidos às exportações de terras raras e a ampliação de uma lista de entidades não confiáveis, que restringe negócios com empresas visadas. Autoridades europeias criticaram o tom do confronto e prepararam medidas para proteger suas próprias indústrias caso o comércio desviado inunde seus mercados.

Essa troca de medidas ocorre depois que um tribunal comercial dos Estados Unidos derrubou, no início deste ano, partes do programa tarifário da Casa Branca por considerar que excediam os poderes presidenciais. O episódio lembra que a supervisão judicial pode influenciar o momento e o alcance de novas tarifas. Mesmo quando as tarifas mudam no papel, o comércio pode ser redirecionado rapidamente. Economistas alertam para um desvio do comércio global: mercadorias que deixam de entrar nos Estados Unidos nos volumes de antes procuram outros destinos, pressionando a capacidade e a tolerância política de terceiros países.

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O que dizem autoridades e analistas

Bessent argumentou que a China, como uma das principais fornecedoras do mundo, arcaria com o maior custo se tentasse suprimir o crescimento global para pressionar rivais. Ele também classificou os controles sobre terras raras como um sinal de fraqueza, e não de força.

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