Japão protesta contra navio de pesquisa chinês em sua ZEE perto de Amami Oshima, reacendendo disputa de fronteira

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The Japan Times on X:

Novas tensões por causa de navio chinês de pesquisa perto de Amami Oshima

O Japão apresentou um protesto formal à China depois que a Guarda Costeira japonesa informou ter avistado um navio chinês de pesquisa oceanográfica, suspeito de realizar levantamentos dentro da zona econômica exclusiva do Japão, a oeste de Amami Oshima, na província de Kagoshima. Equipes de patrulha disseram que, no início da manhã, em vários dias desta semana, viram a embarcação baixar na água um dispositivo semelhante a um tubo ou cabo e continuar as operações apesar dos alertas. Tóquio argumenta que esse tipo de pesquisa exige consentimento prévio do Estado costeiro e afirma que a atividade deve ser interrompida.

Conteúdo
  1. Novas tensões por causa de navio chinês de pesquisa perto de Amami Oshima
  2. Onde ocorreram os avistamentos e o que está em jogo em uma ZEE
  3. Como Japão e China traçam a fronteira no mar da China Oriental
  4. O que o navio chinês de pesquisa pode ter feito no mar
  5. Direito, prática e limites da fiscalização no mar
  6. Incidentes recorrentes e o panorama estratégico mais amplo
  7. Por que o mapeamento importa além da ciência
  8. Gestão de crises e canais de comunicação
  9. O que acontece agora
  10. Principais pontos

Segundo autoridades, a embarcação identificada como Xiang Yang Hong 22 foi avistada pela primeira vez no domingo, a cerca de 380 a 400 quilômetros a oeste de Amami Oshima. A Guarda Costeira disse ter enviado mensagens por rádio exigindo que o levantamento fosse interrompido. No domingo, o navio seguiu para oeste cerca de três horas depois, mas retornou às águas próximas na terça-feira e novamente antes das 7h de quarta-feira. Nessas ocasiões, foi visto usando equipamentos semelhantes em áreas adjacentes que o Japão inclui em sua ZEE.

O secretário-chefe do Gabinete, Hayashi Yoshimasa, disse a jornalistas que o Japão apresentou um forte protesto por canais diplomáticos e continuará respondendo com firmeza e serenidade. Ele reiterou que pesquisas marítimas na zona sem autorização são inaceitáveis.

"A pesquisa científica marinha na ZEE do Japão sem nosso consentimento é inaceitável. As atividades são extremamente lamentáveis e devem ser interrompidas imediatamente", disse Hayashi.

Até o momento da publicação, Pequim não havia feito nenhum comentário público específico sobre o episódio. As autoridades chinesas há muito rejeitam o uso, pelo Japão, de uma linha mediana como fronteira marítima nessa parte do mar da China Oriental e afirmam que não há uma fronteira acordada. Essa posição está na base de incidentes recorrentes envolvendo navios de pesquisa ou patrulha em áreas de reivindicações sobrepostas.

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Onde ocorreram os avistamentos e o que está em jogo em uma ZEE

Os avistamentos foram registrados nas águas a oeste de Amami Oshima, uma das principais ilhas do sudoeste do Japão. A localização põe o navio no mar da China Oriental, um corpo d'água relativamente estreito, limitado por China, Japão e Coreia do Sul. Como o mar tem menos de 400 milhas náuticas de largura em muitas áreas, os limites externos das zonas marítimas reivindicadas pelos países vizinhos podem se sobrepor. Essa sobreposição é uma das principais fontes de tensão.

Uma zona econômica exclusiva concede ao Estado costeiro direitos soberanos para explorar, aproveitar, conservar e gerir os recursos naturais da coluna d'água e do leito marinho até 200 milhas náuticas de sua costa, em conformidade com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM). O Estado costeiro também tem jurisdição sobre a pesquisa científica marinha e a proteção ambiental nessa zona. Navios de outros países têm liberdade de navegação em uma ZEE, mas, se quiserem realizar pesquisas científicas marinhas nela, espera-se que solicitem e obtenham o consentimento do Estado costeiro. Essa regra está no centro do protesto japonês.

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Como Japão e China traçam a fronteira no mar da China Oriental

O Japão baseia sua reivindicação no princípio da linha mediana, que traça uma fronteira equidistante entre as duas costas. A China argumenta que o prolongamento natural de sua plataforma continental se estende mais a leste e que a fronteira marítima deveria refletir essa geologia. Como os dois lados adotam abordagens jurídicas diferentes, nunca chegaram a um acordo sobre a fronteira no mar da China Oriental.

Segundo a imprensa e autoridades japonesas, o navio chinês operou perto ou a leste da linha que Tóquio usa como fronteira prática para sua ZEE. A China não aceita essa linha. O resultado é um ciclo em que atividades de pesquisa ou patrulha provocam alertas e protestos diplomáticos, sem que haja um mapa comum reconhecido pelos dois lados.

As divergências sobre o status de formações terrestres também alimentam a disputa, pois ilhas, rochedos ou recifes podem alterar as zonas marítimas reivindicadas pelos países. Em maio de 2025, após um incidente separado perto de Okinotorishima, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, expôs a posição de Pequim sobre a formação. Ela afirmou que o local não poderia gerar uma ZEE nem uma plataforma continental.

"Okinotori é um recife, não uma ilha e, portanto, não tem direito a uma zona econômica exclusiva nem a uma plataforma continental nos termos da CNUDM", disse Mao na ocasião.

Tóquio rejeita essa interpretação e sustenta que Okinotorishima é uma ilha. A divergência mostra como definições jurídicas se tornam questões estratégicas, já que a classificação dessas formações pode ampliar ou reduzir as áreas marítimas em que cada país reivindica direitos especiais.

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O que o navio chinês de pesquisa pode ter feito no mar

Os navios de pesquisa chineses da frota Xiang Yang Hong são usados para observação e estudos oceanográficos. Autoridades japonesas descreveram o dispositivo visto pendurado no Xiang Yang Hong 22 como algo semelhante a um tubo ou cabo. Navios de pesquisa costumam usar guinchos com cabos para baixar instrumentos, como sensores de condutividade, temperatura e profundidade, transdutores acústicos, testemunhadores de sedimentos ou perfiladores de subfundo. Também podem lançar conjuntos de sonares rebocados para mapear o leito marinho ou medir as propriedades da água.

Essas atividades podem servir à ciência acadêmica, à exploração de recursos e à segurança da navegação. Também podem ter uso dual. Mapas do leito marinho e dados acústicos são valiosos para traçar rotas de submarinos, planejar corredores para cabos submarinos e posicionar sensores no fundo do mar. Esse potencial de uso dual é uma das razões pelas quais Estados costeiros exigem consentimento para pesquisas em suas ZEEs e monitoram de perto os padrões de levantamento em águas sensíveis.

Direito, prática e limites da fiscalização no mar

A CNUDM distingue entre trânsito e pesquisa. A navegação por uma ZEE não exige autorização, mas a pesquisa científica marinha nessa zona depende do consentimento do Estado costeiro. Profissionais da área divergem sobre se certos levantamentos hidrográficos ou oceanográficos militares se enquadram em pesquisas que exigem autorização ou se estão abrangidos pelas liberdades de navegação em alto-mar. Os países adotam interpretações diferentes. O Japão exige autorização para pesquisas em sua ZEE e considera atividades como o uso de equipamentos e a coleta de amostras como pesquisa quando realizadas para obter dados. A China adota uma posição rigorosa quando navios estrangeiros de pesquisa operam na ZEE que reivindica, mas também realizou levantamentos em zonas reivindicadas por países vizinhos, invocando outros princípios jurídicos. Essa inconsistência alimenta as tensões na região.

Mesmo quando um Estado costeiro considera que seus direitos sobre a ZEE foram violados, as opções no mar são limitadas. As águas de uma ZEE não são iguais às do mar territorial. Navios estrangeiros não estão proibidos de passar por elas. O Japão pode documentar a atividade, transmitir alertas, exigir que o trabalho seja interrompido e apresentar um protesto diplomático. Também pode ampliar a presença de patrulhas e divulgar os incidentes para desestimular novas ocorrências. O uso da força traz riscos e pode ser ilegal se ultrapassar os limites permitidos pelo direito internacional e nacional fora das águas territoriais. Por isso, muitos desses incidentes terminam com alertas, acompanhamento e trocas diplomáticas, e não com detenções.

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Incidentes recorrentes e o panorama estratégico mais amplo

Avistamentos de navios de pesquisa dentro e ao redor da ZEE reivindicada pelo Japão se tornaram uma presença constante na atividade marítima regional. A sequência mais recente perto de Amami Oshima vem após relatos anteriores de navios chineses de pesquisa operando em outras partes da ZEE reivindicada pelo Japão, inclusive nas águas ao redor de Okinotorishima. O mesmo padrão se repete no mar da China Oriental, perto de campos de gás situados junto a linhas de reivindicação concorrentes.

O mar da China Oriental já abriga vários focos de tensão. As ilhas Senkaku, administradas pelo Japão e reivindicadas pela China, onde são conhecidas como Diaoyu, continuam sendo um foco de patrulhas da guarda costeira e de atividade aérea. Mais ao norte, as reivindicações chinesas e japonesas sobre o limite da plataforma continental e a proximidade de recursos como o campo de gás Chunxiao provocam protestos periódicos. Cada novo levantamento ou avanço na perfuração é visto por esse prisma e pode gerar uma reação imediata do outro lado.

Por que o mapeamento importa além da ciência

A pesquisa oceanográfica beneficia a ciência climática, a gestão da pesca e a preparação para desastres. No entanto, os mesmos conjuntos de dados também ajudam as marinhas e os responsáveis pelo planejamento energético. Cartas precisas do leito marinho, perfis acústicos e medições de correntes orientam as rotas de submarinos e a escolha de áreas para operações discretas. Também influenciam onde instalar cabos de fibra óptica e como projetar oleodutos e gasodutos. Em uma era de intensa competição marítima, os Estados costeiros adotam uma postura protetora em relação a pesquisas em águas onde têm direitos sobre recursos e interesses de segurança.

O protesto do Japão ressalta a preocupação de que levantamentos não autorizados em sua ZEE possam produzir dados de valor estratégico. Mesmo quando apresentados como científicos, os dados podem ser usados tanto para fins civis quanto militares. Essa é uma realidade comum da oceanografia. Também é por isso que os países negociam o acesso para pesquisas e, em muitos casos, realizam projetos conjuntos para compartilhar benefícios e construir confiança.

Gestão de crises e canais de comunicação

Tóquio e Pequim criaram alguns mecanismos para evitar confrontos acidentais. Os dois governos lançaram um mecanismo de comunicação marítima e aérea para reduzir o risco de erros de cálculo, e uma linha direta entre as autoridades de defesa começou a funcionar mais recentemente. Esses canais foram criados para esclarecer intenções, compartilhar alertas de navegação e evitar que interações táticas se transformem em confrontos mais amplos.

A comunicação não resolve as divergências jurídicas, mas reduz os riscos. O uso regular das linhas diretas, avisos prévios sobre planos de pesquisa e padrões previsíveis de patrulha podem ajudar os navios a manter distância uns dos outros. Medidas graduais como essas diminuem a chance de um alerta no mar resultar em colisão ou aproximação perigosa, o que complicaria uma diplomacia que já é difícil.

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O que acontece agora

O Japão apresentou seu protesto e afirma que a Guarda Costeira continuará monitorando a área enquanto pede ao navio chinês que pare de operar na ZEE que o país reivindica. É provável que as conversas entre os dois governos em nível técnico prossigam pelos canais diplomáticos já estabelecidos. Tóquio continuará defendendo que pesquisas em sua ZEE exigem consentimento prévio e registrará as atividades como evidências para respaldar futuras diligências diplomáticas.

Espera-se que Pequim mantenha a posição de que não há fronteira onde o Japão usa uma linha mediana e que seus navios podem operar legalmente nessas águas. Sem uma delimitação marítima negociada, essas posições continuarão entrando em conflito. Há medidas práticas disponíveis. Os países poderiam ampliar os regimes de notificação prévia para cruzeiros de pesquisa, concordar com expedições científicas conjuntas em áreas de reivindicações sobrepostas ou estabelecer períodos de restrição em torno de momentos sensíveis. Essas medidas não resolveriam as disputas de fronteira, mas reduziriam a frequência e a intensidade das tensões.

Principais pontos

  • O Japão protestou junto à China depois que um navio chinês de pesquisa, o Xiang Yang Hong 22, foi visto baixando equipamentos em águas a oeste de Amami Oshima que o Japão reivindica como parte de sua ZEE.
  • Patrulhas japonesas avistaram o navio no domingo, na terça-feira e na quarta-feira, aproximadamente na mesma área, a cerca de 380 a 400 quilômetros a oeste da ilha.
  • O secretário-chefe do Gabinete, Hayashi Yoshimasa, afirmou que a pesquisa científica marinha na ZEE do Japão sem consentimento é inaceitável e exigiu a interrupção imediata dos trabalhos.
  • A China rejeita a abordagem japonesa da linha mediana para delimitar a fronteira no mar da China Oriental e afirma que não há uma fronteira marítima acordada na área.
  • Nos termos da CNUDM, Estados costeiros têm direitos sobre recursos e jurisdição sobre pesquisas científicas marinhas em suas ZEEs, enquanto navios estrangeiros mantêm a liberdade de navegação.
  • As disputas sobre o status de formações como Okinotorishima, além das tensões mais amplas em torno das ilhas Senkaku e de campos de gás próximos, contribuem para o atrito.
  • Os dois lados dispõem de canais de comunicação para gerir os riscos no mar, mas, sem uma delimitação de fronteiras, é provável que os incidentes envolvendo pesquisas e patrulhas se repitam.
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