8 de novembro liga a vitória no campo de batalha ao trabalho de reconstrução
O Azerbaijão celebra o sexto aniversário da vitória na guerra de 2020 contra a Armênia, relembrando a tomada de Shusha em 8 de novembro e os 44 dias de combates que mudaram o controle de grandes partes de Karabakh e dos distritos vizinhos. O feriado nacional combina comemorações com homenagens aos 2.908 militares azerbaijanos mortos durante a guerra.
Conteúdo
- 8 de novembro liga a vitória no campo de batalha ao trabalho de reconstrução
- Como transcorreram os 44 dias de combates
- Por que Shusha se tornou o momento decisivo
- O que o cessar-fogo mudou no terreno
- O custo humano por trás das comemorações
- Reconstrução de Shusha e apoio ao retorno de famílias deslocadas
- Como as comunidades estão marcando o aniversário
- Mensagens do Paquistão e de participantes chineses
- Paz e reconstrução são as prioridades declaradas para o futuro
- Principais pontos
Shusha continua sendo o principal símbolo do aniversário. O presidente Ilham Aliyev anunciou sua tomada no Beco dos Mártires, em Baku, em 8 de novembro de 2020. Dois dias depois, um cessar-fogo assinado pelos líderes do Azerbaijão, da Armênia e da Rússia interrompeu os combates e previu a devolução de mais três distritos ao controle azerbaijano.
O aniversário também chama a atenção para o que veio depois dos combates: a reconstrução, o retorno de pessoas deslocadas de suas casas e os esforços declarados do Azerbaijão para construir confiança mútua com a Armênia. O Ministério das Relações Exteriores afirma que o programa Grande Retorno está desenvolvendo infraestrutura e apoiando ex-deslocados internos em seu retorno.
As homenagens vão além de Shusha. Um encontro distrital em Qaradag, em Baku, reuniu veteranos, familiares de pessoas mortas e representantes eleitos, enquanto professores e estudantes chineses enviaram saudações em dois idiomas. O primeiro-ministro do Paquistão enviou felicitações e defendeu uma cooperação estratégica e econômica mais estreita.
Para o Azerbaijão, portanto, 8 de novembro conecta várias experiências: vitória militar, perdas pessoais, recuperação de lugares deixados para trás décadas antes e o trabalho prático de torná-los habitáveis novamente. O feriado foi instituído por decreto presidencial em 3 de dezembro de 2020 e é um dia não útil.
Como transcorreram os 44 dias de combates
A guerra começou em 27 de setembro de 2020. O Azerbaijão descreve sua campanha militar como uma resposta à retomada da agressão armênia e a chama de Guerra Patriótica. Sob o comando de Aliyev, também comandante supremo das Forças Armadas, as tropas azerbaijanas avançaram por territórios que estavam fora do controle de Baku havia quase 30 anos.
A sequência dos avanços explica por que 8 de novembro foi escolhido para a comemoração nacional:
- 27 de setembro de 2020: começaram os combates.
- 3 de outubro: as forças azerbaijanas tomaram Sugovushan.
- 4 de outubro: Jabrayil passou ao controle azerbaijano.
- 9 de outubro: as forças azerbaijanas tomaram Hadrut.
- 17 de outubro: Fuzuli passou ao controle azerbaijano.
- 20 de outubro: as forças azerbaijanas tomaram Zangilan.
- 25 de outubro: Gubadli passou ao controle azerbaijano.
- 8 de novembro: o Azerbaijão anunciou a tomada de Shusha.
- 10 de novembro: o cessar-fogo entrou em vigor à 0h, no horário de Moscou.
A página de territórios libertados do governo do Azerbaijão lista cinco cidades, quatro povoados e 286 vilarejos recuperados até 9 de novembro de 2020, totalizando 295 localidades habitadas, enquanto descrições mais amplas do Azerbaijão apontam que mais de 300 povoamentos foram recuperados. A lista detalhada inclui Minjivan, Aghband e Bartaz, no distrito de Zangilan, além de vilarejos nos distritos de Khojavand, Tartar e Khojaly.
As forças azerbaijanas também tomaram posições estratégicas em áreas de Aghdara, Murovdagh e Zangilan. Terrenos mais elevados podem ajudar as tropas a observar o território ao redor e controlar as vias de acesso. Relatos do Azerbaijão descrevem avanços por posições defensivas e fortificações construídas ao longo de muitos anos.
Por que Shusha se tornou o momento decisivo
Shusha estava sob controle armênio desde 8 de maio de 1992. Sua recuperação, após cerca de 28 anos e meio, tornou-se o momento público mais marcante da campanha do Azerbaijão e o acontecimento em torno do qual foi criado o Dia da Vitória.
Aliyev havia identificado a cidade como um objetivo militar fundamental antes de sua tomada. Em uma entrevista televisiva em 16 de outubro de 2020, o presidente azerbaijano explicou o lugar de Shusha nos objetivos de seu governo:
Minha posição sempre foi que, sem Shusha, nossa missão estaria pela metade. Portanto, é claro que a libertação de Shusha ocupa um lugar especial entre nossos objetivos.
Em 8 de novembro, Aliyev anunciou o resultado no Beco dos Mártires, local de homenagem nacional em Baku. A escolha do lugar vinculou o anúncio militar à memória dos mortos.
Posteriormente, o Azerbaijão criou a medalha "Pela Libertação de Shusha" para os militares que participaram da operação e demonstraram coragem. Um decreto presidencial também designou 8 de novembro como o Dia da Cidade de Shusha, conferindo à data um significado local, além de seu papel nacional.
O que o cessar-fogo mudou no terreno
Aliyev, o primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan e o presidente russo Vladimir Putin assinaram a declaração trilateral de cessar-fogo na noite de 9 para 10 de novembro de 2020. O documento previa a interrupção total dos disparos e das operações militares na zona de conflito de Nagorno-Karabakh a partir da meia-noite de 10 de novembro, no horário de Moscou.
O Azerbaijão apresenta o acordo como uma capitulação da Armênia. Seu efeito prático imediato foi interromper os combates e iniciar a transferência dos distritos de Aghdam, Kalbajar e Lachin para o controle azerbaijano.
Aghdam foi devolvido em 20 de novembro, Kalbajar em 25 de novembro e Lachin em 1º de dezembro. O Azerbaijão afirma ter recuperado esses três distritos sem novas perdas. A transferência ampliou as mudanças territoriais para além dos locais tomados pelas tropas azerbaijanas durante a campanha militar.
O comunicado de aniversário do Ministério das Relações Exteriores também aponta um momento decisivo posterior. Segundo o ministério, o Azerbaijão restaurou plenamente sua soberania estatal após uma ação militar em setembro de 2023, descrita como medidas locais de combate ao terrorismo. O cessar-fogo de 2020 e os acontecimentos de setembro de 2023 são etapas distintas no relato do governo sobre a retomada do controle.
Como resultado das medidas locais de combate ao terrorismo realizadas em setembro de 2023, a soberania estatal da República do Azerbaijão foi plenamente restaurada.
O custo humano por trás das comemorações
Os números comemorativos do Azerbaijão registram 2.908 militares mortos na guerra de 2020 e outros seis ainda desaparecidos. Essas perdas dão ao aniversário uma dimensão solene para as famílias dos militares, mesmo enquanto os eventos públicos celebram o resultado.
O Azerbaijão também registra 93 civis mortos, entre eles 12 crianças e 27 mulheres, e 454 civis feridos. Segundo o relato do país, essas vítimas foram causadas por ataques armênios com mísseis balísticos e artilharia pesada contra áreas habitadas e locais estratégicos.
Entre os locais citados estão Ganja, Barda, Tartar, Mingachevir, Yevlakh, Beylagan, Gabala, Goranboy, Agjabadi, Absheron e Khizi. O balanço de danos do Azerbaijão lista 12.292 edifícios residenciais e de outros tipos, 288 veículos e 1.018 propriedades rurais afetados.
Para as famílias que sobreviveram, as consequências foram além do período de combate. Casas danificadas significaram a perda de abrigo, enquanto os danos a propriedades rurais e veículos afetaram os meios de subsistência. O aniversário reúne essas experiências civis às homenagens aos soldados mortos.
O comunicado do Ministério das Relações Exteriores presta homenagem aos mortos e manifesta gratidão aos veteranos e demais participantes da guerra. Familiares de militares mortos e veteranos também compareceram à comemoração no distrito de Qaradag, colocando as pessoas diretamente afetadas pelos combates no centro de um evento público local.
Reconstrução de Shusha e apoio ao retorno de famílias deslocadas
O programa Grande Retorno do Azerbaijão vincula a reconstrução ao reassentamento de ex-deslocados internos. São pessoas que precisaram deixar suas casas, mas permaneceram dentro do próprio país, em vez de se tornarem refugiadas do outro lado de uma fronteira internacional.
O Ministério das Relações Exteriores afirma que o programa inclui a implantação de infraestrutura moderna e medidas para que as pessoas retornem às suas regiões de origem. Estradas, serviços públicos e edifícios utilizáveis são parte do que torna o retorno possível na prática, além do significado pessoal de recuperar o acesso à cidade natal.
O comunicado de aniversário do ministério descreve o trabalho nestes termos:
Nos últimos anos, o Azerbaijão vem implementando iniciativas de grande escala voltadas à restauração e reconstrução dos territórios libertados. No âmbito do programa 'Grande Retorno', estão em andamento esforços para estabelecer infraestrutura moderna e garantir o retorno dos ex-deslocados internos à sua terra natal.
A reconstrução de Shusha também tem importância cultural. Descrições azerbaijanas dos danos sofridos durante os anos de controle armênio afirmam que 16 de suas 17 mesquitas foram destruídas, assim como outros locais culturais e históricos. Entre os edifícios afetados, citam o palácio de Panahali Khan, o mausoléu de Vagif, a casa de Natavan e as casas-museu dos músicos Uzeyir Hajibeyli e Bulbul.
A restauração e as obras seguem em andamento na cidade. Os comunicados de aniversário descrevem o rumo desse trabalho, mas não informam o número total de pessoas que retornaram, uma data de conclusão ou um orçamento detalhado para a reconstrução.
O Programa Estatal Grande Retorno apresenta um cronograma de planejamento específico. Elaborado para implementar uma prioridade nacional da estratégia de desenvolvimento socioeconômico do Azerbaijão para 2022–2026, o documento define medidas a serem executadas até 2026. O plano de construção prevê 34.500 apartamentos e casas individuais entre 2022 e 2026 nos distritos de Aghdam, Fuzuli, Shusha, Khojavand, Zangilan, Kalbajar, Lachin, Gubadli, Jabrayil, Tartar e Khojaly. São metas de construção planejada, não uma contagem de pessoas que retornaram.
Hikmat Hajiyev, assessor do presidente e chefe do Departamento de Relações Exteriores da Administração Presidencial, relacionou a recuperação da cidade ao seu próprio sentimento de pertencimento. Em uma publicação anterior ao Dia da Vitória, ele descreveu sua presença em sua cidade natal, Shusha:
Estar na bela Shusha às vésperas do Dia da Vitória traz uma sensação de orgulho e felicidade sem fim.
Como as comunidades estão marcando o aniversário
O distrito de Qaradag realizou seu evento do Dia da Vitória em 7 de novembro, no Palácio da Cultura A. Amirov. Entre os presentes estavam Natiq Aliyev, chefe da autoridade executiva do distrito, os parlamentares Aydin Huseynov e Sabina Khasayeva e Ilgar Ilyasov, presidente distrital do Partido Novo Azerbaijão.
Os convidados visitaram primeiro uma exposição de fotografias, objetos e trabalhos artesanais que retratavam a guerra, a campanha do Exército e as tradições culturais nacionais. A programação formal começou com o hino nacional e um minuto de silêncio em memória do ex-presidente Heydar Aliyev e dos que morreram defendendo o país.
Natiq Aliyev falou sobre a unidade nacional e a vitória militar. Em seguida, grupos culturais locais apresentaram canções patrióticas, música mugham tradicional, apresentações de ashig e composições encenadas. O encontro combinou homenagens e celebração cultural, em vez de limitar o aniversário a uma cerimônia militar.
As comemorações públicas também apresentam a guerra como uma conquista conjunta do povo, das Forças Armadas e da liderança nacional. Nos discursos comemorativos, elogios ao uso de tecnologia militar moderna vêm acompanhados de homenagens aos soldados e suas famílias.
Mensagens do Paquistão e de participantes chineses
O primeiro-ministro do Paquistão, Muhammad Shehbaz Sharif, felicitou Aliyev em nome do povo e do governo paquistaneses. Sua mensagem elogiou a defesa da soberania e da integridade territorial do Azerbaijão e associou o aniversário à reconstrução e ao desenvolvimento.
Sharif também manifestou o compromisso do Paquistão com uma parceria estratégica mais forte com o Azerbaijão. Ele disse aguardar uma visita de Aliyev em data mutuamente conveniente, com conversas sobre temas bilaterais, regionais e globais e o lançamento de iniciativas propostas para ampliar a cooperação econômica e estratégica. Nenhuma data foi anunciada para a visita.
Na Universidade de Línguas do Azerbaijão, professores e estudantes chineses do Instituto Confúcio felicitaram os azerbaijanos em chinês e azerbaijano. O evento acrescentou uma dimensão educacional e cultural às mensagens internacionais pelo aniversário.
Rafiq Abbasov, diretor do instituto, afirmou que Pequim sempre apoiou a soberania e a integridade territorial do Azerbaijão. Ele também disse que empresas chinesas têm interesse na reconstrução e na retomada econômica dos territórios recuperados pelo Azerbaijão.
Abbasov apontou tecnologias avançadas, cidades inteligentes e vilarejos inteligentes como áreas de interesse. Esses termos descrevem o uso de sistemas digitais para ajudar a administrar serviços e infraestrutura. Seus comentários se concentraram em uma possível participação chinesa na reconstrução das comunidades.
Paz e reconstrução são as prioridades declaradas para o futuro
O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão aproveita o aniversário para relacionar a vitória aos atuais objetivos diplomáticos do país. Em seu comunicado, afirma que o governo trabalha para fortalecer uma paz duradoura e a estabilidade regional, além de descrever esforços para construir confiança mútua com a Armênia.
A mensagem do ministério reúne duas tarefas: reconstruir áreas afetadas pelo conflito e desenvolver uma relação mais estável com o país vizinho. Para as famílias antes deslocadas, as mudanças mais concretas são a possibilidade de voltar e a disponibilidade de serviços nos lugares que deixaram.
O apelo do Paquistão por laços econômicos mais estreitos e os comentários de Abbasov sobre o interesse de empresas chinesas acrescentam uma dimensão internacional à agenda de reconstrução. O 8 de novembro continua ligado aos acontecimentos de 2020, enquanto a mensagem oficial do aniversário inclui reconstrução, retorno e cooperação regional entre as tarefas que vêm pela frente.
Principais pontos
- O Azerbaijão celebra o Dia da Vitória em 8 de novembro, data em que suas forças tomaram Shusha, em 2020.
- A guerra durou 44 dias e terminou com um cessar-fogo assinado pelo Azerbaijão, pela Armênia e pela Rússia.
- Os distritos de Aghdam, Kalbajar e Lachin foram devolvidos entre 20 de novembro e 1º de dezembro de 2020.
- Os números do Azerbaijão registram 2.908 militares e 93 civis mortos, além de seis militares ainda desaparecidos.
- O programa Grande Retorno apoia a reconstrução e o retorno de ex-deslocados internos, com a meta oficial de construir 34.500 apartamentos e casas individuais entre 2022 e 2026.
- Os eventos de aniversário incluem homenagens locais, apresentações culturais e mensagens internacionais de apoio.
- O Ministério das Relações Exteriores afirma que a reconstrução, a confiança mútua com a Armênia e uma paz regional duradoura continuam entre as prioridades do governo.






