148 empresas fecham enquanto a recuperação dos hotéis da Tailândia perde força
A Tailândia registrou 148 fechamentos de hotéis e empresas de hospedagem entre janeiro e setembro de 2026, um aumento de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior, à medida que a oferta crescente de quartos se chocava com a demanda mais fraca de visitantes estrangeiros. Os novos registros de empresas caíram 31,2%, para 779, segundo dados do Departamento de Desenvolvimento de Negócios citados pelo Kasikorn Research Center.
Conteúdo
- 148 empresas fecham enquanto a recuperação dos hotéis da Tailândia perde força
- Pequenas empresas acumulam as maiores perdas
- A oferta de quartos continua crescendo apesar da demanda mais fraca
- Médias nacionais ocultam a pressão local
- Desaceleração da China muda quem ocupa os quartos
- O aumento da receita não chega a todos os hotéis
- Falta de dinheiro afeta trabalhadores e fornecedores
- Operadores buscam empréstimos e mudanças nas regras de hospedagem
- Projeções apontam ritmos diferentes para a próxima recuperação
- Principais pontos
A pressão vai além das empresas que encerraram oficialmente as atividades. Cerca de 51% dos operadores de hospedagem relataram prejuízo em 2025, e 38% registraram prejuízo por três anos consecutivos, de 2023 a 2025. Os operadores menores foram mais afetados, deixando as empresas com menos reservas financeiras para absorver outra temporada turística difícil.
O Kasikorn prevê 31,4 milhões de chegadas de estrangeiros em 2026, o equivalente a cerca de 79% do total de 2019. Ainda assim, a Tailândia tinha aproximadamente 876 mil quartos de hospedagem no primeiro semestre de 2026, um aumento de 11,7% em relação a 2019. Mais quartos disputam um mercado de visitantes estrangeiros que continua bem menor do que antes da COVID-19.
As consequências afetam funcionários, fornecedores e comunidades próximas a destinos turísticos. A Tailândia tem aproximadamente 15 mil operadores de hospedagem, cerca de 98% deles pequenas ou médias empresas, que empregam por volta de 430 mil pessoas. Alguns hotéis estão fechando definitivamente; outros suspendem as atividades nos meses mais tranquilos para limitar as despesas.
Até mesmo a aproximação da principal temporada turística trouxe pouco alívio para alguns operadores. Naree Sunetta, presidente da Associação Tailandesa de Hostels e Pequenas Hospedagens, descreveu hostels vazios no fim de outubro, quando a demanda normalmente começaria a crescer. Seu relato aponta para uma transição difícil: sobreviver à baixa temporada e depois faturar o suficiente nos meses mais movimentados.
Pequenas empresas acumulam as maiores perdas
Entre os pequenos operadores de hospedagem, 54% relataram prejuízo em 2025, em comparação com 51% no setor como um todo. O Kasikorn também constatou que 42% dos pequenos operadores acumularam prejuízos ao longo de 2023 a 2025, ante 38% no setor.
Prejuízos repetidos reduzem o dinheiro disponível para salários, manutenção e parcelas de empréstimos. A liquidez, ou seja, o dinheiro que uma empresa pode usar prontamente para pagar suas contas, torna-se especialmente importante quando as reservas oscilam, mas as despesas regulares continuam.
O número de novos registros de hospedagem ainda superou o de encerramentos registrados nos primeiros nove meses de 2026. No entanto, as novas entradas diminuíram acentuadamente enquanto os encerramentos se aceleraram. O número de fechamentos também faz parte de uma desaceleração empresarial mais ampla: dados do Departamento de Desenvolvimento de Negócios apontaram mais de 13 mil encerramentos de empresas registradas em toda a Tailândia no mesmo período.
Suphamit Kitchaphat, presidente da Associação de Empresas de Turismo de Chiang Mai, descreveu duas respostas entre os hotéis: fechamento definitivo e suspensão temporária das atividades fora da principal temporada turística. As suspensões sazonais permitem que os operadores reduzam despesas enquanto aguardam a recuperação da demanda.
A oferta de quartos continua crescendo apesar da demanda mais fraca
A oferta de hospedagem da Tailândia chegou a aproximadamente 876 mil quartos no primeiro semestre de 2026, alta de 3,4% em relação ao fim de 2025. O número de quartos aumentou em 64 províncias, com novas unidades em várias faixas de preço, especialmente em Bangkok, Phuket, Surat Thani e Chiang Mai.
O Kasikorn estimou que o número médio de visitantes que pernoitam por quarto caiu de 249 em 2019 para 228 em 2026. Isso representa uma queda de cerca de 8,4%, calculada a partir desses dois números. Por essa medida, cada quarto disputa um grupo menor de visitantes que pernoitam.
A expansão vem após anos de investimentos. A Perspectiva do Setor Hoteleiro do Krungsri Research registra um aumento de 634.855 quartos em 2015 para 847.029 em 2024, ou aproximadamente um terço. Bangkok, Phuket e Chonburi, juntas, representavam 40% da oferta nacional de quartos em 2024.
As hospedagens alternativas acrescentam mais uma camada de concorrência. Dados da AirDNA citados pelo Kasikorn apontavam cerca de 50 mil unidades para aluguel em Bangkok, Phuket, Chonburi, Chiang Mai e Surat Thani em outubro de 2026. Essas unidades equivaliam a cerca de 10% dos quartos de hospedagem registrados nesses mercados e tiveram ocupação média de aproximadamente 60% nos 12 meses anteriores.
Médias nacionais ocultam a pressão local
A ocupação hoteleira nacional aumentou apenas 0,18% em relação ao ano anterior nos primeiros nove meses de 2026, segundo o Kasikorn, enquanto 19 províncias registraram quedas. A taxa de ocupação mede a proporção dos quartos disponíveis efetivamente utilizados pelos hóspedes.
Naree descreveu quedas de ocupação de 30% a 40% nas grandes cidades entre as empresas que mencionou. Seu relato se referia ao mercado de hostels e pequenas hospedagens, enquanto o dado do Kasikorn abrangia o mercado hoteleiro nacional ao longo de nove meses. Assim, as pequenas empresas podem enfrentar uma contração muito mais acentuada do que sugere a média nacional.
A recuperação desigual já era visível em 2025. O Kasikorn constatou que 29 províncias tiveram menos visitantes que pernoitaram do que em 2019, entre elas Bangkok, Phuket, Chiang Mai, Songkhla, Trat e Sukhothai. Em 17 dessas províncias, o número ficou mais de 10% abaixo dos níveis de 2019.
Os dados do Krungsri mostram que a ocupação nacional teve média de 71,4% em 2025, perto dos 71,5% do ano anterior. Ainda assim, Bangkok perdeu 2,4 pontos percentuais e Phuket, 1,4 ponto percentual. A queda menor, de 0,6 ponto percentual, em Chonburi refletiu o apoio de visitantes domésticos e de viagens de negócios associadas aos investimentos no Corredor Econômico Oriental.
Desaceleração da China muda quem ocupa os quartos
O Krungsri registrou 32,97 milhões de chegadas internacionais em 2025, queda de 7,2%. As chegadas de chineses diminuíram 33,6%, e a China respondeu por 13,6% dos visitantes estrangeiros naquele ano, ante quase 30% em 2019.
Preocupações com segurança, condições econômicas mais fracas nos mercados de origem e concorrência de outros destinos desaceleraram a recuperação. O Krungsri aponta os esforços do Vietnã para atrair viajantes chineses, enquanto o Kasikorn identifica a percepção de segurança e as tensões geopolíticas entre os fatores que pressionam a demanda.
Suphamit afirmou que os visitantes chineses também estão trocando grandes excursões organizadas por grupos menores. Hotéis que antes dependiam de operadoras de turismo para trazer grupos numerosos agora enfrentam um padrão diferente de reservas. O Kasikorn também descreve o interesse crescente por viagens independentes, cultura local, natureza e experiências de bem-estar.
Outros mercados de visitantes deram apoio. O Krungsri registrou crescimento de 12,1% nas chegadas da Índia e de 8,8% nas da Rússia em 2025, além de um aumento de 12,4% vindo da Europa. Voos diretos adicionais ajudaram esses mercados, especialmente as conexões com Phuket.
As tarifas aéreas mais altas continuam preocupando os operadores de hospedagem, pois os viajantes consideram o custo da viagem como um todo. Representantes do setor dizem que alguns visitantes estão adiando a viagem à Tailândia ou escolhendo destinos mais baratos, como o Vietnã.
O aumento da receita não chega a todos os hotéis
O Kasikorn prevê que o mercado hoteleiro e de hospedagem da Tailândia alcance 1,1 trilhão de baht em 2026, alta de 2,6% em relação a 2025. O turismo doméstico e os eventos corporativos, como reuniões, viagens de incentivo, conferências e exposições, ajudam a sustentar esse crescimento.
Na avaliação do Kasikorn, a hospedagem representa aproximadamente 77% da receita do setor. Os 23% restantes incluem serviços de bufê, reuniões, seminários, alimentos e bebidas. Hotéis que conseguem faturar com eventos e refeições têm fontes de receita além das diárias, enquanto empresas concentradas principalmente nos quartos têm menos alternativas.
Os preços dos quartos estão sob pressão. O Kasikorn prevê queda de 0,8% na diária média em 2026, após crescimento de apenas 0,1% em 2025. A diária média é o valor recebido por quarto ocupado.
Os dados do Krungsri também mostram fragilidade nos preços, embora considerem um período de apuração diferente: a diária média caiu 3,4%, para 1.819 baht, nos primeiros 11 meses de 2025. A receita por quarto disponível caiu 3,2%, para 1.292 baht. Essa segunda medida distribui a receita dos quartos por todos os quartos disponíveis, inclusive os vazios, e ajuda a entender o efeito combinado dos preços e da ocupação.
A receita nacional pode crescer enquanto hotéis individuais perdem dinheiro, porque o crescimento se distribui de forma desigual entre destinos e empresas. Grandes propriedades em localizações melhores, com clientela diversificada ou instalações para conferências, podem estar em posição mais favorável do que pequenos hotéis que competem principalmente pelo preço.
Falta de dinheiro afeta trabalhadores e fornecedores
Thienprasit Chaiyapatranun, presidente da Associação de Hotéis da Tailândia, citou uma pesquisa conjunta de confiança hoteleira com o Banco da Tailândia, segundo a qual mais da metade dos operadores enfrentou maior aperto de liquidez em maio de 2026. A ocupação média naquele mês foi de 56%, e a previsão para junho era de 50%, enquanto a baixa temporada e o conflito no Oriente Médio pesavam sobre as viagens.
Alguns locais apresentavam situação bem pior. Thienprasit descreveu ocupação de 20% a 30% em Patong e nos centros urbanos do sul, e disse que Pattaya também enfrentava dificuldades. As pequenas empresas tinham menos capital de giro para amortecer a queda nas receitas.
Os salários representam aproximadamente 25% a 30% dos custos dos hotéis. Os operadores reagiram reduzindo equipes, encurtando jornadas, discutindo cortes salariais e concedendo licenças temporárias sem remuneração. Alguns grandes hotéis enfrentaram folhas de pagamento mensais de até 30 milhões de baht.
Os fornecedores também sentem a pressão. Os hotéis tentaram adiar pagamentos para além do prazo de crédito padrão de 30 dias para preservar o caixa. Isso transfere parte da pressão financeira para as empresas que fornecem alimentos, equipamentos e outros itens essenciais.
O Kasikorn estima que os custos variáveis, ou seja, despesas que mudam conforme a atividade da empresa, representem cerca de 40% a 45% dos custos totais, dependendo do modelo operacional. Energia, eletricidade, transporte, alimentos, suprimentos e taxas de plataformas de reserva podem ficar mais caros em 2027, aumentando a pressão mesmo que o número de hóspedes melhore.
Operadores buscam empréstimos e mudanças nas regras de hospedagem
Representantes do setor pedem acesso mais fácil ao crédito, ajuda financeira, redução dos custos de viagem e revisão da taxa para turistas estrangeiros. A Associação de Hotéis da Tailândia também pediu alívio nos custos de energia, deduções fiscais e empréstimos a juros baixos para reformas hoteleiras.
Os pedidos de apoio financeiro estão ligados a necessidades operacionais imediatas. Um hotel que aguarda a principal temporada turística ainda precisa pagar funcionários, conservar o prédio e quitar contas antes da chegada da próxima onda de reservas. Empréstimos podem fornecer esse dinheiro, embora as parcelas acrescentem outra despesa futura.
A proposta de Lei de Hospedagem ampliaria a regulamentação para formatos mais recentes, incluindo hospedagens domiciliares, hostels, hotéis-boutique e propriedades da economia de compartilhamento. A regulamentação levaria em conta o porte e o risco da empresa. Os operadores pediram que a tramitação da lei avance mais rapidamente; os relatos desses pedidos não indicam uma data de implementação.
O Kasikorn afirma que uma regulamentação mais abrangente poderia melhorar a proteção do consumidor, mas também aumentar as exigências de conformidade e a pressão competitiva. Padrões ambientais e sociais ganham importância para viajantes europeus e clientes corporativos, criando demandas adicionais para empresas que buscam esses mercados.
A instabilidade climática traz outras despesas relacionadas ao uso de eletricidade, à gestão da água, aos seguros, aos preços dos alimentos e à exposição a enchentes. Também pode levar os viajantes a reservar mais tarde, enquanto aguardam maior clareza sobre as condições meteorológicas, dificultando o planejamento do fluxo de caixa.
Projeções apontam ritmos diferentes para a próxima recuperação
O Kasikorn projeta 31,4 milhões de chegadas de estrangeiros em 2026, o que, segundo sua avaliação, representa uma queda anual de 4%, seguidas por 31 milhões a 33 milhões em 2027. A projeção do Krungsri aponta uma recuperação mais forte, com 35,5 milhões de chegadas em 2026, 37,5 milhões em 2027 e 39 milhões em 2028.
A diferença é considerável: a projeção do Krungsri para 2027 supera o limite superior da faixa do Kasikorn em 4,5 milhões de visitantes. As duas projeções apontam a concorrência de outros destinos, a lenta recuperação chinesa e o excesso de oferta de hospedagem como obstáculos, mas apresentam expectativas diferentes sobre a velocidade da recuperação da demanda.
O turismo doméstico também é importante. O Kasikorn prevê de 205,5 milhões a 208 milhões de viagens domésticas em 2027, em comparação com os 202,4 milhões de viagens registrados pelo Krungsri em 2025. Esses números contam viagens, não pessoas, portanto um morador que viaje várias vezes contribui com várias viagens.
O Kasikorn projeta ocupação hoteleira nacional de 69,58% a 71,69% em 2027. O Krungsri projeta 72,5%. A demanda da Europa, das Américas e do Oriente Médio será acompanhada de perto, especialmente nos casos em que tensões geopolíticas afetem rotas e custos de viagem.
A sequência de pressões sobre o setor é visível em várias datas:
- 2023 a 2025: 38% dos operadores de hospedagem acumularam prejuízos ao longo dos três anos, proporção que chegou a 42% entre os pequenos operadores.
- 2025: O Krungsri registrou 32,97 milhões de chegadas de estrangeiros, enquanto 51% dos operadores de hospedagem relataram prejuízo.
- Maio de 2026: Uma pesquisa de confiança hoteleira constatou maior aperto de liquidez em mais da metade dos operadores.
- Janeiro a setembro de 2026: Os fechamentos registrados de empresas de hospedagem chegaram a 148, enquanto os novos registros caíram para 779.
- 2027: O Kasikorn prevê de 31 milhões a 33 milhões de chegadas de estrangeiros e alerta para novos fechamentos ou vendas de empresas se os custos continuarem altos e as reservas de caixa se esgotarem.
O Kasikorn recomenda ampliar os mercados de clientes e as fontes de receita, em vez de depender apenas de descontos. Entre as sugestões estão atrair turistas domésticos, oferecer estadias mais longas, cafés, serviços para reuniões e espaços de trabalho compartilhados, além de investir em tecnologia e energia para controlar despesas. Para novos empreendimentos, recomenda avaliar cuidadosamente a oferta local de quartos e o público-alvo antes de comprometer capital.
Principais pontos
- A Tailândia registrou 148 fechamentos de empresas de hospedagem nos primeiros nove meses de 2026, alta de 42%.
- Os novos registros caíram 31,2%, para 779, enquanto a oferta de quartos continuou crescendo.
- Mais da metade dos operadores relatou prejuízo em 2025, e as pequenas empresas enfrentaram maior pressão.
- Cerca de 876 mil quartos disputavam uma demanda estrangeira que, segundo o Kasikorn, deve continuar bem abaixo dos níveis de 2019.
- A falta de dinheiro está afetando contratações, pagamentos a fornecedores e a capacidade de manter as operações nos meses mais tranquilos.
- Kasikorn e Krungsri preveem ritmos diferentes de recuperação, mas ambos apontam o excesso de oferta e a concorrência intensa.






