Toru Utsumi, o assalariado japonês que dança, conquista público global aos 60 anos

10 min de leitura
Japan's Dancing Salaryman Toru Utsumi Finds a Global Audience at 60

Um terno, uma música e milhões de visualizações

Toru Utsumi, consultor de gestão japonês que voltou a dançar aos 52 anos, chegou aos 60 com mais de 640 mil seguidores no Instagram, mais de um milhão de fãs no TikTok e vídeos que ultrapassam 7,5 milhões de visualizações. Conhecido na internet como Tohru Dance, ele se apresenta de camisa, calça e terno, transformando a imagem familiar de um trabalhador de escritório em algo bem menos previsível.

Conteúdo
  1. Um terno, uma música e milhões de visualizações
  2. Por que voltou a dançar aos 52 anos
  3. Como o público cresceu
  4. O que é a dança no estilo Tohru?
  5. O consultor por trás da imagem de assalariado
  6. Por que alguns espectadores criticam seus movimentos
  7. Dançar junto sem falar a mesma língua
  8. Um grupo que mantém a idade em perspectiva
  9. Pontos principais

O público envia pedidos de músicas, acompanha seus passos em espaços públicos e, às vezes, se encontra com ele no Japão para dançar. O advogado italiano Roberto Cimmino dançou com Utsumi do lado de fora de uma estação de Tóquio durante uma visita ao país com a esposa. Cimmino resumiu o que o atrai na dança dele:

Um videozinho curto dele dançando ou curtindo a música pode mudar completamente o seu humor e fazer você sorrir.

A popularidade de Utsumi também traz uma surpresa. Ele diz que seu público é, em sua maioria, de fora do Japão, enquanto os seguidores japoneses são minoria. Alguns comentários iniciais de espectadores japoneses criticaram a maneira descontraída como ele trata a coreografia, a sequência de movimentos planejada em uma dança.

Por trás dos vídeos curtos há uma história mais longa, sobre retomar um antigo interesse, fazer aulas e abrir espaço para o prazer ao lado do trabalho. Utsumi tem sua própria consultoria, pratica um estilo de dança chamado locking e faz parte de um grupo cujos integrantes continuam dançando depois dos 70 anos. Sua ambição é seguir dançando pelo menos até os 71.

Por que voltou a dançar aos 52 anos

Utsumi cresceu em Kyushu, com raízes familiares na província de Fukuoka. Seu pai era pastor luterano, e a música da igreja fez parte de sua infância. Mais tarde, veio uma mistura bem mais barulhenta: punk, heavy metal e a música Eurobeat que ele dançava em discotecas quando era adolescente.

Por isso, dançar não era novidade quando, depois de completar 50 anos, ele começou a pensar em quanto tempo ainda tinha para experimentar coisas. Queria praticar uma atividade física e voltou a algo de que gostava quando era mais jovem. Em 2018, aos 52 anos, começou a fazer aulas de dança.

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Ao explicar por que decidiu aprender a dançar de verdade depois de anos dançando em discotecas e clubes, Utsumi resumiu assim sua visão sobre a idade:

Nunca é tarde demais para começar a dançar, porque hoje é o dia mais jovem da minha vida.

Seu retorno combinou familiaridade com novos ensinamentos. Ele já conhecia o prazer de se movimentar ao som da música, mas as aulas lhe deram um estilo para praticar e habilidades para desenvolver. O terno e os seguidores nas redes sociais definiram sua imagem pública; o ponto de partida foi uma decisão pessoal de voltar a dançar.

Como o público cresceu

Utsumi diz que começou a usar o Instagram mais ou menos na época em que voltou a dançar, aos 52 anos. Os vídeos dançando em público são de 2023. Ele via as publicações como parte do aprendizado: deixar as pessoas assistirem lhe dava um motivo para se esforçar mais, mesmo quando um vídeo não ficava perfeito.

Os marcos mostram como sua atividade evoluiu:

  • Aos 40 anos, Utsumi deixou a empresa onde trabalhava e abriu o próprio negócio.
  • Em 2018, aos 52 anos, começou a fazer aulas de dança.
  • A partir de 2023, publicou vídeos dançando em público.
  • Em 9 de julho de 2025, quando tinha 59 anos, somava mais de meio milhão de seguidores no Instagram e no TikTok.
  • Os números mais recentes indicam mais de 640 mil seguidores no Instagram e mais de um milhão no TikTok.

Os números mais recentes elevam seu público combinado a mais de 1,64 milhão de contas, em comparação com mais de 500 mil em julho de 2025. Quem o segue nas duas plataformas aparece nas duas contagens, portanto o total se refere a contas, e não a pessoas diferentes.

Seus vídeos mais vistos alcançaram públicos muito maiores que o número de seguidores. Alguns ultrapassaram 7,5 milhões de visualizações, mostrando até onde uma apresentação pode chegar além das pessoas que já o acompanham.

O que é a dança no estilo Tohru?

Utsumi pratica locking, estilo em que passos fluidos são interrompidos por paradas marcadas ou posições mantidas. Ele descreve o ritmo como alguns passos seguidos de um lock. Seus vídeos são mais soltos e misturam movimentos em resposta à música, sem seguir sempre uma rotina fixa.

Utsumi chama essa abordagem de freestyle, ou estilo Tohru. Ele ainda quer dominar o locking, embora suas apresentações públicas tenham um tom mais descontraído. Praticar uma técnica específica e improvisar para um vídeo fazem parte de sua vida como dançarino.

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Os pedidos de músicas ajudam a definir o que os espectadores veem. Em julho de 2025, sua planilha tinha mais de 700 músicas solicitadas. Ele disse que todas as músicas que dançava eram pedidos do público, embora o volume de comentários tivesse ficado grande demais para ler todos.

Soul e funk, especialmente músicas das décadas de 1970, 1980 e 1990, são mais fáceis para ele porque combinam bem com o locking. Muitos pedidos, porém, são de hip-hop mais recente. Outros vão do death metal a danças folclóricas de uma região da Itália. Sua formação musical variada lhe dá referências para lidar com pedidos desconhecidos.

O consultor por trás da imagem de assalariado

O apelido de Utsumi se baseia em um contraste imediatamente reconhecível: um homem vestido para trabalhar em uma empresa se movimentando com a liberdade de um dançarino. Salaryman é um termo comum para designar um funcionário assalariado de uma empresa no Japão. Hoje, Utsumi trabalha por conta própria, depois de deixar a empresa onde trabalhava e abrir seu próprio negócio aos 40 anos.

Em sua consultoria de gestão, ele ajuda organizações a mudar. Utsumi conta que pergunta aos mais jovens o que realmente querem fazer e os incentiva a ir atrás disso. Em sua própria vida, deixar uma empresa e, mais tarde, se dedicar à dança partiram de uma disposição semelhante para fazer escolhas.

Utsumi vê uma ligação entre seu modo de pensar profissionalmente e a publicação de vídeos. Produzir algo lhe dá a oportunidade de aprender com o resultado. Em vez de esperar até que todos os movimentos estejam perfeitos, ele mostra o trabalho às pessoas e usa essa experiência para melhorar.

Ele também distingue o aperfeiçoamento da pressão de simplesmente continuar publicando. Ao falar sobre por que as pessoas têm dificuldade para manter uma atividade, Utsumi explicou sua prioridade:

A continuidade não é o objetivo. O objetivo é melhorar.

Essa abordagem dá aos vídeos um propósito que vai além de chamar a atenção. Um clipe pode divertir o público e, ao mesmo tempo, ser mais um passo no desenvolvimento de uma habilidade que ele ainda está aprendendo.

Por que alguns espectadores criticam seus movimentos

Utsumi diz que alguns comentaristas japoneses, no início, o acusaram de executar a coreografia de forma errada ou de zombar dos dançarinos que a criaram. Ele entendeu a crítica como uma preocupação de que uma apresentação descontraída tratasse com desrespeito rotinas ensaiadas cuidadosamente.

Sua prioridade é se expressar. Ele ficou surpreso ao saber que os espectadores podiam interpretar sua dança como deboche, já que ele estava apenas curtindo a música. A divergência diz respeito ao que o público espera de um vídeo de dança: a execução fiel de uma rotina estabelecida ou uma resposta pessoal a uma música.

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Utsumi também diz que as pessoas podem se preocupar com a reputação do empregador, avaliações no trabalho e a possibilidade de que seu comportamento em público afete o emprego. Essas preocupações ajudam a explicar por que, para ele, pode ser difícil se expressar abertamente. Trabalhar por conta própria também faz parte de sua situação pessoal.

A reação do Japão a Utsumi não foi medida por uma pesquisa representativa; o retrato se baseia no que ele conta sobre seus seguidores e os comentários que recebeu. Ele também dança com outros homens japoneses e frequenta aulas. Sua experiência inclui críticas, companheirismo e prática contínua.

Dançar junto sem falar a mesma língua

Às vezes, o público de Utsumi no exterior se torna seu parceiro de dança na calçada. Ele se lembra de ter dançado pela primeira vez com um seguidor estrangeiro durante uma viagem de negócios a Kobe. O visitante era tímido e falava pouco japonês, então os dois recorreram principalmente ao Google Tradutor para conversar.

A dança lhes deu outra maneira de passar o tempo juntos. Utsumi diz que o encontro o ajudou a perceber que eles podiam se comunicar por meio dos movimentos, apesar da dificuldade para conversar. Ele também contou que dançou com alguém do México, e os dois se viraram com o pouco de japonês e inglês que sabiam.

O encontro com Cimmino em Tóquio é outro exemplo dessa conexão. Uma breve apresentação na tela se transformou em uma atividade compartilhada durante uma visita ao Japão. O que atraía era tanto o clima criado por Utsumi quanto os passos em si.

Utsumi ainda se sente desconfortável dançando sozinho quando há outras pessoas por perto. Ele diz que às vezes procura um lugar mais tranquilo. Sua confiança em público convive com esse nervosismo; gostar da apresentação não significa que ele se sinta à vontade em todas elas.

Um grupo que mantém a idade em perspectiva

Utsumi faz parte do O'jeys, um grupo de homens mais velhos que aprendem locking. Em julho de 2025, ele disse que o grupo estava no sétimo ano. Os integrantes tinham entre 48 e 71 anos, com média de idade de 59. O instrutor os incentivou a formar o grupo e participar de competições.

Os integrantes mais velhos dão uma referência concreta à sua ambição. Dois tinham 71 anos, e Utsumi disse que queria continuar dançando até pelo menos essa idade. Quando isso acontecer, calculou, esses integrantes terão 83 anos, e ele ainda vai querer incentivá-los a continuar.

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Sua prática inclui tanto companhia quanto momentos a sós. Dançar com outras pessoas traz o prazer de compartilhar a atividade, enquanto dançar sozinho permite que ele responda diretamente à música. Durante uma concentração profunda, diz ele, os pensamentos desaparecem e o corpo reage ao que está ouvindo.

Utsumi descreve essa sensação como algo que surge quando escuta com atenção músicas de que gosta, e não por tentar forçar um estado de espírito específico. Para o consultor cujos vídeos hoje alcançam milhões de pessoas, a atividade ainda se resume a um prazer conhecido: ouvir uma música e dançar.

Pontos principais

  • Toru Utsumi, de 60 anos, é conhecido na internet como Tohru Dance e o assalariado japonês que dança.
  • Ele tem mais de 640 mil seguidores no Instagram e mais de um milhão de fãs no TikTok.
  • Começou a fazer aulas de dança aos 52 anos, em 2018, e publicou vídeos dançando em público a partir de 2023.
  • Ele pratica locking, mas seus vídeos mostram um estilo pessoal mais livre e músicas pedidas pelos espectadores.
  • Utsumi diz que a maior parte de seu público é de fora do Japão e que alguns comentários japoneses iniciais criticaram sua coreografia.
  • Consultor de gestão independente e integrante do grupo de dança O'jeys, ele espera continuar dançando pelo menos até os 71 anos.
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