Um terremoto profundo no Pacífico, com amplo alcance
Um terremoto de magnitude preliminar 7,0 atingiu uma área a oeste das ilhas Ogasawara, no Japão, por volta das 11h10 de domingo, 25 de outubro de 2026, e provocou tremores no leste e no nordeste do país, embora tenha começado a cerca de 470 quilômetros de profundidade, sob o oceano Pacífico. A Agência Meteorológica do Japão informou que não havia risco de tsunami.
Conteúdo
- Um terremoto profundo no Pacífico, com amplo alcance
- Por que os valores de magnitude são diferentes
- Onde os tremores foram registrados
- Como um terremoto profundo chegou a cidades distantes
- Japão e Havaí não corriam risco de tsunami
- O que a avaliação de danos indica
- O histórico de terremotos do Japão dá contexto ao evento
- Principais pontos
No comunicado inicial sobre o terremoto, divulgado às 11h17 de 25 de outubro, a Agência Meteorológica do Japão localizou o epicentro a oeste das ilhas Ogasawara, na latitude 28,0 graus norte e longitude 139,9 graus leste. O comunicado indicou magnitude 7,0, profundidade de cerca de 470 quilômetros e intensidade sísmica máxima de 3 no vilarejo de Ogasawara. A declaração sobre tsunami dizia: "Não há preocupação com tsunami causado por este terremoto."
O tremor mais forte registrado chegou a 3 na escala de intensidade sísmica do Japão, que vai de 0 a 7, nas ilhas habitadas de Chichijima e Hahajima. Não havia relatos imediatos de vítimas ou danos. As autoridades continuaram monitorando a atividade sísmica para verificar a possibilidade de réplicas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) mediu o terremoto como magnitude 6,5, a uma profundidade de 492,4 quilômetros. As duas agências situaram a origem a centenas de quilômetros abaixo do oceano, fazendo da profundidade um aspecto central para explicar por que o terremoto provocou tremores relativamente moderados em uma área extensa.
Os municípios que registraram intensidade igual ou superior a 1 tinham, juntos, uma população de 34.539.637 pessoas, segundo um cálculo com base em estatísticas populacionais nacionais de janeiro de 2025. Desse total, 8.916.834 pessoas, ou 25,8%, tinham 65 anos ou mais. Os números representam a população que vive em locais onde os instrumentos registraram tremores fortes o suficiente para serem sentidos.
As ilhas Ogasawara, também chamadas de ilhas Bonin, ficam muito ao sul da parte continental de Tóquio e são administradas pelo Governo Metropolitano de Tóquio. O arquipélago tem aproximadamente 2.500 habitantes. O terremoto de domingo conectou essa comunidade remota do Pacífico a uma extensa região do Japão por meio de ondas sísmicas que se propagaram profundamente no subsolo.
A agência meteorológica do Japão situou o terremoto a cerca de 1.000 quilômetros ao sul de Tóquio. Os dados de localização do USGS também colocaram o epicentro a 729 quilômetros ao sul-sudeste de Kushimoto e a 807 quilômetros ao sul de Shizuoka, ilustrando a distância do evento em relação à costa.
Por que os valores de magnitude são diferentes
A magnitude preliminar 7,0 da Agência Meteorológica do Japão e a medição 6,5 do USGS se referem ao mesmo terremoto. O Centro Sismológico Euro-Mediterrânico informou inicialmente magnitude 6,3 e, depois, passou a indicar 6,5, em linha com o valor do USGS.
As estimativas de magnitude são calculadas a partir de registros sísmicos. As agências de monitoramento podem usar conjuntos diferentes de instrumentos e métodos de cálculo, e as estimativas iniciais podem mudar à medida que novos registros ficam disponíveis. Para quem acompanha as atualizações, o mais útil é associar cada valor à agência que o divulgou.
As estimativas de profundidade também variaram. A agência japonesa situou a origem a cerca de 470 quilômetros, enquanto o USGS indicou 492,4 quilômetros e o Centro de Redes Sismológicas da China, 480 quilômetros. Todas as medições colocam o terremoto muito abaixo da crosta superficial, onde começam muitos terremotos destrutivos.
Magnitude e intensidade respondem a perguntas diferentes. A magnitude descreve o tamanho de um terremoto em sua origem. A intensidade descreve os tremores em um local específico, por isso um mesmo terremoto pode gerar vários registros de intensidade em diferentes cidades e ilhas.
Onde os tremores foram registrados
O vilarejo de Ogasawara registrou a intensidade máxima, de 3. No Japão continental, a intensidade 2 foi medida no distrito de Chiyoda, em Tóquio, em partes de Yokohama e Kawasaki e em municípios de várias províncias, incluindo Miyagi, Fukushima, Ibaraki, Tochigi e Saitama.
Na província de Chiba, a intensidade 2 foi registrada em Katori, Mutsuzawa, Ichihara, Urayasu, Tateyama e outros municípios, além dos distritos de Chuo e Mihama, na cidade de Chiba. Muitas outras áreas da província registraram intensidade 1.
Tremores mais fracos se estenderam por uma área ainda maior. Registros de intensidade 1 incluíram Morioka, na província de Iwate, e Hashikami, na província de Aomori, a nordeste, além de localidades em Niigata, Yamanashi, Nagano e Shizuoka. Grande parte da região central de Tóquio também registrou intensidade 1.
Esse padrão mostra por que a distância do epicentro, por si só, não explica por completo o que os moradores sentem. As ondas sísmicas atravessam diferentes materiais no subsolo, e as condições locais do terreno podem influenciar os tremores registrados na superfície.
Como um terremoto profundo chegou a cidades distantes
As ilhas Ogasawara ficam na região de Izu-Bonin-Mariana, onde a placa do Pacífico se desloca por baixo da placa do mar das Filipinas. Uma placa tectônica é uma imensa camada móvel das partes externas da Terra. Onde uma placa mergulha sob outra, podem ocorrer terremotos muito abaixo da superfície.
Acredita-se que os tremores de domingo tenham se propagado pela placa do Pacífico em subducção, ajudando a levar os abalos a áreas distantes do leste e do nordeste do Japão. Por causa da profundidade do terremoto, até as comunidades próximas ao ponto diretamente acima de sua origem estavam separadas dele por centenas de quilômetros de rocha.
O epicentro é o ponto da superfície terrestre diretamente acima do local onde um terremoto começa. O ponto de origem propriamente dito fica no subsolo. Essa diferença é importante neste caso: dizer que um epicentro fica no mar não informa a que distância abaixo do leito marinho ocorreu a ruptura.
As ilhas Ogasawara já foram cenário de um exemplo impressionante. Em 2015, um terremoto de magnitude 7,9, a 664 quilômetros de profundidade, foi sentido em quase todo o Japão. Elevadores pararam em Tóquio, mas ninguém morreu. Segundo a profundidade indicada pelo USGS para o tremor mais recente, aquele terremoto teve origem cerca de 172 quilômetros mais abaixo do que o de domingo.
O evento de 2015 oferece um exemplo concreto do amplo alcance dos tremores de domingo. Uma origem remota e grande profundidade ainda podem estar associadas a abalos em cidades distantes do arquipélago.
Japão e Havaí não corriam risco de tsunami
A Agência Meteorológica do Japão informou que o terremoto não representava risco de tsunami. O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico também divulgou um boletim às 02h24 UTC de 25 de outubro, informando que não havia risco de tsunami. O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos confirmou que o Havaí não estava sob alerta de tsunami.
Tsunamis são gerados quando um distúrbio desloca um grande volume de água. Em terremotos, isso costuma ocorrer quando movimentos próximos ao fundo do oceano elevam ou rebaixam o leito marinho. O terremoto de domingo começou a centenas de quilômetros de profundidade, e as agências que avaliaram o evento não emitiram alerta de tsunami.
A sequência de registros do terremoto e das avaliações de risco de tsunami foi a seguinte:
- 02h09 UTC de 25 de outubro: o USGS registrou o terremoto, correspondente a cerca de 11h09 no Japão.
- Por volta das 11h10 no Japão: o comunicado inicial da Agência Meteorológica do Japão situou o terremoto a oeste das ilhas Ogasawara, com magnitude preliminar 7,0.
- 02h24 UTC: o Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico divulgou um boletim informando que não havia risco de tsunami.
No Havaí ainda era sábado, 24 de outubro, quando o terremoto ocorreu, por volta das 16h09 no horário local. No Japão, já era domingo de manhã. As diferentes datas nos comunicados sobre o terremoto refletem os fusos horários em lados opostos do Pacífico.
O que a avaliação de danos indica
O USGS emitiu um alerta verde para mortes e perdas econômicas estimadas decorrentes dos tremores, indicando baixa probabilidade de vítimas e danos. Essa avaliação era compatível com a ausência inicial de relatos de feridos ou danos materiais.
Um alerta verde é uma estimativa inicial baseada no terremoto e na exposição esperada aos tremores. Informações confirmadas sobre edifícios e comunidades específicos são obtidas por meio de avaliações locais. Ainda não havia uma avaliação final dos danos.
Na avaliação do USGS, grande parte dos edifícios da região era resistente a tremores, embora certos tipos de construção fossem vulneráveis, incluindo estruturas pesadas de madeira e alvenaria reforçada ou confinada. Edifícios de alvenaria usam materiais como tijolos ou blocos de concreto; a alvenaria confinada inclui elementos de concreto que dão sustentação às paredes.
O cálculo populacional ajuda a dimensionar o alcance do terremoto, apesar das baixas perdas estimadas. Mais de 34,5 milhões de pessoas viviam em municípios com registros de intensidade igual ou superior a 1, mas a intensidade máxima registrada em qualquer lugar foi 3. Uma área geográfica extensa e tremores fortes em uma localidade são características diferentes de um terremoto.
Moradores com 65 anos ou mais representavam pouco mais de um quarto da população desses municípios. Essa distribuição etária é útil para planejar assistência e comunicação, sobretudo em locais onde as pessoas podem precisar de ajuda para se locomover ou verificar suas casas depois dos tremores.
O histórico de terremotos do Japão dá contexto ao evento
O Japão fica no encontro de quatro grandes placas tectônicas e registra cerca de 10% dos terremotos de magnitude 6 ou superior do mundo. O evento de domingo ocorreu nesse contexto de intensa atividade sísmica, mas sua grande profundidade e a ausência de tsunami determinaram as consequências imediatas para os moradores.
O terremoto de magnitude 9,0 e o tsunami de março de 2011 mostram como uma combinação diferente de magnitude, localização e movimento do leito marinho pode ser destrutiva. O desastre deixou 22.303 pessoas mortas ou desaparecidas quando são incluídas as mortes relacionadas ao desastre, e provocou o acidente nuclear de Fukushima.
No terremoto de domingo, os desdobramentos foram mais limitados: tremores em uma área extensa, nenhum risco de tsunami no Japão ou no Havaí e ausência de relatos imediatos de vítimas ou danos. As autoridades continuaram monitorando a atividade sísmica, enquanto as avaliações iniciais apontavam para uma baixa probabilidade de perdas graves.
Principais pontos
- O terremoto atingiu uma área a oeste das ilhas Ogasawara por volta das 11h10, no horário do Japão, em 25 de outubro de 2026.
- A agência meteorológica do Japão estimou magnitude 7,0, a cerca de 470 quilômetros de profundidade; o USGS registrou magnitude 6,5, a 492,4 quilômetros.
- A intensidade sísmica máxima foi 3 em Chichijima e Hahajima, com tremores mais fracos no leste e no nordeste do Japão.
- Os municípios que registraram intensidade 1 ou superior tinham, juntos, cerca de 34,5 milhões de habitantes.
- As autoridades japonesas e do Pacífico informaram que não havia risco de tsunami, e o Havaí não estava sob alerta de tsunami.
- Não havia relatos imediatos de vítimas ou danos, e o USGS emitiu um alerta verde, indicando baixa probabilidade de perdas.






