Serviço de inteligência da Coreia do Sul rejeita rumores sobre a morte de Kim Jong Un em reunião com parlamentares

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South Korea's NIS Rejects Kim Jong Un Death Rumors in Briefing to Lawmakers

Agência de inteligência diz a parlamentares que os rumores são falsos

O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul informou a parlamentares em 23 de outubro que eram falsas as alegações nas redes sociais de que o líder norte-coreano Kim Jong Un havia morrido, segundo pessoas a par de uma reunião fechada da Comissão de Inteligência da Assembleia Nacional. A avaliação veio após vários dias de especulações sobre uma hemorragia cerebral, um tratamento na China e uma suposta transferência de poder para sua irmã, Kim Yo Jong.

Conteúdo
  1. Agência de inteligência diz a parlamentares que os rumores são falsos
  2. Como o rumor sobre a morte se espalhou
  3. O que o serviço de inteligência disse sobre a saúde de Kim
  4. Pyongyang divulgou imagens de um passeio em família
  5. A aparição de Kim Yo Jong na fronteira chamou atenção
  6. Obras na fronteira provocaram ameaças sobre alto-falantes
  7. Uma interrupção afetou 42 sites norte-coreanos
  8. Incertezas diplomáticas marcaram a mesma semana
  9. As datas até a próxima análise parlamentar
  10. Principais pontos

A agência já havia avaliado, em 30 de setembro, que Kim não apresentava sinais incomuns de problemas de saúde, apesar de pesar na faixa dos 140 quilos e correr alto risco de doença cardiovascular. A agência citou a capacidade dele de subir correndo escadas durante uma inspeção de um destróier, um tipo de navio de guerra, e o acompanhamento próximo de uma equipe médica dedicada.

A mídia estatal norte-coreana divulgou em 20 de outubro fotografias que mostravam Kim visitando uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang no dia anterior, acompanhado da esposa, Ri Sol Ju, e da filha, Kim Ju Ae. A divulgação ocorreu depois que a alegação de sua morte começou a circular na internet, em 18 de outubro.

A reunião de 23 de outubro também abordou a presença de Kim Yo Jong em obras de fortificação ao longo da fronteira com a Coreia do Sul. O serviço de inteligência avaliou que a inspeção dela ao lado de altos oficiais militares não era suficiente para concluir que sua posição política havia mudado.

Os parlamentares devem voltar a interrogar o serviço de inteligência durante uma auditoria parlamentar em 29 de outubro. A saúde de Kim e os acontecimentos dentro da Coreia do Norte devem estar entre os temas examinados.

Como o rumor sobre a morte se espalhou

O rumor teve origem em uma publicação de 18 de outubro na rede X, feita por Xie Wanjun, um dissidente chinês que vive nos Estados Unidos. Ele afirmou que Kim havia sofrido uma hemorragia cerebral, morrido em um hospital de Pequim e sido levado secretamente de volta à Coreia do Norte. As alegações circularam sem provas que as sustentassem.

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Xie também compartilhou um vídeo apresentado como um anúncio norte-coreano da morte de Kim. As imagens eram do anúncio da morte do pai de Kim, Kim Jong Il, em 2011. Xie já havia divulgado alegações não verificadas sobre o presidente chinês Xi Jinping, incluindo rumores de sua morte e do uso de um sósia.

Até 22 de outubro, mensagens que circulavam por serviços de mensagens privadas haviam ampliado a história, incluindo supostos planos de sucessão envolvendo Kim Han Sol e alegações de envolvimento militar americano. Outras publicações afirmavam que Kim Yo Jong já havia assumido o poder.

As alegações, que mudavam ao longo do tempo, ajudaram o rumor a sobreviver a novos acontecimentos. Depois que a Coreia do Norte publicou fotografias de Kim, as especulações passaram a afirmar que as imagens eram encenadas ou mostravam um sósia. Também circulou, sem detalhes sobre as ferramentas, as imagens de comparação ou os resultados utilizados, a alegação de que a inteligência artificial havia identificado um substituto.

O que o serviço de inteligência disse sobre a saúde de Kim

A avaliação de 30 de setembro apresentou aos parlamentares informações mais específicas do que as especulações posteriores na internet. O serviço de inteligência estimou que Kim pesava na faixa dos 140 quilos e o descreveu como gravemente obeso, com alto risco de doença cardiovascular.

As doenças cardiovasculares afetam o coração e os vasos sanguíneos. A obesidade grave pode aumentar a probabilidade desse tipo de problema ao longo do tempo. A descrição da agência combinou esse risco médico com observações sobre os movimentos recentes de Kim e os cuidados que ele recebe.

Durante uma inspeção de um destróier, Kim foi visto fazendo movimentos físicos sem dificuldade aparente, inclusive subindo escadas correndo. O serviço de inteligência também citou a presença de profissionais da saúde que o monitoram de perto.

A reunião de 23 de outubro reiterou a rejeição da agência aos rumores sobre a saúde de Kim. As informações chegaram ao público por meio de pessoas familiarizadas com a reunião parlamentar fechada; não houve uma avaliação médica pública detalhada. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul também afirmou não ter detectado sinais internos incomuns na Coreia do Norte.

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Pyongyang divulgou imagens de um passeio em família

A mídia estatal norte-coreana informou que Kim participou de uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang em 19 de outubro. As fotografias divulgadas em 20 de outubro o mostravam visitando os estandes com Ri Sol Ju e Kim Ju Ae.

A exposição foi identificada como Exposição Nacional de Roupas e Calçados 2026. Foi a primeira notícia sobre uma aparição pública de Kim desde a cobertura de sua presença na inauguração do Museu da Revolução da Defesa Nacional, em 11 de outubro, um intervalo de nove dias entre as notícias.

A mídia estatal norte-coreana não abordou diretamente o rumor sobre a morte ao divulgar a visita à exposição. O objetivo da divulgação e as circunstâncias em que as fotografias foram tiradas não foram apurados de forma independente.

O momento foi diferente de períodos anteriores de especulação, em 2014 e 2020, quando fotografias de Kim ficaram sem ser divulgadas por dezenas de dias. Desta vez, as imagens apareceram dois dias após a alegação inicial nas redes sociais, e a data informada para a visita à exposição foi o dia seguinte à publicação.

A aparição de Kim Yo Jong na fronteira chamou atenção

Kim Yo Jong, irmã do líder e alta dirigente do Partido dos Trabalhadores, inspecionou obras destinadas a reforçar a fronteira sul da Coreia do Norte. Ela apareceu ao lado de altos comandantes, incluindo Pak Jong Chon, assessor do Ministério da Defesa Nacional.

As descrições da inspeção a situaram em 20 ou 21 de outubro. O serviço de inteligência abordou a aparição na reunião de 23 de outubro e avaliou que ela não era suficiente para concluir que o status político de Kim Yo Jong havia mudado.

A atividade pública dela ocorreu durante uma série de declarações sobre as tensões perto da Linha de Demarcação Militar, a fronteira militar que separa as Coreias do Norte e do Sul. A Coreia do Norte intensificou as obras de fortificação na fronteira desde abril de 2024, depois que Kim Jong Un descreveu as relações com o Sul como relações entre dois Estados hostis.

Kim Yo Jong afirmou repetidamente que as medidas militares seguiam a liderança e as instruções de Kim Jong Un. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul interpretou essas referências como uma tentativa de reforçar a disciplina e a lealdade nas forças armadas norte-coreanas.

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Obras na fronteira provocaram ameaças sobre alto-falantes

As declarações de Kim Yo Jong em 19, 21 e 22 de outubro diziam respeito às obras norte-coreanas perto da fronteira e às respostas militares sul-coreanas, incluindo transmissões de advertência e disparos de advertência relacionados a travessias da Linha de Demarcação Militar.

Em 19 de outubro, ela mencionou a possibilidade de retomar as transmissões de propaganda por alto-falantes direcionadas à Coreia do Sul. Em 21 de outubro, indicou que as transmissões seriam realizadas ao longo da fronteira durante o mês. Em 22 de outubro, advertiu que outro meio de resposta entraria em estado de prontidão.

Kim Yo Jong, falando como alta dirigente do Partido dos Trabalhadores sobre a disputa fronteiriça, ameaçou a Coreia do Sul com o que chamou de:

uma situação horrível e angustiante.

As transmissões por alto-falantes levam mensagens políticas através da fronteira. Neste caso, os alertas dela estavam ligados a uma disputa em curso sobre obras de fortificação e às advertências da Coreia do Sul a militares norte-coreanos que estavam perto ou haviam cruzado a fronteira militar. Os acontecimentos concretos foram as obras, as respostas militares e as ameaças de retomada das transmissões.

Uma interrupção afetou 42 sites norte-coreanos

Problemas de acesso a 42 importantes sites estatais e governamentais norte-coreanos foram mais um acontecimento em uma semana já marcada por muitos fatos. Entre os serviços afetados estavam a Agência Central de Notícias da Coreia, o jornal do Partido dos Trabalhadores, o Ministério das Relações Exteriores e a Air Koryo. Os servidores de e-mail também foram afetados.

A interrupção começou por volta das 11h de 20 de outubro e diminuiu por volta das 19h de 21 de outubro, cerca de 32 horas depois. Uma empresa de segurança apontou como possíveis causas um ataque direcionado às conexões através da China ou uma falha nas próprias conexões.

Um ataque de negação de serviço distribuído, conhecido pela sigla DDoS, sobrecarrega um serviço on-line com tráfego até que usuários comuns tenham dificuldade para acessá-lo. Uma falha de conexão pode causar problemas de acesso semelhantes em vários serviços que compartilham a mesma infraestrutura de rede.

Um funcionário do governo sul-coreano afirmou que não haviam sido detectados sinais específicos de invasão hacker. Um funcionário do Ministério da Unificação disse que interrupções de cerca de dois dias já haviam ocorrido antes. A causa dessa interrupção permaneceu sem confirmação.

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Incertezas diplomáticas marcaram a mesma semana

As trocas diplomáticas também foram envolvidas pelas especulações. Em 22 de outubro, a mídia estatal norte-coreana informou que Xi Jinping havia enviado uma resposta a Kim em 20 de outubro, em agradecimento pelas felicitações pelo Dia Nacional da China, celebrado em 1º de outubro.

Ao mesmo tempo, havia discussões sobre um possível encontro entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em 30 de setembro, o serviço de inteligência havia estimado em cerca de 50% a possibilidade de conversas por ocasião da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

Em 19 de outubro, Trump já demonstrava incerteza sobre a realização de um encontro e sobre quem poderia estar solicitando a reunião. A reunião parlamentar de 23 de outubro não incluiu uma apresentação separada sobre as perspectivas de conversas entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos nem sobre os preparativos para uma visita de Kim à China.

Ko Young Hwan, ex-diretor do Instituto de Educação para a Unificação, também afirmou ter recebido informações de que funcionários norte-coreanos na China haviam sido instruídos a permanecer em seus postos, em estado de prontidão para emergências. Ko disse não acreditar no rumor sobre a morte.

As datas até a próxima análise parlamentar

A sequência de acontecimentos públicos vai da avaliação do serviço de inteligência sobre a saúde de Kim, no fim de setembro, até a auditoria marcada para 29 de outubro. As principais datas são:

  • 30 de setembro: O serviço de inteligência informa aos parlamentares que Kim corre risco considerável de doença cardiovascular, mas não apresenta sinais incomuns de problemas de saúde.
  • 18 de outubro: Xie Wanjun publica no X a alegação da morte.
  • 19 de outubro: Kim visita uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, segundo a mídia estatal norte-coreana.
  • 20 de outubro: A mídia estatal publica fotografias da visita; começam problemas generalizados de acesso a sites.
  • 21 de outubro: O acesso aos sites se estabiliza após cerca de 32 horas.
  • 23 de outubro: O serviço de inteligência informa aos parlamentares que os rumores sobre a morte são falsos.
  • 29 de outubro: Está prevista uma auditoria do serviço de inteligência pela Comissão de Inteligência da Assembleia Nacional.

A auditoria dará aos parlamentares outra oportunidade de examinar a avaliação da agência sobre a saúde de Kim, a atividade militar ao longo da fronteira e outros acontecimentos relacionados à segurança. Para quem vive perto da fronteira, os acontecimentos imediatos envolvem obras de fortificação, alertas militares e a ameaça de retomada das transmissões de propaganda.

Principais pontos

  • O serviço de inteligência da Coreia do Sul rejeitou os rumores sobre a morte de Kim Jong Un durante uma reunião parlamentar fechada em 23 de outubro.
  • A agência havia citado anteriormente a atividade física normal e o acompanhamento médico próximo, ao mesmo tempo que apontava um risco considerável de doença cardiovascular.
  • A mídia estatal norte-coreana publicou em 20 de outubro fotografias de Kim visitando uma exposição em Pyongyang com a esposa e a filha.
  • O serviço de inteligência avaliou que a inspeção de Kim Yo Jong na fronteira não era suficiente para concluir que sua posição política havia mudado.
  • Uma interrupção afetou 42 sites norte-coreanos por cerca de 32 horas; sua causa permaneceu sem confirmação.
  • A próxima auditoria parlamentar do serviço de inteligência está marcada para 29 de outubro.
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