Tailândia planeja regras mais rígidas para a cannabis, enquanto projetos mais amplos sobre drogas preveem detenção mais longa

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Thailand Plans Tighter Cannabis Rules as Wider Drug Bills Seek Longer Detention

Política de cannabis medicinal se une a uma repressão mais ampla às drogas

A Tailândia planeja controles e penalidades mais rigorosos para a cannabis, junto a uma campanha mais ampla de combate às drogas que abrange 21 províncias e 82 distritos. Em uma reunião do Conselho de Controle de Narcóticos realizada em 22 de outubro de 2026, o primeiro-ministro Anutin Charnvirakul apoiou o uso medicinal, ordenou inspeções mais rigorosas em estabelecimentos licenciados e pediu controles mais rígidos sobre as exportações.

Conteúdo
  1. Política de cannabis medicinal se une a uma repressão mais ampla às drogas
  2. Como a Tailândia chegou a este ponto
  3. O que mudaria com o projeto de lei sobre cannabis
  4. Lojas licenciadas enfrentarão inspeções mais rigorosas
  5. Exportações sob fiscalização mais rigorosa
  6. Propostas sobre posse trazem descrições conflitantes
  7. Detenção mais longa e maior acesso a dados
  8. Tratamento continua fazendo parte do plano
  9. Campanha em 21 províncias
  10. Principais pontos

A terceira reunião do conselho no ano também aprovou um plano de ação contra as drogas para o ano fiscal de 2027 e uma campanha proposta com duração de seis meses. As decisões vieram após a apresentação de dois projetos de lei ao Parlamento em 21 de outubro, que ampliariam o acesso de investigadores a informações e aumentariam de três para sete dias o período máximo de detenção de suspeitos de crimes relacionados a drogas.

Os negócios de cannabis enfrentam várias mudanças interligadas: fiscalização das condições das licenças vigentes, legislação proposta para a cannabis e alterações em leis mais abrangentes sobre narcóticos. O gabinete aprovou, em 22 de setembro, um projeto da Lei da Cannabis e do Cânhamo para restringir o mercado ao uso medicinal e eliminar gradualmente as vendas para fins recreativos.

Anutin, que também é ministro do Interior e líder do Partido Bhumjaithai, afirmou que a política do governo deve separar o tratamento médico do consumo recreativo. Em uma declaração publicada no site do governo real tailandês, ele expôs o princípio que, segundo disse, deve orientar essas decisões.

As políticas sobre drogas devem ser orientadas por evidências científicas, fatos e pelo interesse público,

A reunião de outubro apoiou medidas para reduzir e prevenir atividades relacionadas à cannabis recreativa em todas as suas formas, ao mesmo tempo que respaldou o uso medicinal. As recomendações de política serão encaminhadas ao Conselho de Estado, órgão consultivo jurídico do governo, para análise junto ao projeto de lei sobre cannabis do Ministério da Saúde Pública. Para os operadores de lojas, a pressão imediata está nas inspeções mais rigorosas; as leis propostas reformulariam as condições para que os negócios possam continuar.

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Como a Tailândia chegou a este ponto

A Tailândia legalizou pela primeira vez a cannabis medicinal em 2018 e descriminalizou a planta em 2022. Anutin defendeu a descriminalização quando era ministro da Saúde Pública. Em seguida, os negócios de cannabis se expandiram rapidamente, com lojas atendendo a um mercado recreativo que cresceu mais depressa do que as regras que o regulamentavam.

O setor gerou uma receita estimada em 28 bilhões de baht no primeiro ano após a descriminalização. No fim de dezembro de 2025, a Tailândia registrava 18.433 estabelecimentos de cannabis em todo o país, o que ilustra a dimensão da atividade comercial que agora enfrenta restrições mais rígidas.

As propostas mais recentes vêm após várias etapas de decisões sobre políticas e fiscalização:

  • 2018: A Tailândia legalizou a cannabis medicinal.
  • 2022: A cannabis foi descriminalizada, seguida por um rápido crescimento dos negócios de varejo.
  • 3 de julho de 2026: Anutin presidiu a segunda reunião do conselho no ano, que aprovou, em princípio, uma operação coordenada contra as drogas.
  • 22 de setembro de 2026: O gabinete aprovou o projeto da Lei da Cannabis e do Cânhamo.
  • 21 de outubro de 2026: Anutin e parlamentares do Bhumjaithai apresentaram dois projetos de lei para alterar as leis sobre narcóticos.
  • 22 de outubro de 2026: O conselho apoiou controles mais rígidos para a cannabis e os planos mais amplos de fiscalização.

O projeto de lei sobre cannabis e os dois projetos sobre narcóticos ainda precisam ser analisados e aprovados pelo Parlamento. Não foi informada uma data para as votações nem para a entrada em vigor das penalidades mais severas propostas para a cannabis.

O que mudaria com o projeto de lei sobre cannabis

O ministro da Saúde Pública, Pattana Promphat, afirmou que o projeto de lei sobre cannabis foi elaborado após um estudo de seus efeitos regulatórios e audiências públicas. O sistema proposto exigiria licenças com validade de três anos para cultivo, produção, venda, importação e exportação de flores e extratos de cannabis.

As vendas seriam limitadas a pessoas com mais de 20 anos para tratamento por profissionais licenciados ou para pesquisas médicas. Os cultivadores teriam de registrar os locais de cultivo para que as autoridades pudessem monitorá-los. Algumas outras partes especificadas da planta, incluindo raízes, caules, ramos, folhas e sementes, poderiam ser vendidas sem licença quando destinadas a tratamento médico.

O projeto proibiria a publicidade, incluindo a promoção do uso de cannabis e de equipamentos relacionados. A produção, importação, exportação e venda ilegais estariam sujeitas a sanções criminais e multas, enquanto pessoas que fizessem uso indevido da cannabis estariam sujeitas apenas a multas.

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Os dispensários existentes poderiam operar com as licenças atuais até 2028. Após o vencimento dessas licenças, as lojas fora de estabelecimentos médicos teriam de cumprir as condições da nova lei para se qualificarem à renovação. Para os negócios voltados a clientes recreativos, isso significaria mudar suas atividades para atender ao mercado medicinal.

Lojas licenciadas enfrentarão inspeções mais rigorosas

Anutin orientou o Ministério da Saúde Pública e outras agências responsáveis a inspecionar estabelecimentos licenciados e tomar medidas legais quando os operadores violarem as condições de suas licenças. A revogação está entre as medidas disponíveis, o que significa que um negócio poderia perder a autorização para funcionar.

Após a reunião de 22 de outubro, Anutin afirmou que as lojas deveriam vender produtos medicinais e alertou contra vendas de flores de cannabis em formas como cigarros prontos para fumar. Ele disse que as flores continuam sujeitas ao controle de narcóticos e que as lojas infratoras poderiam ter suas licenças revogadas imediatamente.

Anutin também disse acreditar que as licenças atuais das lojas exigiam renovação anual e pediu inspeções antes da renovação, em vez de aprovação automática. Suas declarações diziam respeito à fiscalização vigente, enquanto o projeto de lei sobre cannabis propõe um sistema de licenciamento com validade de três anos.

Pattana afirmou que mais de 10 mil lojas de cannabis e locais de cultivo haviam sido incluídos em um sistema de monitoramento do governo. Esse número inclui tanto lojas quanto locais de cultivo, enquanto o total de 18.433 registrado em dezembro de 2025 contabilizava estabelecimentos. As autoridades pretendem usar o registro e as inspeções para identificar quais negócios cumprem as regras.

Exportações sob fiscalização mais rigorosa

O Departamento de Alfândega recebeu instruções para reforçar a coleta de informações, inspecionar mais rigorosamente as mercadorias que saem do país e realizar verificações aleatórias. Anutin deu essas instruções após preocupações com o contrabando de drogas para o exterior por meio de empresas de transporte de cargas.

Os caules, as folhas e as flores de cannabis devem cumprir a legislação tailandesa de exportação, afirmou ele. O canabidiol, geralmente chamado de CBD, pode ser usado em produtos médicos ou cosméticos, conforme as exigências e aprovações da Administração de Alimentos e Medicamentos. O CBD é um composto encontrado na cannabis; a autorização para fabricar ou exportar um produto depende das regras e licenças aplicáveis.

Anutin descreveu os requisitos de exportação em sua declaração oficial:

As exportações de caules, folhas e flores de cannabis devem cumprir rigorosamente a legislação tailandesa, enquanto os extratos de canabidiol (CBD) podem ser exportados, desde que atendam aos requisitos de licenciamento e às normas estabelecidas pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA),

O contrabando internacional já havia sido abordado na reunião do conselho de 3 de julho. O Conselho Nacional de Narcóticos da Indonésia, conhecido como BNN, havia anunciado a prisão de 12 pessoas em uma grande rede de contrabando de flores de cannabis que, segundo o órgão, tinha origem na Tailândia. Naquela reunião, Anutin afirmou que, em princípio, as exportações para fins que não fossem médicos não eram permitidas e que os países de destino aplicariam suas próprias leis.

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Propostas sobre posse trazem descrições conflitantes

Os dois projetos de lei apresentados em 21 de outubro alterariam o Código de Narcóticos e a Lei de Procedimentos para Casos de Narcóticos. Anutin e parlamentares do Bhumjaithai os entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Sophon Zaram, e solicitaram análise urgente.

A proposta de alteração do Código de Narcóticos foi descrita como uma presunção de que a posse, acima de quantidades legalmente definidas para uso pessoal, constitui posse para distribuição. Essa presunção dá aos investigadores uma hipótese jurídica inicial sobre o motivo pelo qual alguém está com as drogas, tornando a quantidade relevante para a acusação.

As descrições da proposta divergem em um ponto central. A descrição baseada em limites de quantidade manteria um critério quantitativo, enquanto outra afirma que qualquer pessoa encontrada com drogas seria tratada como traficante. Em 22 de outubro, Anutin descreveu, por sua vez, uma disposição segundo a qual a posse até mesmo de um comprimido levaria à acusação de que a pessoa é usuária de drogas. A redação final aprovada pelo Parlamento determinará como a posse será classificada.

O conselho também analisou uma regulamentação ministerial relacionada que retiraria sete drogas da categoria 1 das disposições que presumem que determinadas quantidades se destinam ao consumo pessoal. A proposta seguiria o trâmite jurídico. Isso é relevante porque a classificação de uma pessoa como usuária ou traficante afeta tanto as possíveis punições quanto o acesso ao tratamento.

Detenção mais longa e maior acesso a dados

A proposta de alteração processual ampliaria de três para sete dias o período máximo pelo qual as autoridades podem manter um suspeito de crimes relacionados a drogas sob custódia. São quatro dias a mais e mais que o dobro do limite atual. Anutin afirmou que os investigadores precisavam desse tempo adicional para reunir provas e ampliar as investigações.

Policiais do Departamento de Repressão a Narcóticos poderiam solicitar ao Tribunal Criminal ordens que permitissem acesso a informações por diferentes meios ou canais. O processo de solicitação judicial proposto é uma parte específica da iniciativa mais ampla de dar aos investigadores acesso a mais informações.

O projeto de lei do Código de Narcóticos também permitiria que funcionários do Escritório do Conselho de Controle de Narcóticos obtivessem informações de bancos de dados centrais para investigações, tratamento e reabilitação. As autoridades poderiam ordenar a suspensão ou exclusão de conteúdo online que promovesse o uso de drogas.

Outras disposições aumentariam as penas por envolver crianças em crimes relacionados a drogas e abordariam o uso de sistemas informáticos para incentivar o consumo de drogas. Em conjunto, as propostas vão além das apreensões físicas e abrangem as pessoas, as comunicações e os sistemas de informação ligados à atividade relacionada a drogas.

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Tratamento continua fazendo parte do plano

Anutin afirmou que a repressão à posse, inclusive em casos envolvendo pequenas quantidades, deve ser considerada junto ao tratamento e à reabilitação. A proposta de alteração do Código de Narcóticos esclareceria os procedimentos de reabilitação e permitiria que familiares ou cuidadores encaminhassem alguém voluntariamente para tratamento.

Na reunião de 22 de outubro, ele levantou preocupações sobre a capacidade de prisões e hospitais para lidar com as demandas decorrentes de ações contra pessoas que possuíssem até mesmo um comprimido. Segundo seu relato, altos funcionários da Saúde Pública e da Justiça, além do secretário-geral do conselho, afirmaram que suas agências conseguiriam administrar a carga de trabalho.

Anutin também ordenou um estudo para investigar por que algumas pessoas voltam a cometer delitos relacionados a drogas após a reabilitação. Essa determinação chama atenção para o que acontece depois do tratamento, além das prisões e do encaminhamento para atendimento.

A operação anterior do conselho, em julho, abrangeu sete áreas, incluindo cooperação internacional, segurança nas fronteiras, ações contra redes de tráfico e funcionários públicos implicados, redução de danos às comunidades, atendimento a pacientes psiquiátricos afetados pelas drogas, uma iniciativa distrital de tratamento e segurança comunitária. As decisões de outubro dão continuidade a essa combinação de fiscalização e tratamento.

Campanha em 21 províncias

O conselho aprovou um projeto de plano de ação para o ano fiscal de 2027 e apoiou uma campanha proposta com duração de seis meses. Designou áreas prioritárias para ações urgentes em 21 províncias e 82 distritos, nos termos da Seção 5(10) do Código de Narcóticos.

As unidades de comando previstas combateriam drogas, substâncias precursoras e produtos químicos nas fronteiras norte, nordeste e oeste, bem como no sul. Precursores são ingredientes que podem ser usados na fabricação de drogas. As unidades seriam lideradas por comandantes militares regionais, diretores regionais de segurança interna ou autoridades designadas.

A campanha buscaria reduzir o tráfico e o fornecimento de drogas, além de tomar medidas contra funcionários públicos envolvidos em delitos ou que permitissem que eles ocorressem. Anutin também alertou os comandantes sobre informantes que atuassem sem a aprovação deles, dizendo que esses acordos poderiam permitir vantagens indevidas e prejudicar a população.

Separadamente, o Conselho de Segurança Nacional reuniu órgãos de segurança, inteligência e administração para coordenar uma estratégia para as províncias da fronteira sul. Anutin instruiu as agências a monitorar os acontecimentos, reforçar a vigilância e compartilhar informações para evitar uma escalada e proteger os moradores.

Ele descreveu o objetivo dessa coordenação em sua declaração oficial:

O objetivo é garantir que todas as agências tenham uma compreensão comum e trabalhem juntas, de forma integrada, com base no mesmo plano estratégico,

Para os operadores de cannabis, as mudanças mais imediatas são as inspeções e os controles mais rigorosos das exportações. Para pessoas suspeitas de outros crimes relacionados a drogas, as principais mudanças propostas dizem respeito à detenção, ao acesso a informações pessoais e ao tratamento jurídico da posse. As decisões do Parlamento sobre os projetos determinarão até onde esses poderes irão.

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Principais pontos

  • A Tailândia planeja controles mais rígidos para a cannabis, com foco no uso medicinal e em medidas contra violações das condições das licenças.
  • O gabinete aprovou o projeto da Lei da Cannabis e do Cânhamo em 22 de setembro de 2026; o texto ainda precisa ser analisado pelo Parlamento.
  • Dois projetos de lei apresentados em 21 de outubro ampliariam os poderes de investigação e aumentariam de três para sete dias o período máximo de detenção de suspeitos de crimes relacionados a drogas.
  • As descrições divergem sobre como as propostas relativas à posse diferenciariam usuários de drogas de traficantes.
  • A reunião do conselho em 22 de outubro apoiou ações urgentes contra as drogas em 21 províncias e 82 distritos.
  • Funcionários da alfândega receberam ordens para reforçar a fiscalização das exportações, enquanto o tratamento e a reabilitação continuam fazendo parte do plano do governo.
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