Meta para 2028, com limites para onde os carros podem dirigir sozinhos
A BYD espera iniciar a produção em larga escala de veículos com direção automatizada condicional de Nível 3 em 2028, afirmou o vice-presidente sênior Yang Dongsheng em 21 de outubro, na Conferência Mundial de Veículos Inteligentes e Conectados de 2026. Sistemas de automação mais avançados podem chegar ao mercado após mais um ou dois anos de desenvolvimento, o que colocaria essa meta posterior em 2029 ou 2030, caso o cronograma inicial seja mantido.
Conteúdo
- Meta para 2028, com limites para onde os carros podem dirigir sozinhos
- O que muda entre L2 e L3?
- Os testes vêm antes da disponibilidade mais ampla
- As datas que definem o cronograma da BYD
- As normas de segurança vão moldar o produto
- Milhões de veículos contribuem para o desenvolvimento da BYD
- A capacidade de processamento também faz parte do plano
- O mercado chinês avança da assistência para a automação
- O que a meta representa para os compradores
- Principais pontos
Yang, que também dirige o Instituto de Pesquisa de Novas Tecnologias Automotivas da BYD, afirmou que o L3 ainda está em fase-piloto, com apoio de vários órgãos do governo chinês. A BYD espera usar esses testes para aprimorar sua tecnologia antes de apresentá-la a um público mais amplo.
A meta imediata é automatizar a direção em condições definidas. Essas condições podem abranger determinadas vias, velocidades, condições climáticas ou situações de trânsito. Para os compradores, a principal mudança seria um veículo capaz de assumir a tarefa de dirigir enquanto a função L3 estiver operando dentro dos limites aprovados.
As aprovações atuais na China mostram como essa autorização pode ser restrita. O Changan Deepal SL03 e o Arcfox Alpha S foram apontados como os únicos dois modelos aprovados para direção automatizada condicional L3, com operação restrita a cidades, trechos de vias e condições determinados.
O anúncio da BYD reúne três desenvolvimentos: uma grande frota que já usa assistentes de direção, testes governamentais para sistemas mais avançados e uma norma nacional obrigatória de segurança, prevista para entrar em vigor em 1º de julho de 2027. Transformar esses elementos em um produto que os clientes possam usar é o desafio por trás da meta para 2028.
O que muda entre L2 e L3?
A maioria dos recursos de direção automatizada atualmente oferecidos aos compradores chineses é de Nível 2, ou L2. Eles podem ajudar a controlar a direção e a velocidade, às vezes ao mesmo tempo, enquanto o motorista supervisiona continuamente a via e continua responsável por dirigir.
O L3 muda esse arranjo dentro de uma área operacional definida. O sistema executa a tarefa de dirigir e monitora o entorno, mas uma pessoa precisa estar disponível para assumir o controle quando solicitada. Assim, uma viagem pode incluir períodos de direção automatizada e períodos em que a pessoa dirige.
Um pedido para assumir o controle torna-se parte importante da experiência. Um veículo que se aproxima do fim de um trecho de via aprovado, por exemplo, precisa ter uma maneira de devolver o controle ao motorista. Detectar se o motorista está pronto e gerenciar essa transição são requisitos centrais de segurança.
O Nível 4 permite que um sistema conduza sem intervenção humana dentro das condições operacionais permitidas. O Nível 5 amplia essa ambição para todas as condições que um motorista humano conseguiria enfrentar. Yang descreveu a meta posterior da BYD como uma automação que vá além dos cenários limitados planejados para a primeira implantação do L3. Em termos técnicos, o L4 ainda pode ter limites geográficos ou de outro tipo.
Os testes vêm antes da disponibilidade mais ampla
Yang vinculou o cronograma de desenvolvimento da BYD ao programa-piloto promovido por vários ministérios e comissões. Seus comentários colocam os testes e o aprimoramento técnico no centro da preparação da empresa.
A BYD já tem uma licença para testes rodoviários de L3. Essa autorização permite testes, enquanto a implantação comercial exige as aprovações pertinentes para o produto e a operação. Para os consumidores, a questão prática é saber quais funções o veículo comprado está autorizado a usar e onde.
As restrições aplicadas ao Deepal SL03 e ao Arcfox Alpha S ilustram esse processo. A aprovação vale para ambientes operacionais especificados; portanto, a função automatizada de um veículo pode estar disponível em uma via e indisponível em outra.
A BYD ainda não identificou o primeiro modelo de produção, o preço de lançamento, as rotas inicialmente aprovadas nem uma data exata de lançamento em 2028. Esses detalhes determinarão quantos clientes poderão usar a tecnologia e quanto de seus trajetos habituais ela poderá cobrir.
As datas que definem o cronograma da BYD
A meta da BYD se insere em uma sequência de anúncios de hardware, dados sobre a frota e marcos regulatórios. A empresa prepara a tecnologia antes do lançamento de produção previsto, enquanto a China desenvolve as regras para a operação de sistemas mais avançados.
- Maio de 2026: a BYD apresentou seu chip automotivo de computação Xuanji A3, que, segundo a empresa, oferece suporte a sistemas L3 e L4.
- Agosto de 2026: foi divulgada a primeira norma nacional obrigatória de segurança da China para sistemas de direção automatizada L3 e L4.
- 15 de outubro de 2026: a BYD informou que mais de 3,95 milhões de veículos equipados com assistentes de direção estavam em uso.
- 21 de outubro de 2026: Yang apresentou a meta de produção de L3 para 2028 na Conferência Mundial de Veículos Inteligentes e Conectados.
- 1º de julho de 2027: a norma obrigatória de segurança tem entrada em vigor prevista.
- 2028: a BYD pretende introduzir a direção automatizada condicional L3 em veículos de produção.
- Por volta de 2029 a 2030: uma automação mais avançada poderá vir em seguida, caso o desenvolvimento leve mais um ou dois anos, como Yang descreveu.
A sequência deixa um intervalo entre o início previsto da vigência da norma de segurança e o lançamento pretendido pela BYD. A meta de automação posterior depende dos avanços após a implantação do L3, por isso é uma previsão de desenvolvimento, e não uma data de lançamento definida.
As normas de segurança vão moldar o produto
A norma nacional obrigatória da China estabelece requisitos de segurança para sistemas de direção automatizada em veículos inteligentes e conectados L3 e L4. A implementação prevista para 1º de julho de 2027 oferece aos fabricantes um marco regulatório comum à medida que avançam nos testes.
O monitoramento do motorista e os procedimentos para assumir o controle são especialmente importantes no L3. Um sistema precisa reconhecer quando está se aproximando dos limites de suas condições operacionais, comunicar-se com a pessoa que deverá retomar a direção e gerenciar a transição com segurança.
A responsabilidade também muda quando o sistema assume a tarefa de dirigir. No L2, o motorista supervisiona continuamente. No L3, a avaliação jurídica de um incidente pode envolver as obrigações do fabricante, se o sistema estava operando dentro das condições aprovadas e se o motorista respondeu ao pedido para assumir o controle.
Para os proprietários, essas regras afetarão decisões do dia a dia: quando poderão ativar a função, que nível de atenção precisarão manter e o que deverão fazer quando o veículo pedir que assumam a direção. A aprovação do produto, as instruções de operação e a legislação aplicável definirão essas obrigações.
Milhões de veículos contribuem para o desenvolvimento da BYD
A BYD informou em 15 de outubro que mais de 3,95 milhões de veículos equipados com assistentes de direção estavam em uso. Segundo a empresa, seu sistema God's Eye gerava mais de 240 milhões de quilômetros de dados de direção por dia.
Essa frota fornece à BYD material para desenvolver software com base em diversas vias e situações de trânsito. Situações recorrentes envolvendo veículos que entram na faixa, cruzamentos complexos e mudanças no traçado das vias podem ajudar os desenvolvedores a identificar onde um sistema precisa melhorar.
Situações incomuns são especialmente valiosas porque aparecem com menos frequência nos testes rotineiros. Os desenvolvedores precisam encontrar esses eventos em grandes volumes de dados, verificar o que aconteceu e avaliar como o software atualizado reage.
A BYD também afirma que seu sistema de assistência à direção que funciona sem mapas de alta definição abrange 300 cidades e acumulou 120 milhões de quilômetros de condução real. Esse número descreve um recurso específico, enquanto a marca de 240 milhões de quilômetros por dia se refere ao fluxo mais amplo de dados da empresa. Cada cifra mede uma parte diferente do esforço de desenvolvimento.
A capacidade de processamento também faz parte do plano
O chip Xuanji A3 da BYD, apresentado em maio de 2026, é descrito pela empresa como um chip automotivo fabricado em um processo de 4 nanômetros e projetado para oferecer suporte à automação L3 e L4.
Segundo a BYD, uma configuração com três chips A3 oferece mais de 2.100 TOPS. A sigla TOPS significa trilhões de operações por segundo e mede a capacidade de processamento usada em tarefas como processar informações de sensores e executar o software de direção.
A BYD também afirma que o consumo de energia por unidade de desempenho computacional é 20% menor que o de produtos comparáveis. A eficiência computacional importa em um carro porque os processadores precisam de eletricidade e refrigeração, além de ter de responder rapidamente às condições da via.
A preparação da empresa vai além dos chips. A abordagem descrita inclui câmeras e lidar, tecnologia que mede distâncias usando luz laser, além de sistemas de monitoramento e um gravador de dados de direção. Esses componentes ajudam o veículo a detectar o entorno e a armazenar informações sobre o funcionamento do sistema.
A BYD também informou que oferece cobertura de seguro de responsabilidade civil de 5 milhões de yuans junto com sua tecnologia de assistência à direção. A proteção disponível para cada proprietário depende da cobertura e das condições da apólice, bem como das circunstâncias do incidente.
O mercado chinês avança da assistência para a automação
Wan Gang, presidente honorário da Associação Chinesa de Ciência e Tecnologia, afirmou na cerimônia de abertura da conferência que mais de 70% dos novos veículos de passeio vendidos na China no primeiro semestre de 2026 contavam com assistentes de direção L2.
Wan prevê que essa participação ultrapasse 95% até 2030. Em termos simples, sua previsão passa de mais de sete em cada dez veículos de passeio novos para mais de 19 em cada 20.
Para o L3, Wan projetou uma participação de mercado superior a 35% até 2030. O lançamento proposto pela BYD para 2028 ocorreria nos dois últimos anos antes dessa data prevista, período em que os fabricantes precisariam ir além de pequenos testes para alcançar uma base de clientes muito maior.
A China abriu 57 mil quilômetros de vias para testes, emitiu mais de 20 mil licenças para testes e demonstrações e acumulou mais de 220 milhões de quilômetros em testes de direção automatizada. Esses números descrevem a rede e as atividades de teste do país, enquanto os dados divulgados pela BYD sobre sua frota se referem à coleta de dados da empresa em veículos já em circulação.
O que a meta representa para os compradores
A meta da BYD para 2028 aponta para uma mudança no que um carro poderá fazer legal e tecnicamente por seus ocupantes. O benefício dependerá de quanto as condições operacionais aprovadas correspondem aos trajetos dos clientes, seja no deslocamento habitual por uma via expressa ou em outra rota especificada.
Um sistema limitado a determinadas vias ainda pode cobrir uma parte útil do trajeto. Os motoristas precisarão entender onde a operação automatizada começa e termina e estar prontos para assumir as responsabilidades associadas ao L3.
A grande frota da BYD, seu hardware de computação e sua participação nos testes oferecem vários pontos de apoio para o desenvolvimento. Os próximos marcos concretos são a norma de segurança de julho de 2027 e a introdução da produção planejada pela empresa para 2028. O escopo da aprovação e os limites operacionais do primeiro veículo definirão a experiência que os clientes terão na prática.
Principais pontos
- A BYD pretende iniciar a produção em larga escala de veículos com direção automatizada condicional L3 em 2028.
- Yang Dongsheng afirmou que uma automação mais avançada poderá vir após mais um ou dois anos de desenvolvimento.
- O L3 opera dentro de condições definidas e exige que uma pessoa esteja disponível para assumir o controle quando solicitada.
- A norma obrigatória de segurança da China para sistemas L3 e L4 tem entrada em vigor prevista para 1º de julho de 2027.
- A BYD afirma que mais de 3,95 milhões de veículos com assistentes de direção estão em uso e geram mais de 240 milhões de quilômetros de dados de direção por dia.
- O primeiro modelo de produção da BYD, seu preço e as rotas operacionais aprovadas ainda não foram anunciados.






