Vietnã avalia tornar obrigatória a Previdência Social para motoristas de aplicativo, mas ainda não definiu quem pagará

12 min de leitura
Vietnam Weighs Mandatory Social Insurance for App Drivers, With Who Pays Still Unsettled

Proposta previdenciária alcança trabalhadores fora do emprego formal

O Vietnã estuda tornar obrigatória a participação na Previdência Social para trabalhadores fora das relações de emprego convencionais, incluindo motoristas que trabalham por meio de plataformas digitais, enquanto as autoridades enfrentam uma expressiva lacuna na proteção para a aposentadoria. Dados da Previdência Social citados por autoridades da Cidade de Ho Chi Minh estimam em cerca de 600 mil o número de motoristas de aplicativo no país, dos quais apenas aproximadamente 700 participam da Previdência Social voluntária.

Conteúdo
  1. Proposta previdenciária alcança trabalhadores fora do emprego formal
  2. O que mudaria para os trabalhadores de plataformas?
  3. Por que os motoristas estão preocupados com o projeto
  4. Jornadas longas e riscos no trânsito intensificam o debate
  5. Quantos trabalhadores podem ser afetados?
  6. Por que a comissão parlamentar quer regras mais claras
  7. As datas legislativas e o pacote mais amplo de reformas
  8. Plano mais amplo também prevê estudar a divisão dos custos
  9. Projeto também muda os bancos nos quais os fundos previdenciários podem ser depositados
  10. Principais pontos

Esses números indicam uma participação de cerca de 0,12%, ou aproximadamente um motorista a cada 860. Para trabalhadores que passam boa parte do dia transportando passageiros ou entregando mercadorias, a proposta pode abrir caminho para a cobertura previdenciária. A principal questão financeira é como as contribuições seriam divididas entre motoristas, empresas de plataforma e o Estado.

O governo apresentou à Assembleia Nacional, em 21 de outubro, a proposta de alteração da Lei da Previdência Social. A mudança permitiria estender a cobertura obrigatória a pessoas sem relações de emprego convencionais que tenham trabalho e renda estáveis e regulares. A proposta ainda não define os critérios de elegibilidade, os valores das contribuições, os responsáveis pelo pagamento nem a data de início.

Os parlamentares que analisam o projeto apoiam, em princípio, a ampliação da proteção, mas querem uma definição mais clara dos trabalhadores abrangidos e um cronograma viável. Para os motoristas, porém, há uma preocupação imediata: pode ser difícil manter o pagamento de uma contribuição previdenciária quando combustível, taxas das plataformas, impostos e outras despesas já consomem uma parcela substancial da renda.

O que mudaria para os trabalhadores de plataformas?

A maioria dos motoristas de aplicativo assina atualmente contratos de cooperação com as operadoras das plataformas e é considerada parceira, não empregada. Nessas condições, em geral fica fora da Previdência Social obrigatória e precisa aderir voluntariamente para acumular os requisitos necessários à aposentadoria.

A mudança proposta para o inciso 6 do artigo 2º da Lei da Previdência Social de 2024 daria à Comissão Permanente da Assembleia Nacional autoridade para decidir sobre a participação obrigatória de trabalhadores sem relações de emprego convencionais, incluindo pessoas que trabalham por meio de plataformas digitais. O governo apresentaria propostas, e a implementação seria ajustada às condições socioeconômicas.

Publicidade

A Previdência Social funciona por meio da arrecadação de contribuições durante a vida profissional para financiar benefícios previstos pelas regras do sistema. A aposentadoria garante renda após o fim da vida profissional. Tornar a participação obrigatória incluiria os trabalhadores elegíveis em um sistema de contribuição compulsória, em vez de deixar a adesão inteiramente a critério de cada pessoa.

O critério proposto pelo governo de trabalho estável e regular é importante porque o trabalho por plataformas envolve diferentes situações. Alguns motoristas dependem dele como ocupação principal, enquanto outros o usam para complementar a renda. A definição desse critério determinaria quem teria de contribuir e quais trabalhadores continuariam sujeitos às regras voluntárias.

Por que os motoristas estão preocupados com o projeto

Atualmente, as contribuições à Previdência Social voluntária equivalem a 22% da renda que o participante escolhe como base de contribuição. Essa base é o valor usado para calcular o pagamento, e não necessariamente a renda mensal efetiva da pessoa.

Uma pesquisa envolvendo organizações trabalhistas e a Oxfam constatou que motoristas de mototáxi por aplicativo ganhavam, em média, cerca de 7 milhões de dongs por mês, embora a maioria trabalhasse entre seis e 12 horas por dia. Os motoristas também disseram que taxas das plataformas, impostos e tarifas consumiam de 25% a 35% da receita, sem contar os gastos com combustível.

Uma contribuição calculada sobre uma base de 7 milhões de dongs seria de 1,54 milhão de dongs por mês, considerando a alíquota de 22% do sistema voluntário. Trata-se de um exemplo com base na alíquota e no valor de renda informados; pelas regras aplicáveis, os motoristas escolhem sua base de contribuição. O projeto ainda não definiu uma alíquota para a cobertura obrigatória proposta.

Os motoristas dizem que querem proteção previdenciária, mas temem não conseguir pagar por ela sem uma contribuição das operadoras das plataformas. A preocupação é ainda maior quando a renda varia mês a mês, enquanto as despesas essenciais da família permanecem.

Tran Thi Dieu Thuy, vice-chefe da delegação de deputados da Assembleia Nacional na Cidade de Ho Chi Minh, propôs um modelo de contribuição envolvendo três partes: motoristas, operadoras das plataformas e Estado. Esse modelo dividiria os custos entre o trabalhador, a empresa ligada à atividade e os recursos públicos.

Publicidade

Jornadas longas e riscos no trânsito intensificam o debate

Uma pesquisa com 141 motoristas que trabalhavam para Grab, Green SM e BEE constatou que 93,6% consideravam a direção por aplicativo sua ocupação principal. Cerca de 46,1% trabalhavam de oito a 10 horas por dia, enquanto 35,5% trabalhavam regularmente mais de 10 horas. Juntos, esses grupos correspondiam a 81,6% dos entrevistados.

A mesma pesquisa apontou que 73,8% haviam passado por pelo menos uma colisão ou acidente de trânsito. Mais de 65% disseram ter enfrentado golpes, roubos ou assédio durante o trabalho. Essas experiências fazem da proteção social uma preocupação tanto durante a vida profissional quanto após a aposentadoria.

Phung Thai Quang, vice-presidente da Federação do Trabalho da Cidade de Ho Chi Minh, afirmou que 92,9% queriam uma definição mais clara de sua ocupação e situação jurídica. Outros 87,9% desejavam um mecanismo que permitisse acesso à Previdência Social e a apoio financeiro ou de outros tipos.

A cobertura por seguros também era limitada. Cerca de 73,4% contavam apenas com o seguro de saúde familiar ou o apoio sindical, enquanto muitos não tinham cobertura de seguro. O seguro de saúde ajuda a custear despesas médicas; a Previdência Social oferece benefícios de renda segundo seus próprios critérios de elegibilidade. Assim, os motoristas podem ter assistência médica e, ainda assim, não acumular contribuições para a aposentadoria.

Nguyen Duc Loc, diretor do Instituto de Estudos da Vida Social, citou uma pesquisa separada com 400 motoristas, divididos igualmente entre motoristas de carros e de motos. O estudo constatou aumento das jornadas sem crescimento correspondente da renda. Ele também pediu mais transparência nas regras de pagamento e despesas entre motoristas e plataformas.

Quantos trabalhadores podem ser afetados?

Em um seminário na Cidade de Ho Chi Minh, foi apresentada a estimativa de cerca de 400 mil motoristas e entregadores que trabalham por meio de plataformas tecnológicas na cidade. O número nacional citado pelas autoridades municipais foi de aproximadamente 600 mil motoristas de aplicativo. A estimativa da cidade inclui entregadores, abrangendo mais ocupações do que a contagem nacional de motoristas.

A agência de Previdência Social da Cidade de Ho Chi Minh pediu que sejam estudados o número de motoristas, as condições de trabalho, a renda e a participação nos seguros sociais, de saúde e desemprego. Essas informações ajudariam as autoridades a identificar os trabalhadores elegíveis e calcular um modelo de contribuição que as pessoas consigam manter.

Publicidade

Nguyen Quoc Thanh, vice-diretor da agência, descreveu o desafio da política pública como preservar a flexibilidade do trabalho por plataformas e, ao mesmo tempo, ampliar o acesso à proteção. A agência também defendeu maior coordenação entre autoridades públicas, empresas de plataforma e organizações que representam os trabalhadores.

Para cada motorista, o resultado prático dependeria das regras adotadas: se o trabalho atende aos critérios de elegibilidade, como a contribuição é calculada e qual parte do pagamento cabe a cada um. Essas decisões transformariam uma promessa ampla de cobertura em uma obrigação e um direito mensais específicos.

Por que a comissão parlamentar quer regras mais claras

A Comissão de Cultura e Assuntos Sociais da Assembleia Nacional apoia, de modo geral, a ampliação da cobertura para proteger os direitos trabalhistas e de bem-estar social. Seu presidente, Nguyen Dac Vinh, apresentou a avaliação da comissão em 21 de outubro e alertou que a categoria de trabalhadores proposta era ampla demais para ser implementada na prática sem uma análise adicional.

A comissão pediu ao governo que siga a Conclusão nº 276 da Comissão Permanente da Assembleia Nacional e especifique tanto as pessoas abrangidas quanto a data de implementação. Também solicitou uma avaliação cuidadosa dos efeitos sobre os trabalhadores que deverão participar.

Se não for possível definir os critérios de elegibilidade e o cronograma, ou chegar a um acordo com os grupos afetados, a comissão recomendou que a questão seja tratada durante uma revisão abrangente da Lei da Previdência Social. Segundo a comissão, as disposições vigentes já abrangiam os casos mencionados pelo governo, o que torna necessário explicar também o objetivo e o alcance da alteração.

O ministro do Interior, Nguyen Tien Hai, afirmou que o Comitê do Partido do Governo estava preparando uma nova resolução sobre salários e Previdência Social. As disposições detalhadas para ampliar a cobertura seriam elaboradas depois que o Comitê Central do Partido aprovasse a resolução. A proposta, portanto, envolve tanto o exame parlamentar quanto um processo mais amplo de formulação de políticas.

As datas legislativas e o pacote mais amplo de reformas

A proposta para os motoristas faz parte de um esforço mais amplo para alterar a Lei da Previdência Social de 2024. A Proposta Governamental nº 865/TTr-CP, datada de 7 de outubro de 2026, apresenta 11 principais áreas de mudanças propostas nas políticas de seguro e aposentadoria, com o objetivo de melhorar a coerência e a implementação.

O cronograma legislativo prevê várias etapas:

  • 7 de outubro de 2026: Foi datada a proposta do governo que apresenta o pacote de alterações.
  • 21 de outubro: A proposta de alteração e a avaliação da comissão parlamentar foram apresentadas à Assembleia Nacional.
  • 9 de novembro: Estava previsto que a Assembleia Nacional debatesse o projeto de lei.
  • 21 de novembro: Estava prevista a análise do projeto para votação final.
Publicidade

As datas de novembro dizem respeito à tramitação do projeto no Parlamento. A data em que os motoristas começariam a participar dependeria das regras de implementação adotadas, incluindo as decisões sobre os trabalhadores elegíveis e as contribuições.

Para trabalhadores e plataformas, a parte mais importante do processo é a passagem de uma formulação ampla sobre cobertura para regras de pagamento precisas. A obrigação de participar afetaria os orçamentos familiares e os custos operacionais das plataformas, por isso a divisão das responsabilidades é central no pedido da comissão por uma proposta mais viável.

Plano mais amplo também prevê estudar a divisão dos custos

Um plano de ação do governo assinado pela vice-primeira-ministra Pham Thi Thanh Tra também prevê estudos sobre a divisão das contribuições previdenciárias entre o Estado, os trabalhadores e as empresas de plataformas digitais, incluindo negócios de transporte por aplicativo e serviços de táxi por aplicativo.

O plano busca estabelecer até 2030 um sistema de proteção social em grande medida abrangente, que combine várias camadas de apoio e use a administração digital. Até 2045, pretende aproximar-se dos padrões de países desenvolvidos de alta renda, com financiamento sustentável, gestão transparente e capacidade de responder rapidamente a novos riscos.

Para pessoas de baixa renda, o plano prevê pacotes de seguro, níveis de contribuição, períodos de pagamento e formas de participação mais flexíveis, além de apoio financeiro adequado. Também propõe estender o seguro contra acidentes de trabalho e os benefícios de maternidade a trabalhadores da economia informal, onde muitas pessoas trabalham fora das relações de emprego convencionais.

O plano conecta a proteção durante a vida profissional aos cuidados na velhice. Prevê projetos-piloto de seguro para cuidados de longa duração em localidades selecionadas, com avaliações financeiras antes de uma expansão mais ampla. Inicialmente, a atenção à saúde de pessoas idosas se concentraria naquelas com 75 anos ou mais e, depois, seria gradualmente estendida às pessoas com 65 anos ou mais.

Essas medidas inserem o debate sobre as contribuições dos motoristas em um esforço mais amplo para proteger as pessoas quando a renda acaba ou as necessidades de cuidados aumentam. Entre as prioridades práticas estão a assistência médica essencial, a segurança básica de renda, o apoio durante o desemprego ou a incapacidade e a assistência às pessoas idosas.

Publicidade

Projeto também muda os bancos nos quais os fundos previdenciários podem ser depositados

A proposta de alteração ampliaria o conjunto de bancos habilitados a receber depósitos do fundo da Previdência Social. A lista incluiria bancos comerciais de capital aberto nos quais o Estado, empresas estatais ou ambos detenham mais de 50% do capital social. Bancos sob controle especial ficariam excluídos.

As alterações ao artigo 122 manteriam o governo responsável por definir critérios e procedimentos detalhados para avaliar, selecionar e monitorar os bancos habilitados, além de controlar os riscos. Essas disposições tratam de como os recursos acumulados da Previdência Social são administrados enquanto ficam reservados para cumprir as obrigações com benefícios.

A comissão parlamentar pediu que as responsabilidades do Conselho de Administração da Previdência Social e da agência previdenciária sejam definidas com mais clareza. Quer que sejam especificados seus papéis na decisão sobre a carteira de investimentos do fundo, a distribuição dos recursos entre os investimentos e os métodos utilizados, com prestação de contas ao governo.

Os princípios da Comissão Permanente priorizam a segurança, exigem a preservação do fundo e cobram eficiência, transparência e prestação de contas. Para os contribuintes, uma gestão cuidadosa do fundo é tão importante quanto pagamentos acessíveis: os recursos arrecadados durante a vida profissional precisam continuar disponíveis para financiar os benefícios quando vencerem.

Principais pontos

  • O Vietnã estuda tornar obrigatória a Previdência Social para trabalhadores de plataformas e outras pessoas fora das relações de emprego convencionais que tenham trabalho e renda estáveis e regulares.
  • Segundo dados citados por autoridades da Cidade de Ho Chi Minh, cerca de 700 dos 600 mil motoristas de aplicativo estimados participam da Previdência Social voluntária.
  • A proposta ainda não define os critérios de elegibilidade dos trabalhadores, as alíquotas de contribuição, os responsáveis pelo pagamento nem a data de implementação.
  • Uma proposta de Tran Thi Dieu Thuy e um plano de ação mais amplo do governo abordam a divisão dos custos entre motoristas, plataformas e Estado.
  • A comissão parlamentar quer regras mais claras sobre a cobertura e o cronograma ou uma análise adicional durante uma revisão abrangente da lei.
  • Estava previsto que o projeto fosse debatido em 9 de novembro e analisado para votação final em 21 de novembro.
  • Alterações relacionadas ampliariam o conjunto de bancos habilitados a receber depósitos da Previdência Social, exigindo salvaguardas e maior prestação de contas na gestão do fundo.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar