Tecnologia de revisão será usada em 32 partidas em Kirtipur
A Nepal Premier League implementará o Sistema de Revisão de Decisões (DRS, na sigla em inglês) em sua terceira edição. A Associação de Críquete do Nepal promete rastreamento 3D completo da bola para decisões de leg before wicket (LBW) e inteligência artificial para ajudar a detectar o contato entre a bola e o taco. O torneio está previsto para ocorrer de 26 de outubro a 21 de novembro de 2026, no TU International Cricket Ground, em Kirtipur, onde oito equipes disputarão 32 partidas.
Conteúdo
- Tecnologia de revisão será usada em 32 partidas em Kirtipur
- O que o rastreamento da bola mostrará
- IA ajudará a analisar possíveis toques na bola
- Por que decisões anteriores pressionaram por mudanças
- Como os testes levaram ao anúncio
- Quem pagará pelo sistema?
- Limites orçamentários moldam o pacote
- Revisões podem alterar os horários de início das partidas
- Contratações de estrangeiros e aprovação do ICC também são importantes
- Pontos principais
A CAN anunciou a decisão nas redes sociais na terça-feira, 20 de outubro, e a liga também a divulgou em sua página no Facebook. O anúncio leva o projeto além da fase de testes descrita em setembro pelo secretário da CAN, Paras Khadka. A implementação está prevista desde a partida de abertura.
O Siddhartha Bank está apoiando a introdução da tecnologia, segundo a liga. O pacote também inclui revisões de run outs, stumpings e no balls, análise de wides com base na altura e medições da distância e da altura dos sixes.
Para os jogadores, a principal mudança é a possibilidade de contestar decisões elegíveis dos árbitros por meio de um processo formal de revisão. Um rebatedor declarado eliminado poderá solicitar uma nova análise da jogada, enquanto a equipe de arremesso poderá contestar uma decisão que mantenha o rebatedor em campo.
A iniciativa vem após duas temporadas em que decisões contestadas se tornaram uma preocupação recorrente. Árbitros de televisão já analisavam alguns lances, incluindo run outs e stumpings, mas as equipes não tinham um procedimento formal de DRS para contestar decisões. O novo sistema ampliará as evidências disponíveis para algumas das decisões mais difíceis do críquete.
O que o rastreamento da bola mostrará
A CAN afirma que o rastreamento 3D completo da bola será usado em decisões de leg before wicket, geralmente abreviadas como LBW. Essa eliminação pode ocorrer quando um rebatedor intercepta uma bola com o corpo, muitas vezes com a proteção na perna, e a jogada atende às condições para uma decisão de LBW.
Os árbitros precisam considerar vários aspectos: onde a bola quicou, onde atingiu o rebatedor, se tocou primeiro no taco e se teria atingido os wickets. O rastreamento da bola reconstrói o movimento da bola e projeta sua trajetória após o ponto de impacto.
Uma revisão pode, portanto, fornecer ao árbitro de televisão evidências difíceis de avaliar em velocidade normal. Uma bola pode parecer seguir em linha reta de um determinado ângulo de câmera, mas estar passando ao lado dos wickets. Outra pode atingir a proteção perto do wicket, mas ter tocado primeiro no taco.
A promessa da liga de rastreamento 3D completo se refere a uma parte específica do pacote planejado. Khadka também afirmou que a CAN precisa escolher uma tecnologia compatível com seus recursos financeiros e operacionais, em vez de reproduzir toda a estrutura usada em uma Copa do Mundo do ICC.
IA ajudará a analisar possíveis toques na bola
A CAN também planeja usar inteligência artificial para detectar possíveis toques na bola, ajudando os árbitros a determinar se ela tocou no taco. Um contato leve pode decidir um pedido de eliminação por bola rebatida para o wicketkeeper ou alterar a análise de uma decisão de LBW.
A eliminação por bola rebatida para o wicketkeeper ocorre quando ele agarra a bola depois que ela toca no taco, antes de chegar ao chão. Um toque muito leve pode ser difícil de perceber em um replay comum, sobretudo quando a bola passa perto do taco e da proteção ao mesmo tempo.
O pacote planejado inclui revisões de no balls, run outs e stumpings. Uma no ball é uma bola irregular, incluindo casos em que o arremessador ultrapassa a posição permitida para o pé da frente. Em run outs e stumpings, os árbitros precisam determinar se o rebatedor está em segurança atrás da linha do crease quando o wicket é derrubado.
A CAN inclui a análise de wides com base na altura entre as demais informações sobre os arremessos. As medições dos sixes fornecerão dados sobre a distância e a altura percorridas pela bola após uma rebatida que ultrapasse os limites do campo. Essas medições têm uma finalidade diferente das ferramentas usadas para decidir se um rebatedor está eliminado.
Por que decisões anteriores pressionaram por mudanças
A NPL começou em 2024, e as reclamações sobre a arbitragem continuaram na segunda edição. Até a sexta partida daquela temporada, surgiram alegações de mais de duas dezenas de decisões incorretas envolvendo árbitros em campo e na função de revisão pela televisão.
Vários lances ilustraram os tipos de decisão que os jogadores queriam poder contestar. Durante uma partida entre Chitwan Rhinos e Lumbini Lions, a eliminação de Sandeep Jora em uma bola de Rijan Dhakal foi encaminhada ao árbitro de televisão. Espectadores questionaram por que não foi marcada uma no ball quando o replay pareceu mostrar que o pé da frente de Dhakal havia ultrapassado a linha do crease.
Uma revisão de stumping envolvendo o capitão do Lumbini, Rohit Paudel, na mesma partida levou cerca de seis a sete minutos. Jogadores do Chitwan, incluindo atletas estrangeiros, demonstraram insatisfação com a decisão. Mais tarde, Paudel defendeu melhorias em vez de atribuir culpa, observando que erros humanos também ocorrem no críquete internacional, onde os jogadores podem pedir revisões.
Uma partida entre Sudurpashchim Royals e Kathmandu Gorkhas gerou novas reclamações. Josh Brown foi eliminado por LBW, embora as imagens do replay parecessem mostrar contato com o taco. Um pedido de eliminação por bola rebatida para o wicketkeeper contra Arif Sheikh foi rejeitado, mas um replay posterior pareceu mostrar um toque na bola.
John Simpson, wicketkeeper do Kathmandu, também foi eliminado por LBW, apesar de as imagens parecerem mostrar que a bola havia atingido sua luva. Ele sinalizou pedindo uma revisão, mas a competição não contava com um DRS formal. Para os jogadores que enfrentarem decisões semelhantes nesta temporada, a mudança prática será ter um procedimento definido para solicitar uma nova análise.
Como os testes levaram ao anúncio
Em setembro, Khadka afirmou que a CAN havia testado sistemas de duas empresas e buscava opiniões sobre a precisão e a eficácia deles. A escolha do fornecedor ocorreria após a avaliação dos resultados.
Ao falar sobre o processo de seleção, o secretário da CAN, Paras Khadka, afirmou:
"Testamos sistemas de duas empresas. Agora, quando tivermos a avaliação final da precisão deles, decidiremos com qual empresa trabalhar. Se a tecnologia for considerada confiável, poderemos começar a usar o DRS nesta edição", disse Khadka.
As principais etapas que levaram à introdução planejada são:
- 2024: A NPL realizou sua temporada inaugural.
- Segunda edição: Decisões de arbitragem contestadas aumentaram a pressão por um sistema formal de revisão.
- 20 de setembro de 2026: Khadka descreveu os testes com duas empresas e a avaliação da precisão antes da seleção.
- 20 de outubro de 2026: A CAN anunciou que o DRS seria usado na terceira edição.
- De 26 de outubro a 21 de novembro de 2026: O torneio está previsto para ocorrer em Kirtipur, com o DRS disponível desde a partida de abertura.
Os seis dias entre o anúncio e a abertura prevista deixam à liga um curto período final de preparação. Jogadores e árbitros precisarão operar o processo de revisão desde o início, caso o plano para a partida de abertura seja implementado.
Quem pagará pelo sistema?
Khadka estimou anteriormente o custo entre 15 milhões e 20 milhões de rúpias nepalesas. Uma reportagem posterior, citando uma fonte da CAN, informou que um acordo com uma empresa indiana teria sido fechado por 20 milhões a 25 milhões de rúpias.
O modelo de financiamento proposto pela CAN prevê dividir parte da despesa com as oito franquias. Khadka descreveu um plano para descontar o custo da parcela de 50% da receita proveniente dos direitos de mídia comercial. O apoio do Siddhartha Bank é outro componente da introdução anunciada pela liga.
O plano financeiro vincula a tecnologia ao negócio de transmissão da competição. A receita gerada pelos direitos comerciais ajudaria a cobrir um serviço usado durante todo o torneio, em vez de deixar toda a despesa a cargo de um único participante.
A CAN não informou publicamente a identidade do fornecedor, o valor final do contrato, as contribuições exatas da associação, das franquias e do banco, nem as regras detalhadas que regerão as revisões. Essas regras incluem quantos pedidos malsucedidos de revisão cada equipe poderá fazer e quais decisões os próprios jogadores poderão contestar.
Limites orçamentários moldam o pacote
Khadka descreveu repetidamente o projeto como uma busca por tecnologia confiável que uma competição nacional possa custear. Seus comentários explicam por que o pacote foi avaliado por meio de testes, em vez de simplesmente copiar o modelo de um grande torneio internacional.
Ao explicar os limites de recursos, o secretário da CAN, Paras Khadka, afirmou:
"O DRS usado na Copa do Mundo exige recursos consideráveis. Mas, se houver um sistema confiável que possa ser usado pela primeira vez no Nepal, somos favoráveis à sua implementação", afirmou.
A tecnologia de revisão exige mais do que software. As câmeras precisam captar ângulos úteis, os operadores devem preparar as evidências e o árbitro de televisão precisa aplicar as regras da competição. A qualidade da imagem e o tempo necessário para recuperar as gravações são importantes quando uma decisão depende de um pequeno movimento da bola ou do pé.
As controvérsias anteriores mostram por que tanto a precisão quanto a rapidez são importantes. Algumas decisões continuaram sendo contestadas mesmo após os replays na televisão, enquanto a revisão do stumping de Paudel levou vários minutos. As ferramentas planejadas de rastreamento e detecção de toques darão aos árbitros mais informações para analisar, além da necessidade de um processo consistente.
Revisões podem alterar os horários de início das partidas
Khadka afirmou que o DRS pode prolongar uma partida em até meia hora. Por isso, a CAN discutiu mudanças na programação e a possibilidade de começar mais cedo, levando em conta também o frio e o orvalho.
O orvalho é a umidade que se acumula com a queda das temperaturas. Em um campo de críquete, pode molhar a bola e dificultar que os jogadores a segurem, afetando arremessadores e defensores. Um atraso que estenda a partida pela noite pode, portanto, afetar as condições de jogo e os espectadores que aguardam o resultado.
As transmissões planejadas serão feitas pela Star Sports, pela Himalaya Television e pela plataforma de streaming da Net TV. Um processo formal de revisão passará a fazer parte da experiência de quem acompanha as partidas, permitindo que o público veja a análise de uma decisão contestada, em vez de apenas assistir aos jogadores apelando sem acesso ao DRS.
Para as 32 partidas previstas em um único local, o desafio é prático: reunir as evidências relevantes, comunicar a decisão e retomar o jogo rapidamente. A experiência da liga com revisões demoradas pela televisão oferece um ponto de partida concreto para essa tarefa.
Contratações de estrangeiros e aprovação do ICC também são importantes
O anúncio da tecnologia ocorre enquanto as franquias contratam jogadores internacionais. O Kathmandu Gorkhas acertou a contratação de David Warner, ex-capitão da Austrália. Entre outros jogadores mencionados nos preparativos estão Sikandar Raza, Shakib Al Hasan, Ravi Bopara, Jimmy Neesham e Charith Asalanka.
Em sua atualização de setembro, Khadka descreveu como estando na etapa final o processo para obter a aprovação do International Cricket Council. Ele esperava que o processo de aprovação relacionado à participação de jogadores estrangeiros levasse mais sete a 10 dias e disse que novos anúncios das franquias viriam após a autorização.
A CAN também buscava um reconhecimento que afetaria a inclusão do desempenho no torneio nos registros oficiais dos jogadores. Khadka afirmou que a classificação poderia ser List A ou T20. Essas são categorias estatísticas para o críquete de overs limitados reconhecido oficialmente; T20 se refere a partidas em que cada equipe pode enfrentar 20 overs, enquanto List A geralmente abrange o formato de overs limitados mais longo.
O desempenho nas duas primeiras edições da NPL não havia sido contabilizado nos registros oficiais das carreiras dos jogadores. O reconhecimento seria, portanto, importante para o registro de corridas, wickets e partidas disputadas por atletas nepaleses e estrangeiros. O cronograma de aprovação indicado por Khadka era uma previsão feita em setembro; o anúncio do DRS em outubro trata do sistema de revisão.
Pontos principais
- A CAN anunciou em 20 de outubro o primeiro sistema de DRS da NPL, antes da terceira edição.
- Oito equipes devem disputar 32 partidas em Kirtipur, de 26 de outubro a 21 de novembro de 2026.
- O pacote planejado inclui rastreamento 3D completo da bola para decisões de LBW e detecção de toques na bola com IA.
- O sistema inclui run outs, stumpings e no balls, além de análise de wides com base na altura e medições dos sixes.
- O Siddhartha Bank está apoiando a introdução, enquanto a CAN propôs dividir os custos com as franquias.
- O DRS deve estar disponível desde a partida de abertura, e a CAN discutiu antecipar os horários de início porque as revisões podem prolongar o jogo.






