Uma opção mais barata de cobertura médica, mas com custos que ainda ficam por conta dos pacientes
A Malásia planeja lançar o MediAsas em todo o país em janeiro de 2027, após cerca de 340 mil apólices de seguro médico terem sido canceladas entre janeiro de 2024 e junho de 2025, enquanto as famílias enfrentavam o aumento dos prêmios. O programa oferecerá seguro médico privado básico e cobertura takaful até os 85 anos, além de medidas para tornar mais previsíveis os custos hospitalares.
Conteúdo
- Uma opção mais barata de cobertura médica, mas com custos que ainda ficam por conta dos pacientes
- O que acontece antes do lançamento nacional?
- Comparação entre Teras e Fleksi
- Quanto custarão os prêmios?
- Pessoas com doenças preexistentes podem aderir?
- O que muda depois de sete anos?
- Usar o EPF implica uma escolha que afeta a aposentadoria
- Que apoio os trabalhadores receberão?
- Como devem mudar as cobranças hospitalares
- Assistência pública e critérios para medir o sucesso
- Principais pontos
O ministro da Saúde, Datuk Seri Dr. Dzulkefly Ahmad, disse em 18 de outubro de 2026 que a iniciativa ofereceria uma rede de segurança financeira à M40, os 40% das famílias malaias de renda intermediária. Segundo ele, pessoas sem condições de manter um seguro privado recorriam cada vez mais às unidades de saúde do governo.
As 340 mil apólices canceladas representaram cerca de 5% das apólices cujos prêmios foram reajustados, segundo dados do Bank Negara Malaysia citados pela economista Dr. Shalini Nagaratnam. O total inclui apólices posteriormente reativadas.
Em sua declaração de 18 de outubro, Dzulkefly explicou o objetivo do programa:
Nenhum cidadão deveria cair na pobreza só porque quer receber tratamento médico; por isso, esta proteção financeira à saúde Madani surge para oferecer um plano básico de cobertura a preço acessível.
O MediAsas combina custos mais baixos para a cobertura básica com limites anuais de benefícios e valores que os pacientes precisam pagar do próprio bolso. Algumas pessoas com doenças preexistentes poderão contratar seguro para outras condições. Participantes elegíveis do Fundo de Previdência dos Empregados (EPF, na sigla em inglês) poderão usar suas economias para pagar os prêmios, e um subsídio ajudará alguns trabalhadores no primeiro ano.
Para as famílias, a acessibilidade dependerá de três fatores em conjunto: o prêmio, o valor a pagar quando houver necessidade de tratamento e as doenças cobertas. O limite anual mais alto oferecido por uma das opções também vem acompanhado de uma franquia muito maior, isto é, o valor que o paciente paga antes de o seguro começar a cobrir as despesas elegíveis.
O que acontece antes do lançamento nacional?
Um projeto-piloto está em andamento no Vale do Klang desde o fim de julho de 2026. O primeiro-ministro e ministro das Finanças, Datuk Seri Anwar Ibrahim, confirmou o lançamento nacional em janeiro de 2027 ao apresentar o Orçamento de 2027, em 9 de outubro.
Os principais marcos mostram como o produto de seguro se insere em um esforço mais amplo para controlar os custos de saúde:
- Janeiro de 2024 a junho de 2025: Cerca de 340 mil apólices médicas com prêmios reajustados foram canceladas, incluindo as que depois foram reativadas.
- Fim de julho de 2026: Começou o projeto-piloto do MediAsas no Vale do Klang.
- 27 de setembro de 2026: O Bank Negara Malaysia detalhou benefícios padronizados, limites anuais e a divisão dos custos de tratamento.
- 9 de outubro de 2026: O Orçamento de 2027 confirmou o lançamento nacional e o apoio a trabalhadores elegíveis.
- 18 de outubro de 2026: Dzulkefly explicou o papel do programa na proteção das famílias de renda intermediária.
- Janeiro de 2027: O lançamento nacional do MediAsas está previsto, com categorias padronizadas de cobrança em hospitais privados planejadas para 2027.
Seguradoras privadas e operadoras takaful oferecerão o programa voluntário. Takaful é um tipo de seguro compatível com os princípios islâmicos, no qual os participantes contribuem para um fundo de proteção compartilhado. O MediAsas estará disponível como cobertura médica independente, sem exigir a contratação de um pacote de seguros mais amplo.
Comparação entre Teras e Fleksi
O MediAsas tem duas opções: Teras, o plano padrão, e Fleksi, o plano com limite anual de cobertura mais alto. Ambos oferecem proteção até os 85 anos e não têm limite vitalício de benefícios.
O Teras oferece um limite anual de RM100.000 para pessoas com menos de 60 anos e de RM150.000 para quem tem 60 anos ou mais. Pessoas com menos de 60 anos pagam uma franquia de RM500 por episódio de tratamento; a franquia sobe para RM1.000 a partir dos 60 anos.
O Fleksi oferece um limite anual de RM300.000. Sua franquia anual é de RM10.000 em hospitais classificados como nível um e de RM15.000 nos classificados como nível dois. Portanto, a classificação do hospital afeta o valor que o segurado precisa pagar.
O limite anual do Fleksi é três vezes maior que o limite de RM100.000 do Teras para segurados mais jovens e o dobro do limite de RM150.000 para os mais velhos. Como a franquia é maior, quem contratar o plano também precisará ter dinheiro suficiente ou outros benefícios médicos para cobrir a despesa inicial.
O limite anual restringe os pagamentos elegíveis durante um ano de vigência da apólice. Não haver um limite vitalício significa que não há um teto cumulativo único para todos os anos de cobertura. O Bank Negara Malaysia informou que 99% das solicitações de reembolso de despesas médicas no país ficaram abaixo de RM60.000, enquanto a maioria das solicitações relacionadas a câncer, infarto e AVC também ficou dentro de RM100.000.
Quanto custarão os prêmios?
As estimativas de prêmios anunciadas antes do lançamento variam. O valor indicativo de Dzulkefly foi de RM65 por mês, ou RM780 por ano; os valores indicativos do plano padrão do Bank Negara Malaysia citados por Dr. Shalini foram de RM80 a RM120 mensais para pessoas de 31 a 35 anos e de RM280 a RM350 para pessoas de 61 a 65 anos. O diretor-executivo do Galen Centre for Health and Social Policy, Azrul Mohd Khalib, mencionou prêmios anuais estimados entre RM500 e RM600.
As estimativas apresentam às famílias vários preços possíveis, e não um valor definitivo para todos os compradores. Os anúncios mencionados aqui não especificaram uma tabela final de prêmios, o texto completo da apólice, a lista de hospitais participantes nem a data exata do lançamento em janeiro.
As estimativas por faixa etária ilustram a pressão que compradores mais velhos podem enfrentar. De RM80 a RM120 por mês equivale a RM960 a RM1.440 por ano, enquanto de RM280 a RM350 por mês equivale a RM3.360 a RM4.200 anuais. São preços ilustrativos para diferentes faixas etárias, sujeitos a incertezas adicionais por causa dos futuros custos médicos.
O Bank Negara Malaysia informou que alguns candidatos com risco esperado mais alto de solicitar reembolsos também poderão pagar prêmios adicionais. Portanto, ao comparar planos, as famílias precisam considerar o preço cotado para o seu caso, além das franquias e exclusões.
Pessoas com doenças preexistentes podem aderir?
Algumas pessoas que atualmente não conseguem contratar seguro médico poderão se qualificar para o MediAsas. O Bank Negara Malaysia identificou possíveis candidatos, entre eles pessoas com câncer em estágio inicial em remissão, doença que afeta um único vaso sanguíneo do coração, certas condições de saúde mental ou de desenvolvimento estáveis e bem controladas e autismo leve ou moderado.
O tratamento relacionado a uma condição preexistente pode continuar excluído. Por exemplo, uma pessoa que teve câncer poderá obter cobertura para doenças ou lesões sem relação com a condição, enquanto futuros tratamentos ligados ao câncer anterior permanecerão fora da apólice.
O Bank Negara Malaysia disse que cobrir integralmente condições preexistentes conhecidas poderia elevar os prêmios de cinco a dez vezes, pois esses segurados teriam maior probabilidade de solicitar reembolsos. A proposta busca aceitar mais candidatos sem deixar de manter acessíveis os prêmios da cobertura básica.
Dr. M. Murallitharan, diretor médico da National Cancer Society of Malaysia, argumentou que as exclusões tornam o plano pouco útil para muitas pessoas com doenças não transmissíveis, como câncer, diabetes e doenças cardíacas. Ele também questionou se haverá participantes suficientes para manter o fundo compartilhado usado no pagamento das solicitações.
Dr. Shalini alertou que pessoas cujas apólices atuais já cobrem doenças crônicas podem perder uma proteção valiosa ao trocar de plano. Ser aceito em um novo plano e ter o tratamento coberto são questões distintas na decisão.
O que muda depois de sete anos?
O MediAsas estabelecerá uma regra para limitar, após sete anos, as investigações sobre suspeitas de omissão de informações médicas. O Bank Negara Malaysia informou que, em geral, seguradoras e operadoras takaful não poderão reabrir solicitações de reembolso com base nesse motivo após o fim desse período.
Há exceções para cinco categorias de condições médicas graves e para casos em que surjam provas de fraude por outros meios. A medida busca dar aos segurados mais segurança sobre os reembolsos depois de manterem a cobertura por anos.
As exclusões de tratamentos preexistentes podem continuar valendo na apólice. A regra dos sete anos diz respeito às investigações sobre informações fornecidas, enquanto os termos da cobertura determinam quais doenças e tratamentos dão direito ao pagamento. Ambos os aspectos importam para quem decide substituir uma apólice atual.
Usar o EPF implica uma escolha que afeta a aposentadoria
Participantes do EPF com menos de 55 anos poderão pagar os prêmios do MediAsas com recursos da Akaun Sejahtera, antiga Conta 2. Em junho de 2026, essa conta recebia 15% das contribuições mensais ao EPF, oferecendo aos participantes elegíveis outra maneira de manter a cobertura médica quando o orçamento familiar está apertado.
Dr. Shalini Nagaratnam, professora de econometria e estatística empresarial e diretora de estudos de graduação da Monash University Malaysia, alertou que saques recorrentes reduziriam as economias e os dividendos que esses recursos poderiam gerar. Ela apontou um risco específico para quando essa opção de pagamento deixar de estar disponível:
"Há também um salto brusco: a opção do EPF termina aos 55 anos, justamente quando os prêmios sobem mais rapidamente. Assim, os participantes que dependiam dela podem ter dificuldades para manter a cobertura na velhice", alertou.
As economias para a aposentadoria já são limitadas para muitos contribuintes. Em 31 de maio de 2026, 38,3% dos participantes ativos malaios do EPF no setor formal, com idades entre 18 e 60 anos, haviam alcançado a meta de poupança básica para sua idade, segundo dados apresentados ao Parlamento.
O dinheiro sacado também deixa de crescer no futuro. Com base na taxa média de dividendos de 5,88% citada pelo EPF para os últimos cinco anos, RM5.000 mantidos investidos por 20 anos chegariam a cerca de RM15.700, caso essa taxa se mantivesse. Os dividendos futuros podem variar.
Dr. Shalini também reconheceu a proteção que o seguro pode oferecer contra uma conta hospitalar elevada. Ela propôs saldos mínimos nas contas, limites anuais de saque, projeções que mostrem o impacto nas economias futuras, contribuições equivalentes para pessoas de renda mais baixa e alertas antecipados quando os saldos forem insuficientes para pagar os prêmios.
Que apoio os trabalhadores receberão?
Pequenas e médias empresas elegíveis com menos de 75 funcionários receberão um subsídio de RM200 para o prêmio do primeiro ano de cada trabalhador participante, limitado a 50 trabalhadores por empresa. A expectativa é de que até 200 mil trabalhadores sejam beneficiados.
Uma empresa que recebesse o valor máximo teria RM10.000 em subsídios para prêmios. Considerando o prêmio anual indicativo de RM780 citado pelo ministro da Saúde, RM200 cobririam cerca de 26% do custo do primeiro ano, restando RM580 antes de qualquer outro apoio.
Mark O'Dell, diretor-executivo da Life Insurance Association of Malaysia, disse que o MediAsas poderia ajudar trabalhadores com restrições financeiras a obter cobertura médica básica. Segundo ele, o setor apoia o programa como uma opção para pessoas sem seguro e para aquelas que enfrentam aumentos nos prêmios.
Dr. Shalini disse que a manutenção da cobertura a preços acessíveis dependerá da capacidade dos trabalhadores de continuar pagando após o primeiro ano. Ela também sugeriu que, no futuro, o apoio poderia alcançar trabalhadores de plataformas digitais e pessoas fora do emprego formal.
Como devem mudar as cobranças hospitalares
O Bank Negara Malaysia enquadra o MediAsas na iniciativa RESET, uma estratégia nacional liderada em conjunto pelo Ministério da Saúde, pelo Ministério das Finanças e pelo banco central para enfrentar a inflação dos custos médicos. O desenho do seguro padroniza benefícios e processos fundamentais, incluindo métodos de precificação, avaliações de elegibilidade e solicitações de reembolso.
A partir de 2027, as contas dos hospitais privados deverão seguir categorias de cobrança uniformes e transparentes. Uma adoção gradual dos Grupos Relacionados a Diagnósticos (DRG, na sigla em inglês) vincularia os pagamentos a categorias de diagnóstico e tratamento, facilitando a compreensão e o controle dos custos esperados para atendimentos comparáveis.
Mark O'Dell elogiou esse aspecto do programa, dizendo:
"O programa também introduz características importantes que esperamos que venham a ser adotadas em todo o mercado, especialmente a precificação por grupos relacionados a diagnósticos. Acreditamos que isso ajudará a nivelar as condições e alinhar os interesses de quem paga e de quem presta os serviços", disse.
Um estudo do Banco Mundial publicado em abril concluiu que o volume de tratamentos respondeu por dois terços do aumento dos gastos com solicitações pagas pelas seguradoras entre 2022 e 2024. Portanto, a quantidade de tratamentos, além de seus preços, é central para o problema dos gastos.
Dr. Shalini recomendou dados clínicos confiáveis, codificação médica consistente e prontuários que possam ser compartilhados entre diferentes sistemas para apoiar as mudanças nas cobranças. Ela também pediu uma ampla rede hospitalar que cubra Sabah e Sarawak, além da divulgação regular de dados sobre adesões, solicitações de reembolso e prêmios.
Assistência pública e critérios para medir o sucesso
A Malásia também está aumentando o Fundo de Assistência Médica, ou Tabung Bantuan Perubatan, de RM40 milhões para RM60 milhões. O acréscimo de RM20 milhões representa 50% e ajudará pacientes vulneráveis a pagar por dispositivos médicos caros, incluindo implantes ósseos e stents cardíacos.
Outros RM80 milhões foram destinados ao PeKa B40, programa de saúde para as famílias entre os 40% de menor renda. Essas medidas atendem a necessidades complementares ao foco do MediAsas nas famílias de renda intermediária e no acesso à cobertura médica privada.
Azrul Mohd Khalib argumentou que o MediAsas deveria ser avaliado pelo sucesso nos reembolsos, pelo processamento das solicitações e pela proteção contra o colapso financeiro, e não pelo número de participantes. Ele também questionou o foco na assistência hospitalar e pediu mais atenção ao tratamento em clínicas de médicos generalistas.
O teste prático começa depois da adesão: saber se as famílias conseguem continuar pagando os prêmios, arcar com as franquias e receber pagamentos pelos tratamentos cobertos por suas apólices. Esses resultados determinarão o quanto o MediAsas aliviará a situação das famílias que cogitam abandonar o seguro médico privado.
Principais pontos
- O lançamento nacional do MediAsas está previsto para janeiro de 2027, após o cancelamento de cerca de 340 mil apólices médicas entre janeiro de 2024 e junho de 2025.
- O Teras tem limites anuais de RM100.000 para pessoas com menos de 60 anos e de RM150.000 a partir dos 60. O Fleksi tem limite de RM300.000 e franquias maiores.
- As duas opções oferecem proteção até os 85 anos, sem limite vitalício de benefícios.
- Alguns candidatos com doenças preexistentes poderão se qualificar, embora o tratamento dessas condições possa continuar excluído.
- Participantes do EPF com menos de 55 anos poderão usar a Akaun Sejahtera para pagar os prêmios, o que cria uma escolha entre a proteção atual e as economias futuras.
- Trabalhadores de PMEs elegíveis podem receber um subsídio de RM200 no primeiro ano, com expectativa de alcançar até 200 mil trabalhadores.
- O Fundo de Assistência Médica sobe para RM60 milhões, enquanto o PeKa B40 recebe RM80 milhões.






