Uzbequistão e China impulsionam planos ferroviários e comerciais, com carteira de projetos próxima de US$ 60 bilhões

11 min de leitura
Uzbekistan and China Push Railway and Trade Plans as Project Portfolio Nears $60 Billion

Conversas em Tashkent priorizam transporte e investimentos

Uzbequistão e China buscam transformar uma carteira de projetos próxima de US$ 60 bilhões em empreendimentos em operação, conexões de transporte mais robustas e ampliação do comércio, tendo como eixo dos planos uma ferrovia que passará pelo Quirguistão. O presidente Shavkat Mirziyoyev recebeu o primeiro-ministro chinês Li Qiang em Tashkent em 17 de outubro de 2026, para conversas sobre investimentos, energia, tecnologia e cooperação política.

Conteúdo
  1. Conversas em Tashkent priorizam transporte e investimentos
  2. Ferrovia com meta para 2030
  3. Comércio cresce, e Uzbequistão quer ampliar exportações
  4. Planos de investimento vão além do transporte
  5. Projeto eólico dá exemplo local à agenda de energia
  6. Tecnologia e serviços públicos entram na agenda
  7. Apoio político acompanha os planos econômicos
  8. Voos, isenção de vistos e centros culturais
  9. Dos compromissos anteriores aos próximos marcos
  10. Principais pontos

O encontro reuniu vários indicadores de uma relação em expansão: mais de 6.000 empreendimentos conjuntos com participação chinesa, comércio bilateral de US$ 16,1 bilhões em 2025 e uma fatia chinesa de 23% do comércio exterior do Uzbequistão nos primeiros oito meses de 2026. O valor de quase US$ 60 bilhões se refere a projetos respaldados por acordos firmes, com obras e atividades empresariais avançando em diferentes setores.

Li também conversou com o primeiro-ministro uzbeque Abdulla Aripov. Em seguida, os líderes acompanharam a assinatura de documentos de cooperação nas áreas de comércio, educação, alfândega, saúde e redução da pobreza. Outros documentos assinados durante a visita trataram de comércio eletrônico, clima e mídia.

Mirziyoyev e Li se concentraram na implementação dos acordos firmados pelo presidente uzbeque e pelo presidente chinês Xi Jinping em Bishkek, em agosto. Li transmitiu as saudações de Xi e defendeu uma coordenação mais estreita entre os dois governos.

O encontro presidencial e as conversas com Aripov foram datados de 17 de outubro, embora o início da visita de Li também tenha sido indicado como 18 de outubro. A visita foi descrita como uma estadia de dois dias. Nos dois encontros, a cooperação econômica prática veio acompanhada da renovação do apoio do Uzbequistão às posições da China sobre Taiwan e segurança.

Ferrovia com meta para 2030

A ferrovia China–Quirguistão–Uzbequistão é o projeto de infraestrutura regional mais concreto discutido. O trajeto planejado tem cerca de 532 quilômetros, custo estimado em US$ 4,7 bilhões e previsão de entrar em operação até 2030.

As obras foram lançadas oficialmente em dezembro de 2024. Em setembro de 2026, os trabalhos haviam começado em 27 dos 29 túneis previstos no trecho quirguiz, ou cerca de 93% do total. Esses números se referem aos túneis onde as obras já tinham começado; escavações, construção de pontes e preparação do leito ferroviário continuavam fazendo parte do programa de construção.

Publicidade

Mirziyoyev disse que o Uzbequistão estava pronto para acelerar as obras. Li afirmou que a China estava disposta a garantir que a ferrovia fosse construída com alto padrão. Aripov também se comprometeu a impulsionar a linha e outros projetos no âmbito da iniciativa Cinturão e Rota, programa chinês de cooperação econômica e infraestrutura internacional.

A rota ligaria a China ao Uzbequistão pelo Quirguistão, criando uma conexão direta de transporte entre os três países. Os líderes esperam que sua entrada em operação impulsione o comércio e o transporte regionais. Empresas ao longo do trajeto poderão encontrar oportunidades em movimentação de cargas, armazenagem e outros serviços necessários ao transporte de mercadorias.

Eldor Tulyakov, diretor-executivo do Centro de Estratégia de Desenvolvimento do Uzbequistão, descreveu o objetivo econômico compartilhado da ferrovia:

A ferrovia “conecta os interesses de vários países em torno de um projeto comum”, disse ele.

Comércio cresce, e Uzbequistão quer ampliar exportações

Dados oficiais chineses apontam que o comércio bilateral chegou a US$ 16,1 bilhões em 2025, alta de 17,9% em relação ao ano anterior. Essa taxa de crescimento implica um total de aproximadamente US$ 13,7 bilhões em 2024, o que significa que o comércio anual aumentou cerca de US$ 2,4 bilhões.

Dados oficiais uzbeques mostram que a China respondeu por 23% do volume de comércio exterior do Uzbequistão nos primeiros oito meses de 2026, a maior fatia entre os parceiros comerciais do país. Em termos simples, quase um em cada quatro dólares do comércio de bens do Uzbequistão envolveu a China nesse período.

Li disse que a China estava disposta a importar mais produtos uzbeques, sobretudo aqueles valorizados pela qualidade ou por características específicas. Ele incentivou o Uzbequistão a participar da Exposição Internacional de Importação da China, uma grande feira na qual fornecedores estrangeiros podem apresentar seus produtos a compradores chineses.

A China já é uma importante origem das importações do Uzbequistão. Um mercado maior para os produtos uzbeques daria aos produtores outra forma de se beneficiar da relação, além dos investimentos em fábricas e infraestrutura. As conversas trataram de agricultura moderna, cooperação aduaneira e comércio eletrônico, temas relevantes para vender e transportar mercadorias entre países.

Publicidade

Planos de investimento vão além do transporte

A carteira de projetos do Uzbequistão respaldados por acordos firmes chegou a quase US$ 60 bilhões. Mais de 6.000 empreendimentos conjuntos com participação chinesa já formam uma base empresarial para os planos mais amplos de investimento.

Li disse que Pequim apoiava investimentos e atividades no Uzbequistão de empresas chinesas mais capacitadas. Também defendeu a criação de condições favoráveis para essas companhias. Mirziyoyev recebeu bem novos investimentos chineses, enquanto Aripov agradeceu o apoio da China às reformas e ao desenvolvimento do Uzbequistão.

A agenda de investimentos inclui produtos químicos, geologia, mineração, metalurgia, fabricação de veículos, produção de equipamentos e modernização da infraestrutura. O financiamento também foi discutido, assim como as conexões físicas necessárias para transportar mercadorias e apoiar a atividade empresarial.

Os líderes propuseram aproximar mais suas estratégias de desenvolvimento. Na prática, isso significa tentar alinhar as prioridades do Uzbequistão para indústria, energia e infraestrutura ao financiamento, aos equipamentos e à capacidade empresarial que os parceiros chineses podem oferecer.

Projeto eólico dá exemplo local à agenda de energia

Um projeto de energia eólica apoiado pela China foi concluído em agosto no distrito de Bostanlyk, na região de Tashkent. Quando estiver em plena operação, a expectativa é que economize cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás natural e reduza as emissões de dióxido de carbono em aproximadamente 24 mil toneladas por ano.

Essa economia projetada mostra o objetivo local da parceria mais ampla no setor de energia. A eletricidade gerada pelo vento pode reduzir a quantidade de gás necessária para produzir energia. Os números de Bostanlyk são estimativas para a operação plena.

Usinas solares e parques eólicos construídos por empresas chinesas já fornecem eletricidade às redes de várias regiões uzbeques. As conversas buscaram ampliar essa cooperação e também abordaram usos pacíficos da energia nuclear, uma parte separada da agenda de energia proposta.

Tulyakov destacou a fabricação de veículos elétricos e a energia verde como áreas em que a cooperação contribui para as metas de desenvolvimento do Uzbequistão. Ele descreveu a relação entre acordos políticos e atividade econômica:

“A confiança política cria condições favoráveis, e o trabalho prático lhe dá substância”, disse ele.

Publicidade

Tecnologia e serviços públicos entram na agenda

Inteligência artificial, tecnologias digitais, robótica, setor aeroespacial e pesquisa científica estão entre as áreas propostas para uma cooperação mais estreita. A inteligência artificial usa sistemas computacionais para executar tarefas como reconhecer padrões e analisar informações, enquanto a robótica aplica máquinas a tarefas físicas.

Os líderes discutiram essas áreas junto com a fabricação de equipamentos e a agricultura moderna. A agenda, portanto, vai de atividades industriais já consolidadas, como mineração e produtos químicos, a tecnologias que podem ser usadas em fábricas, na agricultura e no transporte.

Os documentos de cooperação assinados também foram além dos investimentos comerciais. Saúde, educação e redução da pobreza foram incluídas no pacote acompanhado por Li e Aripov, enquanto a cooperação climática fez parte da visita mais ampla.

Uzbequistão e China vêm trocando experiências sobre redução da pobreza. Não foram anunciados cronogramas detalhados de implementação, discriminação de recursos ou metas mensuráveis para as iniciativas específicas de tecnologia e serviços públicos, deixando esses detalhes para o trabalho posterior dos órgãos responsáveis.

Apoio político acompanha os planos econômicos

Mirziyoyev reafirmou o compromisso do Uzbequistão com a política de Uma Só China e o apoio a Pequim na defesa do que a China chama de seus interesses fundamentais. Taiwan ocupa posição central nessa política: Pequim considera a ilha parte da China e se opõe à sua independência.

O compromisso do Uzbequistão segue uma declaração conjunta publicada em 2024, na qual Tashkent afirmou que não estabeleceria relações oficiais nem manteria intercâmbios oficiais com Taiwan. As conversas de outubro renovaram esse alinhamento político enquanto os dois governos discutiam a ampliação dos laços econômicos.

Mirziyoyev também manifestou disposição para dar continuidade à cooperação contra o terrorismo, o separatismo e o extremismo, as três categorias que as autoridades chinesas agrupam sob a expressão “três forças do mal”. Li pediu uma comunicação estratégica mais forte e apoio contínuo aos interesses fundamentais de cada país.

Os dois governos também discutiram a coordenação por meio da Organização para Cooperação de Xangai, do mecanismo China–Ásia Central e das Nações Unidas. China e Uzbequistão foram membros fundadores da OCS em 2001. A organização tem agora 10 membros, após a entrada da Índia e do Paquistão em 2017, do Irã em 2023 e de Belarus em 2024.

Publicidade

Voos, isenção de vistos e centros culturais

Li pediu que os dois países aproveitassem melhor o acordo de isenção mútua de vistos para aumentar o fluxo de viagens. Os líderes também discutiram a ampliação dos voos entre cidades chinesas e uzbeques, reunindo a capacidade de transporte à facilitação dos procedimentos de entrada.

O número de turistas chineses no Uzbequistão está aumentando. Mais voos apoiariam essas viagens e também atenderiam a visitantes de negócios, estudantes e participantes de intercâmbios culturais. Intercâmbios entre jovens e cooperação entre regiões e cidades estavam entre as áreas cuja expansão Li propôs.

Os Dias da Cultura do Uzbequistão estavam previstos para acontecer na China nos dias seguintes ao encontro. Os dois governos também planejavam abrir centros culturais nos respectivos países, e Li pediu que eles fossem estabelecidos sem demora.

Os intercâmbios fazem parte dos preparativos para o 35º aniversário das relações diplomáticas, em 2027. Li disse que a China queria aproveitar a data para aprofundar a confiança política e a cooperação prática. Durante a visita, ele também depositou uma coroa de flores no Monumento da Independência do Uzbequistão.

Dos compromissos anteriores aos próximos marcos

Os encontros de outubro conectaram vários anos de acordos às obras já em andamento. Os marcos futuros mais específicos são o aniversário diplomático, em 2027, e a previsão de entrada em operação da ferrovia até 2030.

  • 2024: Em uma declaração conjunta, o Uzbequistão reafirmou que não estabeleceria relações oficiais nem manteria intercâmbios oficiais com Taiwan.
  • Dezembro de 2024: O projeto da ferrovia China–Quirguistão–Uzbequistão foi lançado oficialmente.
  • 2025: O comércio bilateral chegou a US$ 16,1 bilhões, alta de 17,9% em relação ao ano anterior.
  • Agosto de 2026: Xi e Mirziyoyev se reuniram em Bishkek. Um projeto eólico apoiado pela China também foi concluído naquele mês no distrito uzbeque de Bostanlyk.
  • Setembro de 2026: As obras haviam começado em 27 dos 29 túneis previstos para a ferrovia no Quirguistão.
  • 17 de outubro de 2026: Li conversou em Tashkent com Mirziyoyev e Aripov, e documentos de cooperação foram assinados durante a visita.
  • 2027: China e Uzbequistão celebrarão 35 anos de relações diplomáticas.
  • 2030: A previsão é que a ferrovia entre em operação.

Para os produtores uzbeques, a oportunidade comercial imediata é a disposição declarada da China de comprar mais produtos locais. Para as empresas de construção e as comunidades ao longo da ferrovia, o foco está na continuidade das obras. Os projetos de energia oferecem outro indicador concreto de progresso: eletricidade fornecida, gás economizado e equipamentos em operação.

Publicidade

Principais pontos

  • Mirziyoyev e Li discutiram uma carteira de projetos próxima de US$ 60 bilhões e mais de 6.000 empreendimentos conjuntos com participação chinesa.
  • O comércio bilateral chegou a US$ 16,1 bilhões em 2025, enquanto a China respondeu por 23% do comércio exterior do Uzbequistão nos primeiros oito meses de 2026.
  • A ferrovia que passará pelo Quirguistão deve custar US$ 4,7 bilhões, ter cerca de 532 quilômetros e entrar em operação até 2030.
  • Os documentos de cooperação abrangeram comércio, educação, alfândega, saúde, redução da pobreza, comércio eletrônico, clima e mídia.
  • Quando estiver em plena operação, a expectativa é que o projeto eólico de Bostanlyk economize cerca de 12 milhões de metros cúbicos de gás e reduza as emissões de dióxido de carbono em aproximadamente 24 mil toneladas por ano.
  • O Uzbequistão renovou seu compromisso com a política de Uma Só China, enquanto os dois governos buscaram ampliar as viagens, os intercâmbios culturais e a coordenação por meio de organizações internacionais.
Compartilhar esta matéria

Você também pode gostar