Uma recepção grandiosa, com poucos novos acordos detalhados
O presidente Donald Trump recebeu o presidente chinês Xi Jinping em um jantar de Estado na Casa Branca em 24 de setembro de 2026, reunindo executivos do setor de tecnologia, altos funcionários e músicos militares após cerca de 90 minutos de conversas privadas. A visita terminou no dia seguinte com declarações públicas amistosas, uma promessa de novos diálogos sobre inteligência artificial e poucos detalhes de novos acordos.
Conteúdo
- Uma recepção grandiosa, com poucos novos acordos detalhados
- Dois dias de cerimônias e conversas privadas
- Uma pausa comercial, não um acordo mais amplo
- Conversas sobre IA abrem canal para compartilhar riscos
- Taiwan e Irã seguem entre as principais preocupações de segurança
- Líderes do setor de tecnologia integram a lista de convidados
- Um menu ligado à abertura das relações
- Pandas e 100 mil convites para jovens americanos
- Protestos e disputa pelo acesso da imprensa
- Washington e Pequim destacam resultados diferentes
- Principais pontos
Washington e Pequim já haviam concordado naquela semana em estender por dois meses a trégua tarifária, dando mais tempo aos negociadores para buscar um acordo comercial mais amplo. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, disse que a cúpula não produziu nenhum avanço específico em IA, embora fosse esperada outra reunião sobre o tema dentro de cerca de um mês.
Xi e sua esposa, Peng Liyuan, juntaram-se a Trump e à primeira-dama Melania Trump na Sala Leste para um jantar com mais de 130 convidados. Trump elogiou o casal chinês, chamando-os de "pessoas realmente notáveis e incríveis", e disse que queria retribuir a hospitalidade que recebeu em Pequim em maio.
Xi descreveu as conversas privadas como sinceras e apresentou a cooperação como uma responsabilidade compartilhada por duas grandes potências. Falando por meio de um intérprete durante o jantar, o presidente chinês disse:
Isso acrescentou novos elementos à relação construtiva entre China e Estados Unidos, marcada pela estabilidade estratégica.
Os líderes não realizaram uma coletiva de imprensa conjunta nem divulgaram um comunicado conjunto. Em suas declarações públicas, deixaram o resultado prático dependente de novas negociações sobre comércio, tecnologia e segurança, embora a cerimônia tenha exibido uma forte sintonia pessoal.
Dois dias de cerimônias e conversas privadas
A visita de setembro retribuiu a hospitalidade oferecida a Trump em Pequim quatro meses antes. Trump disse que Xi era o primeiro líder chinês a fazer uma segunda visita oficial de Estado aos Estados Unidos e relacionou a ocasião ao 250º aniversário da independência americana.
O Ministério das Relações Exteriores da China, em seu relato da cerimônia de boas-vindas, descreveu a execução dos hinos nacionais, uma apresentação do Corpo de Fuzileiros Navais, a inspeção da guarda de honra e um sobrevoo militar. Em seguida, os líderes se reuniram no Salão Oval.
- Maio de 2026: Trump visitou Pequim. Xi disse depois que os líderes concordaram ali em buscar uma relação construtiva baseada na estabilidade estratégica.
- Início da semana de 24 de setembro: Washington e Pequim concordaram em estender por dois meses a trégua tarifária.
- 24 de setembro: Xi foi recebido oficialmente na Casa Branca, reuniu-se em particular com Trump e participou do jantar de Estado na Sala Leste.
- 25 de setembro: Os dois casais tomaram chá e visitaram os Arquivos Nacionais antes do encerramento da visita de Xi.
- Dentro de cerca de um mês: Greer esperava uma nova reunião entre Estados Unidos e China sobre IA, ainda sem pauta definida.
Nos Arquivos Nacionais, o arquivista nacional Bradford Wilson mostrou aos casais a Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos. Perguntado sobre o que havia conseguido em sua reunião com Xi, Trump respondeu "tudo", sem dar detalhes.
Uma pausa comercial, não um acordo mais amplo
Trump destacou repetidamente os agricultores americanos e o acesso ao mercado chinês como benefícios da relação. Na cerimônia de chegada, falou em avanços para um comércio mais equilibrado, incluindo oportunidades para agricultores e pecuaristas. Na sexta-feira, voltou a prever que os agricultores aprovariam os resultados da visita.
A medida comercial mais clara dos dois países foi a prorrogação da trégua tarifária existente. Tarifas são impostos cobrados sobre produtos importados. Uma pausa em novos aumentos tarifários dá tempo para empresas se planejarem e para os governos negociarem, enquanto um eventual acordo precisaria especificar as regras que passariam a valer.
Washington e Pequim não haviam anunciado um acordo comercial mais amplo até o fim da visita. Os relatos da cúpula não apresentaram publicamente compromissos novos e detalhados de compra de produtos agrícolas, acordos sobre minerais críticos ou mudanças nas regras de exportação de chips.
Charu Chanana, estrategista de investimentos da Saxo Markets, avaliou que a reunião buscou manter a estabilidade, em vez de alcançar um avanço decisivo. Sua análise se concentrou nas decisões relevantes para as empresas: mudanças tarifárias, acordos de exportação de terras raras, compras de produtos agrícolas e regras americanas para a venda de chips à China.
Conversas sobre IA abrem canal para compartilhar riscos
A inteligência artificial foi um tema central da visita. Executivos de destaque do setor de tecnologia americano participaram do jantar, e os dois governos reconheceram a necessidade de discutir o desenvolvimento da tecnologia. Sistemas de IA podem gerar textos, escrever programas e analisar grandes volumes de informações. Seus recursos cada vez maiores também despertam preocupações sobre segurança e controle.
Na cerimônia de boas-vindas, Xi disse que China e Estados Unidos tinham tanto a capacidade quanto a responsabilidade de desenvolver e administrar a IA para que ela permanecesse sob controle humano e promovesse o bem-estar das pessoas. O relato do Ministério das Relações Exteriores da China incluiu essa responsabilidade compartilhada entre os argumentos de Xi a favor da cooperação.
Greer, representante comercial dos Estados Unidos, descreveu o resultado prático de forma mais restrita. Questionado se os líderes haviam alcançado algo novo em IA, ele disse:
Eu não diria que houve algo novo.
Greer explicou que os países estabeleceram um diálogo sobre IA e comparou a iniciativa ao canal de comunicação direta entre Washington e Moscou durante a Guerra Fria. Segundo ele, o objetivo imediato era oferecer a qualquer um dos lados um meio para levantar riscos ou outras preocupações.
Greer esperava outra reunião sobre IA "no próximo mês, mais ou menos", mas disse que a pauta ainda não havia sido definida. Portanto, o próximo passo concreto é uma nova conversa, e não um padrão de segurança comum ou um acordo regulatório anunciado.
Taiwan e Irã seguem entre as principais preocupações de segurança
O embaixador dos Estados Unidos na China, David Perdue, disse na sexta-feira que a posição de Washington sobre Taiwan não havia mudado. Seus comentários vieram após Trump optar por não responder às perguntas gritadas sobre o tema durante a visita.
Perdue afirmou que os Estados Unidos continuavam comprometidos com sua política de Uma Só China, a Lei de Relações com Taiwan, os três comunicados conjuntos e as seis garantias. Esses documentos e compromissos formam a estrutura usada por Washington para conduzir as relações com Pequim, mantendo ao mesmo tempo vínculos não oficiais com Taiwan e apoiando sua defesa.
O relato de Pequim sobre as conversas incluiu o apelo de Xi para que Washington se opusesse à independência de Taiwan e tratasse o tema com cautela. Assim, os dois governos continuaram a expor publicamente suas posições estabelecidas, enquanto Perdue rejeitou explicitamente qualquer mudança na política dos Estados Unidos.
Perdue também disse que Trump afirmou a Xi que era inaceitável o apoio chinês aos esforços de guerra do Irã. O embaixador disse que algumas informações de inteligência e possíveis componentes haviam chegado anteriormente ao Irã, de forma direta ou indireta, e que a China garantiu a Washington durante as conversas que não estava oferecendo esse tipo de apoio.
Trump não falou sobre o Irã em suas declarações durante o jantar. Perdue disse que o assunto vinha sendo levantado repetidamente ao longo do tempo e que Washington havia percebido avanços em direção ao compromisso declarado pela China. Seu relato forneceu a descrição pública mais clara desse trecho da reunião privada.
Líderes do setor de tecnologia integram a lista de convidados
A lista de convidados do jantar na Sala Leste reuniu muitas das pessoas cujas empresas estão no centro da concorrência entre Estados Unidos e China. Entre os participantes estavam Jeff Bezos, Elon Musk, Mark Zuckerberg, Sundar Pichai, Michael Dell, Jensen Huang, Sam Altman, Jane Fraser e Tim Cook. Lisa Su, presidente-executiva da AMD, também compareceu.
Três ministros da Suprema Corte e integrantes do gabinete participaram do encontro. Entre os mais de 130 convidados, 19 eram membros da delegação chinesa, sem representantes de empresas chinesas listados nesse grupo.
A Anthropic, uma importante desenvolvedora de IA, não teve representante no jantar. Não foi explicado publicamente se a empresa recebeu um convite. Sua ausência chamou atenção porque seu presidente-executivo, Dario Amodei, alertou sobre os riscos da IA e as consequências de a China assumir a liderança nessa tecnologia.
A concentração de executivos deu ao jantar uma ligação direta com a agenda empresarial da cúpula. Fabricantes de chips, desenvolvedoras de IA, empresas industriais e instituições financeiras têm interesses afetados pelo acesso a mercados, pelas restrições à exportação e pela estabilidade das relações entre os dois governos.
Um menu ligado à abertura das relações
Melania Trump liderou a preparação de um jantar baseado em ingredientes americanos, com toques chineses e técnicas culinárias francesas. O anúncio do jantar da Casa Branca relacionou o brinde de abertura a um momento decisivo nas relações: a visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972.
Os convidados receberam o vinho Schramsberg "Blanc De Noir" em homenagem ao "Brinde à Paz" feito por Nixon e pelo primeiro-ministro chinês Zhou Enlai. A escolha evocou a abertura diplomática que ajudou a transformar a relação entre os países.
O primeiro prato foi um velouté de abóbora-amarela, uma sopa cremosa, acompanhado de cogumelos silvestres, pancetta crocante e óleo de cebolinha. Na sequência, foi servido robalo com crosta de gergelim, com acelga chinesa baby braseada, berinjela assada e molho de ervas verdes.
A sobremesa combinou crémeux de baunilha, uma preparação cremosa, com recheio de cereja azeda e frangipane de nozes, servido com sorvete feito com mel da Casa Branca. Toalhas vermelhas e arranjos de flores, com dálias e ranúnculos, decoravam o salão. As mesas exibiam prataria dourada da coleção da Casa Branca e o serviço de jantar oficial Reagan.
O tenor Christopher Macchio foi a principal atração musical, ao lado de grupos musicais dos Fuzileiros Navais e do Exército. Trump presenteou Xi com uma escultura de águia-careca que ele e Melania Trump ajudaram a projetar e convidou os participantes do jantar para visitar o local das obras do salão de festas da Casa Branca.
Pandas e 100 mil convites para jovens americanos
Xi anunciou que a China convidaria 100 mil jovens americanos para participar de intercâmbios e estudar no país ao longo dos próximos cinco anos. O compromisso, registrado no relato da cerimônia do Ministério das Relações Exteriores da China, estabeleceu uma meta numérica para seu apelo por vínculos mais estreitos entre as populações dos dois países.
Distribuído igualmente ao longo de cinco anos, o convite abrangeria uma média de 20 mil jovens americanos por ano. O anúncio indicou a escala pretendida para os intercâmbios, cuja participação futura dependerá dos programas que os viabilizarem.
Xi também anunciou que dois pandas-gigantes, Ping Ping e Fu Shuang, seriam enviados em breve ao Zoológico de Atlanta. Ele descreveu os animais como enviados da amizade. Dois zoológicos americanos já haviam recebido pandas em 2024.
As declarações de Xi relacionaram esses intercâmbios à história de cooperação entre os países durante a Segunda Guerra Mundial. Durante o chá de sexta-feira, ele antecipou novos encontros com Trump na cúpula da APEC, em Shenzhen, e na cúpula do G20, nos Estados Unidos, ainda neste ano.
Protestos e disputa pelo acesso da imprensa
Manifestantes do lado de fora da Casa Branca pediram liberdade para Hong Kong e o Tibete, a libertação de presos políticos e a soltura do ativista e editor de Hong Kong Jimmy Lai. Outros protestos se concentraram no tratamento dado pela China aos uigures em Xinjiang.
Aziz Sulayman, manifestante da Virgínia, disse que seu irmão Alim Sulayman, dentista, havia sido preso uma década antes. Ele afirmou não saber onde o irmão estava e disse entender que ele havia recebido uma sentença de 17 anos sem julgamento ou processo legal adequado. A China nega as acusações de violações dos direitos humanos em Xinjiang.
A ex-presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi visitou manifestantes que apoiavam o Tibete. Nas instituições políticas de Washington, 19 dos 47 integrantes da bancada democrata do Senado assinaram uma declaração pedindo financiamento imediato e venda de armas a Taiwan, além da libertação de americanos que, segundo eles, estavam detidos injustamente na China. Isso correspondeu a cerca de 40% da bancada.
O acesso da imprensa também continuou sendo motivo de disputa. Jornalistas de três organizações impedidas de entrar na Casa Branca na semana anterior puderam voltar ao local na manhã de quinta-feira, após uma ordem de um juiz federal, mas continuaram excluídos da cobertura do jantar. A retomada do acesso ao local ocorreu depois de relatos anteriores indicarem que eles ainda estavam impedidos de entrar.
Washington e Pequim destacam resultados diferentes
O comunicado divulgado posteriormente pela Casa Branca deu grande destaque à cerimônia de boas-vindas, aos presentes, às exibições militares, ao jantar, ao chá e à visita aos Arquivos Nacionais. Seu foco econômico específico foi nos agricultores americanos e no acesso ao mercado chinês, além de uma afirmação mais ampla de que a visita promoveu os interesses econômicos dos Estados Unidos.
O relato de Pequim abrangeu uma lista mais ampla de temas políticos, incluindo Taiwan, comércio, IA, Oriente Médio, Ucrânia e Península Coreana. Xi apresentou a relação em termos de igualdade, respeito, benefício mútuo e estabilidade estratégica, isto é, uma relação suficientemente estável para administrar divergências sem um confronto perigoso.
Trump e Xi avaliaram positivamente a visita. Para quem depende do comércio para seu sustento e para os que se preocupam com Taiwan, Irã ou segurança da IA, os próximos acontecimentos dependerão dos termos negociados após a cerimônia: a reunião planejada sobre IA, as conversas durante a extensão de dois meses da trégua tarifária e os encontros previstos entre os líderes ainda neste ano.
Principais pontos
- Trump recebeu Xi e Peng Liyuan em um jantar de Estado na Casa Branca em 24 de setembro, seguido de um chá e uma visita aos Arquivos Nacionais em 25 de setembro.
- Estados Unidos e China estenderam por dois meses a trégua tarifária, sem anunciar um acordo comercial mais amplo.
- Greer disse que não houve nenhum avanço específico em IA, mas que outra reunião de diálogo era esperada dentro de cerca de um mês.
- O embaixador Perdue disse que a política dos Estados Unidos sobre Taiwan não havia mudado e que Trump alertou contra o apoio chinês aos esforços de guerra do Irã.
- Xi anunciou convites para 100 mil jovens americanos ao longo de cinco anos e planos para enviar dois pandas ao Zoológico de Atlanta.
- A visita terminou sem coletiva de imprensa ou comunicado conjunto, enquanto protestos e restrições à cobertura do jantar acompanharam as cerimônias.






