Marco de 1 trilhão de yuans revela crescimento desigual
O setor de gelo e neve da China superou 1 trilhão de yuans na temporada de inverno de 2025-2026, enquanto os gastos com esportes de inverno chegaram a 205 bilhões de yuans, alta de cerca de 9,3%. Os números representam mais um passo na expansão de um setor que inclui estações de esqui, turismo, fabricação de equipamentos e atrações culturais de inverno.
Conteúdo
- Marco de 1 trilhão de yuans revela crescimento desigual
- Em que ritmo o setor cresceu?
- O que mostra o monitoramento do governo
- Turismo e cultura ganham espaço
- Prática esportiva e instalações enfrentam pressão
- Fabricantes de equipamentos têm variedade, mas inovação desigual
- O que os esquiadores compram e com que frequência voltam
- Harbin conecta turismo e indústria
- As datas por trás dos números mais recentes
- Principais pontos
O Relatório de Pesquisa sobre o Desenvolvimento do Setor de Gelo e Neve da China (2026), divulgado em 15 de outubro na World Winter Sports Expo, em Pequim, estimou em 308 milhões o número de pessoas que praticaram esportes de inverno no país e em cerca de 220 milhões as visitas turísticas relacionadas à estação. A pesquisa foi divulgada pelo Asia Data Group e descreveu um setor que passa por mudanças em sua estrutura de negócios e em suas fontes de crescimento.
O monitoramento do governo oferece um retrato mais detalhado dessa transição. Em sete dos principais destinos de inverno, a atividade turística e cultural melhorou durante a temporada, enquanto as pontuações relativas à prática esportiva, às instalações e à inovação em equipamentos caíram. Assim, a expansão do valor do setor vem acompanhada de um desafio concreto: transformar o entusiasmo pelas viagens de inverno em uma demanda duradoura em mais segmentos da economia.
Os números nacionais de prática esportiva e turismo medem coisas diferentes. O primeiro contabiliza pessoas que praticam esportes de inverno; o segundo, visitas de turistas, que podem incluir viagens repetidas da mesma pessoa. Um visitante também pode praticar um esporte, portanto os dois totais abrangem atividades que se sobrepõem.
Em que ritmo o setor cresceu?
O setor de gelo e neve da China foi avaliado em 270 bilhões de yuans em 2015 e em 980 bilhões de yuans em 2024. O valor de 2024 era cerca de 3,6 vezes o de 2015, mostrando o quanto o mercado havia se expandido antes de ultrapassar a marca de 1 trilhão de yuans.
A edição de 2025 da pesquisa do setor, compilada pela World Winter Sports (Beijing) Expo e publicada em outubro de 2025, projetou que o segmento superaria 1 trilhão de yuans até o fim daquele ano. A estimativa mais recente para a temporada o coloca acima desse patamar, embora o valor exato que excede 1 trilhão de yuans não tenha sido informado.
Os gastos com esportes de inverno também continuaram crescendo, mas em ritmo mais lento. O consumo superou 187,5 bilhões de yuans na temporada de 2024-2025, quando foi registrada alta de 25%. O total mais recente, de 205 bilhões de yuans, representa crescimento informado de cerca de 9,3%, uma alta mais moderada sobre uma base de gastos maior.
Os gastos com esportes são apenas uma parte do setor mais amplo. A produção de equipamentos, o turismo e outras atividades relacionadas ajudam a explicar por que a avaliação total do setor é muito maior que o valor gasto diretamente pelos consumidores para praticar esportes de inverno.
O que mostra o monitoramento do governo
O Departamento de Informatização e Desenvolvimento Industrial do Centro de Informações do Estado e a China Unicom Smart Steps Data Technology divulgaram, em 30 de março de 2026, seu índice de monitoramento da economia de inverno. O levantamento abrange a Mongólia Interior, Liaoning, Jilin, Heilongjiang, Xinjiang, Pequim e Hebei, com dados observados de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026.
As sete regiões registraram pontuação total média de 50,42, uma pequena alta em relação à temporada anterior. O índice reúne seis dimensões: prática esportiva, atividade turística, instalações, atividade cultural, inovação em equipamentos e apoio ao setor. As pontuações descrevem as condições nessas dimensões e são medidas em pontos de índice, não em yuans nem em número de visitantes.
Pequim liderou o índice total, com 70,39 pontos, seguida por Heilongjiang, com 62,23, e Jilin, com 51,65. As três ficaram acima da média das sete regiões. Jilin, Heilongjiang e Liaoning melhoraram suas pontuações totais em relação à temporada anterior.
O monitoramento também identificou uma mudança ao longo do inverno. As pontuações, em geral, subiram de dezembro a fevereiro, enquanto na temporada anterior haviam subido primeiro e caído depois. Essas observações abrangem sete regiões durante três meses, ao passo que a pesquisa do setor apresenta totais nacionais da temporada.
Turismo e cultura ganham espaço
A atividade turística teve média de 48,94 pontos nas sete regiões, alta de 2,86 pontos em relação à temporada anterior. Pequim marcou 91,15 pontos, Heilongjiang, 58,00, e Liaoning, 53,09; as três ficaram acima da média. Hebei, Jilin e Xinjiang registraram avanços particularmente claros, com o aumento do interesse pelo turismo e da atratividade de seus destinos.
A atividade cultural teve um avanço maior. Sua pontuação média subiu 13,57 pontos, para 59,05. Pequim marcou 88,33 pontos, Jilin, 86,67, Liaoning, 71,67, e Heilongjiang, 70,00. O Centro de Informações do Estado atribuiu os rápidos avanços em Liaoning, Jilin, Heilongjiang e Mongólia Interior principalmente à maior oferta de programas culturais de inverno.
Esses resultados mostram por que a economia de inverno vai além do esqui e da patinação. Atrações culturais e viagens a destinos de inverno podem movimentar a economia entre visitantes que não praticam esportes regularmente. Para os destinos, a oportunidade inclui atrair tanto pessoas interessadas em vivenciar o inverno quanto aquelas que chegam com seus próprios equipamentos.
O maior avanço registrado foi na cultura, enquanto o turismo também cresceu. Em conjunto, essas tendências ajudam a explicar como a economia de inverno mais ampla pôde manter a estabilidade mesmo com a queda na pontuação de prática esportiva.
Prática esportiva e instalações enfrentam pressão
O índice de prática esportiva teve média de 55,85 pontos, queda de 7,76 pontos em relação ao inverno anterior. Todas as regiões monitoradas registraram recuo, com baixas mais acentuadas em Liaoning, Hebei e Jilin, à medida que o interesse pelos esportes de inverno esfriou.
Hebei ainda teve a maior pontuação de prática esportiva, com 76,68 pontos, seguida por Heilongjiang, com 74,91, e Pequim, com 61,68. O monitoramento regional mostra, portanto, tanto centros de atividade já consolidados quanto um recuo em relação aos níveis do índice da temporada anterior.
As instalações tiveram uma queda menor. A pontuação média desse indicador recuou 1,67 ponto, para 47,23. Heilongjiang liderou, com 68,11 pontos, seguida por Jilin, com 65,16, e Xinjiang, com 54,40. Apenas Heilongjiang, Jilin e Hebei evitaram uma queda na pontuação de instalações.
Para operadores de estações e empresas de equipamentos, a prática esportiva é importante porque esquiadores e patinadores que retornam geram demanda recorrente. Os números mais recentes colocam essa questão ao lado do crescimento contínuo do turismo: atrair um visitante de inverno e conquistar um cliente que pratique esportes regularmente são desafios comerciais diferentes.
Fabricantes de equipamentos têm variedade, mas inovação desigual
O setor de equipamentos para esportes de inverno da China abrange hoje 15 grandes categorias de produtos, incluindo equipamentos pessoais, instalações para estações, itens de lazer e competição profissional. A variedade vai de roupas de esqui, equipamentos de proteção e óculos a teleféricos, máquinas de produção de neve e robôs usados para esculpir gelo.
Mesmo assim, o índice de inovação em equipamentos do governo teve média de apenas 26,23 pontos, queda de 2,67 pontos em relação à temporada anterior. Pequim marcou 71,52 pontos, muito à frente das demais regiões monitoradas. Jilin, com 39,12, e Hebei, com 27,30, também ficaram acima da média.
O Centro de Informações do Estado atribuiu a queda principalmente a mudanças em um componente que mede a competitividade dos equipamentos. O quadro é misto: os fabricantes fornecem uma ampla variedade de produtos, enquanto as pontuações de inovação permanecem concentradas geograficamente.
Adam Zhang, fundador da Key-Solution Sports Consulting, relacionou o futuro do desenvolvimento de equipamentos à capacidade de fabricação da China. Ele afirmou:
"Como um grande país industrial e uma potência manufatureira, assim que a demanda do mercado ficar clara, a capacidade de oferta responderá rapidamente",
Zhang apontou a manufatura inteligente, a robótica e a inteligência artificial como possíveis motores do desenvolvimento de equipamentos. Ele também descreveu a aplicação da tecnologia a softwares, ensino, treinamento e experiências esportivas, ampliando seu papel para além das próprias máquinas e equipamentos.
O que os esquiadores compram e com que frequência voltam
A Huabei, plataforma de esqui com mais de 10 milhões de usuários registrados, oferece um retrato mais próximo de sua base de clientes. Seus dados indicam que 41% dos esquiadores são homens e que 68% preferem o snowboard. Entre os esquiadores entrevistados, 25% visitam uma estação uma vez por temporada, enquanto 12% fazem mais de 10 viagens.
Esses padrões de visita indicam necessidades de compra distintas entre os usuários da plataforma. Quem faz uma viagem por temporada tem motivos diferentes para comprar equipamentos de quem frequenta uma estação com frequência e os usa repetidamente. A grande participação do snowboard também ajuda a explicar a oportunidade de negócios para fornecedores especializados.
Ye Bo, gerente-geral da GSPO Sports, sediada em Pequim, afirmou que as vendas da marca Yepro da empresa cresceram 20% ao ano no mercado interno. Fundada em 2017, a empresa é especializada em fixações e acessórios para pranchas de snowboard. As fixações são os mecanismos que prendem as botas do praticante à prancha.
Ye disse que a empresa investe em tecnologia para fixações, incluindo ajustes manuais criados para economizar tempo dos usuários na troca de equipamentos nas pistas. Segundo ele, marcas nacionais como a Yepro têm preços cerca de 20% a 50% inferiores aos dos concorrentes estrangeiros, o que oferece aos consumidores mais um fator a considerar, além do design e do desempenho dos produtos.
Harbin conecta turismo e indústria
Harbin, capital de Heilongjiang, tinha mais de 2.300 empresas envolvidas no setor de gelo e neve em novembro de 2025. Mais de 1.000 haviam sido criadas nos três anos anteriores, e a taxa composta de crescimento anual informada para o setor local era de 23,6%.
Mais de 80 empresas de Harbin se dedicavam à fabricação de equipamentos para esportes de inverno, incluindo pranchas de snowboard e patins de gelo. Os números mostram que os negócios de inverno da cidade incluem produção e serviços, além de atrações para visitantes.
A Harbin Zhongcheng Technology Development é um exemplo. Sua máquina Snow Lion consegue quebrar, empurrar e remover gelo e neve com uma pá. Yuan Zhihui, integrante do conselho da empresa, disse que um sistema de controle inteligente ajusta a operação de acordo com a espessura do gelo e a temperatura, permitindo que a máquina responda às mudanças nas condições de trabalho.
Yuan afirmou que a empresa trabalhou com cinco universidades de referência em Heilongjiang para desenvolver sua própria tecnologia de remoção de neve. A receita cresceu 25% em relação ao ano anterior, impulsionada pela demanda e por medidas do governo e de associações do setor. Máquinas para remover gelo e neve conectam a economia de inverno ao trabalho prático de manter os locais acessíveis.
As datas por trás dos números mais recentes
O marco mais recente do setor chinês vem após uma série de divulgações de pesquisas, avanços empresariais e iniciativas de consumo. Manter as datas separadas ajuda a entender como a estimativa nacional e o monitoramento do governo se relacionam.
- Outubro de 2025: A pesquisa do setor de 2025 projetou um mercado acima de 1 trilhão de yuans até o fim daquele ano.
- Novembro de 2025: Os números do setor de Harbin registraram mais de 2.300 empresas de gelo e neve.
- De dezembro de 2025 a fevereiro de 2026: As sete regiões foram monitoradas para o índice sazonal do governo de 2025-2026.
- Janeiro de 2026: A cerimônia de lançamento da Temporada Nacional de Consumo de Gelo e Neve foi realizada em Harbin, como parte do programa Shopping in China do Ministério do Comércio.
- 30 de março de 2026: O Centro de Informações do Estado e a China Unicom Smart Steps divulgaram o índice de monitoramento da temporada.
- 15 de outubro: A pesquisa do setor de 2026 foi divulgada em Pequim, informando que o setor havia superado 1 trilhão de yuans.
A iniciativa do Ministério do Comércio busca estimular a demanda por meio de produtos de inverno, serviços e experiências turísticas. Enquanto isso, o Centro de Informações do Estado informou que continuará aprimorando o índice e realizando monitoramentos regulares para apoiar o desenvolvimento do setor e as decisões de políticas públicas.
O quadro geral é de um mercado maior, com diferentes motores avançando em ritmos distintos. A atividade turística e cultural se fortaleceu nas regiões monitoradas, os fabricantes relataram ganhos nos negócios e os gastos nacionais com esportes aumentaram. As pontuações de prática esportiva e inovação em equipamentos mostram onde a expansão foi menos uniforme.
Principais pontos
- O setor de gelo e neve da China superou 1 trilhão de yuans na temporada de 2025-2026.
- A prática de esportes de inverno alcançou 308 milhões de pessoas, enquanto o turismo de inverno totalizou cerca de 220 milhões de visitas.
- Os gastos com esportes chegaram a 205 bilhões de yuans, alta de cerca de 9,3%, após crescimento informado de 25% na temporada anterior.
- O monitoramento do governo em sete regiões identificou avanços no turismo e na cultura, ao lado de quedas nas pontuações de prática esportiva, instalações e inovação em equipamentos.
- Pequim liderou o índice total de monitoramento; Heilongjiang e Jilin também ficaram acima da média.
- A expansão da base empresarial de Harbin e os fabricantes especializados de equipamentos mostram como o mercado vai além das estações e atrações turísticas.






