Filipinas multa em P1,76 bilhão seis empresas de cartel da cebola por divisão do mercado de importação

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Philippines Fines Six Onion Cartel Firms P1.76 Billion Over Import Market Sharing

Multa recorde mira controle das importações de cebola

A Comissão de Concorrência das Filipinas impôs uma multa conjunta de P1,76 bilhão a seis empresas e aos responsáveis por elas, após concluir que dividiram entre si o mercado de cebolas importadas. Juntas, as acusadas controlaram quase 50% das autorizações de importação aprovadas para cebolas roxas e amarelas em 2020 e 2021, usando empresas distintas para coordenar o abastecimento distribuído em todo o país.

Conteúdo
  1. Multa recorde mira controle das importações de cebola
  2. Quais empresas e executivos foram responsabilizados?
  3. Como funcionava o acordo de importação
  4. Armazenamento refrigerado ligava importações a mercados de todo o país
  5. O que dizia a denúncia oficial
  6. Das buscas em armazéns à multa final
  7. Por que as multas chegaram a P1,76 bilhão
  8. Pagamento, pedido de revisão e possível processo criminal
  9. O que o caso significa para quem compra alimentos
  10. Principais pontos

A penalidade, anunciada em 15 de outubro de 2026, é a maior já imposta pela comissão. As conclusões abrangem acordos relacionados a licenças de importação, transporte marítimo, armazenamento refrigerado e distribuição por atacado, reunindo várias etapas da cadeia de abastecimento de cebola em uma mesma operação coordenada.

A investigação foi motivada pela forte alta dos preços da cebola no fim de 2022, quando o valor no varejo chegou a cerca de P800 por quilo, com alguns preços acima desse patamar. Na época, a cebola custava aproximadamente três vezes mais que o frango e cerca de 25% mais que a carne bovina, pressionando ainda mais os orçamentos familiares com alimentação e a inflação nacional.

A comissão ordenou que as acusadas encerrem definitivamente o acordo e paguem suas respectivas multas. Também informou que coordenaria com o Departamento de Justiça a avaliação de possíveis acusações criminais contra os envolvidos.

O caso liga um problema cotidiano de compras a uma etapa menos visível do comércio de alimentos: quem obtém autorização para importar, em nome de quem as cargas são registradas e onde os vegetais são armazenados antes de chegar aos atacadistas. Segundo a comissão, empresas que deveriam concorrer de forma independente coordenaram essas decisões, reduzindo a concorrência em um mercado de alimentos essenciais.

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Quais empresas e executivos foram responsabilizados?

As seis empresas multadas foram Golden Shine International Freight Forwarders Corp., Tian Long Corp., La Reina Fresh Vegetables & Young Indoor Plants, Inc., Yom Trading Corp., Vegefru Producing Store e Rosal Fruit and Vegetable Trading.

Quatro executivos também foram responsabilizados: Lilia Cruz, presidente da Golden Shine; Eric Pabilona, diretor-executivo da Golden Shine e secretário corporativo da Tian Long; Renato Francisco Jr., presidente do conselho e presidente da La Reina e da Yom Trading; e Letty Baculando, uma das fundadoras da Golden Shine.

Christian Loren delos Reyes, diretor do Escritório de Fiscalização da PCC, afirmou que a investigação começou depois que a comissão identificou indícios de sobreposição entre dirigentes e membros dos conselhos de um grupo de empresas. Essas conexões passaram a integrar a investigação sobre como as empresas realizavam as importações e a distribuição.

A comissão arquivou as acusações contra Philippine Vieva Group of Companies, Inc. e Vegetable Importers, Exporters & Vendors Association of the Philippines por falta de provas suficientes. As duas haviam sido incluídas na denúncia original, junto às empresas e pessoas investigadas.

Como funcionava o acordo de importação

Segundo a comissão, a Golden Shine, empresa de agenciamento de cargas, solicitava sistematicamente autorizações sanitárias e fitossanitárias de importação usando as credenciais de outras importadoras acusadas. Também designava essas importadoras como consignatárias, monitorava a distribuição das licenças e coordenava as remessas. Consignatário é a pessoa ou empresa indicada para receber mercadorias importadas.

As autorizações, comumente chamadas de SPSICs, são emitidas pelo Bureau de Indústria Vegetal do Departamento de Agricultura. Elas fazem parte dos controles destinados a proteger a saúde vegetal quando produtos agrícolas entram no país. Neste caso, a distribuição dessas autorizações também determinava o volume de cebolas que as empresas podiam importar.

Ao acumular autorizações por meio de empresas distintas, as acusadas controlaram, em conjunto, quase metade das licenças aprovadas para importar cebolas roxas e amarelas em 2020 e 2021. A conclusão diz respeito ao acesso às autorizações de importação, um fator central para determinar como os produtos importados chegam ao mercado.

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Armazenamento refrigerado ligava importações a mercados de todo o país

As remessas importadas eram encaminhadas a instalações de armazenamento refrigerado administradas pela Tian Long. Os locais identificados no caso ficavam em Bulacan, Iloilo, Cebu, Cagayan de Oro e Davao City, dando ao acordo presença em Luzon, nas Visayas e em Mindanao.

O armazenamento refrigerado mantém as cebolas em condições adequadas entre a chegada e a venda. O controle dessa etapa conecta o negócio de importação à distribuição por atacado, pois os produtos armazenados podem ser liberados posteriormente a compradores que abastecem mercados e lojas.

A comissão concluiu que o acordo abrangia importação, armazenamento e vendas por atacado. Seu alcance geográfico, portanto, ia além dos locais dos armazéns: as cebolas que passavam por essas instalações eram distribuídas em todo o país.

A denúncia anterior também alegava troca de informações comerciais sensíveis, incluindo preços, fornecedores, clientes, volumes, transporte, distribuição e armazenamento. Quando comerciantes concorrentes compartilham esse tipo de informação como parte de um acordo coordenado, podem substituir decisões empresariais independentes por um controle conjunto do abastecimento.

O que dizia a denúncia oficial

O Escritório de Fiscalização da PCC apresentou sua Declaração de Objeções em 9 de julho de 2024. O comunicado da comissão de setembro de 2024 apontou supostas violações das seções 14(b)(2) e 14(c) da Lei da República nº 10667, a Lei de Concorrência das Filipinas.

A denúncia acusou os comerciantes de distribuir entre si as autorizações de importação, dividir os volumes permitidos e trocar informações comerciais sensíveis para reduzir a concorrência. A divisão de mercado ocorre quando concorrentes combinam como repartir os negócios, em vez de disputar clientes ou fornecedores de forma independente.

O Escritório de Fiscalização alegou que houve uma conspiração entre 2019 e 2023, envolvendo cebolas importadas da China, dos Países Baixos e da Índia. As conclusões posteriores sobre o controle de quase metade das autorizações aprovadas dizem respeito especificamente a 2020 e 2021, dentro do período mais amplo mencionado na denúncia.

A comissão tem duas funções distintas nesse processo. Seu Escritório de Fiscalização investiga e apresenta acusações, enquanto a comissão ouve o caso e decide sobre a responsabilidade, exercendo sua autoridade para julgar disputas de concorrência.

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Das buscas em armazéns à multa final

Uma operação de busca realizada ao amanhecer em setembro de 2023 forneceu aos investigadores documentos, registros comerciais e dados eletrônicos relacionados às atividades de negociação. As buscas incluíram escritórios das acusadas no Golden Shine Corporate Center.

A PCC descreveu a operação como sua primeira busca ao amanhecer com base nas Regras de Busca e Inspeção Administrativa emitidas pela Suprema Corte em 2019. Essas regras estabelecem os procedimentos para inspeções usadas na investigação de possíveis violações da legislação de concorrência.

As principais etapas do caso se estenderam por vários anos:

  • 2019 a 2023: período da suposta conspiração identificado na denúncia do Escritório de Fiscalização.
  • 2020 e 2021: anos em que as acusadas controlaram quase 50% das autorizações aprovadas para importar cebolas roxas e amarelas, segundo a comissão.
  • Fim de 2022: os preços da cebola no varejo dispararam para cerca de P800 por quilo e, em alguns casos, ultrapassaram esse valor.
  • Setembro de 2023: investigadores realizaram a busca ao amanhecer e recolheram provas documentais e eletrônicas.
  • 9 de julho de 2024: o Escritório de Fiscalização apresentou sua Declaração de Objeções.
  • 15 de outubro de 2026: a comissão anunciou a multa de P1,76 bilhão.

O Departamento de Agricultura também incluiu na lista de empresas impedidas de importar, em 2024, importadoras ligadas ao caso. As empresas identificadas foram La Reina, Vegefru Producing Store e Yom Trading.

Por que as multas chegaram a P1,76 bilhão

A comissão afirmou que as demonstrações financeiras auditadas apresentadas pelas importadoras subestimavam consideravelmente seus valores. Por isso, calculou as penalidades com base nos volumes reais cobertos pelas autorizações de importação e nos preços de atacado da cebola informados pela Autoridade de Estatísticas das Filipinas, em vez de se basear nessas demonstrações financeiras.

Kenneth Tanate, diretor-executivo da PCC, afirmou que o cálculo considerou o volume de cebolas envolvido e os dados oficiais de preços no atacado. A combinação das quantidades com os preços de atacado deu à comissão uma base para estimar o valor dos negócios abrangidos pela conduta.

As penalidades foram triplicadas porque a cebola é classificada como produto essencial. O comunicado da PCC de 2024 apontou a seção 41 da Lei de Concorrência das Filipinas e a seção 6.5 de suas Regras de Procedimento como dispositivos que autorizam esse aumento.

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Em 2024, o Escritório de Fiscalização pediu inicialmente multas de P2,423 bilhões, valor descrito em seu anúncio oficial como aproximadamente P2,4 bilhões. A quantia finalmente imposta, de P1,76 bilhão, é P663 milhões inferior ao valor inicialmente solicitado, ou cerca de 27% menor. A recomendação foi feita na fase de apresentação das acusações; o valor aplicado resultou da análise do caso pela comissão.

Tanate, diretor-executivo da PCC, descreveu as penalidades como as multas máximas e explicou o objetivo da comissão:

Ao impor as multas máximas, a PCC reafirma seu compromisso de responsabilizar cartéis em todos os setores da economia e proteger os consumidores dos efeitos prejudiciais de práticas que restringem a concorrência,

Pagamento, pedido de revisão e possível processo criminal

A comissão determinou que as acusadas paguem no prazo de 15 dias após receber a decisão. Sexta-feira, 16 de outubro de 2026, foi indicada como prazo para pagar ou pedir reconsideração, isto é, solicitar que a comissão reveja sua decisão.

A ordem permanente de cessar e desistir exige que as acusadas interrompam o acordo de divisão de mercado. A ordem trata da conduta delas, enquanto as penalidades financeiras punem as violações constatadas pela comissão.

A PCC também informou que coordenaria com o Departamento de Justiça a avaliação de possíveis acusações criminais. O Escritório de Concorrência do Departamento de Justiça avaliaria se há fundamentos para abrir processos.

Pessoas processadas por conduta de cartel podem ser condenadas à prisão e a multas adicionais com base na Lei de Concorrência das Filipinas. Não foi anunciada uma data para apresentação de acusações criminais nem uma decisão sobre eventual processo.

O que o caso significa para quem compra alimentos

Para as famílias, a questão imediata por trás da investigação era o custo extraordinário de um ingrediente usado todos os dias na cozinha. A cerca de P800 por quilo no fim de 2022, a cebola ficou mais cara que a carne por peso, obrigando os consumidores a reconsiderar as quantidades e os gastos.

O processo de concorrência examina como o abastecimento importado era organizado antes de as cebolas chegarem aos consumidores. A principal conclusão é que empresas distintas coordenaram autorizações, remessas e armazenamento, em vez de tomar essas decisões de forma independente. A resposta da comissão combina uma ordem permanente para encerrar o acordo com uma multa recorde.

A PCC especificou as condutas que considerou ilegais e as empresas e os executivos que responsabilizou. As próximas etapas processuais dizem respeito ao pagamento ou ao pedido de revisão da decisão administrativa, além da avaliação do Departamento de Justiça sobre possíveis medidas criminais.

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Principais pontos

  • A PCC impôs uma multa conjunta recorde de P1,76 bilhão a seis empresas do setor de cebola e aos responsáveis por elas.
  • As acusadas controlaram quase 50% das autorizações aprovadas para importar cebolas roxas e amarelas em 2020 e 2021.
  • O acordo abrangia importações, armazenamento refrigerado e distribuição por atacado em todo o país.
  • A comissão calculou as multas com base nos volumes importados e nos preços de atacado da Autoridade de Estatísticas das Filipinas; as penalidades foram triplicadas porque a cebola é um produto essencial.
  • As acusações contra Philippine Vieva Group e Vegetable Importers, Exporters & Vendors Association of the Philippines foram arquivadas por falta de provas suficientes.
  • As acusadas receberam ordem para encerrar definitivamente o acordo, enquanto uma possível ação criminal depende de avaliação do Departamento de Justiça.
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