China registra 39,94 trilhões de yuans em nove meses de comércio de bens, com disparada das exportações de tecnologia

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China Reports 39.94 Trillion Yuan in Nine Months of Goods Trade as Technology Exports Surge

Comércio acelera, impulsionado pela indústria de alta tecnologia

As importações e exportações de bens da China chegaram a 39,94 trilhões de yuans nos três primeiros trimestres de 2026, alta de 18,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados alfandegários apresentados em uma coletiva de imprensa em 14 de outubro. Produtos como robôs industriais, componentes eletrônicos, peças de computador e equipamentos elétricos responderam por mais de 10 trilhões de yuans desse comércio e contribuíram com 11,3 pontos percentuais para o crescimento.

Conteúdo
  1. Comércio acelera, impulsionado pela indústria de alta tecnologia
  2. Setembro encerra o trimestre com resultados mais fortes
  3. O superávit está perto de outro recorde anual?
  4. Comércio de tecnologia responde por boa parte da expansão
  5. Valor das exportações de chips cresce muito mais que o volume embarcado
  6. Veículos enfrentam forte demanda e limites europeus mais rigorosos
  7. Importações revelam um quadro mais desigual
  8. Negociações comerciais criam um calendário cheio
  9. Exportações fortes não resolvem o desafio do crescimento interno
  10. Principais pontos

As exportações totalizaram 23,2 trilhões de yuans, alta de 16,4%, enquanto as importações avançaram mais rapidamente, com aumento de 22,3%, para 16,74 trilhões de yuans. A diferença entre exportações e importações resulta em um superávit comercial de bens de 6,46 trilhões de yuans de janeiro a setembro.

O ritmo se intensificou ao longo do ano. O comércio cresceu 15,3% no primeiro trimestre, 18,3% no segundo e 22,3% no terceiro. Em setembro, chegou a 5,16 trilhões de yuans, alta de 27,5%, e o crescimento mensal permaneceu na casa dos dois dígitos pelo sexto mês consecutivo.

A expansão aponta para uma forte demanda externa por produtos manufaturados chineses, sobretudo produtos de tecnologia e veículos. Ela também ocorre enquanto parceiros comerciais pressionam Pequim a reduzir os desequilíbrios comerciais e enquanto a fraqueza do consumo, do investimento e do setor imobiliário na China continua pesando sobre a economia.

Alguns números exigem cautela. Os relatos divergem sobre os saldos comerciais em dólares, o crescimento do setor de semicondutores e a projeção econômica do Fundo Monetário Internacional. Os valores em yuans e as taxas de crescimento em dólares também usam bases monetárias diferentes. Essas séries não devem ser tratadas como intercambiáveis, e os relatos conflitantes em dólares não podem ser combinados em uma única base de dados coerente.

Setembro encerra o trimestre com resultados mais fortes

Em yuans, as exportações de setembro chegaram a 3,03 trilhões de yuans, alta de 29,6%, e as importações totalizaram 2,13 trilhões de yuans, aumento de 24,6%. A diferença resultou em um superávit mensal de 900 bilhões de yuans no comércio de bens.

Os números em dólares citados na maioria dos relatos apontam alta de 36,3% nas exportações e de 31% nas importações. O crescimento das exportações acelerou em relação aos 25% de agosto, enquanto o das importações aumentou em relação aos 28,2%. Na comparação com as previsões dos economistas, de 25,5% e 24,5%, respectivamente, os resultados de setembro foram 10,8 e 6,5 pontos percentuais maiores.

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Um relato informa que as exportações de setembro somaram US$ 447,18 bilhões e as importações, US$ 313,65 bilhões. A diferença, de US$ 133,53 bilhões, é compatível com o superávit mensal de cerca de US$ 133,5 bilhões citado na maioria dos relatos. O crescimento das exportações foi descrito como o mais rápido desde fevereiro, quando chegou a 39,6%.

A conversão cambial pode gerar diferentes taxas de crescimento para os mesmos fluxos comerciais quando a cotação do yuan muda entre os períodos analisados. Isso ajuda a explicar por que as medidas em yuans e em dólares precisam ser identificadas separadamente, mas não esclarece a origem de todas as divergências. Um relato conflitante aponta alta de 20,4% nas importações de setembro, em vez de 31%, e informa superávits em dólares substancialmente menores.

O superávit está perto de outro recorde anual?

A maioria dos relatos situa o superávit comercial de bens da China entre janeiro e setembro em cerca de US$ 938 bilhões; um deles informa o valor mais preciso de US$ 938,11 bilhões. Os relatos comparam esse resultado ao recorde de US$ 1,2 trilhão registrado em todo o ano anterior.

Com base nesses números, o superávit havia alcançado cerca de 78,2% do recorde anual anterior após nove meses. Para superar US$ 1,2 trilhão, seria necessário registrar mais de aproximadamente US$ 261,9 bilhões no último trimestre, ou uma média superior a US$ 87,3 bilhões por mês. Trata-se de um cálculo, não de uma previsão, que pressupõe que os números sejam comparáveis.

O relato conflitante informa, em vez disso, um superávit de US$ 90,45 bilhões em setembro, de US$ 76,5 bilhões em agosto e um saldo de US$ 875 bilhões entre janeiro e setembro. Este último é comparado ao recorde anual anterior de US$ 992,1 bilhões. A maioria dos outros relatos aponta saldos de US$ 133,5 bilhões em setembro e US$ 119,1 bilhões em agosto.

Ambos os relatos descrevem um superávit crescente, mas divergem significativamente quanto ao seu tamanho e ao recorde que poderia superar. Não há uma conciliação entre eles. Com base nos números mensais mais amplamente divulgados, o superávit aumentou US$ 14,4 bilhões, ou cerca de 12,1%, entre agosto e setembro.

Comércio de tecnologia responde por boa parte da expansão

Na coletiva de imprensa de 14 de outubro, o Gabinete de Informação do Conselho de Estado descreveu os primeiros nove meses como o período de crescimento comercial comparável mais rápido da China em cinco anos. O dado mais revelador foi a concentração do crescimento em um grupo de produtos da indústria de alta tecnologia.

As importações e exportações combinadas de robôs industriais, componentes eletrônicos, peças de computador e equipamentos elétricos superaram 10 trilhões de yuans, alta de 58,9%. Sua contribuição de 11,3 pontos percentuais correspondeu a cerca de 60% do aumento de 18,8% no comércio total de bens. O valor comercial desse grupo representou mais de um quarto do total de 39,94 trilhões de yuans.

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Esses números medem a soma das importações e exportações, não apenas as exportações. Eles mostram que a demanda por tecnologia movimenta bens nos dois sentidos, incluindo componentes usados pelos fabricantes e produtos acabados vendidos no exterior.

A maioria dos relatos aponta crescimento de 108,1% no valor das exportações de semicondutores entre janeiro e setembro, de 54,6% nos equipamentos e peças para processamento automático de dados e de 54,3% nas exportações de automóveis. Um relato conflitante informa altas bem menores, de 24%, 23,5% e 23,2%, respectivamente. A direção do movimento é a mesma, mas sua magnitude permanece indefinida.

As marcas chinesas também avançaram. Suas exportações cresceram 26,7% e representaram 24,8% do total, aumento de dois pontos percentuais. Isso situa sua participação um ano antes em 22,8% e mostra que as exportações de marcas cresceram mais rapidamente do que as exportações em geral.

Valor das exportações de chips cresce muito mais que o volume embarcado

Os números de semicondutores de setembro ilustram por que o aumento do valor comercial não significa necessariamente uma alta comparável nos embarques físicos. Um relato aponta aumento de 136% no valor das exportações de placas de circuito integrado, acompanhado de alta de apenas 1% no número de unidades exportadas. Outro informa que as exportações de circuitos integrados chegaram a US$ 44,95 bilhões, também com alta de 136%.

As descrições das categorias diferem, portanto elas não devem ser tratadas automaticamente como idênticas. Ainda assim, a grande diferença entre o crescimento do valor e o do número de unidades alerta para o risco de interpretar a porcentagem em destaque como medida do volume de produção. Mudanças nos preços e na composição dos produtos vendidos podem aumentar as receitas de exportação.

A demanda relacionada à infraestrutura de inteligência artificial deu sustentação aos embarques chineses de tecnologia. A alta dos preços dos semicondutores também contribuiu para o valor das exportações. Os dados comerciais não isolam quanto do aumento veio de preços mais altos, produtos mais caros ou unidades adicionais.

Desdobramentos empresariais relacionados apontam para o dinheiro que está entrando nesse mercado. A ChangXin Memory Technologies, ou CXMT, teria captado pelo menos US$ 8,6 bilhões antes de sua estreia na Bolsa de Xangai, com as ações subindo 466% no primeiro dia de negociação. Sua participação informada nos embarques globais de DRAM foi de cerca de 9% no primeiro trimestre. DRAM é um tipo de memória usado para armazenar dados temporariamente enquanto os sistemas de computação estão em operação.

Também foi noticiado que a Tencent fechou um acordo de cerca de US$ 7 bilhões, com duração de cinco anos, para alugar o acesso a aproximadamente 100 mil chips de IA por meio de centros de dados da Oracle no Sudeste Asiático. Esse acordo diz respeito à capacidade de computação no exterior, não a chips importados fisicamente para a China. Nem essa transação nem a estreia na bolsa podem ser contabilizadas diretamente como exportações de bens.

Veículos enfrentam forte demanda e limites europeus mais rigorosos

As exportações de veículos da China cresceram 56,3% em setembro, chegando a 1,18 milhão de unidades, enquanto seu valor aumentou 62%. Separadamente, foi informado que as exportações de automóveis de passeio subiram 64%. Essas medidas abrangem categorias diferentes e não devem ser usadas uma no lugar da outra.

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O aumento mais rápido do valor das exportações do que do número de veículos sugere uma alta na receita média por unidade, embora os números, por si só, não permitam distinguir mudanças de preços de uma migração para modelos mais caros. Veículos elétricos e híbridos foram apontados como fatores que contribuíram para a demanda.

O comissário de Comércio da União Europeia, Maroš Šefčovič, disse que um acordo com Pequim previa reduzir pela metade as importações de carros híbridos chineses pelo bloco nos próximos anos, após conversas com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao. Os detalhes das medidas eram esperados para dezembro. O cronograma exato, as regras de aplicação e o critério para medir a redução não foram definidos.

Esse calendário pode incentivar os exportadores a antecipar os embarques antes da entrada em vigor das restrições. Também significa que um mês forte não demonstraria necessariamente que a demanda poderia manter o mesmo ritmo após o início dos novos limites.

Ecaterina Bigos, estrategista sênior de mercado da BNP Paribas Asset Management, disse que os esforços para reequilibrar o comércio europeu atingem diretamente exportações chinesas de alto valor. Ela também alertou que a expansão das vendas no Sudeste Asiático e na América Latina não poderia substituir totalmente a demanda ocidental. Um relato conflitante atribui avaliação semelhante a Catherine Gigas, da Pictet Asset Management, e identifica as medidas dos Estados Unidos como a pressão direta.

Importações revelam um quadro mais desigual

As importações cresceram mais do que as exportações nos primeiros nove meses em yuans, mas isso não significa que a demanda tenha se fortalecido de maneira uniforme entre produtos ou parceiros comerciais. A China registrou altas nas importações e exportações com mais de 120 países e regiões. Entre os parceiros que têm acordos de livre comércio com o país, mais de 70% registraram crescimento nos dois sentidos.

Segundo os relatos, as exportações cresceram para todos os principais países acompanhados pela alfândega, enquanto as importações da Malásia, da Alemanha e do Reino Unido caíram. Foi informado que as exportações para os Estados Unidos aumentaram quase 39,6% em setembro, mais rapidamente do que as exportações totais em dólares. Outro relato descreve os embarques para os Estados Unidos como pressionados, mas não apresenta um número mensal comparável; portanto, não confirma uma queda em setembro.

As compras de energia recuaram em volume físico. Os volumes de importação de petróleo bruto caíram dois dígitos pelo sexto mês consecutivo, embora o valor tenha subido pela primeira vez desde maio. Foi informado que os volumes de importação de petróleo bruto e gás natural caíram desde o início do ano.

Os volumes de exportação de terras raras e fertilizantes também caíram nos três primeiros trimestres, enquanto as importações de fertilizantes dispararam. Controles de exportação e formação de estoques foram apontados como fatores. Em conjunto, esses movimentos mostram por que uma grande alta no valor total das importações não é prova suficiente de uma recuperação ampla da demanda interna.

Os padrões de transporte também mudaram. A participação do transporte rodoviário no comércio de bens aumentou 3,4 pontos percentuais, enquanto o comércio por frete aéreo cresceu 37,2%. A coletiva relacionou essas mudanças à intensificação do comércio regional e ao aumento dos embarques de produtos de tecnologia, bens de alto valor e produtos agrícolas frescos.

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Negociações comerciais criam um calendário cheio

Acordos diplomáticos estão moldando as condições para o último trimestre. Os relatos descrevem uma cúpula em setembro, em Washington, entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump, que prorrogou uma trégua tarifária e acordou cortes de tarifas sobre US$ 30 bilhões em produtos de cada lado. O total combinado é de US$ 60 bilhões. Um relato conflitante menciona apenas US$ 30 bilhões, sem esclarecer se o valor se refere a um lado ou ao total.

A sequência de acontecimentos relatada é:

  • Setembro: Xi e Trump concordaram em prorrogar a trégua tarifária e reduzir tarifas sobre produtos selecionados.
  • Início de outubro: Conversas entre a Europa e Pequim resultaram no anúncio de um acordo sobre as exportações chinesas de veículos híbridos.
  • 14 de outubro: A China apresentou os dados comerciais de bens dos três primeiros trimestres.
  • 15 de outubro: A Feira de Cantão estava programada para começar, reunindo fabricantes e compradores estrangeiros.
  • Na semana seguinte: A China deveria divulgar os números do crescimento econômico de julho a setembro.
  • Dezembro: Eram esperados detalhes das medidas europeias sobre o comércio de veículos híbridos.
  • Janeiro: Um relato apontou o mês como o fim da prorrogação mais ampla da trégua tarifária.

Os Estados Unidos também conduziam uma investigação sobre o excesso de capacidade industrial envolvendo a China e outros parceiros comerciais. A questão é se a capacidade de produção excede a demanda sustentável e leva ao envio de volumes excepcionalmente grandes de produtos para mercados estrangeiros.

As taxas de câmbio continuam sendo outro ponto de disputa. O banco central da China rejeitou alegações de que mantém deliberadamente o yuan desvalorizado para obter vantagem comercial. Os críticos argumentam que uma moeda mais fraca torna os produtos chineses mais baratos no exterior. Os totais do comércio, por si só, não permitem determinar quanto as oscilações cambiais contribuíram para o crescimento das exportações.

Exportações fortes não resolvem o desafio do crescimento interno

As exportações deram sustentação à atividade econômica enquanto o consumo e o investimento permaneciam fracos e a retração do setor imobiliário continuava. Pedidos externos fortes podem manter as fábricas em atividade, mas os dados do comércio de bens não medem os gastos das famílias nem demonstram que a fraqueza interna tenha chegado ao fim.

A maioria dos relatos aponta uma meta de crescimento econômico da China para 2026 entre 4,5% e 5% e afirma que o Fundo Monetário Internacional reduziu sua projeção em 0,1 ponto percentual, para 4,5%. Um relato conflitante informa uma previsão de 4,8% do FMI e uma meta pouco clara, internamente, de 5% a 5%. Essas diferenças permanecem sem solução e não devem ser apresentadas como uma única previsão confirmada.

Entre as medidas descritas para estimular a demanda interna estavam subsídios para o pagamento de juros hipotecários a compradores de imóveis. A divulgação dos dados econômicos trimestrais prevista para breve deveria oferecer uma avaliação mais ampla do crescimento do que apenas os números da alfândega.

Max Zenglein, economista sênior para a Ásia-Pacífico do The Conference Board, apontou o investimento global em inteligência artificial como uma importante fonte de incerteza para o setor exportador:

"Uma desaceleração do ciclo global de investimentos em IA poderia representar uma ameaça maior ao crescimento das exportações da China do que as restrições comerciais impostas por outros países", disse Max Zenglein.

A tensão central pode ser medida: os produtos de tecnologia contribuíram com cerca de 60% do aumento no comércio total de bens, mas essa concentração também deixa o crescimento estreitamente ligado às decisões de investimento no exterior. As medidas sobre veículos previstas para dezembro e a próxima divulgação econômica eram os testes programados mais claros para saber se a força externa poderia continuar em paralelo a uma recuperação interna.

Principais pontos

  • A China informou que o comércio de bens somou 39,94 trilhões de yuans entre janeiro e setembro de 2026, alta de 18,8%.
  • As exportações chegaram a 23,2 trilhões de yuans e as importações, a 16,74 trilhões de yuans, resultando em um superávit calculado de 6,46 trilhões de yuans.
  • Grupos de produtos da indústria de alta tecnologia contribuíram com 11,3 pontos percentuais para o crescimento total do comércio.
  • O comércio de setembro chegou a 5,16 trilhões de yuans, e foi informado que as exportações em dólares cresceram 36,3%.
  • Os relatos divergem sobre os superávits em dólares, o crescimento do setor de semicondutores e a projeção do FMI.
  • Os detalhes das medidas europeias sobre veículos híbridos eram esperados para dezembro.
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