Registros de clientes em risco em três marcas de delivery
A Ride On Express Holdings anunciou em 13 de outubro de 2026 que até aproximadamente 6,5 milhões de registros com informações pessoais cadastradas nos sites e aplicativos oficiais da Gin no Sara, Kamatora e Sushi Joto podem ter sido expostos após um ataque cibernético a um servidor externo. Entre as informações potencialmente afetadas estão endereços residenciais, números de telefone, datas de nascimento, hashes de senhas e históricos de pedidos.
Conteúdo
- Registros de clientes em risco em três marcas de delivery
- Como o incidente se desenrolou
- Quais informações podem ter sido afetadas?
- O que significa o alerta sobre senhas
- Quais canais de pedido continuam disponíveis
- Alertas e linha exclusiva de atendimento
- Uma interrupção separada na nuvem afetou 495 organizações
- O que está confirmado e o que ainda não foi esclarecido?
- Principais pontos
A empresa não confirmou que os invasores tenham obtido as informações. Até o momento do anúncio, os investigadores não haviam encontrado evidências claras de vazamento nem determinado se houve divulgação ou qual seria o volume de informações envolvidas. O número de 6,5 milhões é o total máximo de registros potencialmente afetados, não uma contagem confirmada de registros roubados nem um número declarado de pessoas distintas.
Em seu terceiro comunicado sobre o incidente, a Ride On Express Holdings afirmou que a operadora do servidor relatou um ataque de ransomware e, posteriormente, alertou que seria difícil recuperar ou restaurar os dados confiados a ela. Os pedidos pelos sites oficiais e aplicativos para smartphone das três marcas continuavam suspensos, sem previsão de retomada.
O segundo comunicado sobre o incidente, divulgado pela empresa em 13 de outubro, também informou sobre a possível exposição, após o primeiro comunicado, em 8 de outubro. A empresa pediu desculpas aos clientes, parceiros comerciais e demais pessoas afetadas e disse ter decidido notificar os clientes potencialmente afetados, embora a investigação ainda não tivesse confirmado um vazamento nem determinado seu alcance.
A divulgação ampliou o alcance de um incidente inicialmente apresentado como uma interrupção de serviço em 7 de outubro. Também estendeu a possível exposição para além dos titulares de contas: dados de familiares e de destinatários de entregas podem ter sido afetados quando os clientes os informaram. As informações de cartão de crédito estão excluídas porque, segundo a empresa, ela não as armazena.
Como o incidente se desenrolou
A cronologia da empresa começa antes de os sistemas de pedidos ficarem indisponíveis. A Ride On Express Holdings disse ter detectado acessos não autorizados de terceiros aos servidores que utilizava a partir de 5 de outubro e iniciado a apuração da rota do ataque e dos possíveis danos.
Uma falha no sistema ocorreu em alguns servidores na madrugada de 7 de outubro. Depois que a operadora do servidor informou sobre um ataque de ransomware, a Ride On Express Holdings interrompeu seus sistemas e criou uma equipe de resposta a emergências naquele mesmo dia. A equipe começou a investigar uma possível divulgação de informações e a avaliar medidas para evitar novos danos aos clientes.
- A partir de 5 de outubro de 2026: foram detectados acessos não autorizados, o que levou à investigação da rota do ataque e dos possíveis danos.
- 7 de outubro: alguns servidores apresentaram falhas no início da manhã. A operadora informou sobre ransomware, a Ride On Express Holdings suspendeu os sistemas e uma equipe de resposta a emergências foi criada.
- A partir de 8 de outubro: estavam disponíveis pedidos por telefone, pedidos para retirada nas lojas e pedidos pelo Demae-can e Uber Eats. Os cardápios e a busca por lojas nos sites oficiais também funcionavam.
- 13 de outubro: a empresa informou que até aproximadamente 6,5 milhões de registros poderiam ter sido expostos, embora ainda não tivesse confirmado um vazamento nem determinado seu alcance.
A empresa disse que a divulgação de 13 de outubro foi decidida após discussões em sua equipe de resposta a emergências. Decidiu informar os clientes potencialmente afetados enquanto a investigação ainda não tinha sido concluída, em vez de esperar pela confirmação de que as informações haviam sido roubadas.
Quais informações podem ter sido afetadas?
A possível exposição abrange pessoas que já cadastraram informações nos sites ou aplicativos oficiais de qualquer uma das três marcas. O comunicado não restringe o alerta a pedidos recentes ou a clientes com contas ativas e não especifica a data mais antiga de cadastro incluída.
As informações listadas incluem nomes, endereços, números de telefone, endereços de e-mail, gênero, datas de nascimento, hashes de senhas, históricos de pedidos e IDs de membros do Deli Point. O Deli Point é o programa de fidelidade compartilhado pelas três marcas.
Os nomes e as datas de nascimento de familiares também podem ter sido afetados, caso os clientes tenham informado esses dados. Nomes, endereços e números de telefone registrados para destinos de entrega também podem estar incluídos. Isso significa que a possível exposição alcança pessoas cujas informações foram inseridas por um titular de conta, mesmo que elas próprias não tenham criado uma conta.
Clientes que fizeram pedidos somente pelo Demae-can, Uber Eats ou telefone estão fora do escopo informado. A palavra somente é importante: usar um desses canais não exclui quem também tenha cadastrado informações anteriormente em um site ou aplicativo oficial.
O que significa o alerta sobre senhas
A Ride On Express Holdings lista hashes de senhas entre os dados potencialmente afetados. A empresa descreve essas informações como criptografadas e ilegíveis na forma em que estão armazenadas. Um hash de senha é uma representação transformada de uma senha, e não a senha escrita em texto comum.
A redação exata do segundo comunicado sobre o incidente é: “パスワードは暗号化されており、そのままでは読み取りできない情報です。” Em português: “As senhas são criptografadas e não podem ser lidas tal como estão.”
Essa diferença reduz a utilidade imediata de um valor armazenado para um invasor, mas não significa que todas as senhas estejam protegidas. Dependendo do método de hash e da própria senha, os invasores podem tentar encontrar correspondências testando combinações. O comunicado não revela o método de hash nem outras proteções técnicas, portanto não permite avaliar especificamente a resistência desses valores a esse tipo de tentativa.
A exclusão das informações de cartão de crédito é uma questão à parte. A empresa diz que não armazena esses dados, por isso eles não estão incluídos na possível exposição relacionada a este incidente. Isso não elimina os riscos associados a dados de contato, endereços de entrega ou históricos de pedidos, que podem tornar mensagens fraudulentas mais convincentes.
Quais canais de pedido continuam disponíveis
A interrupção do serviço não significa que todos os pedidos tenham sido suspensos. A Ride On Express Holdings informou que, a partir de 8 de outubro, os clientes poderiam fazer pedidos por telefone, solicitar pedidos para retirada nas lojas ou usar o Demae-can e o Uber Eats.
Os cardápios e a busca por lojas nos sites oficiais também estavam funcionando. Essas funções permitem que os clientes consultem os produtos e encontrem estabelecimentos, embora os recursos de pedido dos sites continuassem suspensos.
Os pedidos pelos aplicativos oficiais para smartphone também estavam indisponíveis. Até o comunicado de 13 de outubro, a empresa não tinha previsão de retomada de nenhum dos dois canais oficiais de pedido e disse que divulgaria atualizações quando houvesse novidades. Na prática, era possível consultar o cardápio ou localizar uma loja, mas para concluir um pedido era necessário usar um dos canais ainda disponíveis.
Alertas e linha exclusiva de atendimento
A Ride On Express Holdings disse não ter confirmado danos secundários decorrentes do uso indevido de informações pessoais. Ainda assim, pediu aos clientes que tivessem cautela com ligações e e-mails suspeitos, especialmente mensagens que solicitem uma senha ou tenham assunto desconhecido ou conteúdo inesperado.
A recomendação da empresa é não responder a e-mails suspeitos nem clicar em seus links, além de apagá-los. O alerta trata de uma possível consequência da exposição, não de evidências de que uma campanha específica de mensagens fraudulentas já tenha sido relacionada ao incidente.
A empresa criou uma linha de atendimento para consultas sobre informações de clientes, pelo número 0120-782-272. O horário divulgado é das 10h às 20h todos os dias até 15 de novembro e, a partir de 16 de novembro, das 10h às 20h nos dias úteis.
O segundo comunicado sobre o incidente informa um contato corporativo separado para consultas: o diretor e vice-presidente executivo Kazumasa Watanabe (渡邊一正), pelo telefone 03-5444-3625. Esse contato é diferente da linha de atendimento aos clientes.
A Ride On Express Holdings também disse que enviaria pedidos de desculpas e orientações aos clientes potencialmente afetados gradualmente. A empresa não informou uma data para concluir as notificações. Quem tiver dúvidas sobre a inclusão de seus dados cadastrados anteriormente no alerta pode ligar para o número exclusivo de atendimento.
Uma interrupção separada na nuvem afetou 495 organizações
Um incidente de ransomware no serviço IDCF Cloud, da IDC Frontier, ocorreu no mesmo período. Subsidiária da SoftBank, a IDC Frontier opera a plataforma. A interrupção afetou 495 empresas e organizações, mostrando como uma falha em um serviço de nuvem compartilhado pode paralisar operações que, de outra forma, não teriam relação entre si.
Alguns servidores virtuais de parte da plataforma na Região 1 do Leste do Japão pararam de funcionar por volta das 3h40 de 7 de outubro. Servidores virtuais são ambientes computacionais que operam em uma infraestrutura física compartilhada. A IDC Frontier disse que seria difícil recuperar ou restaurar os dados armazenados na zona afetada.
A IDC Frontier confirmou ter detectado um ataque de terceiros e que se tratava de um ataque de ransomware. A Região 1 do Leste do Japão afetada fica em Shirakawa, na província de Fukushima. A empresa disse que, naquele momento, o impacto confirmado estava restrito àquela região e que também verificava a segurança das demais áreas.
A interrupção foi além dos sites. Uma subsidiária de logística da produtora de alimentos Nissui disse que não conseguia receber nem enviar mercadorias em nenhum de seus 17 centros de distribuição no Japão. Sites de órgãos do governo local e da sede da polícia na província de Ibaraki também ficaram inacessíveis.
A IDC Frontier disse ter desligado o sistema afetado para evitar novos danos e estar verificando se houve vazamento de informações. No entanto, a Ride On Express Holdings não identificou a operadora de seu servidor. A proximidade entre as datas e os alertas sobre a recuperação dos dados não comprovam que o incidente da empresa de restaurantes tenha ocorrido na IDCF Cloud.
O que está confirmado e o que ainda não foi esclarecido?
Os eventos confirmados no relato da Ride On Express Holdings são a detecção de acessos não autorizados, as falhas nos servidores, o relato de ransomware feito pela operadora, a suspensão dos sistemas e a dificuldade para recuperar ou restaurar os dados armazenados. Ainda não foi esclarecido se houve divulgação efetiva de informações pessoais.
A perda de acesso aos dados e o roubo de dados são situações diferentes. O ransomware pode impedir que usuários legítimos acessem arquivos ou sistemas; um vazamento de informações ocorre quando os dados chegam a terceiros não autorizados. A evidência de uma situação, por si só, não comprova a outra. Essa distinção explica por que a empresa pode informar uma grave interrupção de serviço e, ao mesmo tempo, tratar os 6,5 milhões de registros como potencialmente expostos.
A empresa disse ter comunicado o incidente à Comissão de Proteção de Informações Pessoais do Japão e à delegacia de polícia responsável pela área. Também se comprometeu a reforçar suas medidas de segurança da informação, mas o comunicado não especificou mudanças técnicas, uma data para a conclusão da investigação ou um cronograma de recuperação.
O segundo comunicado sobre o incidente informou que a equipe de resposta a emergências trabalhava para restaurar os sistemas e adotava medidas para minimizar a interrupção das operações comerciais. Também disse que a empresa havia providenciado o direcionamento dos clientes aos canais de pedido disponíveis e previa que a retomada das operações e dos serviços normais levaria mais tempo. O comunicado não detalhou medidas técnicas específicas de segurança.
Assim, ainda há questões concretas sem resposta: se as informações saíram do ambiente afetado, quais registros estavam envolvidos, se os dados podem ser recuperados e quando os pedidos pelos canais oficiais serão retomados. O comunicado informa as datas de mudança no horário da linha de atendimento, mas não estabelece prazo para resolver essas questões.
Principais pontos
- Até aproximadamente 6,5 milhões de registros cadastrados nos sites e aplicativos da Gin no Sara, Kamatora e Sushi Joto podem ter sido afetados.
- Até 13 de outubro de 2026, não haviam sido encontradas evidências claras de vazamento, e sua ocorrência e seu alcance não estavam confirmados.
- Os dados potencialmente afetados incluem informações de contato, datas de nascimento, hashes de senhas, históricos de pedidos e algumas informações de familiares e destinatários de entregas.
- As informações de cartão de crédito estão excluídas. Clientes que fizeram pedidos somente por telefone, Demae-can ou Uber Eats estão fora do escopo informado.
- Os pedidos pelos sites e aplicativos oficiais continuavam suspensos, enquanto estavam disponíveis pedidos por telefone, para retirada nas lojas e por plataformas externas de entrega.
- O número de atendimento aos clientes é 0120-782-272, com horário divulgado das 10h às 20h.
- Um incidente separado na nuvem da IDC Frontier afetou 495 organizações, mas a Ride On Express Holdings não identificou a operadora de seu servidor.






