Processo de 44,1 trilhões de wons chega ao Parlamento
A disputa sobre os preços dos combustíveis na Coreia do Sul deixou de envolver apenas quanto os motoristas pagam nos postos e passou a questionar se os contribuintes poderiam indenizar refinarias por perdas calculadas com base em preços inflados por um suposto conluio. Em uma auditoria da Assembleia Nacional realizada em 12 de outubro de 2026, parlamentares interrogaram executivos das quatro principais refinarias do país, cinco dias depois de a Comissão de Comércio Justo (FTC, na sigla em inglês) iniciar as deliberações sobre um caso que envolve 44,1 trilhões de wons em vendas relacionadas.
Conteúdo
- Processo de 44,1 trilhões de wons chega ao Parlamento
- O que os investigadores dizem que foi compartilhado
- Por que as empresas contestam o caso
- Investigações diferentes, valores diferentes
- Pedidos de desculpas após mensagens sobre lucros com a guerra
- Indenizações poderiam cobrir preços inflados?
- Os contratos por trás dos preços nos postos
- Compromissos sobre conformidade e telas nas bombas
- As provas e os próximos passos
- Principais pontos
As acusações dizem respeito à SK Energy e à HD Hyundai Oilbank. Investigadores da FTC afirmam que as empresas trocaram informações sobre preços de fevereiro de 2022 a março de 2026 e chegaram a um acordo sobre preços específicos de fornecimento em duas ocasiões em março. Juntas, elas detinham 49,1% do mercado doméstico de gasolina, diesel e querosene em 2025. Ainda não houve decisão definitiva sobre a existência de infração nem sobre a aplicação de penalidades.
Representantes da GS Caltex e da S-Oil também compareceram à Comissão de Assuntos Políticos da Assembleia Nacional. Embora essas empresas tenham sido investigadas, a FTC não as incluiu na proposta de sanções porque não foi comprovada sua participação no suposto conluio de preços.
A audiência reuniu três questões relacionadas: possível coordenação entre concorrentes, contratos que restringem as opções de compra dos postos e indenizações do governo no âmbito de um teto para os preços dos derivados de petróleo. Executivos pediram desculpas pelo custo dos combustíveis para a população e prometeram mudanças, enquanto parlamentares buscaram provas de que compromissos anteriores de fato alteraram as práticas comerciais.
O que os investigadores dizem que foi compartilhado
Em 7 de outubro, a secretaria da FTC apresentou seu relatório de análise à comissão e o enviou à SK Energy e à HD Hyundai Oilbank. O documento reúne as conclusões dos investigadores e recomendações de medidas corretivas e multas. Ele dá início ao processo de deliberação, mas não estabelece culpa.
As supostas trocas envolveram preços provisórios e finais de fornecimento e políticas comerciais, incluindo descontos, para gasolina, diesel e querosene. Segundo os investigadores, as trocas continuaram por cerca de quatro anos, começando pouco antes da invasão russa da Ucrânia. Eles também alegam que houve dois acordos sobre preços específicos de fornecimento em março de 2026, em meio ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã.
A distinção é importante porque a maior parte da estimativa de vendas de 44,1 trilhões de wons da FTC está relacionada ao período de suposta troca de informações, e não aos dois supostos acordos de preços. O valor não é uma multa nem um cálculo de lucros indevidos ou prejuízos aos consumidores.
Os investigadores da FTC classificaram a conduta alegada como uma infração grave às regras da Lei de Regulação do Monopólio e do Comércio Justo que proíbem a fixação de preços e a troca de informações. Segundo as diretrizes de penalidades citadas, a multa pode chegar a 10,5% das vendas relevantes. Aplicar essa taxa aos 44,1 trilhões de wons resultaria em um máximo teórico combinado de 4,6305 trilhões de wons. O valor final pode ser consideravelmente menor, dependendo da conduta, do período e das vendas reconhecidas durante as deliberações.
Por que as empresas contestam o caso
As refinarias argumentam que os investigadores trataram informações comuns de mercado e práticas comerciais consolidadas como provas de conluio. A principal linha de defesa é que os preços provisórios já eram comunicados aos clientes, circulavam entre os proprietários dos postos e só eram compartilhados depois de cada empresa definir seus preços de forma independente.
A HD Hyundai Oilbank nega que as trocas tenham influenciado suas decisões de preços. Também contesta os supostos acordos de março, afirmando que essa conclusão se baseia nas declarações de um funcionário de uma empresa concorrente. A SK Energy diz que explicará os fatos e sua posição durante o processo na FTC.
O setor também aponta os custos semelhantes e os preços internacionais do petróleo como motivos pelos quais os preços dos concorrentes podem variar de forma parecida. Movimentos paralelos nos preços, por si só, não esclarecem se as empresas reagiram de forma independente às mesmas condições de mercado ou coordenaram suas decisões. O processo deve examinar as trocas e as provas que sustentam os supostos acordos.
Outro ponto da defesa diz respeito a uma transferência de ativos realizada em 2020. A SK Networks transferiu cerca de 200 postos de combustíveis próprios, outros ativos comerciais e funcionários relacionados para a HD Hyundai Oilbank. Argumentos do setor sugerem que algumas comunicações eram contatos rotineiros entre ex-colegas. Essa explicação não resolve a questão jurídica, mas faz parte da disputa sobre como os investigadores devem interpretar as mensagens.
Investigações diferentes, valores diferentes
A FTC e os promotores apresentaram períodos e valores financeiros diferentes. Segundo relatos, os promotores examinaram trocas de informações de julho de 2024 a fevereiro de 2026, seguidas de coordenação sobre o momento e a magnitude dos aumentos nos preços de fornecimento em março. O período de suposta troca de informações da FTC começa antes, em fevereiro de 2022.
Os promotores identificaram 14,2 trilhões de wons em transações diretamente ligadas à suposta fixação de preços entre a SK Energy e a HD Hyundai Oilbank. Uma estimativa mais ampla, de 26 trilhões de wons, incluiu os efeitos sobre a concorrência após aumentos de preços da GS Caltex e da S-Oil. A FTC calculou 44,1 trilhões de wons em vendas relacionadas, abrangendo em grande parte o período mais longo de troca de informações. Esses valores medem coisas diferentes e não devem ser somados.
Os relatos divergem sobre a descrição dos processos criminais de julho. Uma versão afirma que as quatro refinarias foram denunciadas com base na Lei de Comércio Justo, mas também diz que o acompanhamento dos aumentos de preços dos concorrentes foi excluído das acusações criminais. Outra distingue as acusações de conluio de preços contra a SK Energy e a HD Hyundai Oilbank das acusações contra a GS Caltex e a S-Oil, relacionadas a contratos de fornecimento e práticas de liquidação. Outros relatos dizem que a GS Caltex e a S-Oil foram excluídas das acusações de conluio de preços.
A distinção confirmada é que a GS Caltex e a S-Oil estão fora da atual proposta de sanção da FTC por conluio de preços. Isso não determina a situação de todas as acusações separadas relacionadas a seus contratos de distribuição.
A FTC também explicou que sua investigação e a investigação criminal eram independentes e poderiam envolver provas e critérios diferentes para estabelecer uma infração. Portanto, a estimativa administrativa mais ampla de vendas não prova, por si só, que os promotores subestimaram os prejuízos aos consumidores.
Pedidos de desculpas após mensagens sobre lucros com a guerra
O deputado Min Byeong-deok, do Partido Democrático, questionou as refinarias sobre mensagens de funcionários que pareciam celebrar as oportunidades comerciais criadas pela guerra. Entre as mensagens citadas na auditoria havia referências a aumentar os preços em mais 100 wons e ganhar 2 trilhões de wons em um ano.
Min também questionou por que os preços domésticos dos combustíveis pareciam subir rapidamente quando os preços internacionais aumentavam, mas caíam mais devagar quando diminuíam. Ele perguntou se as refinarias deveriam cobrar imediatamente mais pelo combustível produzido com petróleo bruto importado antes do conflito. Foram questionamentos parlamentares sobre práticas de preços, não conclusões de que um aumento específico tenha sido ilegal.
O presidente-executivo da HD Hyundai Oilbank, Song Myeong-jun, pediu desculpas pelo impacto sobre os consumidores durante a alta. Ele disse à comissão:
Peço desculpas pelo peso que a disparada dos preços do petróleo deve ter imposto à população.
O vice-presidente da S-Oil, Lee Geon-myeong, também pediu desculpas, mencionando o impacto da crise no Estreito de Ormuz. O presidente-executivo da SK Energy, Kim Jong-hwa, prometeu rever os contratos de compra exclusiva, enquanto o vice-presidente da GS Caltex, Kim Chang-soo, disse que a empresa estava revisando as condições comerciais pertinentes.
O deputado Park Jun-tae, do Partido do Poder Popular, questionou se uma conduta da escala alegada poderia ter ocorrido sem o envolvimento da administração. Kim e Song responderam que acompanhariam ou participariam devidamente dos procedimentos pertinentes. A audiência não estabeleceu o que os executivos sabiam antecipadamente sobre as supostas trocas.
O impacto nas contas dos motoristas também não foi quantificado. Oh Haeng-rok, diretor-geral do Departamento de Investigação de Cartéis da FTC, disse que os investigadores ainda não haviam analisado com precisão o efeito nos preços nos postos. Mesmo assim, afirmou que as mudanças nos preços cobrados dos postos provavelmente afetaram, em alguma medida, os preços pagos pelos consumidores.
Indenizações poderiam cobrir preços inflados?
O deputado Park Seong-hun, do Partido do Poder Popular, concentrou-se nas indenizações do governo por perdas no âmbito do teto para os preços dos derivados de petróleo. Um teto limita o preço que um fornecedor pode cobrar. Por isso, os cálculos de indenização precisam distinguir as perdas reconhecidas pelo programa dos lucros que uma empresa poderia esperar obter de outra forma.
Park pediu que a SK Energy divulgasse o valor da indenização reivindicada e os cálculos correspondentes. Também questionou se a reivindicação incluía lucros esperados além das perdas efetivas e se a empresa devolveria valores excessivos caso o conluio fosse confirmado.
Kim disse que os documentos de liquidação haviam sido enviados ao comitê responsável e que os detalhes estavam em discussão. Ele não divulgou o valor reivindicado nem a base de cálculo, e também não assumiu um compromisso claro de devolver qualquer quantia que posteriormente fosse considerada injustificada.
O presidente da FTC, Joo Byeong-ki, concordou em coordenar com o Ministério do Comércio, Indústria e Energia para que os dados de preços e as conclusões da investigação da comissão pudessem embasar as verificações das indenizações. A preocupação é específica: se um preço de referência tiver sido inflado por conluio, usá-lo no cálculo de perdas poderia permitir que dinheiro público cobrisse um ganho indevido.
As indenizações poderiam ser reavaliadas e pagamentos excessivos, eventualmente recuperados, caso as infrações fossem confirmadas. Ainda não foi determinado se houve pagamentos excessivos nem o valor que poderia ser recuperado. Min também citou um orçamento suplementar de 16 trilhões de wons como parte da resposta do governo às dificuldades da população, mas esse valor não foi identificado como a quantia destinada às indenizações das refinarias.
Os contratos por trás dos preços nos postos
A auditoria examinou duas práticas que afetam a forma como os postos compram combustível. Contratos de compra exclusiva vinculam um posto a uma determinada refinaria e restringem sua possibilidade de adquirir combustível mais barato de outros fornecedores. Já a liquidação posterior dos preços significa que o posto pode receber e vender combustível antes de saber qual será o custo final de compra.
No sistema de liquidação descrito no caso, a refinaria aplica inicialmente um preço provisório, às vezes chamado de preço de depósito. O preço final é definido no início do mês seguinte, quando a diferença é acertada. Assim, o posto pode definir o preço de venda ao público com base em um custo que ainda está sujeito a alterações.
Em conjunto, essas práticas podem limitar a capacidade do posto de comparar fornecedores: ele pode não ter liberdade para trocar de fornecedor nem certeza sobre o preço que está comparando. Essa é uma preocupação concorrencial distinta da questão de saber se as refinarias coordenaram ilegalmente os preços entre si.
Um acordo de 9 de abril permite que um posto que compre pelo menos 60% do combustível da refinaria com a qual tem contrato adquira até 40% de outros fornecedores. O acordo também prevê, como regra geral, o fim da liquidação posterior dos preços e a divulgação antecipada dos preços de referência diários. Os relatos identificam de formas diferentes a associação do setor envolvida: a descrição original menciona a Associação Coreana do Petróleo, enquanto relatos detalhados do acordo mencionam a Associação Coreana de Postos de Combustíveis.
Em agosto, a FTC revisou o contrato padrão de intermediação da distribuição de derivados de petróleo para incluir as mudanças. As cláusulas proíbem desvantagens no preço ou no volume de fornecimento pelo fato de o posto comprar de outros fornecedores. Em geral, os preços devem ser fixados no momento do pedido. Se o posto solicitar uma liquidação posterior, ela deverá ser concluída em até sete dias.
O contrato padrão é recomendado, não obrigatório. Seis meses após o acordo, Min pediu uma verificação da implementação, e Joo afirmou que a comissão verificaria o cumprimento e apresentaria um relatório. O que importa é saber se as opções de compra e a previsibilidade dos preços mudaram nos contratos efetivamente usados, e não apenas se novas condições foram publicadas.
Compromissos sobre conformidade e telas nas bombas
Em 8 de outubro, a SK Energy anunciou um programa de reformas que inclui confirmação e divulgação antecipadas dos preços semanais de fornecimento, o fim da liquidação posterior e controles mais rigorosos sobre contatos com concorrentes. A proposta de divulgação semanal é diferente do compromisso de publicar preços de referência diários firmado no acordo de abril. A audiência não esclareceu como as duas medidas seriam combinadas.
A empresa também prevê pelo menos duas horas anuais de treinamento sobre comércio justo para cada funcionário, com capacitação adicional para as equipes responsáveis por preços e vendas. Prometeu monitoramento contínuo das informações sobre preços e regras mais rigorosas de aprovação, comunicação e supervisão dos contatos comerciais com concorrentes.
Os parlamentares também examinaram as telas dos postos de autoatendimento. A preocupação era que, depois de o motorista selecionar o tanque cheio e a bomba parar automaticamente, instruções insuficientes pudessem levar a uma compra adicional.
A GS Caltex disse que concluiu as mudanças em todos os seus postos próprios de autoatendimento. Essa declaração não abrangeu todos os postos operados de forma independente que usam sua marca. A SK Energy planeja fazer melhorias até o fim de 2026, a HD Hyundai Oilbank está avaliando mudanças e a S-Oil disse que trabalhará com as empresas pertinentes para implementar um botão que interrompa o abastecimento imediatamente.
As provas e os próximos passos
A posição das refinarias no mercado torna o caso importante, mas não comprova as acusações. As participações de mercado informadas para 2025 foram de 28,1% para a SK Energy, 25,5% para a S-Oil, 23,3% para a GS Caltex e 21,0% para a HD Hyundai Oilbank. Juntas, elas respondem por cerca de 98% do mercado doméstico de gasolina, diesel e querosene. As duas empresas incluídas na proposta da FTC respondem por quase metade do mercado.
Um caso anterior sobre concorrência entre refinarias mostra por que as provas são importantes. Em 2011, a FTC aplicou penalidades por um suposto acordo para não contratar postos já abastecidos por concorrentes. Decisões posteriores da Suprema Corte anularam penalidades de 254,8 bilhões de wons contra a SK, a Hyundai Oilbank e a S-Oil, citando a falta de provas objetivas suficientes e problemas de confiabilidade das declarações que sustentavam o suposto acordo.
O caso anterior tratava da divisão de clientes entre postos, não das atuais acusações de troca de informações e acordos de preços em março. O resultado não decide este caso. O processo atual precisa estabelecer o que foi compartilhado, como isso afetou a concorrência e quais provas sustentam os dois supostos acordos.
As empresas têm oito semanas após receber os relatórios de análise para apresentar manifestações por escrito e consultar ou copiar as provas. Depois dos procedimentos de defesa, haverá uma reunião plenária da comissão. Não foi anunciada uma data para a reunião nem para a decisão final sobre as penalidades.
Os próximos pontos principais são a decisão jurídica da comissão, a verificação da implementação do acordo de abril e a coordenação sobre os cálculos das indenizações. Os prejuízos aos consumidores, as reivindicações de indenização das refinarias e qualquer valor que o governo possa recuperar continuam sem solução.
Principais pontos
- A auditoria parlamentar de 12 de outubro de 2026 examinou os preços dos combustíveis, os contratos das refinarias e as indenizações do governo.
- A SK Energy e a HD Hyundai Oilbank são alvo de acusações da FTC que abrangem trocas de informações de fevereiro de 2022 a março de 2026 e dois acordos de preços em março.
- O valor de 44,1 trilhões de wons representa vendas relacionadas, não multas, lucros indevidos ou prejuízos mensurados aos consumidores.
- A multa máxima teórica combinada é de aproximadamente 4,63 trilhões de wons. A responsabilidade e as penalidades ainda não foram decididas.
- A GS Caltex e a S-Oil foram excluídas da atual proposta de sanção da FTC por conluio de preços.
- As reformas contratuais permitem comprar até 40% de fornecedores alternativos, mas ainda é preciso verificar sua implementação.
- A FTC coordenará com o ministério responsável pelo setor para ajudar a evitar que ganhos injustificados sejam incluídos nas indenizações pelo teto de preços.
- As empresas têm oito semanas após receber os relatórios para apresentar defesas por escrito antes das deliberações da comissão.






