Um antigo palácio se torna o maior palco do Zutomayo
O Zutomayo levou 22 músicas, música tradicional da corte e um festival de comidas e artesanato locais ao Parque Histórico do Sítio do Palácio Heijo, em Nara, para sua maior produção até hoje. O evento dos dias 10 e 11 de outubro, chamado Bunkadenrai, recebeu, segundo relatos, 70 mil visitantes, embora outras fontes estimem o público em 60 mil ou 65 mil. Uma reportagem contabilizou explicitamente mais de 70 mil pessoas somando os shows e a área gratuita do festival.
Conteúdo
- Um antigo palácio se torna o maior palco do Zutomayo
- O que os números de público realmente mostram
- Por que ACAね escolheu esse lugar
- Uma apresentação de duas horas com poucas pausas
- Uma nova música chega pouco antes dos shows
- Entrada gratuita não significava participação sem limites
- Comidas locais aproximaram o festival de Nara
- Yamaha apresenta instrumentos tradicionais de uma nova maneira
- Proteção do sítio e ampliação do público
- De projeto musical anônimo à ambição de tocar no Dome
- Pontos principais
A distinção importa: não foi apenas um público de show reunido para uma apresentação noturna. O evento combinou apresentações com ingressos com oficinas diurnas, barracas de comida, exposições de instrumentos e um palco secundário gratuito. Os organizadores o descreveram como a primeira tentativa de realizar um grande show musical na área central Chodo-in do parque, com a cooperação da província de Nara e de outras entidades locais.
As páginas oficiais do evento e o comunicado da Yamaha datam a programação de 10 e 11 de outubro de 2026. O cenário era o antigo sítio de um palácio imperial com cerca de 1.300 anos de história, onde vestígios arqueológicos preservados permanecem sob o solo. Diante do imponente portão reconstruído Daigokumon, a vocalista e compositora ACAね apareceu usando uma máscara de raposa, enquanto o gagaku, a música tradicional da corte japonesa, acompanhava sua entrada.
A iluminação, um portão de santuário construído no palco e arranjos com instrumentos tradicionais japoneses levaram o universo visual noturno do grupo para a paisagem histórica. Mas o aspecto mais singular da produção foi tudo o que aconteceu além do palco: o Zutomayo procurou diretamente comerciantes e artesãos locais, consultou pesquisadores de arqueologia e financiou o evento, organizado de forma independente, sem patrocinador.
O que os números de público realmente mostram
Os relatos divergem quanto ao tamanho do público. Os números variam de 60 mil a mais de 70 mil pessoas ao longo de dois dias, enquanto outra fonte afirma que todos os 65 mil ingressos para os shows se esgotaram. Esses números não devem ser tratados como medidas equivalentes de público.
A distinção mais clara aparece em um relato que situa em mais de 70 mil o público combinado dos shows e da área gratuita. Outra fonte descreve 65 mil como o público total, e não apenas como o número de ingressos vendidos. O número de 60 mil aparece em outra reportagem sobre as duas apresentações.
Antes do evento, os organizadores esperavam receber mais de 30 mil visitantes por dia. A Yamaha também projetou mais de 60 mil pessoas ao longo do fim de semana. Eram previsões, não contagens finais. Os comunicados não apresentam uma divisão oficial final que detalhe ingressos para os shows, visitantes do festival ou o número de pessoas distintas.
A divergência não altera a escala relatada da maior produção do Zutomayo, mas limita a precisão do número em destaque. Para visitar a área gratuita, não era necessário ter ingresso para os shows, e um total acumulado em dois dias não representa necessariamente o mesmo número de pessoas diferentes.
Por que ACAね escolheu esse lugar
Em um comunicado oficial dos organizadores, ACAね e a equipe do Zutomayo explicaram que a proposta era conhecer um lugar antes de criar uma apresentação para ele, em vez de levar um show pronto a um espaço intercambiável. O Sítio do Palácio Heijo havia sido escolhido como destino durante o planejamento da turnê anterior.
O interesse de ACAね se concentrava nos vestígios da vida cotidiana e dos sentimentos das pessoas preservados em escritos antigos. O comunicado cita os mokkan, tabuletas de madeira usadas como registros escritos, e a coletânea de poemas Manyoshu como elos entre as pessoas do período Nara e as de hoje. Também menciona o intercâmbio cultural por meio das missões japonesas à China da dinastia Tang e da Rota da Seda.
Esse interesse deu ao evento um propósito mais específico do que usar um portão antigo como cenário impactante. As oficinas convidavam os visitantes a escrever em tabuletas de madeira, enquanto as comidas e exposições de instrumentos se inspiravam em registros históricos e técnicas artesanais transmitidas ao longo do tempo. A ideia era permitir que o público entrasse em contato com a história do local por meio de uma atividade, um objeto ou um som.
ACAね também reconheceu que, na escola, suas aulas de história muitas vezes se resumiam a memorizar às pressas mudanças políticas, conflitos e nomes. Ela esperava que o show desse às pessoas um motivo para revisitar essa história com curiosidade genuína. Não se mediu se isso despertou um interesse duradouro, mas a programação ofereceu várias maneiras práticas de começar.
Uma apresentação de duas horas com poucas pausas
A apresentação de 11 de outubro começou com Chikyu Sonzai Shinai Setsu e durou duas horas, com 22 músicas. O repertório incluiu Aitsura Zenin Dosokai e Tadashiku Narenai; outra reportagem também cita Byoshin wo Kamu e TAIDADA entre as músicas apresentadas. ACAね seguiu pelas primeiras 20 músicas sem uma pausa para falar.
O palco combinou referências à antiga Nara com a intensidade característica da banda. Um relato da abertura, em 10 de outubro, descreve a peça de gagaku Ryo o como um som que ecoava enquanto uma bobina de Tesla descarregava eletricidade. Músicos mascarados apareceram com ACAね, e a apresentação também incorporou danças bon odori e o mascote da província de Nara, Sento-kun.
Os relatos mencionam uma máxima de 29 graus Celsius durante o dia, seguida por um ambiente externo mais escuro, em que a iluminação do palco e os bastões luminosos do público criavam a atmosfera. Fogos de artifício encerraram o evento. Esses elementos fizeram da transição entre o festival diurno e o show noturno parte da própria produção.
ACAね, vocalista e força criativa do Zutomayo, agradeceu ao público por tornar possível aquela experiência compartilhada:
Muito obrigada por virem até aqui e me encontrarem neste lugar.
Ela também falou sobre a importância de estar no mesmo lugar e ao mesmo tempo, mencionando o solo, o vento, a temperatura e os sons dos insetos ao redor do público. Suas falas reconheceram inconvenientes práticos, como a baixa conectividade móvel, em vez de apresentar o festival como um espetáculo sem atritos.
Uma nova música chega pouco antes dos shows
O bis de 11 de outubro terminou com Akane Sasukoro, música lançada de surpresa em 8 de outubro. Ela também foi apresentada no show de 10 de outubro. Assim, uma novidade dividiu espaço com sucessos já conhecidos em um show dedicado à transmissão de palavras, sons e tradições antigas.
A sequência de anúncios e apresentações mostra como a programação tomou forma:
- Fevereiro do ano do evento: os organizadores fizeram um teste preliminar de nível de som no local.
- 29 de setembro de 2026: a Yamaha anunciou sua exposição e projetou mais de 60 mil visitantes ao longo de dois dias.
- De 2 a 4 de outubro: foram abertas as inscrições para o sorteio antecipado de ingressos para oficinas e atividades.
- 7 de outubro: os organizadores alertaram que a procura pelas oficinas deveria superar em muito a capacidade.
- 8 de outubro: Akane Sasukoro foi lançada de surpresa.
- 9 de outubro: uma oficina separada de tabuletas de madeira foi anunciada no Tenpyo Mitsukikan.
- 10 e 11 de outubro: foram realizados o festival e os shows especiais, com apresentações noturnas previstas para começar às 17h30.
O nome completo do evento era LEGACY ZOMBIE LABO Bunkadenrai, Nara Heijo kyo. Segundo os relatos, ele deu continuidade aos projetos de turnê em arenas do grupo. Portanto, o sítio do palácio era um destino planejado dentro de uma sequência criativa mais longa, e não uma escolha isolada de local.
Entrada gratuita não significava participação sem limites
A programação oficial do festival listava atividades na Matsuri Area das 10h às 17h30 nos dois dias, com entrada gratuita a partir das 9h30. Pessoas sem ingresso para os shows também podiam participar, ampliando o acesso para além do público das apresentações noturnas.
A maioria das oficinas e atividades, porém, exigia ingressos de participação pagos à parte. Em 7 de outubro, os organizadores alertaram que as inscrições indicavam uma procura muito superior à capacidade de todas as atividades e que os ingressos vendidos no dia poderiam acabar ainda pela manhã. Também era possível restringir a entrada caso a área gratuita ficasse lotada demais.
O Instituto Nacional de Pesquisa de Bens Culturais de Nara ofereceu uma oficina de tabuletas de madeira por 1.500 ienes, com duração de cerca de 10 minutos. Os participantes podiam aprender sobre as tabuletas antigas e usar como referência o manyogana, método antigo de escrever sons japoneses com caracteres chineses, para criar suas próprias letras. As tabuletas prontas podiam ser levadas para casa ou expostas em uma torre de fardos de arroz que fazia parte do palco do show.
O cientista do solo Kazumichi Fujii conduziu atividades com giz de cera feito de solo ou bolinhas de lama polidas, ao custo de 1.000 ienes para adultos e 500 ienes para crianças em idade escolar ou menores. Outras opções incluíam uma atividade de caderno em miniatura por 800 ienes, com a oficina de tipografia Tan, e uma sessão de fabricação de tinta por 2.500 ienes, com a Kinkoen, empresa de Nara com 150 anos de experiência no ofício.
O palco secundário gratuito, Hiru no Utage, ofereceu programação diurna nas duas datas. Juntas, as atividades criaram várias formas de participar do evento, embora a entrada no local não garantisse uma vaga em uma oficina nem acesso a todos os itens de comida.
Comidas locais aproximaram o festival de Nara
Segundo os relatos, o evento reuniu mais de 30 barracas de comida e oficinas. Os cardápios divulgados mostram que a participação local foi além de simplesmente associar o nome do show a comidas típicas de festivais. Vários produtos conectaram ingredientes de Nara, registros históricos ou negócios tradicionais às músicas e imagens do Zutomayo.
A Cervejaria Nakamoto ofereceu uma taça de saquê Nagaya o por 800 ienes, descrito como uma recriação moderna inspirada em tabuletas de madeira escavadas no sítio da antiga residência do príncipe Nagaya. A parceria usou um rótulo do evento, mas sua conexão histórica vinha das evidências escritas que fundamentaram o conceito da bebida.
Outros exemplos eram mais conhecidos: os bolinhos de arroz com chá da Omusubi Banshun custavam de 350 a 500 ienes, enquanto a Tenobe Takadaya ofereceu dois pratos de macarrão somen de Miwa por 900 ienes cada. Uma colaboração entre a loja de raspadinha de gelo Hosekibako e a especialista em sushi envolto em folha de caqui Hiraso incluiu uma calda especial e sushi com arroz preto associado ao universo visual da banda.
A programação também incluiu chá Yamato, morangos e leite locais, alimentos fermentados, cerveja artesanal e lámen de Tenri. Os produtos da colaboração incluíam pincéis de Nara, tecido para redes mosquiteiras e calçados, dando espaço aos artesãos locais além das refeições. Os preços foram divulgados antecipadamente, mas podiam mudar no dia.
Os organizadores alertaram que algumas empresas normalmente não participavam de festivais e poderiam oferecer quantidades limitadas. Eles orientaram os visitantes a conhecer também o Heijo kyo Autumn Sangaku Festa, realizado simultaneamente na Praça do Portão Suzaku, onde havia outras barracas de comida. Essa colaboração ajudou a incorporar o parque como um todo à experiência.
Yamaha apresenta instrumentos tradicionais de uma nova maneira
O comunicado da Yamaha de 29 de setembro detalhou uma exposição gratuita que combinava instrumentos tradicionais com a tecnologia Real Sound Viewing da empresa. A mostra tinha como destaque o gakubiwa, um alaúde usado no gagaku cuja tradição musical remonta à sua chegada ao Japão no período Nara.
O Real Sound Viewing preserva e reproduz a interpretação de um músico por meio da vibração do instrumento, de sinais gravados e de processamento digital de áudio. Para a exposição, a Yamaha planejava recriar uma apresentação com um gakubiwa de verdade, sincronizando gravações de ryuteki, uma flauta transversal, e sho, um órgão de boca.
Os arranjos usaram Byoshin wo Kamu e Kikai Abura, do Zutomayo. A Yamaha indicou Yumiko Kiyota como responsável pelo gakubiwa, pelo ryuteki e pelos arranjos do Real Sound Viewing, e Marika Nawa pelo sho. Identificar as intérpretes deixa claro que a apresentação automatizada se baseava em gravações de músicos, e não em música gerada sem instrumentistas.
A exposição também colocou lado a lado um gakubiwa com decoração especial e uma guitarra elétrica Pacifica. A equipe de design do Zutomayo e o Design Laboratory da Yamaha deram aos instrumentos elementos visuais em comum, incluindo desenhos correspondentes na superfície do plectro do alaúde e no escudo da guitarra. A Pacifica Standard Plus personalizada não estava à venda, e os visitantes não podiam tocar nos instrumentos especiais em exposição.
Essa foi uma extensão concreta da ideia central do show: a música podia aproximar formas herdadas de canções contemporâneas sem tratar os instrumentos tradicionais como meros elementos de cenário.
Proteção do sítio e ampliação do público
Os organizadores disseram que a procura, acima do esperado, os levou a ajustar o palco e o layout do espaço para aumentar a capacidade. Essa ampliação ocorreu em um sítio histórico e exigiu conversas sobre ruído, multidões, vestígios preservados e instalações, e não apenas sobre a venda de ingressos.
ACAね e a equipe disseram ter consultado as autoridades locais competentes, realizado o teste de som em fevereiro e confirmado medidas de proteção antes de receber autorização para usar a área. Também aprenderam diretamente com o Instituto Nacional de Pesquisa de Bens Culturais de Nara. As equipes de montagem e desmontagem e os funcionários das barracas deveriam seguir as regras de uso do local.
Os visitantes foram orientados a não jogar lixo no chão, fumar, usar chamas ou danificar flores e plantas. O comunicado reconheceu que o som e a aglomeração poderiam afetar os moradores das redondezas e citou, entre os colaboradores que tornaram o evento possível, o parque, a província de Nara, a cidade de Nara, a Polícia da Província de Nara e as empresas de transporte.
A informação sobre o financiamento do evento também é precisa. O Zutomayo afirmou que organizou e financiou o evento por conta própria, embora tenha recebido ampla colaboração. Isso não significa que o grupo tenha trabalhado sozinho, nem que a participação da Yamaha prove que ela financiou o show. Não foram divulgados o custo total da produção nem uma avaliação final dos efeitos no sítio.
O precedente foi a apresentação produzida de forma independente pelo Zutomayo na Expo Osaka Kansai, em setembro de 2025, que, segundo relatos, atraiu cerca de 16 mil pessoas. O evento de Nara ampliou essa abordagem para duas datas de show e um amplo festival diurno. Os números de público não são diretamente comparáveis, pois o total de Nara pode incluir visitantes da área gratuita.
De projeto musical anônimo à ambição de tocar no Dome
Zutto Mayonaka de Iinoni, geralmente abreviado para Zutomayo, tem ACAね à frente, acompanhada por um grupo variável de músicos. Ela mantém o rosto e os detalhes de sua vida pessoal em sigilo, enquanto vídeos animados com a personagem Nirachan dão às músicas uma identidade visual reconhecível.
O projeto começou em junho de 2018 com o vídeo de Byoshin wo Kamu no YouTube e estreou em uma grande gravadora em novembro daquele ano. Segundo relatos, o vídeo de estreia já alcançou 150 milhões de visualizações. O comunicado da Yamaha de setembro informava 3,41 milhões de inscritos no YouTube e mais de 4,8 bilhões de reproduções de músicas no total. Esses números demonstram o alcance do grupo na internet, não o público dos shows.
O Zutomayo fez sua primeira turnê internacional em 2024. Sua próxima ambição declarada é realizar um show no Tokyo Dome, descrito como uma meta para o ano seguinte, e não como uma apresentação confirmada. Não foram anunciados data nem ingressos.
O compromisso de ACAね ao encerrar a apresentação se concentrou em toda a experiência em torno da música, e não apenas no show. A vocalista disse:
Quero me dedicar ao máximo a tudo com que vocês tiverem contato.
Em Nara, essa ambição ganhou uma forma específica: um show conectado ao aprendizado arqueológico, ao artesanato local, à comida e aos sons tradicionais. Ainda falta uma definição uniforme para o total de público, mas a programação mostra como o grupo usou sua maior produção para reunir todas essas experiências em um só lugar.
Pontos principais
- O Bunkadenrai combinou shows nos dias 10 e 11 de outubro com um festival gratuito no Parque Histórico do Sítio do Palácio Heijo.
- A programação oficial situa o evento em 2026 e o show na área central Chodo-in.
- Os relatos apresentam números de público de 60 mil, 65 mil e mais de 70 mil; um deles inclui explicitamente a área gratuita no total.
- O show de 11 de outubro teve 22 músicas ao longo de duas horas e terminou com Akane Sasukoro, lançada pouco antes.
- O Zutomayo afirmou ter organizado e financiado o evento sem patrocinador, com ampla colaboração local.
- As oficinas, a comida local e a exposição de instrumentos tradicionais da Yamaha conectaram a música à história e ao artesanato de Nara.
- Um show no Tokyo Dome é uma ambição declarada, não um evento confirmado.






