Capital recorde impõe um desafio maior ao Vietnã
O Vietnã registrou US$ 50,36 bilhões em investimentos estrangeiros nos primeiros nove meses de 2026, alta de 76,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Sua nova estratégia de investimentos estabelece um critério de sucesso diferente: saber se esses compromissos ajudarão a transformar cerca de 10 mil empresas vietnamitas em fornecedoras e parceiras de investidores estrangeiros até 2030.
Conteúdo
- Capital recorde impõe um desafio maior ao Vietnã
- O que o aumento dos investimentos realmente inclui
- Grandes projetos redesenham o mapa dos investimentos
- Um cronograma de políticas com metas mensuráveis
- Incentivos devem premiar resultados, não apenas promessas
- A Samsung mostra o que envolve o desenvolvimento de fornecedores
- Uma parceria logística oferece outro indicador de progresso
- Terrenos, crédito e escala de produção limitam empresas locais
- Capacitação e infraestrutura confiável precisam avançar juntas
- Confiança e acesso a financiamento vão moldar a próxima etapa
- Principais pontos
A Resolução nº 10-NQ/TW do Politburo, publicada em 8 de junho de 2026 e assinada pelo secretário-geral e presidente To Lam, estabelece como meta uma média de conteúdo local de 45% a 50% nos principais setores. Também busca formar entre 500 e 1.000 fornecedores vietnamitas que vendam diretamente a empresas estrangeiras, sem intermediários.
Essas metas colocam o desenvolvimento industrial doméstico no centro da política de investimentos estrangeiros. O Vietnã continua interessado em atrair volumes substanciais de capital internacional, mas a resolução torna a transferência de tecnologia, a capacitação da força de trabalho, as compras locais e as contribuições efetivas para a economia critérios centrais para atrair e apoiar esses investimentos.
O desafio foi debatido no seminário de 8 de outubro, em Hanói, intitulado Alcançando cadeias globais de suprimentos inovadoras, realizado sob os auspícios do Ministério das Finanças. Representantes do governo, empresas e associações setoriais descreveram um país que atrai projetos maiores, enquanto muitos fabricantes locais ainda enfrentam dificuldades com o alto custo dos terrenos, as despesas com financiamento, a escassez de mão de obra qualificada e o acesso a redes internacionais de fornecedores já consolidadas.
O vice-ministro das Finanças Tran Quoc Phuong afirmou que as conexões entre investidores estrangeiros e empresas domésticas continuam limitadas. A transferência de tecnologia e a pesquisa e desenvolvimento ficaram aquém das expectativas, e relativamente poucas empresas vietnamitas participam de cadeias globais de suprimentos. Em outras palavras, os altos volumes de investimento ainda não se traduziram em capacidades industriais domésticas igualmente robustas.
O que o aumento dos investimentos realmente inclui
O Escritório Nacional de Estatísticas, vinculado ao Ministério das Finanças, estima que os desembolsos de investimentos estrangeiros chegaram a US$ 21,07 bilhões até 30 de setembro, alta de 12,1%. Foi o maior valor para os primeiros nove meses de um ano em cinco anos. O órgão também estimou crescimento econômico de 9,95% no terceiro trimestre e de 9,01% nos primeiros nove meses.
O total de US$ 50,36 bilhões em investimentos registrados reúne três categorias diferentes: US$ 29,24 bilhões comprometidos em 3.108 projetos recém-licenciados, US$ 14,15 bilhões em capital adicional para 948 projetos existentes e US$ 6,97 bilhões em 2.335 operações de aporte de capital e compra de ações.
Essa distinção é importante porque investimento registrado não é dinheiro já gasto na construção de fábricas ou na operação de empresas. O total inclui compromissos e operações de aquisição de participação societária. Os desembolsos medem os investimentos efetivamente realizados no período, incluindo gastos associados a projetos registrados em anos anteriores. Portanto, os dois totais não devem ser tratados como uma medida simples de quantos novos compromissos foram concretizados.
O número de novos projetos aumentou 6,2%, enquanto o capital registrado para eles chegou a 2,4 vezes o nível do ano anterior. Com base nesses números, o capital médio por projeto recém-licenciado subiu aproximadamente 126%. O salto reflete compromissos muito maiores, e não um aumento equivalente no número de investidores que estão estabelecendo projetos.
A indústria de transformação recebeu US$ 17,40 bilhões, ou 82,6%, dos investimentos desembolsados. Sua participação no capital recém-registrado foi bem menor, de 45,8%, ante 58,7% um ano antes. O setor de transporte e armazenagem atraiu US$ 5,14 bilhões em novos registros, o equivalente a 17,6%. A diferença mostra que a carteira de projetos está se diversificando para além da indústria de transformação, embora os gastos efetivos com investimentos permaneçam fortemente concentrados nela.
Grandes projetos redesenham o mapa dos investimentos
A Cidade de Ho Chi Minh atraiu mais de US$ 18 bilhões em investimentos estrangeiros registrados nos nove meses. Seu Departamento de Finanças apontou o Porto Internacional de Transbordo de Can Gio, de US$ 4,9 bilhões, e um centro de dados para uma Fábrica de IA, de US$ 2,1 bilhões, entre os principais projetos atraídos em 2026. Thai Nguyen registrou US$ 8 bilhões com apenas 24 novos projetos.
Nghe An ficou em sexto lugar no país em capital registrado, embora tenha tido apenas 12 novos projetos. Um dos principais investimentos propostos é a usina termelétrica a gás natural liquefeito de Quynh Lap, avaliada em mais de US$ 2,2 bilhões e desenvolvida por um consórcio que reúne a PV Power, a sul-coreana SK Innovation e a Nghe An Sugar Co.
Os grandes compromissos também tornam irregulares os totais mensais. O capital acumulado de novos registros passou de US$ 3,5 bilhões para US$ 10,2 bilhões em março e, depois, de US$ 21,7 bilhões para US$ 29,2 bilhões em setembro. Esses saltos significam que algumas aprovações podem alterar substancialmente o panorama nacional dos investimentos, sem mostrar até que ponto fornecedores menores estão se beneficiando.
Singapura e Coreia do Sul lideraram o total de investimentos registrados, com US$ 12,85 bilhões e US$ 9,75 bilhões, respectivamente. Considerando apenas os projetos recém-licenciados, os valores foram de US$ 9,26 bilhões e US$ 5,70 bilhões, seguidos por Luxemburgo, com US$ 4,99 bilhões. São categorias estatísticas diferentes, não estimativas conflitantes dos mesmos fluxos de investimento.
Um cronograma de políticas com metas mensuráveis
A conferência de implementação de junho do governo situou a nova estratégia no contexto de quase quatro décadas de abertura a investimentos. O vice-primeiro-ministro permanente Pham Gia Tuc afirmou que o Vietnã havia atraído quase US$ 550 bilhões em capital estrangeiro registrado e contava com mais de 46 mil projetos ainda em vigor.
A política avançou por várias etapas:
- 8 de junho de 2026: O Politburo publicou a Resolução nº 10-NQ/TW sobre o desenvolvimento do setor econômico com capital estrangeiro.
- 30 de junho: Uma conferência nacional de implementação conectou quase 35 mil localidades e cerca de 2,1 milhões de participantes.
- 22 de setembro: O vice-primeiro-ministro Nguyen Van Thang assinou a Resolução do Governo nº 280/NQ-CP, que estabeleceu o plano de ação para a implementação.
- 30 de setembro: A vice-presidente da Assembleia Nacional Nguyen Thi Hong defendeu incentivos a investimentos vinculados a compromissos e resultados efetivos, com mecanismos de avaliação e recuperação dos benefícios.
- 8 de outubro: O seminário de Hanói examinou o desenvolvimento de fornecedores, a transferência de tecnologia, a capacitação da força de trabalho e o papel das instituições financeiras.
A Resolução 280 determina que ministérios, setores e localidades preparem planos de ação e organizem a implementação, a inspeção, o monitoramento e a avaliação. O Ministério das Finanças recebeu a atribuição de trabalhar em medidas institucionais e incentivos, além de fortalecer os vínculos entre empresas domésticas e estrangeiras.
Para o período de 2026 a 2030, a Resolução 10 estabelece metas de US$ 200 bilhões a US$ 300 bilhões em investimentos estrangeiros registrados e de US$ 150 bilhões a US$ 200 bilhões em capital efetivamente investido. A meta é que 75% dos investimentos estrangeiros venham de economias desenvolvidas, que aumente em 30% o número de empresas da lista Fortune 500 com investimentos no Vietnã e que pelo menos três dos principais grupos globais de tecnologia instalem no país sedes, escritórios ou centros de pesquisa e desenvolvimento.
Há uma diferença entre os documentos em um detalhe oficial. A resolução publicada estabelece a meta de conteúdo local em 45% a 50%, enquanto o relato do governo sobre a conferência de junho informa 40% a 50%. Ambos se referem aos principais setores e a cerca de 10 mil empresas domésticas integradas às cadeias de suprimentos de investimentos estrangeiros. A resolução propriamente dita estabelece o limite inferior mais alto.
Incentivos devem premiar resultados, não apenas promessas
A resolução propõe uma transição gradual de incentivos baseados nos insumos dos projetos para apoio vinculado aos resultados. Entre os compromissos prioritários estão o uso de tecnologia avançada, pesquisa, capacitação de trabalhadores vietnamitas, desenvolvimento de fornecedores domésticos, desempenho ambiental e uso eficiente de terrenos, recursos e energia.
Também estão previstas verificações após a concessão do apoio e a recuperação dos incentivos quando os investidores não cumprirem seus compromissos. Isso mudaria a relação entre aprovação e prestação de contas: o anúncio de um grande projeto daria início a um processo de avaliação, em vez de ser considerado prova suficiente de seu valor econômico.
Bui Thu Thuy, vice-diretora-geral da Agência de Investimentos Estrangeiros, explicou que o critério pretendido é o efeito sobre as empresas domésticas e a economia em geral:
No novo período, por exemplo, os incentivos precisam estar vinculados a resultados mensuráveis e à contribuição efetiva dos projetos de investimento para a economia.
Um mecanismo em análise prevê reembolsar de 30% a 50% dos custos incorridos por empresas estrangeiras na capacitação de fornecedores vietnamitas, ou reconhecer essas despesas por meio de incentivos fiscais ou outras formas de apoio. Esse percentual é uma proposta, não um benefício já garantido.
Os relatos divergem quanto à tramitação legislativa. Phuong afirmou que a Assembleia Nacional aprovou em agosto uma Lei de Investimentos alterada e complementada. Outros relatos descrevem alterações que ainda estavam sendo preparadas ou discutidas em setembro. Não está esclarecido se essas referências dizem respeito a medidas legislativas distintas ou a etapas diferentes da mesma reforma. Portanto, a proposta de reembolso dos custos de capacitação de fornecedores não deve ser apresentada como lei aprovada.
A Samsung mostra o que envolve o desenvolvimento de fornecedores
Os programas da Samsung Vietnam oferecem um exemplo concreto das capacidades que a política busca desenvolver. Entre 2015 e 2021, a empresa prestou consultoria em inovação de produção a 379 empresas. De 2018 a 2021, capacitou 406 especialistas em inovação de produção; de 2020 a 2024, foram 209 especialistas em fabricação de moldes.
Em 2026, a Samsung incluiu 14 empresas em seu programa de apoio a fábricas inteligentes, elevando o total para 96. Outras 40 pessoas foram capacitadas como especialistas em manufatura inteligente, levando o acumulado a 241. Programas separados apoiaram seis empresas na produção inteligente de moldes e cinco na automação, com a capacitação de 13 e 23 profissionais, respectivamente.
Esses números contabilizam atividades de consultoria, capacitação e apoio. Eles não comprovam que todas as empresas participantes tenham se tornado fornecedoras da Samsung, e os totais dos diferentes programas não devem ser somados como se representassem empresas distintas.
Cha Ji Ho, vice-presidente do Centro de Compras da Samsung Vietnam, afirmou que a empresa quer que as melhorias continuem após o fim da consultoria:
"A razão pela qual damos tanta ênfase à capacitação de recursos humanos é garantir que, mesmo depois do fim do apoio da Samsung, as empresas locais possam continuar aprimorando seus processos e inovando com seus próprios recursos humanos", afirmou.
A Samsung planeja expandir programas concentrados em Bac Ninh e na Cidade de Ho Chi Minh para Phu Tho, Haiphong e Thai Nguyen. Sua abordagem identifica profissionais-chave nas fábricas, desenvolve suas habilidades práticas e os prepara para atuar como líderes internos. O próximo passo é conectar a capacitação a oportunidades concretas de compra por meio da cooperação entre o governo, a Samsung e as empresas locais.
Uma parceria logística oferece outro indicador de progresso
O desenvolvimento de fornecedores vai além de componentes eletrônicos. Binu Jacob, CEO da Nestlé Vietnam, descreveu a cooperação com a Tuan Manh Logistics, empresa vietnamita fundada em 2005 por ex-alunos de uma universidade de transportes. A empresa cresceu junto com as operações da Nestlé, incluindo a fábrica Bong Sen, em Hung Yen.
Entre 2013 e 2025, a frota de caminhões da Tuan Manh aumentou dez vezes. Jacob afirmou que a relação ajudou a melhorar os padrões de segurança e as práticas de conformidade, enquanto o carregamento automatizado de paletes apoiou a transição do transporte entre o norte e o sul do Vietnã para a distribuição especializada. Hoje, a empresa atende cerca de 60% dos clientes da Nestlé no norte do Vietnã e ampliou sua base de clientes para incluir outras empresas estrangeiras.
O exemplo aponta para uma definição mais ampla de transferência de tecnologia. O valor doméstico pode crescer por meio de operações mais seguras, melhor gestão, adoção de equipamentos e acesso a novos clientes, inclusive fora da manufatura avançada. O crescimento da frota, por si só, não permite determinar quanto se deve à parceria com a Nestlé, mas ilustra a dimensão da expansão da empresa durante essa relação.
Phan Duc Hieu, membro permanente da Comissão Econômica e Financeira da Assembleia Nacional, afirmou que esses ganhos dependem da capacidade das empresas vietnamitas de aproveitar o que os investidores estrangeiros trazem:
"Bons investimentos estrangeiros diretos não geram automaticamente efeitos positivos se a economia não tiver capacidade para absorvê-los", afirmou.
Terrenos, crédito e escala de produção limitam empresas locais
Truong Thi Chi Binh, vice-presidente e secretária-geral da Associação Vietnamita de Indústrias de Apoio, descreveu o difícil cálculo de investimento enfrentado pelos fabricantes domésticos. Eles precisam de capital substancial e conhecimento técnico, mas suas margens podem ser inferiores aos retornos disponíveis em investimentos menos exigentes.
Os relatos apresentam versões diferentes dos números de Binh sobre custos de terrenos. Um cita aluguéis industriais próximos a Hanói de US$ 90 a US$ 100 por metro quadrado ao ano. Outro informa cerca de US$ 170 por metro quadrado perto dos principais polos e US$ 90 em áreas mais distantes, sem especificar o período de locação. Esses valores não podem ser comparados com segurança como custos anuais equivalentes.
Binh também citou juros de 12% em empréstimos com prazo de sete a dez anos e possíveis rendimentos de 10% em depósitos bancários. São exemplos dela sobre as condições de financiamento das empresas, não taxas nacionais estabelecidas. Eles ajudam a explicar por que uma empresa pode hesitar em financiar máquinas, instalações e capacitação antes de obter pedidos confiáveis.
O volume de produção é outro obstáculo. A fabricação local de componentes só se torna comercialmente viável quando há demanda suficiente para diluir os custos de equipamentos, ferramentas e controle de qualidade em um número adequado de unidades. Binh afirmou que o Vietnã tem mais de 500 fornecedores capacitados na indústria de apoio, enquanto a associação pretende desenvolver de 10 a 20 empresas líderes capazes de integrar negócios menores às suas redes.
Dr. Phan Huu Thang, presidente da Associação Vietnamita de Finanças para Parques Industriais, propôs roteiros verificáveis de transferência de tecnologia, joint ventures ou investimentos conjuntos com empresas vietnamitas e conexões com instituições nacionais de inovação para grandes projetos de tecnologia. Essas são recomendações dele, não exigências automáticas impostas a todos os investidores pela legislação vigente.
Capacitação e infraestrutura confiável precisam avançar juntas
O desafio da força de trabalho é anterior à nova estratégia. A escassez de mão de obra qualificada relatada em janeiro incluía a tentativa de uma fabricante de baterias de contratar 150 trabalhadores técnicos, que havia recebido apenas 60 candidaturas depois de mais de um mês. Era especialmente difícil encontrar profissionais com competências técnicas, de gestão e de idiomas.
Nguyen Thu Ha, diretora da Talentnet, apontou lacunas persistentes no ensino profissionalizante, na preparação de recém-formados, na proficiência em inglês e na formação de lideranças seniores. A Resolução 10 estabelece a meta de que trabalhadores capacitados representem cerca de 80% dos empregados no setor de investimentos estrangeiros e busca ampliar a presença de profissionais vietnamitas em funções técnicas, de gestão, pesquisa, design e cadeia de suprimentos.
As exigências de infraestrutura também estão mudando. Phung Thi Thanh Loan, gerente sênior de locações para serviços industriais e de logística da CBRE Vietnam, afirmou que investidores avançados precisam de eletricidade não apenas em quantidade suficiente, mas também confiável, além de serviços públicos e padrões ambientais adequados. Thomas Rooney, diretor da Pacific Land Vietnam, descreveu parques industriais que cada vez mais conectam fábricas a centros de pesquisa, universidades próximas, serviços e moradias para trabalhadores.
Björn Koslowski, vice-chefe de representação da AHK Vietnam, afirmou que a produtividade, a adoção de tecnologia e as cadeias de suprimentos domésticas estão se tornando mais importantes do que apenas os custos de mão de obra. Marcel Klingemann, diretor-geral da LPKF Vietnam, recomendou fortalecer a formação técnica e concentrar esforços em setores selecionados, em vez de dispersar recursos em excesso. Ele também apontou a Resolução nº 57-NQ/TW como parte das diretrizes de política tecnológica.
A infraestrutura elétrica representa um risco específico para centros de dados, inteligência artificial e fabricação de semicondutores. Atrasos em projetos de geração e transmissão podem deixar polos industriais sem capacidade para atender à demanda concentrada, mesmo sem uma escassez nacional. Portanto, a aprovação de um projeto precisa ser acompanhada de energia, mão de obra qualificada e capacidade de fornecimento no local em que ele será instalado.
Confiança e acesso a financiamento vão moldar a próxima etapa
Jackson Woo, diretor-geral da SGS Vietnam, afirmou que compradores globais precisam confiar que os fornecedores conseguem cumprir requisitos internacionais de qualidade, regulamentação e meio ambiente. É difícil substituir fornecedores já integrados às redes de multinacionais simplesmente porque existe uma alternativa vietnamita. As empresas locais precisam demonstrar padrões confiáveis e capacidade de entrega.
O professor Nguyen Trong Hoai, da Universidade de Economia da Cidade de Ho Chi Minh, defendeu vínculos mais fortes entre empresas globais e fornecedores domésticos, melhores condições para os negócios e financiamento de cadeias de suprimentos, citando recomendações do Banco Mundial. Esse tipo de financiamento pode ajudar fornecedores a pagar por materiais e produção enquanto aguardam o pagamento das faturas pelos clientes.
Kamudo Hiroki, vice-diretor-geral do VPBank, afirmou que investidores veem cada vez mais o Vietnã como uma base duradoura para cadeias de suprimentos resilientes, talentos e inovação. A Resolução 10 apoia essa abordagem mais ampla por meio de bancos de dados de fornecedores, programas nacionais de desenvolvimento, polos industriais e coordenação entre localidades, em vez de priorizar a competição pelo número de projetos.
O desafio imediato é a implementação. As regras detalhadas para reembolsar a capacitação de fornecedores, os métodos de verificação e a situação legislativa de alguns incentivos ainda não foram definidos nos relatos. Os principais marcos temporais são 2030, com as metas para fornecedores e conteúdo local, e 2045, quando se pretende que o setor de investimentos estrangeiros responda por cerca de 25% do investimento total e 30% do PIB.
Principais pontos
- Os investimentos estrangeiros registrados chegaram a US$ 50,36 bilhões até setembro de 2026, enquanto os desembolsos alcançaram US$ 21,07 bilhões.
- A Resolução 10 estabelece como meta integrar cerca de 10 mil empresas domésticas às cadeias de suprimentos de investimentos estrangeiros até 2030, incluindo de 500 a 1.000 fornecedores diretos.
- A resolução publicada estabelece conteúdo local de 45% a 50% nos principais setores; o relato oficial da conferência informa 40% a 50%.
- A intenção é que o apoio aos investimentos dependa cada vez mais de resultados concretos em tecnologia, capacitação, desenvolvimento de fornecedores e compromissos ambientais.
- Os programas de manufatura da Samsung e a parceria logística da Nestlé ilustram caminhos práticos para desenvolver as capacidades das empresas vietnamitas.
- Custos de terrenos, financiamento, escala de produção, preparação da força de trabalho e fornecimento confiável de eletricidade continuam sendo obstáculos centrais.
- O reembolso de 30% a 50% dos custos de capacitação de fornecedores está em análise e ainda não é um benefício confirmado por lei.






