China apresenta 19 medidas para elevar a produtividade, com foco em IA e energia limpa

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China Sets Out 19 Productivity Measures, With AI and Clean Energy at the Center

Uma ofensiva tecnológica com alerta contra bolhas de investimento

O Comitê Central do Partido Comunista da China e o Conselho de Estado divulgaram diretrizes em 9 de outubro de 2026, estabelecendo 19 medidas em cinco áreas de inovação para desenvolver o que Pequim chama de novas forças produtivas de qualidade. O pacote combina apoio à inteligência artificial, à pesquisa industrial e à energia limpa com alertas explícitos contra investimentos especulativos, negligência com setores existentes e a reprodução dos mesmos planos de desenvolvimento por governos locais.

Conteúdo
  1. Uma ofensiva tecnológica com alerta contra bolhas de investimento
  2. Por que Pequim está corrigindo a abordagem
  3. Empresas terão papel maior na pesquisa
  4. Testes de IA se aproximam da produção fabril
  5. Regiões são orientadas a não copiar umas às outras
  6. Parques com emissão zero expõem um problema de medição
  7. Energia limpa precisa de mercados, além de equipamentos
  8. Reforma, talentos e abertura completam o pacote
  9. Datas e decisões a acompanhar
  10. Principais pontos

As diretrizes chegam no primeiro ano do 15º Plano Quinquenal, que abrange o período de 2026 a 2030. O plano identifica 28 grandes projetos relacionados às novas forças produtivas de qualidade entre 109 projetos, ou 25,7%. O novo documento fornece uma estrutura comum para avançar essa agenda, incluindo maior participação das empresas na pesquisa, bases nacionais de testes para aplicações de IA industrial e construção de fábricas e parques industriais projetados para atingir emissões líquidas zero de carbono.

O principal critério é um aumento substancial da produtividade total dos fatores, e não simplesmente a construção de mais fábricas, o aumento dos investimentos ou a criação de projetos de tecnologia. A produtividade total dos fatores descreve a eficiência com que trabalho, capital e outros insumos são combinados para produzir resultados. Tecnologias e organização melhores podem elevar a produção sem um aumento correspondente desses insumos.

O documento também transmite uma mensagem de responsabilização. Os funcionários públicos não devem usar indevidamente políticas sob o pretexto de desenvolver novas forças produtivas de qualidade. Os responsáveis por grandes prejuízos causados por investimentos indiscriminados ou pela corrida para setores da moda serão responsabilizados. A política, portanto, pede que as autoridades locais promovam a inovação e, ao mesmo tempo, evitem lacunas industriais, esvaziamento da produção e bolhas de investimento.

Por que Pequim está corrigindo a abordagem

Um funcionário não identificado da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, ou NDRC, apontou três razões para a publicação das diretrizes: colocar em prática as ideias do presidente Xi Jinping, orientar o desenvolvimento durante o atual período de planejamento e corrigir problemas que já surgem na implementação.

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Entre esses problemas estão tratar as novas forças produtivas de qualidade como sinônimo de setores emergentes ou do futuro, ignorando a modernização da produção tradicional. Outra preocupação é que diferentes regiões tenham escolhido setores industriais semelhantes sem levar em conta seus recursos, capacidades ou condições de mercado.

O documento estabelece quatro princípios: a inovação deve liderar; a reforma deve apoiar o desenvolvimento; as políticas devem se adequar às condições locais; e novas fontes de crescimento devem ser estabelecidas antes da desativação das antigas. Lin Xiaofeng, vice-diretor do Centro de Desenvolvimento Orientado pela Inovação da NDRC, explicou que esses princípios definem, respectivamente, a força motriz, o apoio institucional, a abordagem prática e o ritmo da mudança.

Essa distinção é importante para a implementação. Um fabricante tradicional que aumenta a produtividade com sistemas digitais, processos mais limpos ou equipamentos inteligentes pode atender aos objetivos da política. Um investimento classificado como setor do futuro não se torna automaticamente uma inovação produtiva. As diretrizes se concentram na qualidade da produção, não apenas no nome do setor ao qual ela está associada.

Empresas terão papel maior na pesquisa

A agenda científica abrange pesquisa original e disruptiva, avanços em tecnologias essenciais, coordenação das capacidades nacionais de pesquisa, fortalecimento do papel das empresas e conversão mais rápida dos resultados de pesquisa em produção efetiva. Grandes projetos de ciência e tecnologia devem se concentrar em produtos estratégicos, emblemáticos e de liderança, a serviço do desenvolvimento econômico, das necessidades nacionais e da saúde pública.

Espera-se que os laboratórios nacionais organizem grandes projetos de pesquisa e construam plataformas de inovação. Também devem ser aprimorados os papéis e a distribuição das instituições de pesquisa, universidades e empresas líderes de tecnologia. Ao lado dessas instituições públicas, empresas privadas capacitadas receberão apoio para liderar grandes iniciativas de avanço tecnológico.

Para as empresas, o pacote prevê um sistema de fundos de reserva para pesquisa e desenvolvimento empresariais e o aumento do percentual de dedução adicional de despesas de pesquisa. Essa dedução permite que gastos qualificados com pesquisa reduzam a renda tributável em um valor superior ao efetivamente gasto. Os relatos não especificam o novo percentual, os detalhes de elegibilidade nem a data de implementação.

Wang Shengxiao, pesquisador da Escola Central do Partido Comunista da China, descreveu a justificativa estratégica para o fortalecimento da capacidade de inovação:

A nova rodada de revolução científica e tecnológica e de transformação industrial abriu amplas perspectivas para o desenvolvimento de novas forças produtivas de qualidade. Aproveitar essa oportunidade histórica exige acelerar a conquista de maior autossuficiência e força em ciência e tecnologia, além de elevar a capacidade de inovação em todas as áreas para manter a iniciativa estratégica,

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Testes de IA se aproximam da produção fabril

As diretrizes pedem a implementação plena da iniciativa IA+, que usa inteligência artificial para transformar setores tradicionais e ampliar aplicações em toda a economia. As bases nacionais de testes e projetos-piloto devem conectar tecnologias de laboratório às condições industriais reais.

Liu Zhenzhong, pesquisador da NDRC que trabalha com economia industrial e tecnológica, explicou que as bases podem ajudar a enfrentar o custo e a dificuldade de implantar IA na produção. Testar a tecnologia em ambientes industriais pode revelar problemas práticos antes que as empresas se comprometam com uma adoção mais ampla, reduzindo os custos e os riscos da experimentação.

A política não apresenta a IA como motivo para abandonar setores existentes. Liu defendeu que as tecnologias inteligentes devem modernizá-los e fortalecer a economia real. As diretrizes também pedem a transformação digital da indústria manufatureira, melhor planejamento e operação da infraestrutura nacional de dados e a formação de polos industriais digitais competitivos internacionalmente.

Essa expansão vem acompanhada de requisitos de segurança. O documento pede sistemas de monitoramento tecnológico, alerta antecipado de riscos e resposta a emergências para garantir que a IA seja segura, confiável e controlável. A estrutura mais ampla da política também aborda ética tecnológica, segurança de dados e riscos industriais por meio de leis, regras de análise ética e regulamentação.

Regiões são orientadas a não copiar umas às outras

A modernização industrial deve abranger a produção tradicional, setores emergentes e indústrias ainda em estágio inicial de desenvolvimento. As diretrizes incentivam tecnologias digitais, inteligentes e verdes nos setores existentes, além de serviços mais especializados para produtores e melhorias na qualidade, variedade e conveniência dos serviços ao consumidor.

Para os setores emergentes, o documento pede coordenação entre setores e regiões, inclusive medidas contra a concorrência destrutiva. A preocupação é que investimentos repetidos em atividades semelhantes levem empresas e governos locais a disputas que consomem recursos sem gerar capacidades mais sólidas.

As regiões orientais são incentivadas a ajudar as regiões central, ocidental e nordeste do país a desenvolver setores emergentes adequados às suas condições. Para os setores do futuro, as políticas fiscais existentes devem apoiar o desenvolvimento, enquanto os investimentos privados e de outras fontes crescem de forma estável. Essas orientações vêm acompanhadas do alerta contra a pressa para iniciar projetos apenas porque outras regiões escolheram o mesmo setor.

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O critério prático, portanto, vai além da construção de um novo polo industrial. As autoridades locais devem vincular os investimentos às capacidades regionais e manter a continuidade entre a produção estabelecida e as novas atividades. As diretrizes rejeitam explicitamente tanto o esvaziamento industrial quanto a interrupção causada pela desmontagem de capacidades existentes antes que haja substitutos prontos.

Parques com emissão zero expõem um problema de medição

A agenda de desenvolvimento verde prevê a criação de um grupo de fábricas e parques industriais com emissão zero de carbono, o fortalecimento da indústria e dos serviços verdes e a expansão do setor de energia verde. Também exige melhores estatísticas de emissões de carbono, padrões de medição, rótulos de carbono para produtos e gestão da pegada de carbono dos produtos. A pegada de carbono de um produto mede as emissões associadas a ele segundo um método contábil definido.

Wang Minna, presidente da Chaoteng Energy, disse que o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação propôs a meta de 1.000 fábricas nacionais com emissão zero de carbono até 2030. Ela também informou que há 52 parques nacionais com emissão zero concluídos e centenas de parques provinciais em construção. Esses números se referem a categorias diferentes e não devem ser tratados como uma comparação direta do avanço em relação à meta para as fábricas.

A NDRC está recebendo opiniões sobre as diretrizes para um segundo grupo de parques nacionais com emissão zero de carbono. Wang Wentang, vice-diretor do comitê de especialistas da Associação de Promoção do Desenvolvimento da Indústria Verde de Pequim, apontou dois problemas práticos: se os administradores dos parques conseguem obter dados confiáveis de emissões e se têm autoridade suficiente para garantir que as empresas instaladas adotem medidas.

Wang disse que os parques nacionais geralmente têm mais influência administrativa do que muitos parques provinciais e menores. Ele recomendou definir com mais clareza as responsabilidades pela coleta de dados e pela implementação, criar um sistema básico de estatísticas de emissões de carbono e estabelecer recompensas e penalidades para incentivar a participação.

Ele também apontou uma incompatibilidade na contabilização da eletricidade. Segundo sua descrição dos indicadores atuais, a eletricidade verde adquirida e os certificados podem ser contabilizados na parcela do consumo de energia não fóssil, mas a eletricidade comprada pela rede principal não entra em uma medida separada do consumo de eletricidade não fóssil reconhecida fisicamente. Essa medida reconhece fontes como eletricidade gerada e usada no local, conexões diretas dedicadas e microrredes dos parques.

Wang recomendou mudar as regras de reconhecimento para incluir eletricidade verde qualificada comprada pela rede principal. Trata-se de uma proposta, não de uma mudança anunciada. O caso ilustra por que os incentivos ao investimento podem não ser suficientes: as empresas também precisam de regras claras para determinar se suas compras atendem aos requisitos de certificação.

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Energia limpa precisa de mercados, além de equipamentos

As propostas para o setor de energia incluem o desenvolvimento ordenado de tecnologias avançadas de fissão nuclear, um sistema elétrico com alta participação de fontes renováveis e políticas melhores para integrar as renováveis e regular a rede. A explicação da NDRC apresenta três motivos para esse foco: a energia é um campo importante da transformação industrial, contribui para atingir o pico das emissões de carbono e alcançar a neutralidade de carbono, e fornece energia confiável para novas atividades produtivas.

Yue Hao, especialista sênior da State Grid Jibei Electric Power, apontou oportunidades em conexões diretas de eletricidade verde e em sistemas coordenados que combinam geração, redes, demanda e armazenamento. Centros de computação, manufatura avançada e produção de hidrogênio, amônia e metanol verdes precisam de eletricidade estável e acessível, com origem renovável rastreável.

Yue também mencionou usinas virtuais e a interação entre veículos elétricos e a rede. Uma usina virtual coordena recursos distribuídos, como baterias e demanda de eletricidade ajustável, para que respondam em conjunto às necessidades do sistema elétrico. A interação entre veículos e rede pode adaptar o carregamento às condições de oferta e, quando houver suporte, permitir que os veículos devolvam eletricidade ao sistema.

Zhong Ming, especialista sênior do Instituto de Pesquisa de Energia Elétrica da China, disse que os mecanismos de mercado continuam incompletos. A geração térmica flexível e o armazenamento ajudam a equilibrar a produção renovável, mas ainda não há mecanismos adequados para repassar seus custos pelo mercado. Também é preciso melhorar a coordenação entre os mercados de serviços de apoio à rede, capacidade, eletricidade verde e certificados.

Essas preocupações conectam as metas industriais e energéticas do documento. O aumento da geração renovável precisa ser acompanhado pela capacidade de utilizá-la quando e onde estiver disponível, além de mecanismos de pagamento que apoiem os recursos de equilíbrio do sistema. Zhong apontou a indústria como uma área difícil, devido às longas cadeias de produção, à grande variedade de tecnologias e à persistência de processos consolidados.

Reforma, talentos e abertura completam o pacote

As diretrizes propõem um mercado de dados nacionalmente integrado, aberto, compartilhado e seguro, aprimoramento da regulamentação do mercado e maior oferta de produtos financeiros inovadores. Também buscam aproximar ciência e economia, em vez de tratar as políticas de pesquisa e industriais como atividades separadas.

Liu Zhenzhong, pesquisador do Instituto de Economia Industrial e Tecnológica da NDRC, explicou por que a mudança institucional faz parte da agenda:

As novas forças produtivas de qualidade são impulsionadas principalmente por avanços tecnológicos transformadores, que provocam mudanças profundas na organização da inovação, na evolução dos setores e na alocação de recursos,

Ele acrescentou:

Essas mudanças exigem reformas mais profundas para reconfigurar as estruturas institucionais e eliminar obstáculos ao desenvolvimento.

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As medidas relacionadas a talentos se concentram na formação de profissionais urgentemente necessários para novas atividades produtivas e no aprimoramento das políticas que regem seu emprego e deslocamento. O funcionário da NDRC destacou a formação nacional, os incentivos e a avaliação, além da mobilidade adequada. A questão não é apenas formar mais profissionais qualificados, mas garantir que as instituições possam contratá-los, recompensá-los e aproveitá-los com eficiência.

O documento combina maior independência tecnológica com cooperação internacional. Ele propõe uma rede global de cooperação em inovação e incentiva instituições estrangeiras de capital de risco e organizações internacionais de padronização a se desenvolverem na China. Em um seminário realizado em setembro em Pequim, o embaixador da Nigéria na China, Abdulrahman Bello Dambazau, disse que a atenção dedicada a talentos, pesquisa e modernização industrial poderia servir de referência útil para países em desenvolvimento.

Datas e decisões a acompanhar

A política faz parte de uma sequência que vai das discussões sobre cooperação internacional à implementação durante o atual período de planejamento. As principais datas e marcos são:

  • Setembro de 2026: Um seminário em Pequim discutiu as novas forças produtivas de qualidade e possíveis oportunidades para países em diferentes estágios de desenvolvimento.
  • 9 de outubro de 2026: O Comitê Central e o Conselho de Estado divulgaram as diretrizes, e um funcionário da NDRC explicou seus objetivos e princípios de implementação.
  • 2026 a 2030: O 15º Plano Quinquenal inclui 28 grandes projetos relacionados ao tema entre seus 109 projetos.
  • 2030: A meta nacional de fábricas com emissão zero de carbono citada por Wang Minna é de 1.000 unidades.

Os relatos ainda não especificam várias decisões operacionais, incluindo o valor e o prazo do aumento da dedução fiscal para pesquisa, os detalhes das bases de testes de IA industrial e qualquer mudança nas regras de certificação de eletricidade verde. Também não foi informado um prazo para o envio de opiniões sobre as diretrizes para o segundo grupo de parques com emissão zero.

A orientação imediata é que regiões e departamentos desenvolvam caminhos práticos, coordenem seu trabalho e levem em conta as condições locais. O sucesso será medido pela capacidade de transformar pesquisa, investimento e reforma em uma produção mais eficiente, sem a duplicação e a expansão especulativa contra as quais as diretrizes alertam.

Principais pontos

  • A China divulgou 19 medidas em cinco áreas de inovação em 9 de outubro de 2026.
  • A estrutura prioriza produtividade, pesquisa empresarial, IA industrial e desenvolvimento verde.
  • Os setores tradicionais devem ser modernizados, não abandonados em favor de setores da moda.
  • Foi proposta a ampliação do apoio fiscal à pesquisa, mas o novo percentual da dedução e a data de implementação não foram especificados.
  • O desenvolvimento de fábricas e parques com emissão zero enfrenta questões ainda não resolvidas sobre dados, administração e reconhecimento da eletricidade.
  • A reforma do mercado de energia é necessária, além da geração renovável, do armazenamento e da tecnologia de redes.
  • Funcionários públicos poderão ser responsabilizados por grandes prejuízos causados por investimentos indiscriminados ou pelo uso indevido de políticas.
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