Kei Nishikori encerra carreira de 19 anos com homenagem de Federer e planos para apoiar o tênis asiático

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Kei Nishikori closes 19-year career with Federer tribute and plans to support Asian tennis

Uma despedida em Tóquio e uma nova ambição que começa a tomar forma

Kei Nishikori encerrou as celebrações de despedida no Ariake Coliseum, em Tóquio, em 11 de outubro de 2026, com um objetivo que vai além das próprias conquistas: ajudar mais jogadores japoneses e asiáticos a chegar ao top 50 e ao top 30 do mundo. O ex-número 4 do mundo, de 36 anos, falou após um evento da Uniqlo que reuniu cerca de 9.000 espectadores e contou com Roger Federer em quadra ao seu lado.

Conteúdo
  1. Uma despedida em Tóquio e uma nova ambição que começa a tomar forma
  2. O que os números da carreira revelam
  3. A campanha no US Open que mudou suas expectativas
  4. Federer retribui a admiração
  5. Uma medalha olímpica com outro significado
  6. As últimas semanas e as pessoas por trás delas
  7. Uma celebração que reuniu jogadores diferentes
  8. A aposentadoria muda o significado da dor
  9. Por que as oportunidades no exterior são centrais em seus planos
  10. O que está decidido e o que ainda é uma ideia
  11. Principais pontos

A última partida competitiva de Nishikori foi em 1º de outubro, na rodada de abertura do Kinoshita Group Japan Open Tennis Championships. Sua aposentadoria encerra aproximadamente 19 anos como profissional, uma carreira que rendeu 12 títulos da ATP, 452 vitórias em torneios do circuito e a primeira participação de um homem asiático na final de simples de um Grand Slam.

Na entrevista coletiva sobre sua aposentadoria, Nishikori falou da satisfação de dedicar tanto tempo de sua vida a um único objetivo. Seus comentários, traduzidos do japonês, também reconheceram os sacrifícios por trás desses resultados.

Pude dedicar esse período incrivelmente longo da minha juventude inteiramente ao tênis. Nem todo mundo consegue dedicar a vida a uma única coisa. Acho que o tempo que passei tão envolvido nisso foi realmente feliz.

Seu próximo papel ainda não está definido. Ele falou sobre uma academia, um clube de tênis e apoio financeiro para que jovens jogadores treinem no exterior, mas deixou claro que essas são ideias, não projetos anunciados. Por enquanto, a aposentadoria traz tanto alívio das exigências da competição quanto tristeza por deixar para trás as partidas de alto nível.

O que os números da carreira revelam

A homenagem à carreira da ATP registra 12 títulos no circuito e outras 15 finais, incluindo quatro em torneios Masters 1000. Esses eventos ficam abaixo dos quatro Grand Slams na hierarquia do tênis masculino. Nishikori nunca conquistou um título de Masters 1000, mas suas repetidas participações em finais mostram quantas vezes ele desafiou os melhores do esporte.

Ele também se classificou quatro vezes para o ATP Finals, o torneio que encerra a temporada e reúne os principais jogadores, e chegou às semifinais em duas ocasiões. Terminou duas temporadas entre os cinco primeiros e outras duas entre os dez primeiros.

Sua distinção estatística mais marcante talvez seja a capacidade de vencer jogos equilibrados. Segundo o Infosys ATP Win/Loss Index citado pela ATP, Nishikori venceu 158 de 218 sets decisivos, com aproveitamento de 72,5%. Esse índice é o terceiro melhor nos registros históricos do circuito, atrás dos 73,4% de Bjorn Borg e dos 72,8% de John McEnroe.

Um set decisivo é o último set necessário quando os dois jogadores venceram o mesmo número de sets. Nas partidas que chegaram ao quinto set, o retrospecto de Nishikori foi ainda melhor: 29 vitórias e oito derrotas, ou 78,4%. Esses números dão uma base mensurável à fama de determinação competitiva celebrada em sua despedida.

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A campanha no US Open que mudou suas expectativas

A grande virada na carreira de Nishikori aconteceu no US Open de 2014. Ele venceu Milos Raonic em cinco sets na quarta rodada e precisou de mais cinco sets para derrotar Stan Wawrinka nas quartas de final. Essas duas partidas o mantiveram em quadra por mais de oito horas antes de enfrentar o número 1 do mundo, Novak Djokovic.

Ele derrotou Djokovic em quatro sets e se tornou o primeiro homem asiático a chegar à final de simples de um Grand Slam. Marin Cilic o venceu na decisão, deixando Nishikori sem o título de Grand Slam que sonhava conquistar desde criança.

No evento de despedida, Nishikori disse que o torneio continuava sendo a lembrança mais marcante de sua vida no tênis. Ao recordar a campanha, destacou menos a derrota na final e mais a descoberta de que era capaz de chegar àquela etapa.

Isso me deu uma confiança enorme. Perdi a final, mas ganhei ainda mais motivação. Saber que eu tinha capacidade para chegar à final de um Grand Slam levou ao que veio depois.

A conquista marcou uma temporada em que ele venceu 54 partidas, perdeu 14 e levantou quatro troféus. Esses quatro títulos representaram um terço dos 12 títulos da ATP que conquistaria ao longo da carreira. Naquele ano, ele também se tornou o primeiro homem asiático a se classificar para o ATP Finals, antes de alcançar sua melhor posição no ranking, o 4º lugar, em março de 2015.

Federer retribui a admiração

A participação de Federer deu à despedida em Tóquio uma ligação pessoal com o início da trajetória de Nishikori. Nishikori lembrou dos treinos com o suíço quando tinha 16 anos e de como aprendeu tanto com a qualidade de seus golpes quanto com a seriedade de sua preparação.

Federer, ex-número 1 do mundo e vencedor de 20 títulos de simples de Grand Slam, disse que o jovem Nishikori se destacava entre seus parceiros de treino. Durante as homenagens de despedida, também elogiou o backhand do japonês e a dificuldade de enfrentá-lo.

Sempre que joguei contra você, foi um enorme desafio. Você tinha todas as qualidades necessárias para ter sucesso neste esporte; seu tênis ficou cada vez mais agressivo, e acredito que seu backhand foi um dos melhores da história.

Federer venceu oito dos 11 confrontos oficiais entre eles, enquanto Nishikori conquistou três vitórias. Os registros da ATP contabilizam sete vitórias de Nishikori contra Federer, Rafael Nadal e Djokovic somados: três contra Federer e duas contra cada um dos outros.

Nishikori reagiu aos elogios com bom humor, sugerindo que cerca de metade deles era gentileza. Seu relato sobre competir naquela época foi mais sério: Federer, Djokovic, Nadal e Andy Murray eram tão fortes que superar o grupo se tornou uma motivação central para os jogadores que vinham logo atrás.

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Uma medalha olímpica com outro significado

Uma das duas vitórias de Nishikori sobre Nadal garantiu o bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A ATP identifica o resultado como a primeira medalha olímpica do Japão no tênis em 96 anos, o que lhe deu um significado nacional além de mais uma vitória sobre um grande rival.

No evento de despedida, Nishikori comparou as Olimpíadas ao circuito profissional habitual, no qual os jogadores competem por premiação em dinheiro e pontos no ranking. Ele disse que jogar por pessoas que poderiam se alegrar com seu desempenho o ajudou a encontrar outro tipo de força.

Ao explicar a motivação por trás da vitória na disputa pela medalha de bronze, Nishikori disse:

No meu caso, quando jogava pensando que talvez algumas pessoas ficassem felizes, ou que eu estava fazendo aquilo por outra pessoa, ficava incrivelmente forte. Isso me ajudou a vencer Nadal em um momento importante e conquistar uma medalha.

Ele descreveu essa vitória como uma conquista pela qual podia se dar crédito. Cinco anos depois, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, chegou às quartas de final após começar a campanha vencendo o quinto cabeça de chave, Andrey Rublev.

As lembranças olímpicas também se ligam à sua próxima ambição. Na entrevista coletiva, ele falou sobre querer elevar o valor do tênis e do esporte no Japão, ampliando a conexão com o público que sentiu ao representar o país.

As últimas semanas e as pessoas por trás delas

A aposentadoria de Nishikori se desenrolou em várias ocasiões distintas, em vez de uma única despedida. Sua última partida, a cerimônia no Japan Open e a celebração da Uniqlo lhe deram a oportunidade de falar sobre diferentes momentos de sua vida no tênis.

  • Abril de 2026: Nishikori anunciou a aposentadoria e disse que o amor pelo tênis e a confiança de que poderia evoluir o fizeram voltar à quadra repetidas vezes.
  • 1º de outubro: Perdeu na primeira rodada do Japan Open, em Tóquio, sua última partida oficial.
  • 6 de outubro: Fez um discurso de aposentadoria no local do Japan Open. Entre os presentes estavam Masaaki Morita, benfeitor de jovens tenistas, e Michael Chang, ex-técnico.
  • 11 de outubro: Cerca de 9.000 espectadores foram ao evento de despedida da Uniqlo no Ariake Coliseum, seguido da entrevista coletiva sobre sua aposentadoria.

Na cerimônia de 6 de outubro, Nishikori agradeceu aos pais, à irmã, à equipe e aos torcedores. Lembrou que começou a jogar tênis aos cinco anos e atribuiu à irmã o papel de sua primeira rival. Também falou do empenho do pai e do apoio da mãe.

Os relatos divergem sobre a idade em que ele se mudou para os Estados Unidos. Em seu discurso na cerimônia, Nishikori disse que foi para lá aos 13 anos, com o apoio de Morita. A homenagem da ATP situa sua mudança para a IMG Academy, na Flórida, aos 14 anos e afirma que ele chegou sem falar inglês. Ambos os relatos identificam o treinamento no exterior como uma etapa importante de seu desenvolvimento.

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Uma celebração que reuniu jogadores diferentes

O evento, UNIQLO LifeWear Day Tokyo 2026 with Kei Nishikori, durou cerca de quatro horas. O público, de aproximadamente 9.000 pessoas, participou após ser selecionado por sorteio público. A Uniqlo, patrocinadora de longa data de Nishikori e marca para a qual ele atua como embaixador global, organizou a celebração.

Federer e Nishikori formaram uma dupla em uma partida de exibição contra os ex-jogadores japoneses Go Soeda e Satoshi Iwabuchi. Outra partida reuniu Nishikori e o campeão de tênis em cadeira de rodas Shingo Kunieda contra Federer e Gordon Reid. Arthur Rinderknech também participou das atividades de tênis do dia.

As diferentes formações fizeram da despedida mais do que uma sequência de discursos. Nishikori pôde jogar ao lado do rival que admirava na adolescência e dividir a quadra com nomes do tênis japonês e do tênis em cadeira de rodas.

Ao falar com o público, Nishikori agradeceu por poder encerrar a carreira com o apoio dos presentes. Sua despedida pública transmitiu aceitação, embora, na cerimônia anterior, ele também tivesse reconhecido a frustração por resultados que gostaria de ter alcançado.

Esses sentimentos não são incompatíveis. Ele podia estar satisfeito com o esforço que dedicou e, ainda assim, desejar um título de Grand Slam, uma posição melhor no ranking ou mais tempo para competir. No anúncio de aposentadoria feito em abril, já havia dito que ainda queria continuar jogando, mas que podia afirmar com orgulho que havia dado tudo de si.

A aposentadoria muda o significado da dor

A entrevista coletiva ofereceu um retrato mais íntimo dessa transição. Nishikori disse que ainda sentia dores depois do Japan Open, mas já não precisava avaliar cada incômodo em função das exigências da partida do dia seguinte.

Para um jogador cuja carreira mais recente foi marcada por repetidas interrupções por lesões, essa foi uma mudança significativa. Ele descreveu o fim dessa preocupação constante como uma sensação de liberdade, sem afirmar que a aposentadoria havia feito seus problemas físicos desaparecerem.

Nishikori também explicou que, durante a carreira, as preocupações com os testes antidoping influenciavam a forma como obtinha medicamentos. Disse que, mesmo quando estava resfriado, costumava ir ao hospital e receber a prescrição de um medicamento adequado. Agora, poder comprar remédios em uma farmácia facilita o dia a dia. Essa foi a descrição das precauções que ele próprio tomava, não uma afirmação de que todo medicamento vendido em farmácias é proibido para atletas.

Havia outras liberdades menores e mais alegres: pedir duas sobremesas no almoço e esperar tirar a carteira de motorista no Japão. Ainda assim, ele também disse que a ausência da competição de alto nível ficava mais evidente a cada dia.

Os registros da ATP mostram por quanto tempo seu espírito competitivo permaneceu vivo. Em 2025, aos 35 anos, ele chegou à final de Hong Kong, seis anos após seu título anterior na ATP, em Brisbane, e venceu o terceiro cabeça de chave, Karen Khachanov, durante a campanha.

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Por que as oportunidades no exterior são centrais em seus planos

As ideias de Nishikori para apoiar jovens jogadores vêm diretamente de sua própria experiência de deixar o Japão. Ele disse que os principais centros do tênis profissional ficam na Europa e nos Estados Unidos e defendeu que os jovens precisam enfrentar jogadores dessas regiões para desenvolver a força mental exigida nos níveis mais altos.

Ele também disse que permanecer na Ásia pode dificultar esse avanço. Na avaliação dele, alguns torneios asiáticos oferecem uma competição menos forte do que eventos com premiação semelhante na Europa ou nos Estados Unidos. Essa foi sua visão sobre o desafio de desenvolvimento, não uma classificação de torneios publicada pela ATP.

O obstáculo prático é o custo. Nishikori reconheceu que treinar e competir no exterior exige muito e sai caro, e que nem todas as famílias podem seguir o caminho que ele percorreu. A academia, o clube, a fundação ou o fundo que propôs buscariam ajudar a diminuir parte dessa diferença.

A meta que ele descreveu vai além de formar um sucessor. Ele quer ajudar muitos jogadores a chegar ao top 50 ou ao top 30. Essa diferença importa: aponta para a formação de um grupo maior de jogadores competitivos internacionalmente, em vez da dependência de uma carreira excepcional.

Nishikori também disse que gostaria de transmitir o que aprendeu sobre a recuperação de lesões. O trabalho silencioso e repetitivo necessário para voltar a competir o ajudou a crescer, afirmou, e é uma experiência que espera compartilhar com as novas gerações.

O que está decidido e o que ainda é uma ideia

Nishikori não anunciou a criação de uma academia, de um programa de financiamento ou de uma fundação. Não informou data de abertura, local, orçamento ou processo de seleção para o apoio a jovens jogadores. Disse que queria consultar diferentes pessoas para definir a forma mais eficaz de ajudar.

Questionado sobre com quem gostaria de conversar, citou em tom de brincadeira a primeira-ministra Sanae Takaichi. A resposta provocou risos na entrevista coletiva, mas não foi um anúncio de reunião, participação do governo ou financiamento público.

Ele também mencionou Naomi Osaka ao refletir sobre o peso de representar as expectativas japonesas e apontou Rei Sakamoto como um dos novos jogadores cujo progresso gostaria de apoiar. A homenagem da ATP inclui o relato de Sakamoto sobre ter crescido assistindo a Nishikori, mostrando como a grande campanha de 2014 chegou à geração seguinte.

Sakamoto, jovem jogador japonês que mais tarde derrotou Nishikori no qualifying do US Open, disse à ATP:

Muita gente [no Japão] acompanha tênis por causa dele. Ele é um astro.

O compromisso imediato de Nishikori é descansar e depois explorar como poderá continuar envolvido com o esporte. Sua aposentadoria encerra a busca por títulos como jogador profissional. A estrutura de sua próxima contribuição ainda não foi definida, mas as prioridades que mencionou são claras: fortalecer o tênis japonês e asiático, ampliar o acesso a competições no exterior e levar mais jogadores ao topo do ranking.

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Principais pontos

  • Nishikori, de 36 anos, disputou sua última partida oficial no Japan Open em 1º de outubro de 2026.
  • Cerca de 9.000 torcedores participaram do evento de despedida em 11 de outubro, no Ariake Coliseum, com Federer entre os convidados.
  • Sua carreira rendeu 12 títulos da ATP, 452 vitórias no circuito e a melhor posição de número 4 no ranking.
  • Chegou à final do US Open de 2014 e conquistou o bronze olímpico no Rio, em 2016.
  • A ATP registra aproveitamento de 72,5% em sets decisivos, o terceiro melhor índice de sua história.
  • Ele quer ajudar mais jogadores japoneses e asiáticos a chegar ao top 50 e ao top 30, mas ainda não anunciou um programa nem uma data de lançamento.
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