Proteção policial, avaliações contestadas e quase 3 milhões de ingressos
O ator sul-coreano Yoo Hae-jin recebeu um smartwatch de emergência e passou a contar com patrulhas policiais reforçadas enquanto a controvérsia em torno de The Assassin(s) se estende das críticas históricas a protestos diante de sua suposta residência, pressão sobre anunciantes e acusações de manipulação de avaliações on-line. Enquanto isso, o filme chegou a 2.884.498 ingressos vendidos até as 7h de 11 de outubro, segundo dados atribuídos à rede integrada de bilheteria do Conselho Cinematográfico da Coreia.
Conteúdo
- Proteção policial, avaliações contestadas e quase 3 milhões de ingressos
- O que o filme sugere e o que os investigadores concluíram
- Protestos passam das telas para a vida privada
- O que as medidas policiais realmente envolvem
- Naver diferencia erro de software de abuso automatizado
- Queixas políticas ampliam a disputa
- Ministro e cineastas traçam limite contra intimidação
- Participações canceladas, mas Singapura mantém a escolha
- Venda de ingressos aumenta, mas lucro é outra questão
- Datas importantes e desfechos ainda indefinidos
- Em resumo
O total mais recente de espectadores deixa o suspense do diretor Hur Jin-ho perto de 3 milhões de ingressos, apesar do cancelamento de eventos promocionais e dos pedidos para que os cinemas deixem de exibi-lo. A disputa também chegou a Singapura, onde os organizadores do festival mantiveram a decisão de escolher o filme como título de abertura de sua 37ª edição, apesar das objeções do Partido do Poder Popular, da Coreia do Sul.
Dois casos policiais distintos estão agora no centro da controvérsia. A Delegacia de Seongbuk adotou medidas para proteger Yoo após um pedido de sua agência. Separadamente, o Naver, maior portal da Coreia do Sul, pediu à polícia que investigue abusos automatizados que afetaram as reações às avaliações do filme. Nenhum dos dois desdobramentos identifica quem operou as ferramentas automatizadas nem se a atividade teve motivação política.
Lançado em 23 de setembro, o filme se inspira na tentativa de assassinato do presidente Park Chung-hee, em 15 de agosto de 1974, durante uma cerimônia do Dia da Libertação, em Seul. Park sobreviveu, mas a primeira-dama Yuk Young-soo foi fatalmente ferida. Os cineastas afirmam que a investigação fictícia não estabelece uma nova conclusão histórica. Críticos conservadores argumentam que as insinuações de envolvimento do governo distorcem o episódio e prejudicam a reputação de Yuk e sua família.
O que o filme sugere e o que os investigadores concluíram
A investigação histórica concluiu que o atirador Mun Se-gwang, coreano residente no Japão, agiu sob instruções ligadas à Coreia do Norte. Relatos dizem que ele tinha 22 anos na época do ataque. Foi preso no local e executado meses depois.
O filme acompanha um detetive policial interpretado por Yoo, um experiente jornalista de jornal interpretado por Park Hae-il e um repórter mais jovem interpretado por Lee Min-ho. A investigação fictícia dos personagens considera se outras pessoas, incluindo figuras do governo de Park ou da Agência Central de Inteligência da Coreia, poderiam ter participado.
Essa distinção está no cerne da discussão: o longa explora suspeitas que vão além da conclusão da investigação histórica, enquanto seus críticos dizem que o público pode interpretar essas suspeitas como acusações contra pessoas reais. Algumas descrições do filme associam a conspiração sugerida à pressão política após o sequestro do líder oposicionista Kim Dae-jung.
Hur negou que o filme retrate Park como o responsável pelo ataque. A Hive Media Corp., produtora do longa, também rejeitou a ideia de que ele tenha sido feito para resolver a questão histórica. Em comunicado sobre o propósito do filme, a empresa afirmou:
Não é um filme feito para estabelecer uma nova conclusão histórica específica nem para distorcer fatos estabelecidos.
Os cineastas reconhecem que uma obra envolvendo figuras históricas reais está sujeita a interpretações divergentes e críticas. A posição deles não significa que as teorias fictícias do filme tenham sido comprovadas, assim como as objeções a essas teorias não demonstram, por si só, a ocorrência de uma violação legal.
Protestos passam das telas para a vida privada
Cerca de 50 pessoas se reuniram perto de uma casa no distrito de Seongbuk, em Seul, que se acredita pertencer a Yoo, segundo uma estimativa informal da polícia. Os manifestantes exigiram o fim das exibições e pedidos de desculpas do elenco e dos produtores. Os relatos divergem quanto à data: vários situam a manifestação inicial em um domingo, enquanto outros mencionam 4 de outubro e descrevem protestos diários a partir de então.
A campanha se estendeu à sede coreana do Burger King, onde manifestantes convocaram um boicote e exigiram que a empresa encerrasse sua relação publicitária com Yoo. Outro grupo protestou em frente à Hive Media Corp. Relatos situam esses protestos em 6 de outubro, embora outros digam que ocorreram na terça-feira.
A VAST Entertainment, agência de Yoo, disse estar reunindo publicações on-line e outras provas relacionadas a supostas falsidades, ataques pessoais, violações de privacidade e ameaças. Em seu comunicado, a agência distinguiu essas condutas das críticas ao próprio filme:
Adotaremos uma postura firme contra quaisquer ações que violem a privacidade do ator, ameacem sua segurança ou manchem sua reputação.
Esses relatos não confirmam nenhuma mudança no contrato publicitário de Yoo. O que está documentado é o pedido de cancelamento, não uma decisão do anunciante.
O que as medidas policiais realmente envolvem
A Delegacia de Seongbuk forneceu a Yoo um smartwatch com rastreamento de localização e acionamento de emergência, cadastrou-o no sistema de resposta a emergências 112 e reforçou as patrulhas em torno de sua residência. Nenhum agente foi designado para protegê-lo exclusivamente. As medidas oferecem, portanto, uma forma de pedir ajuda e uma presença policial maior, mas não vigilância pessoal contínua.
Relatos com datas específicas situam a adoção das medidas em 6 de outubro, após uma solicitação da agência do ator. Outros relatos dizem que a ação ocorreu na terça-feira. As informações coincidem quanto à proteção oferecida, mas divergem na descrição das datas.
Um representante da polícia explicou que medidas de proteção podem ser adotadas antes que um crime ocorra quando há preocupação fundamentada com possíveis danos. O comissário da Polícia Metropolitana de Seul, Go Beom-seok, também afirmou que a polícia tomaria medidas legais contra ameaças ou atos de violência e poderia ampliar a proteção, se necessário. Ao descrever essa abordagem, ele disse:
Se avaliarmos que pode haver riscos à segurança, adotaremos medidas adicionais, como reforço das patrulhas ou proteção pessoal.
A decisão não significa que todos os manifestantes tenham cometido uma infração. Ela reflete uma avaliação de segurança motivada por reuniões perto de uma residência particular e comentários ameaçadores na internet. Os relatos não mencionam prisões nem decisões judiciais decorrentes do caso.
Naver diferencia erro de software de abuso automatizado
A resposta do Naver envolve dois problemas que não devem ser tratados como se fossem a mesma coisa. Primeiro, em 29 de setembro, a empresa informou que algumas avaliações haviam aparecido mais de uma vez e que as contagens de curtidas e rejeições tinham sido duplicadas. Disse ter removido as avaliações repetidas e desconsiderado as reações duplicadas.
Durante a análise, o Naver afirmou ter detectado separadamente tráfego anormal e abuso automatizado envolvendo as reações às avaliações de The Assassin(s). Um aviso publicado em 4 de outubro informou que a empresa havia solicitado formalmente uma investigação policial em 1º de outubro. Essas datas estabelecem uma sequência mais precisa do que as descrições iniciais, segundo as quais o pedido teria sido anunciado no domingo.
Segundo relatos, uma avaliação acumulou mais de 1,37 milhão de curtidas antes da intervenção do Naver e depois caiu para menos de 50 mil. Essa redução mostra a dimensão da contagem contestada, mas não permite determinar quanto se deveu ao erro de software, à atividade automatizada ou a outra causa.
O Naver alterou temporariamente a ordem padrão das avaliações do filme, que deixou de priorizar as mais curtidas e passou a mostrar as mais recentes. Também mudou a primeira exibição de informações sobre filmes nos resultados de busca para priorizar as avaliações de especialistas, em vez das avaliações de usuários, e disse estar considerando outras salvaguardas e mudanças na ordenação das avaliações.
É importante destacar que a confirmação do Naver dizia respeito às reações às avaliações. Ela não comprovou que as próprias notas numéricas do filme tivessem sido manipuladas. A identidade dos responsáveis, seu propósito e qualquer ligação com organizações políticas continuam sob investigação.
Queixas políticas ampliam a disputa
O líder do Partido do Poder Popular, Jang Dong-hyeok, pediu um boicote, enquanto um integrante do partido apresentou uma queixa à polícia acusando o diretor, o roteirista e os produtores de difamação. Uma queixa é um pedido de investigação legal, não uma decisão de que as acusações sejam verdadeiras. A Fundação Park Chung-hee também exigiu um pedido oficial de desculpas e a suspensão das exibições.
Integrantes da família de Park manifestaram preocupação de que o filme parecesse atacar o ex-presidente ou seu serviço de segurança presidencial. A Federação Coreana de Associações de Professores também aderiu às críticas, argumentando que obras de ficção podem influenciar a compreensão do público sobre a história e que a liberdade criativa não justifica a distorção de fatos históricos.
A deputada do Partido do Poder Popular Na Kyung-won contestou a intervenção do Naver, alegando controle seletivo da opinião pública. Ela afirmou que mudar apenas a ordem das avaliações desse filme deu maior visibilidade a comentários recentes que atribuíam nota máxima. A explicação apresentada pelo Naver foi que a empresa havia identificado abuso automatizado na página de avaliações do filme. A alegação de Na não é uma conclusão comprovada sobre as motivações da empresa.
Na pediu que o caso fosse analisado durante a auditoria da Assembleia Nacional. Também se esperava que a controvérsia fosse abordada na auditoria parlamentar do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo em 7 de outubro, embora não haja aqui informações sobre o resultado dessa sessão.
Outras acusações dizem respeito ao financiamento. Alegações de investimento chinês circularam na internet, mas a Hive Media Corp. as negou e afirmou que o filme foi planejado e produzido de forma independente, com capital nacional. Também não foram comprovadas as alegações de pressão política sobre os investidores.
Ministro e cineastas traçam limite contra intimidação
O ministro da Cultura, Chae Hwi-young, pediu que a polícia e outras autoridades protejam o elenco e a equipe e apliquem as leis contra ameaças e intimidação. Alguns relatos grafam o sobrenome do ministro como Choi, em vez de Chae. No comunicado atribuído a Chae, ele defendeu o debate público sobre o filme, mas condenou as ameaças aos seus criadores:
As pessoas são livres para avaliar um filme, mas ameaçar a segurança de seus criadores destrói a democracia.
O ministro também descreveu o princípio segundo o qual o governo pode apoiar as artes sem determinar seu conteúdo. Ele argumentou que supostos casos de difamação ou outros problemas legais devem ser tratados por meio de ações cíveis ou processos criminais após o lançamento, em vez de intervenção administrativa para suprimir uma obra de que alguém não goste.
Uma coalizão de 19 organizações cinematográficas manifestou preocupação com o fato de a controvérsia ter chegado à vida cotidiana e à segurança das pessoas envolvidas. O grupo reconheceu a legitimidade do debate histórico e a dor das famílias enlutadas, mas diferenciou as críticas a uma obra da pressão sobre quem participou dela.
Em uma coletiva de imprensa separada em Busan, cerca de 20 diretores e representantes do setor, entre eles Chung Ji-young e Lee Myung-se, alertaram contra julgar as intenções de um filme sem assisti-lo por completo. O comunicado afirmou:
Cabe ao público, não aos políticos, julgar.
A manifestação defendeu o direito de criar e avaliar um filme sem intimidação. Ela não resolveu a questão de saber se o tratamento dado ao episódio histórico é preciso.
Participações canceladas, mas Singapura mantém a escolha
A Hive Media Corp. cancelou as saudações promocionais no palco previstas para Seul e Busan, alegando preocupações com a segurança. Também foram canceladas as aparições programadas no Festival Internacional de Cinema de Busan, uma sessão de fotos ao ar livre e uma exibição pública gratuita. Lee Min-ho desistiu de uma conversa aberta ao público, e Yoo cancelou suas participações no festival.
A repercussão foi além deste filme. Yoo também não compareceria ao Buil Film Awards, onde havia sido indicado separadamente ao prêmio de melhor ator por The King's Warden. Park Hae-il, por sua vez, participou de um evento em Busan sobre Waikiki Brothers, mostrando que o cancelamento das ações promocionais de The Assassin(s) não significou que todos os integrantes do elenco tenham desistido de todas as atividades do festival.
O Partido do Poder Popular enviou uma carta oficial ao Festival Internacional de Cinema de Singapura pedindo a retirada de The Assassin(s) da programação de abertura. Os organizadores recusaram-se a mudar a seleção e disseram que o filme havia sido escolhido de forma independente por seu mérito artístico. O comunicado afirmou:
O SGIFF respeita a visão criativa dos cineastas por trás de 'The Assassin(s)', que continua sendo o filme de abertura da 37ª edição do festival.
A exposição pública do filme seguiu, portanto, rumos diferentes: os eventos promocionais na Coreia do Sul foram reduzidos, enquanto sua sessão de abertura internacional foi mantida. Não há relato de uma decisão posterior do festival de Singapura para voltar atrás.
Venda de ingressos aumenta, mas lucro é outra questão
O filme perdeu brevemente a liderança nas bilheterias nacionais no fim de setembro, com 67.406 ingressos vendidos, contra 68.913 de Tazza: Song of Beelzebub. Os relatos divergem quanto à data exata dessa comparação. Mais tarde, o longa voltou ao primeiro lugar e atraiu 522.405 espectadores entre 3 e 5 de outubro.
Dados publicados em 6 de outubro apontaram um público acumulado de 2.412.816 ou 2.412.817, diferença de um ingresso. Os mesmos relatos registraram público de 178.853 ou 178.854 em 5 de outubro. A receita de bilheteria informada foi de 23,6888 bilhões de won, ante um custo de produção estimado em cerca de 19 bilhões de won.
A receita bruta dos ingressos não corresponde ao lucro da produtora. Os cinemas ficam com parte da bilheteria, e o restante precisa cobrir investimentos, distribuição e outros custos. A estimativa divulgada para cobrir os custos era de cerca de 3,7 milhões de ingressos, o que deixava uma diferença de aproximadamente 1,29 milhão em relação ao total de 6 de outubro.
Em 11 de outubro, o total informado, de 2.884.498, estava cerca de 471.700 acima da contagem anterior, um aumento de aproximadamente 19,5%. Em relação à mesma estimativa de 3,7 milhões, ainda seriam necessários outros 815.502 ingressos. O filme atraiu cerca de 160 mil espectadores no Dia do Hangul, em 9 de outubro, e teria liderado as reservas antecipadas entre os filmes coreanos por 27 dias consecutivos.
Essa classificação entre filmes coreanos é mais restrita do que a classificação de todos os lançamentos. O longa podia liderar entre as produções nacionais e, ao mesmo tempo, ficar em terceiro lugar nas vendas antecipadas totais, como informou um relato de 6 de outubro. A forte presença do público também não comprova que a controvérsia tenha causado o sucesso do filme.
Datas importantes e desfechos ainda indefinidos
Os principais acontecimentos mostram como uma disputa sobre uma premissa histórica se transformou em várias controvérsias distintas, envolvendo segurança, sistemas on-line, queixas legais e programação de festivais:
- 23 de setembro: The Assassin(s) estreou nos cinemas sul-coreanos.
- 29 de setembro: O Naver informou que havia avaliações e contagens de reações duplicadas.
- 1º de outubro: O Naver pediu formalmente uma investigação policial, segundo aviso publicado pela empresa em 4 de outubro.
- 4 de outubro: Relatos com datas específicas situam nesse dia um protesto em frente à suposta residência de Yoo, enquanto outros descrevem uma manifestação em um domingo.
- 6 de outubro: Relatos com datas específicas situam nesse dia o início das medidas policiais de segurança e dos protestos no Burger King e na Hive Media Corp.
- 7 de outubro: Esperava-se que a controvérsia fosse abordada na auditoria parlamentar do Ministério da Cultura.
- 11 de outubro: O público acumulado informado chegou a 2.884.498.
Uma previsão sugeriu que o filme poderia ultrapassar 3 milhões de ingressos em 11 ou 12 de outubro. Era uma projeção, não a confirmação de que a marca havia sido atingida. Segundo esses relatos, não foram anunciados prazo para a conclusão da investigação policial solicitada pelo Naver, data para a audiência da queixa por difamação nem resultado financeiro confirmado.
Em resumo
- Yoo Hae-jin recebeu um smartwatch de emergência, foi cadastrado no sistema de emergência e passou a contar com patrulhas reforçadas, mas nenhum agente foi designado para protegê-lo exclusivamente.
- O Naver identificou abuso automatizado envolvendo reações às avaliações, separadamente dos erros de contagem de itens duplicados.
- Os cineastas descrevem o filme como ficção, enquanto críticos exigem pedidos de desculpas e o fim das exibições.
- Preocupações com a segurança interromperam eventos promocionais na Coreia do Sul, mas Singapura manteve o filme como título de abertura do festival.
- O público chegou a 2.884.498 em 11 de outubro, ainda abaixo da estimativa divulgada de 3,7 milhões de ingressos para cobrir os custos.
- Os responsáveis pela atividade automatizada e os desfechos das queixas legais continuam desconhecidos.






