Mortes inesperadas chocam equipe do zoológico
Três leoas do Parque Zoológico de Tama, no oeste de Tóquio, morreram em uma semana por suspeita de estresse térmico. Os animais apresentaram sinais de desidratação e falência de órgãos durante as temperaturas escaldantes do verão japonês. A equipe nunca havia enfrentado perdas desse tipo, apesar dos verões quentes anteriores.
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As leoas que morreram eram Mugi, de três anos, Ichigo, de onze, e Luena, de quinze. Cada uma parou de comer e depois desabou, sem conseguir ficar em pé. As equipes do zoológico usaram ventiladores para resfriá-las, borrifaram água e administraram fluidos por via intravenosa, mas os animais morreram entre o fim de julho e o início de agosto.
Dez dos 16 leões do zoológico precisaram de tratamento durante a crise. Outros três continuam sob cuidados, enquanto quatro se recuperaram e seis permaneceram saudáveis durante todo o período. Os felinos afetados agora descansam em espaços internos com ar-condicionado e ventiladores industriais ligados sem parar.
Alta umidade impede o resfriamento natural
Os leões regulam a temperatura corporal por meio da respiração ofegante e profunda, que libera umidade pelas vias respiratórias. Em condições secas na África, esse método funciona bem, mas a umidade de Tóquio dificulta a evaporação e retém o calor no corpo. Hideaki Karaki, professor de veterinária da Universidade de Tóquio, observou que o aumento repentino da temperatura em meados de julho não deu tempo para os animais se adaptarem.
Neste verão, o Japão introduziu uma nova categoria, chamada de dia extremamente quente, para temperaturas acima de 40 graus Celsius. Algumas regiões do país registraram cinco dias consecutivos nesse patamar, a sequência mais longa já registrada. O mesmo fator de umidade que prejudicou os leões também contribuiu para milhares de casos de insolação entre pessoas em todo o país.
Onda de calor regional se estende pelo leste da Ásia
A Coreia do Sul registrou sua temperatura mais alta em 122 anos, quando Yangsan chegou a 42,5 graus Celsius. O governo declarou desastre nacional e contabilizou 19 mortes relacionadas ao calor. A Coreia do Norte emitiu alertas em várias regiões, enquanto parques aquáticos em Pyongyang atraíram multidões em busca de alívio.
Cientistas associam as condições extremas a um forte fenômeno El Niño em formação no Pacífico. Esse ciclo natural aquece as águas do oceano, elevando as temperaturas globais do ar e alterando os padrões de chuva. A Organização Meteorológica Mundial alertou que o episódio atual está entre os mais fortes já registrados e provavelmente intensificará as ondas de calor nos próximos meses.
Zoológico adota medidas de resfriamento reforçadas
O Zoológico de Tama fechou a área dos leões e suspendeu o serviço de ônibus safári em 23 de julho, após o aparecimento dos sintomas. Os tratadores agora borrifam água, melhoram a circulação de ar e instalam aparelhos de ar-condicionado em áreas de todos os grandes felinos. O local abriga leões desde 1964, mas nunca havia registrado mortes relacionadas ao calor até este verão.
Exames post-mortem confirmaram desidratação generalizada e falência de órgãos nas três leoas. Testes de laboratório fornecerão a confirmação final, mas os resultados iniciais apontam claramente para estresse térmico. Os felinos que continuam doentes recebem fluidos, vitaminas e medicamentos sem interrupção, e alguns apresentam melhora gradual.
Impactos mais amplos sobre pessoas e animais
O Japão registrou mais de 43 mil internações por insolação somente neste verão. A Agência de Gestão de Incêndios e Desastres classificou a estação como um desastre, termo normalmente reservado para terremotos e tufões. Também houve perdas semelhantes de animais de criação na Coreia do Sul, onde quase meio milhão morreram de calor desde maio.
Pesquisadores do clima observam que o aquecimento causado pela atividade humana aumenta tanto a frequência quanto a intensidade desses eventos. O leste da Ásia agora enfrenta períodos mais longos de calor perigoso, que sobrecarregam os sistemas de saúde e afetam os habitats da vida selvagem. Zoológicos do mundo todo talvez precisem adotar sistemas permanentes de resfriamento interno à medida que os verões ficam mais quentes.
Principais pontos
- Três leoas, chamadas Mugi, Ichigo e Luena, morreram no Parque Zoológico de Tama por suspeita de estresse térmico, entre 28 de julho e 2 de agosto.
- A alta umidade impediu o método natural de resfriamento dos leões por meio da respiração ofegante, e o aumento repentino da temperatura não permitiu que se aclimatassem.
- Dez dos 16 leões precisaram de tratamento; a área continua fechada, e os sobreviventes descansam em recintos com ar-condicionado.
- Japão e Coreia do Sul registraram temperaturas recordes acima de 40 graus Celsius, com milhares de casos de doenças relacionadas ao calor.
- Um forte fenômeno El Niño contribui para as condições extremas no leste da Ásia e deve persistir por meses.






